Arquivo de setembro de 2009

O que fazer para gostar de ler Machado de Assis e Euclides da Cunha?

sábado, 12 de setembro de 2009

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Correndo de um lado para o outro na Bienal do Livro, consegui assistir a dois bate-papos interessantes neste sábado (12/09). Um deles, com os escritores Luiz Antonio Aguiar, Luciana Sandroni e Rosa Amanda Strauz, mexeu com o lado “estudante de Letras” que tenho (sempre na parte da noite, estou na faculdade aprendendo um pouco mais sobre “a vida”). O tema era “Euclides da Cunha e Machado de Assis para jovens leitores?”. Ou seja… o que fazer para que jovens leiam os clássicos da literatura?

Lembrei de uma professora de literatura do quarto período da UFF (Universidade Federal Fluminense) – com quem me relaciono até hoje – que me fez amar “Os Sertões”. Aquele “tijolão”, publicado por Euclides da Cunha em 1902, fala sobre a guerra de Canudos sob o ponto de vista de um jornalista (enviado especial). É um livro arrastado/detalhado em suas descrições. Mas Lúcia Helena me fez pegar gosto. Ela separava frases, analisava com paixão e pedia para que levássemos nosso ponto de vista às aulas. Mas eram trechos pequenos. E não tinha aquela coisa de “leia o livro e faça a prova enquanto estudamos outros assuntos”.

Bom, vamos falar sobre o bate papo no Café Literário?

A mediadora Bárbara Pereira com Rosa Amanda Strauz, Luciana Sandroni e Luiz Antonio Aguiar / Divulgação Gingafotos

A mediadora Bárbara Pereira com Rosa Amanda Strauz, Luciana Sandroni e Luiz Antonio Aguiar / Divulgação Gingafotos

Crianças e adolescentes necessitam de mediadores para ajudá-las na leitura de clássicos da literatura brasileira. Essa foi a conclusão a que Luiz Antonio Aguiar, Luciana Sandroni e Rosa Amanda Strauz chegaram durante o bate papo no Café Literário, na XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Abrindo a programação do espaço neste sábado, os escritores debateram o tema “Euclides da Cunha e Machado de Assis para jovens leitores?”, com mediação de Bárbara Pereira.

“Machado escreveu em um tempo em que não existia eletricidade. A linguagem era a de uma outra época. Não se pode jogar um clássico de um autor como esse nas mãos de um garoto e dizer: ‘Boa sorte na prova’. Tem que oferecer ajuda”, declarou Luiz Antonio Aguiar, após a primeira pergunta da mediadora.

Rosa Amanda Strauz lembrou que, atualmente, a escola tem sido responsabilizada pela falta de interesse do aluno. E citou Ruth Rocha ao tentar explicar o que seria o “mediador” e como um “pai” ou um “professor” podem tentar perceber se o jovem em questão é um leitor por natureza:

“Ruth Rocha diz que, se você pegar uma massa de jovens, tem uma parcela ínfima deles que vão virar leitores sozinhos. E tem aqueles refratários à leitura. A maioria se torna leitora de acordo com a direção que recebe. No Brasil, a escola é que acaba conduzindo e muitas vezes nem o professor está tão preparado para isso. Os pais estão se eximindo dessa responsabilidade.”

Durante o bate papo, Luiz Antonio Aguiar, Rosa Amanda Strauz e Luciana Sandroni destacaram as características dos autores e de suas obras que normalmente atraem a atenção do leitor em potencial. No caso de Machado de Assis, o humor explorado em seus textos, a maneira como o autor descreve o universo feminino e como aborda o amor. No caso de Euclides da Cunha, a emoção com a qual ele descreve a realidade – a exemplo de “Os Sertões”.

“Quando li ‘Dom Casmurro’, aos 15 anos, fiquei impressionada com a sensualidade de Capitu. Machado é encantado pelas mulheres e sempre tem aquela visão de homem apaixonado, mas trazendo a sensualidade à tona. O livro não trata só de amor e de ciúme, mas do amor”, comentou Luciana Sandroni.

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“Acho que se o adolescente quer ler ‘Os Sertões’, mas não consegue porque é um livro grande e descritivo demais, dá para dizer para ele ir logo para a terceira parte. É aquela em que Euclides descreve a guerra de Canudos. É um ser humano que achava que todo mundo devia morrer, mas foi para o meio da guerra, viu o sertanejo lutando e disse: ‘Está tudo errado!’ Ele vira para o outro lado”, acrescentou Luiz Antonio Aguiar.

Obs.: Machado de Assis? Bom… ainda na escola, passei a fazer parte do tal grupo ínfimo – citado por Ruth Rocha – de leitores que se interessaram por este autor espontaneamente.

Andreas Kisser dá dicas de como aprender a tocar guitarra

sábado, 12 de setembro de 2009

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Guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser usou a coluna que assina no Yahoo! Brasil para discorrer sobre a diferença entre a guitarra e o guitar hero. A partir de uma experiência pessoal – em que viu os filhos se divertindo com um joystick na forma do instrumento – decidiu dar dicas de como aprender a tocar uma verdadeira.

“Quando eu vejo os meus filhos brincado no guitar hero, fingindo serem guitarristas de verdade, se sentindo num palco na frente de milhares de pessoas, é engraçado ver a reação deles com o joystick, que é em formato da guitarra, e o controle que eles tem do instrumento. Eles acham que estão tocando mesmo. Se você joga guitar hero e quer ser um rockstar de verdade, veja dez coisas que você precisar saber para começar a tocar este instrumento fantástico que vai te dar infinitas possibilidades de expressão, ou seja, fazer a sua própria música”, introduz Kisser.

As cinco primeiras dicas foram dadas na coluna anterior (leia aqui). As restantes estão publicadas na página principal do Yahoo! Brasil neste sábado. Para cada uma, o guitarrista escreve um texto explicativo (leia na íntegra):

6 – Procure parceiros para formar uma banda;
7 – Não tenha medo de enfrentar o público;
8 – Comece a ter idéias próprias, faça a sua própria música;
9 – Tenha uma preocupação e uma consciência ecológica;
10 – Nunca fique preso a um estilo de música somente, abra os ouvidos.

E aí, pronto para começar?

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Depois dos políticos, de Mutarelli e de Melamed, Meg Cabot se declara a Clarice Lispector na abertura da Bienal do Livro

sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Meg Cabot / Divulgação Bienal

Meg Cabot / Divulgação Bienal

A abertura da 16o Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (10/09), foi movimentada pela presença de políticos, de jovens escritores, de autores indies e da “princesa” americana das letras (para adolescentes) Meg Cabot declarando seu amor por Clarice Lispector.

“Clarice Lispector era muito glamourosa”, disse a autora de “O diário da princesa” durante entrevista coletiva no Mulher e Ponto, espaço inaugurado nesta edição da Bienal.

A manhã começou com o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral comentando as iniciativas de seus respectivos governos para incentivar o hábito da leitura e tecendo elogios à maior feira de livros do Estado.

“Viva a leitura!”, finalizou Paes.

Durante a tarde, Lourenço Mutarelli falou sobre sangue e seu desejo de não voltar a fazer quadrinhos, durante o bate papo com André Sant’Anna e Ana Paula Maia – mediado por Rachel Bertol – no Café Literário.

“Por mim, eu não voltaria a fazer quadrinhos. Mas estão surgindo propostas interessantes”, deixou escapar o autor de “Cheiro do Ralo”.

Depois, no mesmo local, foi o “poeta multimídia” Michel Melamed quem, ao lado de Cecília Gianetti e Santiago Nazarian - todos nascidos no fim da década de 70 – falou sobre literatura a Suzana Vargas. Antes de comentar sua produção, o “Dom Casmurro” (da série global “Capitu”) avisou, com os pés balançando sem parar:

“Eu parei de fumar hoje. Não reparem se eu responder qualquer coisa.”

Meg Cabot chegou para a entrevista de salto alto, colar de pérolas e tiara de princesa na cabeça. Sorriu, brincou com os jornalistas, contou que se inspira nos diários que guardou de sua adolescência e falou (muito) sobre Clarice Lispector. Disse que está com o livro “Verônika Decide Morrer”, de Paulo Coelho, na bolsa, mas ainda não conseguiu ler.

- Gosto das histórias das mulheres que fazem coisas do dia a dia, mas que na verdade não são exatamente sobre o cotidiano – comentou Meg.

A escritora de 42 anos, que já vendeu 15 milhões de exemplares no mundo todo, 800 mil deles no Brasil, tem  66 livros, 32 deles publicados pela Record — incluindo o lançamento deste mês, o primeiro volume do mangá “Avalon High, a coroação — A profecia de Merlin”.

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Beirut herda (e aceita com simpatia) fãs de Los Hermanos em show no Rio

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

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Principal atração da segunda noite do 16o Perc Pan (Panorama Percussivo Mundial) no Rio de Janeiro, o Beirut subiu ao palco do Oi Casa Grande nesta quarta-feira (09/09/09) com seus integrantes achando que seria um show como outro qualquer. Mas não foi preciso que Zach Condon bebesse para ver o tempo passar e seu breve show de uma hora acabar – assim como fez em Salvador, no último fim de semana (leia aqui). O vocalista ficou embriagado, sim, mas não com cachaça baiana. O que se viu foi seis músicos impressionados com a dedicação dos súditos que os assistiam como se eles fossem reis. Se conhecessem melhor o mainstream brasileiro, achariam que, ali, eram a perfeita encarnação dos “falecidos” Los Hermanos.

Pós-adolescentes barbados, com camisas pólos listradas e meninas modernas, tatuadas e/ou beijando sem parar: grande parte da plateia era formada por órfãos de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante. Em pé no teatro, eles cantavam junto não só as letras como também os solos dos metais. Zach e sua turma fizeram questão de retribuir a simpatia. Tocaram um trecho de “Leãozinho” (Caetano Veloso) e se renderam também em palavras.

“Vocês cantam mais do que todas as plateias. É uma vergonha para a América que vocês nem falem nossa língua, mas saibam melhor as letras do que os americanos”, disse um deles.

Depois de apresentar (emocionando) “Elephant gun”, “The Gulag Orkestar” e outras, lá pelas tantas, Zach brincou: “Toca Raul!” E continuou bebendo água - antes no copo e, depois de ouvir uma menina gritando “don’t drink too much”, na garrafa. Zach não repetiu o mico de não conseguir chegar ao fim do espetáculo, como aconteceu na Bahia. Pelo contrário. Depois de dar o show por encerrado, voltou e tocou mais duas, emendando uma delas em “Aquarela do Brasil”.

Leia também: Da cena indie nova-iorquina para a TV brasileira, Beirut chega ao Brasil pela EMI 

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Coleção remasterizada revela mais detalhes das gravações dos Beatles

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

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Nos antigos LPs e também nos CDs atualmente no mercado, mesmo o fã que já passou incontáveis vezes os ouvidos por uma daquelas canções clássicas ainda tem sua atenção chamada por um vocalzinho, um chocalhinho, uma guitarra ou percussão que nunca havia notado. A longevidade dessas beatle-descobertas está preservada com as versões remastarezidas de todo o catálogo dos Beatles. A mexida no som dos 13 discos de carreira mais o “Past masters” (que vem em CD duplo) trouxe à tona tanto detalhes das músicas outrora escondidos quanto a pressão sonora do grupo. Principalmente o baixo e os tambores da bateria estão mais na cara, diferença notadamente explícita nos rocks mais pesados “Come together” e “Helter skelter”, e na discografia a partir da segunda metade da carreira de forma geral.

Na experiência comparativa – 10 segundos de uma faixa da versão digitalizada em 1987 e o mesmo tempo da versão remasterizada – na sede da EMI, na Barra da Tijuca, as músicas dos primeiros álbuns não revelaram tanto o trabalho dos engenheiros em Abbey Road (que demorou quatro anos para ser finalizado). De “Please please me” (1963) a “Beatles for sale” (1964), os discos – disponíveis em stereo pela primeira vez – guardam algo opaco que remete à época e dá um ar nostálgico que é muito o charme da gravação. O conceito foi utilizar tecnologia moderna com equipamentos antigos, para manter a autenticidade daquelas gravações analógicas originais. O impacto de que o som foi “limpo” é maior nos discos lançados a partir de 1966, ou melhor, do “Revolver” em diante. Há momentos em que os Beatles soam mais modernos e atemporais que nunca, capaz de convencer um leigo de que a canção foi gravada esta semana.
 
Além do som

Cada disco vem com um mini-documentário sobre sua feitura, que roda no computador. A caixa oferece um DVD com todos os documentários, que roda em qualquer aparelho e vem com legendas em português (nos CDs eles não são legendados). São imagens da época das gravações com declarações dos quatro Beatles e do produtor musical George Martin.
 
A simpática embalagem digipack em que vêm embalados é outro fator para definir cada beatlemaníaco que deve explodir seu cartão de crédito (a caixa custará R$ 850). Além da reprodução das capas originais, um belo encarte repleto de informações e fotos raras e inéditas.
 
Para completar o prejuízo, sai também uma outra caixa, com os 10 álbuns gravados em mono (R$ 900, mais caro porque estas serão importadas). Recomendado para qualquer um que não tenha algum desses discos em sua coleção particular. Para os fãs que já possuem a discografia completa em CDs, se o dinheiro estiver sobrando, vale o investimento.

O material chega às lojas nesta quarta-feira.

Leia mais no blog Jam Sessions, de Jamari França

Atração da Mimo, Jam da Silva chega ‘perto do céu’ em show no Seminário de Olinda

terça-feira, 8 de setembro de 2009
'Dia Santo' projetado no altar / Beto Figueirôa

'Dia Santo' projetado no altar / Beto Figueirôa

“Nunca cheguei tão perto do céu!”

A frase solta por Jam da Silva depois da música que abriu seu show no Seminário de Olinda, domingo (06/09), saiu como uma piada. Mas, na verdade, era o sentimento mais profundo do músico sendo exposto daquela forma, naquele momento. Pernambucano radicado no Rio há seis anos, o percussionista/baterista/compositor apresentou seu trabalho solo pela primeira vez em sua casa, ali, na Mostra Internacional de Música em Olinda (Mimo). Com pai, mãe e sobrinhos na plateia, Jam estava emocionado e tentou transformar isso em brincadeira. Funcionou. A Igreja lotada recebeu bem o conterrâneo e aqueles que vêm acompanhando a carreira do músico desde que ele ainda se auto-intitulava Mr. Jam entenderam seus sinais.

Entre a bateria e a percussão, o berimbau / Beto Figueirôa

Entre a bateria e a percussão, o berimbau / Beto Figueirôa

Jam e Isaar: belo dueto em 'Dia Santo' / Beto Figueirôa

Jam e Isaar: belo dueto em 'Dia Santo' / Beto Figueirôa

Jam levou “Dia Santo” ao altar e, alternando-se entre a bateria e os instrumentos de percussão, fez da Casa de Deus o lar da experimentação. Dentre as músicas do disco, lançado em 2008 e aclamado por críticos e amigos, faltou apenas “O Pedido”, gravada por Roberta Sá. Problemas no retorno fizeram com que Jam preferisse não arriscar fazer o vocal, que no CD é do parceiro de composição, Junio Barreto. Se no show de lançamento no Rio de Janeiro Junio participou bonito, em Olinda foi Isaar quem açucarou a noite de véspera do feriado de 7 de setembro: a cantora fez dueto com Jam na faixa-título do álbum. No encerramento, improvisou com a banda um número dos tempos da Orchestra Santa Massa, fundada por “Mr. Jam” e DJ Dolores na década de 90.

A banda de Jam da Silva / Beto Figueirôa

A banda de Jam da Silva / Beto Figueirôa

Destaque para as projeções do coletivo OESTUDIO, já exaltadas neste blog na época do show de lançamento de “Dia Santo” no Cinemathèque (clique aqui). No altar, elas ficaram mais interessantes ainda… Jam da Silva tocou acompanhado da francesa Marion Lemonnier (piano Rhodes, escaleta, programação e vocal), do carioca Gustavo Corsi (guitarra e vocal) e dos pernambucanos Garnizé (percussão) e Walter Pereira (baixo).

Veja trechos do show de Jam da Silva:

Músicos cubanos encontram fãs no Clube Bela Vista, em Recife

terça-feira, 8 de setembro de 2009
Tete dança com o brasileiro no Clube Bela Vista / Foto: Beto Figueirôa

Tete dança com o brasileiro no Clube Bela Vista / Foto: Beto Figueirôa

Na tarde do dia que antecedeu a apresentação do Buena Vista Social Club Stars (Barbarito Torres, Amadito Valdes, convidados e banda All Stars) na Mimo (Mostra Internacional de Música em Olinda), houve um encontro inusitado: integrantes do grupo fizeram uma visita ao Clube Bela Vista de Recife, onde semanalmente ocorre uma festa em homenagem a Cuba. Os diretores do baile, que receberam os artistas com música e dança, estavam visivelmente emocionados.

“Meu sangue sangra por música cubana. tenho mais de 25 mil canções”, declarou o senhor Severino de Souza, sem explicitar se coleciona vinis ou se já é adepto do mp3.

Enquanto alguns conversavam e celebravam o encontro, casais que frequentam a festa ocupavam o salão, todo decorado com enfeites de Cuba e propagandas de rum. Tereza Garcia Caturla tirou um senhorzinho para dançar e acabou deixando o “pé-de-salsa” sem rumo, afinal, são mais de 40 anos de salsa na veia. Barbarito também tentou conduzir uma brasileira, mulher do par de Tete, mas ele se saiu melhor “bailando” com sua esposa. Pai e filha, Amadito e Idania (63 e 27 anos) apenas riam. Não dá pra dizer que os repórteres presentes não fizeram o mesmo…

Antes da partida, Barbarito tocou em seu alaúde “Brasileirinho”, choro composto em 1947 por Waldir Azevedo, e Tete puxou “Chan Chan” junto aos outros. O encontro foi promovido pela assessoria de imprensa do evento, a pedido da produção da TV Globo.

Veja trechos do encontro dos cubanos com os brasileiros em Recife:

Mimo: Remanescentes do Buena Vista Social Club e convidados surpreendem em praça pública

terça-feira, 8 de setembro de 2009
Tete, a mais animada / Beto Figueirôa

Tete, a mais animada / Beto Figueirôa

Se você faz a linha ‘tradicionalista’, talvez reclamasse a ausência de Ibrahim Ferrer e Compay Segundo (ambos já falecidos) no palco montado na Praça do Carmo, em Olinda, no sábado (05/09). Mas se gostas de música boa, tens uma queda pela salsa e costumas ficar embevecido quando se depara com talentos reunidos em um mesmo projeto… ah, terias amado o show que os remanescentes do Buena Vista Social Club preparou junto a seus convidados para a sexta edição da Mostra Internacional de Música em Olinda (Mimo).

Barbarito Torres toca alúde nas costas / Foto: Beto Figueirôa

Barbarito Torres toca alúde nas costas / Foto: Beto Figueirôa

Amadito Valdes na 'percuteria' / Foto: Beto Figueirôa

Amadito Valdes na

Do filme, estavam lá Amadito Valdes – “a baqueta de ouro do Buena Vista – e Barbarito Torres – “o rei do alaúde”. Quem ajudou as “estrellas”a levar a plateia ao delírio foram a diva do canto cubano Tereza Garcia Caturla, a Tete, e Idania Valdes, uma moça de 27 anos que é filha de Amadito e atual revelação da ilha de Fidel Castro. A dupla “de ouro” trouxe também à cidade pernambucana banda AfroCuban All Stars e o cantor Mayito Rivera, do grupo Los Van Van, que acompanha Juan Formell em Cuba. Foi a primeira vez que uma cidade do Nordeste teve a chance de chegar perto dos artistas, alçados à fama em 1999 pelas câmeras de Win Wenders, o diretor do documentário “Buena Vista Social Club”.

Com 20 minutos de atraso (para a felicidade das plateias, nenhum show atrasou mais que isso), às 21h50, o grupo adentrou o palco montado ao ar livre, entre a Biblioteca Municipal de Olinda e a Basílica do Carmo. Na frente, era tanta gente, que parecia Cuba. Na ilha de Fidel, grande parte dos shows é apresentada a céu aberto, em praças públicas, para o povo desfrutar gratuitamente. Como se estivessem em casa, os artistas contagiaram jovens, famílias, crianças e turistas com sua animação.

A 'voz de ouro' Idania Valdes / Foto: Beto Figueirôa

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A Praça do Carmo lotada / Foto: Beto Figueirôa

A Praça do Carmo lotada / Foto: Beto Figueirôa

Tete se destacou, cantando lindamente, sacodindo uma espécie de chocalho e pulando como se tivesse 20 anos. A cantora emocionou ao interpretar “Corcovado”, de Tom Jobim, e sentou na frente do palco para se aproximar dos (ali) súditos. Idania surpreendeu pela simpatia e pela belíssima voz, grave e potente. Barbarito arrasou ao tocar o alaúde com o instrumento encaixado em suas costas. A ajuda da esposa foi tão essencial que a cubanita até ganhou um beijinho do astro ao final do número. Elegante, Amadito fez belos solos de percuteria – o nome de seu instrumento é timbales, mas era como se fosse uma mistura de peças de bateria e de percussão.

No repertório, clássicos do Buena Vista Social Club e de Cuba. “Guantanamera” encerrou o espetáculo.

Antônio Nóbrega faz show com pouco frevo na Mimo

segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Antônio Nóbrega toca rabeca na Mimo / Beto Figueirôa

Antônio Nóbrega toca rabeca na Mimo / Beto Figueirôa

A apresentação de Antônio Nóbrega na Mostra Internacional de Música em Olinda (Mimo), no último sábado (05/09), foi diferente do que se esperava. Acompanhado pela Orquestra Retratos do Nordeste, o músico, conhecido por disseminar – Pernambuco afora – o frevo e a dança que acompanha o ritmo, fez um show mais contido no belíssimo Seminário de Olinda. O “pé-de-frevo” dançou menos e cantou canções mais intimistas desta vez. E não foi porque estava na Casa de Deus. Foi por opção.

As dançarinas de Nóbrega / Beto Figueirôa

As dançarinas de Nóbrega / Beto Figueirôa

“Com essa formação, o show é diferente. Negligenciei a música do Maestro Duda, que está aqui presente, mas prometo preparar alguma próxima vez. O repertório de hoje tem de tudo. Vou abrir com canções minhas e vou fazer uma homenagem a Nascimento do Passo, o maior passista de frevo, que morreu esta semana”, avisou Nóbrega.

O rabequeiro, violonista, cantor, compositor e passista pernambucano também homenageou Ariano Suassuna, que estava na plateia. À certa altura, o escritor ganhou aplausos da plateia, orgulhosa do conterrâneo. Nóbrega convidou duas dançarinas – uma delas sua filha – para acompanhá-lo na instrumental “Seleção de Cinema”: esse foi o nome que ele deu no set list ao pout-pourri de sucessos da telona (tema de “Amacord” e “Smile” estavam no meio). As duas fizeram uma bela coreografia, que não pôde ser vista por todos os presentes na Igreja: o palco era o chão à frente do altar).

Um dos poucos momentos de 'frevolição' / Beto Figueirôa

Um dos poucos momentos de

Antônio Nóbrega tocou pouco frevo, mas mostrou um choro de Jacob do Bandolim (“Assanhado”) e um samba de Nelson Cavaquinho (“Minha Festa”) (Obs.: Gente do Rio vai pra Olinda pra ver frevo, né?). Fez a “Aria da Suite No 6″, de Johann Sebastian Bach, e dançou, sem camisa, num número emocionante.

Palmas para a orquestra, liderada pelo bandolinista Marco César. No programa do festival, uma breve apresentação do grupo: “A Orquestra Retratos do Norte apresenta uma formação instrumental de cordas dedilhadas inédita na América Latina. Muito elogiada por seu alto nível artístico, a orquestra concentra suas forças na ampliação, execução e divulgação da música nordestina popular erudita.”

Veja trechos da apresentação de Antônio Nóbrega com a Orquestra Retratos do Norte:

Mimo: coletiva dos integrantes do Buena Vista Social Club acaba em cantoria

sábado, 5 de setembro de 2009
Músicos cubanos do Buena Vista Social Club / Beto Figueiroa

Músicos cubanos do Buena Vista Social Club / Beto Figueiroa

A coletiva de imprensa do Buena Vista Social Club Stars no Hotel 7 Colinas de Olinda, na manhã desta sexta-feira (04/09), um dia antes da apresentação do grupo na Mimo (Mostra Internacional de Música em Olinda), acabou em música. Depois de falar sobre a expectativa de tocar em praça aberta a público e de exaltar os músicos brasileiros que mais gostam*, Amadito Valdes, Idania Valdes, Barbarito Torres, Fabian García e Tereza Garcia Caturla (Tete) cantaram “Chan Chan”. Primeiramente, o grupo negou o pedido de um repórter, alegando estar guardando a voz para surpreendê-lo no show gratuito que acontecerá sábado (6/09), às 21h340, na Praça do Carmo (Olinda). Mas Tete, a mais animada, não resistiu e se levantou, incentivando os outros músicos (e também os jornalistas) a fazerem o coro.

“Gosto muito de show aberto ao público, pois não há distinção social, nem econômica. Além disso, dá oportunidade a todos de conhecerem nosso som”, declarou Amadito durante a entrevista.

Filha de Amandito, Idania Valdes engrossou o coro, ao comparar os shows que fazem em praças (em Cuba, a maioria deles é aberta a público) aos que apresentam em casas fechadas:

“Em praças, todos ficam de pé, é mais animado, enquanto em algumas casas a plateia fica sentada.”

“Guantanamera” e “Chan Chan” estão no repertório assim como surpresas “brasileiras” que eles não quiseram revelar.

* Rosa Passos, “Ga Cota” (leia-se Gal Costa), Maria Rita, Lenny Andrade, Caetano Veloso, Maria Bethânia… Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro estão fora do playlist dos cubanos, que não tiveram contato com a música do Nordeste fora Hermeto Pascoal.

Assista aqui à parte da coletiva e à “canja” dada pelo grupo: