Arquivo de abril de 2009

Da cena indie nova-iorquina para a TV brasileira, Beirut chega ao Brasil pela EMI

quinta-feira, 30 de abril de 2009

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Quando sentei para assistir ao primeiro capítulo de “Capitu”, microssérie exibida pela TV Globo em dezembro de 2008, não imaginei que em menos de dez minutos conheceria uma das bandas mais legais que conheci nos últimos tempos. O tema da abertura me deixou completamente extasiada. Mas de quem era aquela voz grave e tão melodiosa? De onde vinha aquele violão doce e o trompete cheio de presença? Eu não fazia ideia. E, paralisada com aquela sensação de descoberta, não consegui fazer nada além de assistir ao primeiro capítulo (não sei dizer se o “muito” do “gostei” é por causa da música ou da série mesmo).

Quase cinco meses após a exibição de “Capitu”, a gravadora EMI traz para o Brasil o Beirut e a sua “Elephant Gun” encantada. Batizada com este nome das Arábias, a banda integra a cena indie de Nova York e a música faz parte do E.P. “Lon Gisland”, apesar de, para os brasileiros, ela estar chegando no CD “Gulag Orkestar”. Bom, vou explicar. Foi assim que soube tudo…

No dia seguinte ao primeiro capítulo de “Capitu”, consegui descobrir o MySpace do Beirut, mas nada em site nenhum explicava alguma coisa sobre a banda. Tanto que passei algum tempo achando que ela podia estar lá pela Irlanda, já que as músicas disponibilizadas no site de relacionamento tinham muitos elementos e provável influência do país britânico. Pouco depois, soube que a banda era de Nova York, cidade para qual eu iria três semanas depois. Pirei. Lá, rodei diversas lojas e acabei encontrando o Beirut na Virgin Megastore, só que na última prateleira (quase no chão), no setor “Indie”. O vendedor perguntou se eu queria o CD ou o EP. Nem pestanejei: “Os dois”. E voltei para o Brasil feliz da vida.

“Elephant Gun” está no E.P. “Lon Gisland” com mais quatro músicas (todas valem a pena). “Gulag Orkestar” não tem nenhuma música em novela, mas também é um ótimo disco (acho que fiquei fã mesmo). Para ter graça, a EMI juntou os dois produtos em um só e, quem levar o disco, ganha de bônus aquele que provavelmente um dia foi a demo que a banda usou para divulgar seu trabalho. Vale reforçar que, nos Estados Unidos, os dois foram lançados pelo Ba Da Bing! Records.

Entrevistando a banda carioca Manacá há menos de um mês, não consegui me conter: perguntei a Letícia Persiles, vocalista e protagonista da microssérie, quem havia descoberto “uma banda tão underground”. Teria sido o próprio Luiz Fernando Carvalho, o diretor? Foi César. Ou melhor, Luiz César Pintoni, guitarrista do Manacá. Aí vai a história dele com o Beirut:

“Foi uma amiga que morou fora que me mostrou. Fiquei surtado quando ouvi. O Luiz já estava conversando comigo sobre músicas e bandas. Ele queria sacar mais ou menos as nossas influências. Aí mandei o Beirut para ele por e-mail. Ele gostou e, além de começar a colocar nos ensaios, resolveu que seria o tema. Agora eles são da EMI, parceiros nossos (o Manacá lança CD pela EMI ainda este semestre).”

Assista ao clipe de “Elephant Gun”, no Youtube:

Érika Martins fala da carreira e de seus projetos musicais

terça-feira, 28 de abril de 2009

Fiz uma entrevista com a cantora Érika Martins (ex-Penélope e atual Lafayette e Os Tremendões) especialmente para o site Sambapunk. Como tento respeitar o que é exclusivo, resolvi esperar uns dias para poder postá-lo aqui também. Espero que curtam!

Entrevista e edição: Christina Fuscaldo
Câmera: Luciano Dias
Produção: Adilson Pereira

Plateia é abduzida pela música de Zé Ramalho (e de Bob Dylan) no Vivo Rio

domingo, 26 de abril de 2009

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Quando as cortinas do Vivo Rio se abriram, na noite deste sábado, ficou a dúvida se Zé Ramalho daria conta, com apenas um violão, de apresentar seus sucessos e as versões  de músicas de Bob Dylan que gravou no disco “Tá tudo mudando”. Acompanhado da banda Z, composta por Chico Guedes (contrabaixo), Edu Constant (bateria), Dodô de Moraes (teclados), Toti Cavalcanti (sopros), Zé Gomes (percussão) e Zé Leal (cajon), o Bob Dylan do sertão fez mais que isso: fez miséria com as músicas (transformou rock em forró, romantismo em frevo agalopado…) e prendeu pra valer a atenção da plateia. De cara, com voz de trovador, deu seu recado logo após apresentar a primeira música (do CD e do show), “Wigwam / Para Dylan”, de sua autoria:

“É um prazer estar trazendo mais uma viagem musical a vocês. Desta vez, dando um mergulho parcial na obra de Bob Dylan, poeta e artista que inspira tantos poetas e artistas em todo o mundo. E é uma conexão direta entre poetas que falam da naureza humana. Nossos erros, iluminações, sentimentos, como amor, compaixão e esperança… E assim essas emoções estão contidas nessas canções que foram traduzidas, configuradas e transformadas para o nosso tempo real brasileiro.”

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E aí, veio uma sequência de mais sete canções versionadas. Entre elas, “Tá Tudo Mudando” (Maurício Baia e Gabriel Moura para “Things Have Changed”); “Como Uma Pedra a Rolar” (Zé Ramalho e Babal para “Like a Rolling Stone”); “Negro Amor” (Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti para “It’s All Over Now Baby Blue”); “O Vento Vai Responder” (Zé Ramalho para “Blowin’ in The Wind”).

Quando o público já estava totalmente abduzido pela mistura de ritmos que sempre marcou a obra de Ramalho, Zé engatou a segunda e acelerou apresentando canções de seu repertório. “Vila do Sossego”, “Avohai”, “Chão de Giz”… Destaque para o momento em que a plateia ramalheou cantando junto com o ídolo “Admirável Gado Novo”  (“Na semana passada, eu me deparei, lendo alguns jornais daqui do Rio, com algumas matérias que estavam referenciando uma música minha feita muitos anos atrás com os episódios que aconteceram dos trens urbanos, quando trabalhadores estavam sendo chicoteados. Fiquei orgulhoso porque essa canção que fiz há tantos anos ainda serve de parâmetro pra essa coisa social do povo marcado, do povo feliz”). Zé Ramalho despediu-se com “Frevo Mulher”, não menos popular.

Veja abaixo Zé Ramalho cantando “Tá Tudo Mudando” e “Admirável Gado Novo”: