Arquivo de maio de 2009

Show vigoroso de Hyldon no Cinemathèque vai virar DVD

domingo, 17 de maio de 2009

Em todas as quintas-feiras de maio, o soulman Hyldon tem levado ao Cinemathèque JamClub um show com canções do recém-lançado disco, “Soul Brasileiro”, e clássicos do estilo que o consagrou nos anos 70, ao lado de Tim Maia e Cassiano. Parceria com o primeiro, “I Don’t Know What To Do With MySelf” está no repertório, assim como “Na Rua, na Chuva, na Fazenda” e “As Dores do Mundo”, dois sucessos só de Hyldon. A banda Brasil Samba Soul é de tirar o chapéu, acompanhando o músico com vigor (destaque para o arranjo de “Medo da solidão”, do disco novo). Nas duas últimas quintas-feiras do mês, a equipe de Roberto de Oliveira – que já dirigiu gravações com Chico Buarque, Marcos Valle e Joyce, entre outros – vai registrar os shows para um DVD. Mr. Catra, que passou pelo palco na primeira noite, e o rei do sambalanço Bebeto, que esteve lá na segunda, voltarão para a filmagem. O hitmaker Sullivan, Carlos Dafé e a MC Yasmin (filha de Hyldon) também farão participações especiais.

Álbum de Erasmo Carlos tem parceria com Nando Reis, Nelson Motta…

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Erasmo Carlos sempre foi o homem das parcerias. Em seu novo CD de inéditas, intitulado “Rock’n'Roll” e previsto para o fim de maio, ele divide a autoria de várias canções com nomes diversos. Com Nando Reis, o Tremendão escreveu “Um Beijo é Um Tiro” e “Mar Vermelho”. Nelson Motta assina “Chuva Ácida” e “Noturno Carioca” com o roqueiro. Liminha e Patrícia Travassos são co-autores de “Celebridade” e Chico Amaral, de “Noite Perfeita” e “A Guitarra é uma Mulher”. O primeiro single, “Cover”, tem letra e música de Erasmo.

A capa do novo disco dos Titãs

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O novo disco dos Titãs, “Sacos plásticos”, ainda não chegou às lojas, mas sua capa já pode ser vista aqui. A arte é de Sérgio Britto, integrante do grupo. O primeiro single, “Antes de você”, está tocando em rádios.

titas

A festa de Milton Nascimento para Marina Machado

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Já faz um bom tempo que Milton Nascimento tenta emplacar a conterrânea Marina Machado nas rodas musicais. Na noite desta terça-feira, ele fez a tentativa derradeira, oferecendo em sua casa um show da mineira para a nata da música brasileira e alguns outros artistas. Da nata, estavam lá Wagner Tiso, Zé Renato, Tunai, Moska, Gastão Villeroy, Gabriel Moura, João Suplicy etc. Dentre os outros, compareceram Serjão Loroza, Felipe Dylon, Maria Paula, Maria Gadú, aquele menino que era de “Malhação” e hoje apresenta o programa “TV Globinho” etc.

Como bom mineiro, Milton foi ótimo anfitrião. Abriu as portas de sua casa grande e confortável no Itanhangá, ofereceu sanduichinhos, cervejas e refrigerantes, e ainda cantou “Dinamarca”, “Roupa Nova” e “Lilia” ao lado de Marina no (seu) ”anfiteatro” Wayne Shorter (um espaço livre com uma pequena arquibancada na frente). Bituca estava animado, mas reclamou da voz, que falhou em certo momento. Entre os melhores momentos ficou também o dueto da cantora com Flávio Venturini (“Noites com sol”). 

Durante o show de Marina Machado, a plateia parecia fria. E ela percebeu isso. Num certo momento, comentou, ao microfone: “Vocês estão quietos. Achei que no Rio o pessoal fosse mais alegre.” Depois dessa, os amigos de Milton tentaram interagir mais. Foi mais fácil quando a cantora ligou um ventilador, para que os babados de seu vestido esvoaçassem, deixando sua coxa à mostra. “Uhhh!”, ouviu-se. Ela canta direito, mas não há nada de muito especial em seu repertório. E, apesar de ter anunciado a presença de sua coreógrafa, não mexeu muito o corpo. São 17 anos de carreira, mas ainda falta amadurecimento. 

Sem dúvida, a parte mais divertida da festa foi a jam session que rolou depois, com Gabriel Moura cantando acompanhado pelo baixo de Gastão Villeroy, João Suplicy mostrando que tem o dom ao violão, Luis Carlinhos tentando entrar para a galera,  e Ava cantando e  mostrando que ser filha de Glauber Rocha faz diferença. Arrasou uma menina que cantou “Somewhere over the rainbow” e “Mercedes Benz”. Set list batidíssimo, mas que voz… Fui embora sem conseguir saber seu nome, mas a ovação deixou crer que a desconhecida havia sido a grande estrela da noite.

Caetano Veloso e as cores de ‘Zii e Zie’

domingo, 10 de maio de 2009

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O show de lançamento de “Zii e Zie”, novo disco de Caetano Veloso, é marcado pelas cores. Assinada por Maneco Quinderé (o papa da luz no Brasil), a iluminação deu o tom ao espetáculo apresentado pelo músico neste sábado, no Canecão. A cor azul, a amarela, a vermelha, a laranja, a branca… refletidas na asa delta montada no fundo do palco, todas elas tiveram sua importância e marcaram momentos mágicos da noite de Caê. Alternando canções de “Zii e Zie” com clássicos, como “Maria Bethânia”, ”Irene” e “Objeto Não Identificado”, o repertório foi muito bem escolhido, fazendo com que parecesse um show breve, apesar de suas quase duas horas. E cada música tinha sua ilustração, nas cores e – em alguns momentos – nas projeções. Destaque para “A Base de Guantánamo”, tocada com imagens de Cuba sendo exibidas ao fundo.

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Acompanhado pela banda Cê – Pedro Dias (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo e teclado) e Marcelo Callado (bateria) – Caetano foi econômico nas palavras, simpático nos movimentos, moderno nas interpretações e solidário no bis: a plateia vibrou com “Força Estranha” (na qual ele gritou “Viva Roberto Carlos”) e  ”Três Travestis”, apresentada primeiramente no show da temporada “Obra em Progresso” que aconteceu na semana em que o Fenômeno Ronaldo foi flagrado com um travesti.

Caetano ofereceu  “Maria Bethânia” a Augusto Boal: “Eu compus esta música no exílio como pedido de socorro à minha irmãzinha. Quero pedir licença a ela para dedicar a apresentação desta música à memória de Augusto Boal. Ele foi o primeiro diretor a trabalhar com Bethânia. Quando fui para a Bahia, ele ficou cuidando dela.” E dançou soltinho durante “Eu Sou Neguinha”.

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Valeu a pena ter testado o repertório, a atuação e tudo que envolveu a produção de ”Zii e Zie”, tanto no blog que atualizou (com a ajuda do antropólogo Hermano Vianna) quanto durante os shows da temporada “Obra em Progresso”, apresentada em 2008 no Vivo Rio. O show é muito melhor do que o apresentado na época do lançamento de “Cê” – deste disco, aliás, ele trouxe apenas “Odeio”. Mais conciso e, ao mesmo tempo, mais rico. A sintonia com os músicos, vê-se que está maior. Percebe-se que houve um cuidado com o cenário, simples porém simbólico. E a luz… bom, não vamos voltar ao início, né?

Leia a crítica de João Pimentel no site do jornal O Globo e assista ao vídeo com entrevista da Caetano Veloso

Maria Gasolina volta a atacar com novas versões em finlandês de músicas brasileiras

sábado, 9 de maio de 2009
'Mä Olen Sun', disco da banda Maria Gasolina

'Mä Olen Sun', disco da banda Maria Gasolina

Uma carta da Finlândia? Eu já sabia o que era… O novo CD da Maria Gasolina! O nome é “Mä Olen Sun” e o repertório é tão curioso quando o do álbum de estreia do grupo, “Se Jokin”. Talvez um pouco mais engraçado. É que, desta vez, a banda liderada por Lissu Lehtimaja não focou só nos clássicos e trouxe uma versão, em finlandês, de “Cara Valente”, aquele samba de Marcelo Camelo gravado por Maria Rita em seu último disco. Se você, leitor, pensa que Lissu abriu mão do “ê ê” e do “oiá” em prol de alguma interjeição típica de seu país, está enganado. A vocalista finlandesa “abrasilera” mesmo em “Jätkä Tälläinen” (nome da música traduzido):

Ê! Ê!
hän ei hiffaa
Oiá!!!
asenteella tolla
ei mitään hyvää voi saa

Entendeu alguma coisa? Nem eu… Mas dei umas boas gargalhadas. E o mais legal é que o som é bacana! Destaque para “Pulo, Pulo”, de Jorge Ben, que virou “Hypin, Hypin”, e “Hampaita Kiristellen” (“Tinindo Trincando”, dos Novos Baianos).

A banda foi formada em Helsinque por acaso, depois de um trabalho de colégio em que Lissu deveria escrever poesias. “Eu perguntei se poderia traduzir letras brasileiras. Ela falou que eu teria que cantá-las e eu acabei montando uma banda”, contou-me a finlandesa pouco depois do lançamento do primeiro disco, em matéria para o caderno Megazine, do jornal O Globo (‘Na rua, na chuva, na Finlândia’).

O primeiro hit foi “Na Rua, na Chuva, na Fazenda”, de Hyldon, sob a alcunha de “Kadulla, Sateessa Tai Landella” (ainda bem que adotei a caixa alta para músicas, porque nunca saberia quando se trataria de um nome próprio). “Se Jokin” trazia também uma versão fofésima de “Baby”, de Caetano Veloso – “baby, baby / näin, se vaan on näin”, dizia o refrão – e “Feijoada Completa”, de Chico Buarque (em finlandês, “Kunnon papupata”). Devo dizer que tanto Caê quanto Chico ganharam disquinhos pelas minhas mãos: numa visita ao Rio, esbarrei com Taneli Brunn, integrante da banda, que deixou alguns para que eu fizesse a ponte com os ídolos da finlandesada. Hyldon já tinha o seu.

“Mä Olen Sun” traz também uma versão dançante de “Bebete vãobora”, intitulada “Bebebte, Nyt Mennään!” e “Karollina Kaunis” (“Carolina Carol Bela”, de Jorge Ben e Toquinho). Sem tradução, “Madalena” (ufa!) também está no disco junto a “Laulu Tytöistä” (“Xote das Meninas”, de Luiz Gonzaga). E tem ainda “Haloo Haloo Marsilainen”… alguém se habilita a traduzir? Uma dica: é de Rita Lee e Roberto de Carvalho.

Conheça o site da banda, que traz notas sobre as músicas (mas só entende quem sabe ler em finlandês)

Ouça músicas no MySpace da Maria Gasolina

Leia matéria publicada no Megazine em 2006: ‘Na rua, na chuva, na Finlândia’

A banda na época do lançamento de 'Se Jokin'

A banda na época do lançamento de 'Se Jokin'

Depois do engarrafamento, os clássicos do Oasis

sábado, 9 de maio de 2009
Oasis no palco do Citibank Hall

Oasis no palco do Citibank Hall

Quinta-feira num Rio de Janeiro completamente engarrafado. A missão era gravar em vídeo uma entrevista com Caetano Veloso para o site d’O Globo. A diversão viria depois, no show do Oasis, no Citibank Hall. Caê foi objetivo, o que me poupou da ansiedade, afinal havia marcado de pegar o credenciamento antes das 21h30. Só que levei duas horas para ir de Botafogo (a filmagem rolou no Canecão) à Barra. Às 21h15, liguei para um amigo, que me colocou na linha com a assessora: “Não se preocupe. Não posso deixar a credencial, mas vou separar um convite para você pegar com a moça do camarote ímpar”. Ok. Relaxei. Ouvi todos os discos do carro, liguei para várias pessoas e, quando não tinha mais nada para fazer, fiquei matutando sobre como seria rever meus ídolos roqueiros da adolescência.

Chegando, cadê o convite? Não estava lá. Pedi para a “moça da porta” ver de novo. Nada. E a ansiedade começou a tomar conta de mim… Meia hora na porta e eis que vejo, na lista, o nome de uma amiga jornalista sem estar riscado. Liguei para saber se ela estava presa no engarrafamento: “Estou na pista VIP, na frente do palco, do lado esquerdo”. “Putz”, pensei, “ela deve ter entrado com o meu convite, por engano.” Rapidamente, bolei um plano e consegui que a loirinha liberasse o convite dela para mim.

Ufa! Vamos falar do espetáculo? Na verdade, acho melhor não… Perdi mais ou menos 45 minutos do show que mais quis ir este ano… Pelo menos os clássicos, não perdi. Do camarote (ímpar), assisti à sequência que tinha, entre outras, “Wonderwall”. Adorei! Lembrei de quando vi o Oasis pela primeira vez, em 1998, naquele mesmo palco (mas ainda como Metropolitan). Como foi emocionante aquela minha primeira vez…

Mas a segunda vez foi melhor, né. Eu era estagiária da rádio JB FM quando eles vieram ao Brasil para o show no Rock in Rio 3. Claro que fui e claro que amei. Mas o melhor foi a ressaca, que curti frente a frente com Noel Gallagher. Na hora do almoço, no tradicional bandejão do JB, um amigo importante na “firma” me confidenciou: “Os irmãos Gallagher vêm aí.” Não acreditei. Por volta das 14h, de mochila nas costas, seguindo pelo corredor, dei de cara com Noel: acompanhado de uma entourage enorme, o guitarrista encaminhava-se sem o irmão para o estúdio da rádio Cidade, que transmitiria uma entrevista ao vivo com ele. Quase desmaiei! Pedi pelo amor de Deus ao pessoal da técnica para me deixar entrar no aquário. Com um vidro separando a gente, mas a menos de dois metros dele, assisti ao bate papo e à canja chorando. Nunca me esqueço: ele tocou “Don’t Look Back in Anger”.

Quando Noel fez seu solo com esta mesma música, nesta quinta, no Citibank Hall, a lembrança de um dos melhores momentos dos meus tempos de estágio veio à tona. E, depois, teve ainda “Champagne Supernova”, primeira música que ouvi da banda de Manchester. Parecia que, sabendo do meu sofrimento, eles resolveram disparar clássicos que amoleceriam meu coraçãozinho endurecido pelo engarrafamento carioca.

Esqueça o lado Winehouse de Peter Doherty e conheça ‘Grace / Wastelands’

quinta-feira, 7 de maio de 2009

doherty
Desde quando o Libertines se apresentou no TIM Festival, em 2004, tinha curiosidade sobre esse tal Peter Doherty. Por que Carl Barât insistia em dizer que a banda não tinha sentido sem o guitarrista? Por que mesmo depois de o cara assaltar seu apartamento, o vocalista ainda o tinha como seu maior parceiro? Entendi tudo ao ouvir “Grace / Wastelands”, disco solo de Doherty que acaba de ser lançado no Brasil pela EMI.

Imaginei escutar algo sem sentido, algo que tivesse a ver com o comportamento de Peter Doherty nos últimos cinco ou seis anos. Mas lembrei de Amy Winehouse… de como ela faz música boa quando não está na capa do “The Sun”, tablóide britânico que também adora explorar as histórias do ex-libertino… Decidi dar uma chance à bolachinha. No player do meu carro, “Grace / Wastelands” transferiu-me para diversos lugares e me deixou a sensação de que valeu a pena não me deixar levar pela aparência.

A primeira faixa, “Arcady”, na qual Doherty bebe descaradamente na fonte de Bob Dylan, lembrou-me uma viagem que fiz a Nashville quando tinha 17 anos. “Last of the English Roses” tem muito do que de bom tiveram os anos 80. Quando tocou a introdução de ”1939 Returning”, senti-me no teatro onde apresentava anualmente (por 12 anos) o espetáculo de fim de ano do balé. Mas, logo após o trecho de música clássica, fui jogada num pub londrino (quem sabe o de Camdem onde o ex de Kate Moss costuma encontrar Winehouse em noites embaladas). 

“Broken Love Song” me levou de volta à época em que estava começando a ouvir falar na tal música ”indie”. Com violino, cello e até tamborim,  ”A Little Death Around the Eyes” parece feita para a trilha sonora de algum longa francês que assisti no Festival do Rio. Se tivesse Doherty cantando com uma cheia de firulas (ainda bem que não é assim), ”Sweet By And By” seria perfeita para os filmes de Fred Astaire. Destaque para a participação da cantora escocesa Dot Allison em “Sheepskin Tearway” (assista o vídeo do Youtube), para o ex-guitarrista do Blur Graham Coxon, e para as pinturas do encarte, feitas por Peter.

“Grace / Wastelands” levou quatro estrelas no “The Guardian” (“O resultado não é perfeito, mas este é o primeiro álbum com o qual Doherty se envolveu desde o Libertines”). Aqui, ele leva cinco: *****.