Livro relaciona composições de Cazuza e Renato Russo à redemocratização do Brasil

Livro Brasil: Cazuza, Renato Russo e a transição democrática é lançado pela editora Civilização Brasileira (Foto: Divulgação/Grupo Record)

Matéria publicada no blog da Editora Record (leia aqui)

Já faz tempo que o jornalista Mario Luis Grangeia começou a se interessar pelas relações entre cultura e política, mas foi analisando as letras de composições de Cazuza e de Renato Russo que ele percebeu a relação entre a obra de dois ídolos da sua adolescência com a redemocratização do Brasil. Em Brasil: Cazuza, Renato Russo e a transição democrática, lançado pela editora Civilização Brasileira, ele coloca o foco na criação das obras desde 1978, época do início do Aborto Elétrico (primeira banda de Russo) e fim do governo Geisel, até 1996, ano de morte do líder da Legião Urbana e da gravação dos dois últimos álbuns de sua banda, A Tempestade e Uma Outra Estação.

“Examinei os discos – nas bandas e carreiras solo – e as entrevistas à imprensa. Encontrei muitas entrevistas e reportagens em jornais e revistas pesquisando no arquivo do jornal O Globo há quase uma década. Foi o primeiro contato com essa amostra, que se multiplicou a partir da consulta em livros como os da Lucinha Araújo e na internet. Tive a preocupação de recuperar comentários dos dois sobre suas letras e o que queriam exprimir com elas. Como leitor, prefiro conhecer opiniões dos criadores sobre suas obras mais do que as de terceiros, que também lançam novas luzes sobre as obras, com maior ou menor argúcia”, explica Mario Luis Grangeia.

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Dia de São João sem festa, mas com muito ‘anavan’

Bandeirinhas de São João

Comemorando o dia de São João, padroeiro da minha cidade (Niterói) e rei em cidades que amo do Nordeste…

Há dois anos, nesta mesma data, eu estava em Brejo do Cruz, sertão da Paraíba, trabalhando nas minhas pesquisas sobre Zé Ramalho. Vivi o São João de perto lá, em Campina Grande (um dos maiores), depois em Recife e em João Pessoa. Hoje, estou só trabalhando (ainda no mesmo projeto, mas bem mais perto do fim) e, por isso, abri mão de todas as festas de São João. Não vou pular a fogueira, não vou dançar quadrilha, não vou comer várias delícias numa tarde/noite só. Vou apenas escutar as músicas de sua trilha sonora para afagar meu coração saudoso enquanto escrevo, escrevo, escrevo…

Aproveito, então, que não estou em festa (ou melhor, estou numa festa particular) para estender bandeirinhas brancas e pedir mais amor e paz não só nesse São João, mas também nesta vida. Que facas parem de perfurar, que armas deixem de disparar, que ofensas não sejam mais ditas e que pessoas abdiquem um pouco de seu universo particular para pensar em dupla e vir fazer uma grande quadrilha. Que nosso país não perca a graça de seu folclore e que nossa música seja pra sempre a melhor do mundo.

Vamos deixar esse papo de “anarriê” (arrière=pra trás) e vamos só “anavan” (en avant=pra frente)!

Feliz São João!!!

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Repórter demitida após assédio de MC Biel levanta questão: o problema são os jornalistas ou o Jornalismo?

MC Biel

Eu ando dizendo por aí que o Jornalismo vem me decepcionando há tempos. Mas faz pouco tempo que eu comecei a refletir se o problema é a profissão ou quem ganhou força nela e, hoje, comanda o chamado “noticiário”. Empresas particulares totalmente voltadas para seus próprios interesses, editores executivos muito mais preocupados em manter seus bônus altíssimos do que em trabalhar para melhorar o mundo a seu redor, anunciantes completamente parciais determinando a linha editorial dos veículos… É claro que eu sempre soube que, para começar a entender alguma coisa do que é divulgado (do que acontece no mundo), é preciso ler/ver/ouvir jornal/revista, rádio ou televisão diversos. Não adianta ir só em O Globo, só na Carta Capital ou só na Rádio Band, porque você não terá um panorama do tema, muito menos todos os pontos de vista sobre ele! Mas, enfim, não comecei esse post no intuito de refletir sobre como os leitores e espectadores podem pensar o mundo. Comecei esse post porque fiquei revoltada com a demissão da repórter assediada por MC Biel (leia aqui). Que empresa é essa que promete defendê-la e, logo depois, a deixa à deriva?

Eu proponho repúdio ao iG. Eu proponho que nunca mais cliquemos em nenhuma matéria deste site. Se o Jornalismo já está falindo (por causa dos motivos que coloquei acima e outros mais), proponho ajudarmos a matar aqueles que matam não só as notícias como a integridade de quem trabalha por elas.

Obs.: Lembro de uma vez em que, assediada moralmente por integrantes do Los Hermanos em uma entrevista, cheguei no jornal Extra contando a meu editor. Ele, imediatamente, deu-me carta branca para escrever uma crônica narrando a experiência escrota que eu tinha vivido. Fiz isso. Além de ter sido protegida pelo jornal da reclamação da assessoria de imprensa da banda e de ligações de fãs sem noção que acham bonito artista fazer esse tipo de babaquice, senti-me uma jornalista muito mais potente. Cadê esse bom senso que eu vi (e vivi) 10 anos atrás?

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Para Henrique Bartsch, sobre ‘Rita Lee Mora Ao Lado’ e saudade

Rita Lee Mora Ao Lado

De: Chris Fuscaldo <[email protected]>
Para: Henrique Bartsch <[email protected]>
Enviadas: Domingo, 05 de Junho de 2016 21:24:32
Assunto: Sobre o Ritz’s musical e a saudade

Querido Bart,

Faz anos que estou para te escrever. Cinco anos, para ser mais específica. Ou seis. Sei lá, acho que me perdi um pouco no tempo. Desde que saí das redações da Infoglobo, entrei numa vida louca e não consegui mais te dar notícias. Nem perguntar sobre o que você tinha de novo para me contar. Pois é… Nossa última troca de e-mails foi em outubro de 2009, quando embarquei para a mini turnê do ECT (Eu, Chris e Taís) em São Paulo. Eu tinha me esquecido que você era de Ribeirão Preto e não de Taubaté, onde tocamos. Lembra que te perguntei qual era mesmo a sua cidade? Depois dali, eu mergulhei nas pesquisas para a biografia do Zé Ramalho (que, acredite, não foi finalizada até hoje, mas depois falo mais sobre isso), tive grandes mudanças na vida pessoal e mergulhei na carreira acadêmica (terminei um mestrado e, agora, estou no doutorad0). Por isso a correria. Mas, olha, se eu pudesse te falar do quanto pensei em você, tantas vezes, em tantos momentos desses últimos anos… Eu quis te falar sobre o processo da minha pesquisa. Também quis muito te contar que o  adorou as cópias que dei para ele daquelas raridades de Bob Dylan que você me enviou de presente. E eu quis te dizer que seu livro furou a fila (que cresceu muito depois do ingresso na pós-graduação) e que finalmente eu ia poder conversar sobre ele com você. Mas, quando me dei conta, já era tarde demais… Você se foi em 2011, de repente, pegando todo mundo de surpresa e me deixando com muita saudade das nossas mensagens, dos papos sobre música e das análises sobre biógrafos, biografados e a relação da mídia com as biografias. Saudade, cara.

Mel Lisboa em Rita Lee Mora Ao LadoPor que falar disso hoje? Ensaiei escrever sobre Rita Lee Mora ao Lado, seu livro. Ou, como você costumava escrever, “RLML”. Sério. Li marcando páginas, sublinhando trechos, fazendo anotações. Li, não. Devorei. Se eu soubesse que ia ser tão rápido assim, teria feito ele furar a fila bem antes. Mas você entendeu quando te falei que tinha os livros da Hérica Marmo – que gentilmente nos apresentou virtualmente – na frente (o dos Titãs para ler e o do Paulo Coelho para revisar), os relacionados a Zé Ramalho que precisava investigar e os que precisava resenhar para a Rolling Stone. Infelizmente não conseguimos emplacar uma matéria bacana sobre “RLML”na revista, né? Ainda é um pouco difícil espaço para o biógrafo falar, sabia? Mas não tanto quanto naquele momento, acho… Depois da liberação do Supremo Tribunal Federal, melhorou bastante. Até eu andei dando entrevistas… Naquela época, em geral, os veículos pediam o biografado (ainda mais se ele fosse vivo). Você confirmou isso quando me contou que a produção do Ronnie Von convidou você se a Rita Lee fosse junto. E olha que foi ele quem batizou e lançou Os Mutantes na TV… Ah, Bart, se eu soubesse que nunca mais conseguiria conversar com você sobre “RLML”… Rita diria que são coisas da vida, né? O fato é que não consegui escrever nada ao saber do teu falecimento. Travei.

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Na defesa do Nordeste, contra qualquer tipo de preconceito

Eu na mesa da IFRJ

Participei, neste sábado (04/06), do evento I DIÁLOGOS PARA A ESCRITA: DISCURSO MIDIÁTICO E REPRESENTAÇÃO DE MINORIAS, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Dividi a mesa “REPRESENTAÇÃO DAS MINORIAS: ENFRENTAMENTOS E SOBREVIVÊNCIAS” com os queridos Haroldo André Garcia (MINORIAS SEXUAIS) e Renata Rodrigues (PRODUÇÃO LITERÁRIA DA PERIFERIA) e falei sobre o preconceito contra pessoas oriundas da região Nordeste usando como base a trajetória de Zé Ramalho e outros músicos nordestinos e relembrando aquela enxurrada vergonhosa de mensagens disseminadas logo após o resultado das últimas eleições.

Uma delícia ver aqueles olhinhos brilhando e querendo compartilhar conosco e, ao final, ouvir de muitos que esclarecemos (clareamos) dúvidas que eles tinham e não sabiam como externar. Na ótima mesa 2, estavam Aline Novaes, Edu Miranda e Gizele Martins.

Obrigada, professora Fabiana Pinho, pelo convite!

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Musical ‘Nuvem de Lágrimas’ é um verdadeiro mergulho no universo caipira e sertanejo do interior

Nuvem de Lágrimas - Lucy Alves e Gabriel Sater

Pouco depois de o ator, diretor e produtor Luciano Andrey encomendar a Anna Toledo um musical que não fosse biográfico, mas sim baseado em músicas da dupla Chitãozinho & Xororó, a atriz, escritora, cantora e compositora se deu conta de que era na trama do filme Orgulho e Preconceito que ela ia se inspirar. A história de amor e ódio que mistura orgulho e preconceito de Elizabeth (Keira Knightley) e Darcy (Matthew Macfadyen) virou, no musical Nuvem de Lágrimas, a história de Bete e Darcy, interpretados no palco pelos atores e músicos Lucy Alves e Gabriel Sater.

Nuvem de Lágrimas 2“Eu amo esse filme e achei que ia casar direitinho com uma história que se passa em uma cidade do interior”, contou Anna Toledo logo após a sessão para convidados realizada na última segunda-feira (16/05) no Teatro Oi Casagrande, no Rio de Janeiro, no qual o musical fica em cartaz até o fim de maio.

Musical Nuvem de LágrimasEntremeada por sucessos sertanejos e caipiras já gravados por Chitãozinho & Xororó, a peça conta a história de uma família humilde formada por uma mãe fazedora de geleias, um pai caminhoneiro que vive na estrada e cheio de dívidas e três irmãs. Duas delas formam uma dupla musical chamada Irmãs Borba, que costuma tocar nas festas das fazendas vizinhas, e também trabalham na pequena e amadora cooperativa da cidade. Uma delas se encanta e encanta Carlinhos, filho de um fazendeiro rico da cidade, o Doutor Jardim, cujo braço direito é o afilhado, o advogado Darcy, um rapaz soberbo que vive escondendo o seu maior prazer: tocar violão. Darcy e Bete, a irmã mais arredia, encontram-se e se desencontram o tempo todo, mas acabam, de certa forma, unidos pela música.

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Morre Cauby Peixoto, homem de grande voz e deliciosos beijos

Eu e Cauby Peixoto

Eu devia ter 20 anos quando fui a meu primeiro show de Cauby Peixoto. Era fã desde que nasci, afinal, minha avó paterna – que se prepara para completar 101 anos daqui a dois meses – vivia reproduzindo o maior sucesso de um de seus ídolos, Conceição, ao piano. Convidada pelas senhorinhas da família do meu namorado de então a acompanhá-las no espetáculo que o cantor niteroiense (meu conterrâneo) apresentaria no Bingo de Niterói – lugar, naquela época, ainda permitido -, empolguei-me com a possibilidade de ver de perto o dono daquele vozeirão que ouvia nos LPs de Orita.

Chegando lá, percebi que eu era uma das poucas pessoas com menos de 60 anos no local. Recebi alguns olhares desconfiados e outros afetuosos no caminho até meu assento. Já na mesa, aquela grande bola de grade iniciou a rodar, colocando as bolinhas numeradas para fora, aguçando minha ansiedade: entendi logo que levar um artista daquele porte àquela casa era uma espécie de estratégia, um chamariz para a jogatina. Mas eu não estava ali para jogar! O que eu queria mesmo era…

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Roberto Carlos deve finalmente tocar em Cuba, mas e Alexandre Pires?

Roberto Carlos e o calhambeque azul / Foto: Divulgação TV Globo

Vai parecer que é mentira minha, mas eu juro que estava para escrever sobre a equação Roberto Carlos + Cuba. Saber agora (hoje mesmo) que ele está planejando fazer um show gratuito na ilha, como o feito pelos Rolling Stones, mudou completamente o rumo da prosa. A ideia era antes fazer uma pequena crítica, questionar o por quê de o Rei nunca ter pensado em se apresentar em um dos países que mais consomem sua música. Não falo de vendas de discos, afinal, a maior parte do povo cubano não tem condição de comprar álbuns… Será por isso? Bom, e eu nem sei se os importados chegam lá (faltou apurar isso na minha última passagem pelo país). Falo de memória, de amor pela canção de um artista mesmo. Em Havana, ouvi pelo menos três músicos reproduzindo as versões em espanhol dos sucessos de Roberto: primeiro, em um restaurante com música ambiente ao piano; depois, dentro da minha própria casa, ou melhor, da casa onde me hospedei, cuja dona tinha um marido músico, integrante de uma tradicional banda de salsa local; por fim, na rua, através de um senhor que, com seu violão, sentado na escada de um prédio público, misturava bossa nova com os hits românticos do Rei enquanto eu passava.

Alexandre Pires em CubaPerguntei aos cubanos se sabiam porque Roberto Carlos nunca havia tocado lá e ninguém conseguia responder. Uma pessoa especulou que os artistas que tocam lá não recebem cachê porque o governo não consegue bancar eventos desse porte (só mesmo os de músicos cubanos) e provavelmente isso não atrairia nomes como o dele. Também me disseram (e aí não foi só ele, mas uma amiga brasileira que mora e trabalha em Cuba) que deve ser esse o caso de Alexandre Pires, artista também muito celebrado pelo povo da ilha (hoje em dia até mais que o Rei), mas que nunca se dispôs a ir até lá. Ao me deparar com a nota publicada por Lauro Jardim em seu blog, no site do jornal O Globo, fiquei pensando se a decisão de ir não foi mais da TV Globo do que do próprio Roberto, afinal, parte desse show será exibido no tradicional especial de fim de ano. Vai que a emissora está pensando em seguir os passos norte-americanos e trazer um pouco de Cuba para seus espectadores?

O que mudou na minha prosa? Simplesmente eu querer terminar o post celebrando o fato de, sendo for por dinheiro ou não, meus amigos de Cuba terão a oportunidade de realizar um sonho.

 

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O voto não foi para Dilma, mas deixá-la governar é sinônimo da democracia que sempre prezei

Dilma Rousseff

Nunca fui adepta a partido nenhum nem aficionada por político algum. Não votei na Dilma nenhuma vez porque em todos os turnos de todas as eleições eu estava fora da minha cidade. E, confesso, eu tinha dúvidas… Sempre tive dúvidas justamente por não conseguir entender o sistema político brasileiro. Agora mais madura, mais lida e um pouquinho entendida do assunto, tendo inclusive passado uma temporada em Brasília, cheguei à conclusão de que de fato não concordo com o sistema político brasileiro. Se eu tivesse algum poder, a primeira coisa que eu faria seria uma reforma política. Como não o tenho, me atenho a defender a única coisa que o brasileiro tem (e tem porque conquistou com muita luta, apesar de poucos lembrarem como foram os anos 1960, 1970 e 1980): a democracia.

Não votei na Dilma, mas 54 milhões de brasileiros votaram. E votaram porque viram sua vida melhorar nos anos de governo Lula e também no primeiro mandato dela. E vi, mesmo à distância (porque eu estava na Argentina na época), os políticos da oposição questionando a vitória, pedindo recontagem de votos e detonando os “nordestinos” por terem sido maioria nas urnas. Desde que ela ganhou, tentam impedi-la de governar e colaboram para que seu governo não se desenvolva, o que acaba por engrossar a crise. E o povo ignorante – como eu fui um dia – passa a acreditar que ela é a única responsável pelos problemas do Brasil. Ela é só uma das responsáveis… Porque pensem: Dilma não quis “fazer negócio” com o algumas bancadas e alguns filhos da puta do Congresso (aqueles que mais nos roubam, que estão citados em processos de investigação, aqueles… ah, vocês sabem do que estou falando). Esse foi “o erro” dela. O fato é que essa mulher que já sofreu a dor da tortura e a dor do câncer, como ela mesma diz, agora sofre a dor de injustiça. Afinal, ela é a única daquela corja toda que não carrega nenhuma acusação de crime nas costas. Não estou falando com isso que ela foi a presidente ideal, mas que foi escolhida pelo povo (este mesmo que em 2018 poderia escolher outro por vontade própria e não por imposição de um partido).

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A frase e a casa em Copacabana de Seu Anatório

A casa de Seu Anatório

Em tempos de confusão política, para mim está muito claro que é preciso mais fé no que a natureza criou e menos no judiciário, na religião e nos “chefes”. Estava pensando sobre isso quando esbarrei com a frase acima, pintada no portão marrom da garagem de um edifício, numa rua de Copacabana. Logo que parei para ler os outros escritos, o dono da arte apareceu. Seu Anatório me contou que mora ali e que não conseguem eliminá-lo junto a seu “barraco” porque ele tem argumentos. E tem mesmo.

Seu Anatório fala de política nacional, saúde pública, evolução da medicina e meio ambiente como poucos. Lembra de histórias de Getúlio Vargas de quando ele era menino e diz que sabe alguns rolos de José Beltrame, o secretário de Segurança do Rio de Janeiro.Parece que no prédio vizinho tem um militar que foi muito atuante nos tempos da ditadura, que o prédio pintado está fechado há 44 anos e que o Ibama tentou enquadrá-lo por ter desenhado na árvore, mas saiu com o rabo entre as pernas quando ele falou ser o responsável por salvar do os troncos da rua do cupim.

A casa de Seu AnatórioA pintura da árvores, aliás, representa a morte dos pássaros e das pessoas infectados pelo fumacê da dengue, segundo Seu Anatório. Para ele, tanto faz ter perdido um trabalho na Cedae porque não tinha comprovante de residência. E acha ótimo não repetir o erro da Princesa Isabel, que tinha mais de 20 penicos, um para cada momento de necessidade: “Eu hein?! Ela fazia isso só para dar trabalho para as negras. Eu, quando preciso, abro aquela tampa ali, ó, e tá tudo resolvido!” A tampa em questão é de um bueiro… Só não gostei de ele ter chamado de “barraco” a linda casa colorida, que ganhou até réplica de uma planta: ali dentro, tem prateleiras e até ventilador. “Tenho tudo que preciso. Não entendo essa gente que tem mais ainda que eu e fica reclamando da vida.” Ai, Seu Anatório, difícil entender, né? Enfim, um homem bom!

Hoje, a alma de Seu Anatório não é só gratidão: “Só não admito isso que estão fazendo com a Dilma. Mulher boa, a única que não tem nenhum crime nas costas durante seu governo, sendo arrancada assim da presidência! Ela é que nem esse urubu que pintei, que não tem culpa de nada, mas não pode mais voar por causa dos aviões e é chamado de predador sendo que ele só come restos. Olha aí, acabou o espaço e a conservação dele! Como vai ser a sobrevivência?” Como, Seu Anatório? Como, gente?

 

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