Arquivo de julho de 2011

Tom Zé encarna Wando em ‘A noite das calcinhas’, no Circo Voador

sábado, 30 de julho de 2011


O show no CircoVoador, sexta-feira (29/07), seguia como de costume: sem roteiro, mas com alguma coerência. Bastou uma moça jogar uma calcinha no palco para que Tom Zé transformasse sua performance num verdadeiro espetáculo de música e humor. Depois de vestir a peça por cima da calça, guardá-la dentro da cueca, colocá-la na cabeça e brincar com a dona, o músico baiano pediu mais calcinhas. E elas vieram de todos os  lados.

Uma, duas, três, quatro…

“Eu quero 12″, gritou Tom Zé.

Um sutiã, cinco, seis calcinhas, dois sutiãs, sete, oito, nove…

“Eu só saio daqui com 12″, continuou.

Dez, onze, doze calcinhas!

“Vou dizer para os paulistas que eu tenho 12 calcinhas do Rio!”

E decretou:

“Eu só volto aqui com a promessa de que vou sair com 50 calcinhas. E eu vou chamar o show de A Noite das Calcinhas.”

Tom Zé cantou contando com sopros de seu violonista e dançou como se não tivesse 74 anos. Além de cheirar pelo menos três das peças arremessadas, Tom Zé declarou de forma escrachada sua paixão pelo órgão feminino. A plateia ia abaixo cada vez que o músico dizia a palavra mágica iniciada com B (Isso é um blog de família, hein?!). Tom Zé teve seus pouco mais de 15 minutos de Wando.

 

Fotos de Marco Amarelo. Clique para aumentá-las

 

 

 

Assista a trecho do show:

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Hits e raridades de Gretchen são reunidas na coletânea ‘Charme, talento e gostosura’

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gretchen subiu ao palco do Galeria Café nesta quarta-feira para o lançamento da coletânea de sucessos que acaba de sair do forno. Produzido por Rodrigo Faour, “Gretchen: charme, talento e gostosura” traz hits e raridades dos anos 70 e 80. O álbum inaugura uma série de lançamentos do selo Microservice, que licenciou o catálogo da antiga Copacabana Discos. No encarte, fotos das capas de vários de seus LPs e compactos e ainda um texto do autor sobre sua importância em termos de comportamento na evolução de nosso universo musical pop.

Leia um texto de Rodrigo Faour sobre Gretchen:

“Quem foi criança, marmanjo ou velho babão na virada dos anos 70 para os 80 sabe muito bem o furor que Gretchen causava quando aparecia na televisão. Era uma espécie de chacrete que dançava com roupas sumárias e rebolava muito ao som de músicas divertidas, de acento latino e, mais do que cantar, chamava a atenção por seus gemidos e gritinhos proferidos durante suas apresentações. Pois este CD lançado pela Microservice dá conta de todo seu charme, talento e gostosura para nos tirar da sisudez e caretice dos tempos atuais, caindo de cabeça no terreno kitsch-dançante de suas gravações divertidas e hilariantes registradas na antiga Copacabana Discos, entre 1978 e 1987 – auge de sua carreira. Seus três indefectíveis sucessos – Freak le boom boom (1979), Conga conga conga (1980) e Melô do piripipi (1981) – que venderam milhões, principalmente em compactos – se alternam com outras 11 faixas que vão surpreender muita gente pela atualidade das batidas dançantes que não querem nada além de sacudir o esqueleto e provocar a imaginação geral. Vai da discothèque Dance with me (1978), seu primeiro hit, que logo depois foi esquecido – até a faixa-título, um presente – quem diria! – de Jorge Ben, na qual ela aparece em dueto com o “guitarreiro” Luís Wagner. E tem mais! Que tal um cover de Freddie Mercury (I was born to love you)? Ou um remake da dança do pata pata, de Miriam Makeba (Melô do Pata pata) e do break dos anos 80 (Break boom boom)? Tem ainda um samba-funk que emula Carmen Miranda, além de um flerte com as mil e uma noites, porque nenhuma dançarina moleca como ela é de ferro (Allah-la-ô, my love). Para completar, como é difícil ouvir Gretchen dissociada de seu visual exuberante, temos um encarte delicioso com diversas capas de LPs e compactos que marcaram época, além de um texto biográfico e informativo que ajuda a decifrar o fenômeno. É ouvir – e soltar a franga.”

 

Zé Ricardo pede licença à sua faceta produtor para lançar CD e fazer show em Botafogo

quarta-feira, 20 de julho de 2011

“Vários em Um” é o nome do novo álbum de Zé Ricardo e é também o que o músico tem sido nos últimos três anos, desde que recebeu o convite de Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, para produzir o segundo palco do festival. Batizado de Sunset, o espaço é aberto a encontros diversos, de grandes e pequenos nomes, em Lisboa, em Madri e, agora, no Rio de Janeiro também. O Zé produtor é quem seleciona, produz, promove, divulga e supervisiona tudo o que vai acontecer na Cidade do Rock em setembro e em outubro. O Zé músico levou o repertório do quarto trabalho ao palco do Solar de Botafogo nesta terça-feira (19/07).

A faixa título é inspirada em um poema de Jorge Salomão (que estava na plateia, eufórico) sobre ser um humano multifacetado. Foi na casa do poeta que Zé Ricardo descobriu ser possível atuar em diversas frentes ao mesmo tempo. Essa garra, ele levou para o disco e, com a ajuda do produtor Plínio Profeta, transpôs também para arranjos sentimentos e sensações já indicados nas letras de suas composições/parcerias. No show, Zé destacou esse seu momento, esbanjou alegria por estar voltando a um palco carioca depois de quatro anos afastado e mostrou que não só é fácil ser muitos, como também é possível ser bom no que faz.

O show começou duas vezes. Quando Zé Ricardo apertou o play, o iluminador esqueceu de fazer o mesmo. O músico parou e, como que fizesse parte do espetáculo, pediu à plateia que compreendesse seu desejo de tentar novamente. Parecia número ensaiado, de tão sutil e educada foi sua atuação. Com holofotes coloridos programados e vídeos incríveis no telão, mostrou que era mesmo necessário um reinício. Zé, então, disparou suas novas promessas de hit: “Exato Momento”,  “Um Beijo que Atravessa a Madrugada”, “A Filha da Sorte” e “Me Deixa”, entre outras. A releitura de “Eu só Quero um Xodó” também estava no repertório.

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Luiz Brasil lança segundo disco solo na Lapa

segunda-feira, 18 de julho de 2011

(Da assessoria de imprensa)

Primogênito de uma família musical, o produtor, arranjador, compositor e multi-instrumentista, Luiz Brasil lança seu novo disco solo, “Beira” (Multifoco Música), que traz ao todo 9 faixas, na sua maioria fruto de safra autoral. Exceto pela regravação de “O Ronco da Cuíca” (João Bosco e Aldir Blanco), e “Farol” (Mou Brasil), e parceria na canção “Na Espiral” (Luiz Brasil/Monica Freire). O CD pode ser adquirido com livro de partituras de 136 páginas, que também será vendido separadamente.Nos próximos dias 19 e 26 de julho (terça-feira), Luiz Brasil apresenta o show do álbum “Beira”, no palco do Espaço Multifoco, no Rio de Janeiro e inicia turnê pelo Brasil. Para o show, Luiz Brasil (guitarra, violão e voz) contará com a banda Pela Beirada, composta pelos músicos Lourenço Vasconcellos (bateria, percussão e voz),Aline Gonçalves (flauta, clarinete e voz), Matias Correa (contrabaixo e voz), Ricardo Rito (acordeon e piano). Na ocasião do show, o CD “Beira” e o “Livro de Partituras Beira” serão vendidos no local (o CD custa R$20 e o Livro, R$40).“Beira” é o segundo projeto instrumental solo de Luiz Brasil. “Brasilêru”, lançado em 2005, marcou a estreia do músico, que desde os 17 anos traz em sua bagagem uma rica trajetória. Desde jovem, Luiz exercita sua veia de maestro entre cordas, metais, madeiras e ritmos. Assim fez no álbum “Nobreza”, em 2006, projeto dividido com a cantora Jussara Silveira, no qual os arranjos acontecem na voz, no violão e no silêncio.Dentre os arranjos compostos por Luiz Brasil, se destacam canções dos álbuns “Com Você Meu Mundo Ficaria Completo” e “Acústico MTV” (este lhe rendeu um Grammy Latino), da cantora Cassia Eller. Luiz também assina os arranjos de “Não Enche”, gravada no álbum “Livro” de Caetano Veloso, com quem fez parte da banda por 10 anos.

Luiz Brasil e Banda Pela Beirada no lançamento do CD “Beira”: 19 e 26/7, às 20h, no Espaço Multifoco (Av. Mem de Sá, 126, Lapa).  R$ 20.

No Rival, A Cor do Som mostra que está em forma e anuncia disco de inéditas

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A nova reunião d’A Cor do Som tem um motivo de ser. Segundo Armandinho, o grupo prepara um disco de inéditas. No palco do Teatro Rival BR nesta quinta-feira (14/07), o astro da “guitarra baiana” fez o anúncio, contou a história de seu instrumento (primeiramente chamado de pau elétrico) e disse que adoraria voltar a morar no Rio de Janeiro. “Os aluguéis estão muito caros”, brincou o tecladista Mú Carvalho, mostrando estar com os dedos em forma.

Irmão de Mú, Dadi Carvalho, baixista de Marisa Monte em suas gravações e turnês, também fez bonito. O baterista Gustavo Schroeder e o percussionista Ary Dias seguem com a mesma sintonia.

“Dentro da minha cabeça” ganhou interpretação animada de Ary, que convidou a plateia a se levantar quando assumiu o microfone. Clássicos como “Abri a porta”, “Beleza pura” e “Suingue menina” permearam o repertório enquanto “Zanzibar” ficou pro bis. O show teve participação do saxofonista Nivaldo Ornelas.

A Cor do Som sobe ao palco o Rival novamente nesta sexta (15/07) e no sábado (16/07), sempre às 19h30 (leia aqui).

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Com formação original, A Cor do Som faz curta temporada no Teatro Rival, no Rio

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Cor do Som em foto de Felipe Oliveira

A Cor do Som está de volta. Com sua formação original - Mú nos teclados, Dadi no baixo e na guitarra, Gustavo na bateria, Armandinho na guitarra e Ary Dias na percussão – a banda se apresenta no Teatro Rival BR quinta, sexta e sábado (14, 15 e 16/07), sempre às 19h30. O grupo decidiu retomar a carreira depois da participação especial no Projeto Armandinho Convida, no Pelourinho, em Salvador. Nesta curta temporada, A Cor do Som toca os sucessos da carreira, tais como “Zanzibar”, “Beleza Pura”, “Menino Deus” e “Abri a Porta”. O acordeonista Chico Chagas participa do show de quinta, o saxofonista Nivaldo Ornelas toca com o grupo na sexta e Vitor Santos, do trombone, sobe ao palco no sábado.

ACor do Som surgiu em 1977, experimentando novos padrões de som, valendo-se das experiências anteriores com o mentor Moraes Moreira e Pepeu Gomes, fazendo parte do movimento pós-tropicalista. No mesmo ano, foram convidados a participar do Festival de Montreux, na Suíça, tornando-se o primeiro grupo musical brasileiro a participar do evento, que rendeu um disco ao vivo. O grupo encerrou suas atividades em 1985, quando Armandinho e Mu Carvalho seguiram em carreira solo. Onze anos depois, o grupo reuniu-se novamente para gravar o disco “A Cor do Som Ao Vivo no Circo”, recebendo o prêmio Sharp de melhor grupo instrumental. Em 2005, com a formação original, o grupo apresentou-se no Canecão (RJ). O espetáculo, gravado ao vivo, gerou o CD e DVD “A Cor do Som Acústico”, lançado nesse mesmo ano, com produção musical de Sérgio de Carvalho. Em 2006, o álbum ganhou o prêmio TIM de Melhor Grupo, na categoria Canção Popular.

A Cor do Som: Quinta a sábado (14, 15 e 16/07), às 19h30, no Teatro Rival BR (Rua Álvaro Alvim, 33/37, Cinelândia). R$ 40 (os 100 primeiros pagantes), R$ 50 e R$ 25,00 (estudantes, idosos e professores da rede municipal).

Prêmio da Música Brasileira surpreende pelos shows em homenagem a Noel Rosa

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Roberta Sá, a grande vencedora da noite

Realizado quarta-feira (06/07) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira surpreendeu pelo bom gosto na escolha de artistas para os shows que celebraram o centenário de Noel Rosa. Paulinho da Viola abriu os trabalhos fazendo um belíssimo dueto com sua filha, Beatriz Faria. Próxima revelação do samba, a jovem cantora acompanhou o pai em “De babado” e “Feitiço da Vila”. Dori e Nana Caymmi interpretaram “Três apitos” e “Último desejo” e Yamandu Costa e Hamilton Holanda tocaram “Coisas nossas”. Zizi Possi entrou sozinha para cantar “Pela décima vez” e Wilson das Neves e Tantinho da Mangueira interpretaram juntos “Conversa de botequim” e “Com que roupa”. Zélia Duncan e Lenine encontraram no palco expoentes da nova geração: ela cantou “Quando o samba acabou” e “O X do problema” com Tulipa Ruiz e ele foi de “Pierrot apaixonado” e “O orvalho vem caindo” com Luísa Maita. O gran finale foi promovido por Marisa Monte, que com sua banda levou “Feitio de oração” ao palco.

Paulinho da Viola e Beatriz Faria

O Prêmio da Música Brasileira, que tem a tradição de agraciar muitas vezes os mesmos nomes, desta vez se superou ao dar espaço ao “novo”. Apresentando Luísa Maita como cantora Revelação e abrindo o palco para Tulipa Ruiz, o prêmio teve Roberta Sá como grande estrela da noite: a cantora saiu do Municipal com dois troféus, o de melhor cantora de MPB e o de melhor álbum do segmento, com “Quando o canto é reza”, que gravou com o Trio Madeira Brasil.

Marisa Monte: uma estrela canta Noel Rosa

Elba Ramalho exuberante

Alcione, Zeca Pagodinho, Zezé di Camargo & Luciano e Elba Ramalho repetiram levaram mais uma vez os prêmios de melhor cantora de samba, melhor cantor de samba e melhor dupla da categoria canção popular, melhor cantora regional, respectivamente.

Estranho é ainda estarem juntas as categorias pop, rock, reggae, hip hop e funk. E quem disse que Vanessa da Mata se encaixa nela(s), se, além de todos esses estilos, ela ainda absorve a MPB e o samba em sua música? Lulu Santos ganhou o troféu de melhor cantor nesta categoria.

Os instrumentais Hamilton e Yamandu

Deborah Bloch e Regina Casé podiam ter se saído melhor como apresentadoras se não tivessem forçado tanto a barra nas piadas. Regina escorregou na leitura do teleprompter, mas deu show de bagagem sobre Noel Rosa. Deborah mostrou que não sabe nada sobre o poeta, mas soube segurar bem os textos do roteiro. Muito interessante foi relembrar a história de Noel e aprender mais curiosidades sobre o poeta nascido em 1910 e morto em 1937.

Zélia Duncan e Tulipa Ruiz representando duas gerações

Conheça os vencedores

ARRANJADOR
Cristóvão Bastos

MELHOR CANÇÃO
Dolores e Suas Desilusões, de Monarco e Mauro Diniz

PROJETO VISUAL
Gringo Cardia

REVELAÇÃO
Luísa Maita

CANÇÃO POPULAR

MELHOR ÁLBUM
Cine Tropical  (Criolina )

MELHOR DUPLA
Zezé Di Camargo e Luciano

MELHOR GRUPO
Roupa Nova

MELHOR CANTOR
Reginaldo Rossi

MELHOR CANTORA
Sandra de Sá

INSTRUMENTAL

MELHOR ÁLBUM
Gismonti Pascoal (Hamilton
de Holanda e André Mehmari)

MELHOR SOLISTA
Hamilton de Holanda

MELHOR GRUPO
Trio de Câmara Brasileiro

MPB

MELHOR ÁLBUM
Quando o Canto é Reza / Roberta Sá & Trio Madeira Brasil

MELHOR GRUPO
Os Cariocas

MELHOR CANTOR
Emílio Santiago

MELHOR CANTORA
Roberta Sá

POP/ ROCK / REGGAE / HIPHOP / FUNK

MELHOR ÁLBUM
Música de Brinquedo( Pato Fu )

MELHOR GRUPO
Pedro Luís e a Parede

MELHOR CANTOR
Lulu Santos

MELHOR CANTORA
Vanessa da Mata

REGIONAL

MELHOR ÁLBUM
Capoeira de Besouro (Paulo César Pinheiro)

MELHOR DUPLA
Renato Teixeira & Sérgio Reis

MELHOR GRUPO
Quinteto Violado

MELHOR CANTOR
Vitor Ramil

MELHOR CANTORA
Elba Ramalho

SAMBA

MELHOR ÁLBUM
Pra gente fazer mais um samba (Wilson das Neves)

MELHOR GRUPO
Gafieira São Paulo

MELHOR CANTOR
Zeca Pagodinho

MELHOR CANTORA
Alcione

ESPECIAIS

DVD
Arnaldo Antunes / Ao Vivo
Lá Em Casa ( Andrucha Waddington)

ÁLBUM LINGUA ESTRANGEIRA
Alma Mía  (Leny Andrade)

ÁLBUM ERUDITO
Chopin The Nocturnes (Nelson Freire)

ÁLBUM INFANTIL
Quando Eu Crescer ( Éramos Três )

ÁLBUM PROJETO ESPECIAL
Adoniran 100 anos

ÁLBUM ELETRÔNICO
Calavera (Guizado)

Fotos de Marco Amarelo

Banda Baleia vai do jazz ao pop contemporâneo em inglês e português

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Matéria publicada no blog da Melody Box em 06/07/2011 (clique aqui para ver)

No início, a ideia era focar no jazz. Com a mistura de experiências vividas por seus integrantes, em menos de um ano, a banda Baleia criou um estilo próprio, moderno, porém preocupado em valorizar melodias e letras. A banda ainda não tem EP ou CD, mas já vem conquistando espaço e admiração de apaixonados por música de qualidade e com personalidade.

“Somos um tanto quanto jazz-rock-swing-romantique-cool-cabaret-pop-experimental”, brinca Gabriel Vaz, um dos vocalistas da Baleia. “Cada um de nós tem experiência musical anterior à banda. David tem também uma banda de samba e Pacheco tem uma de rock. O legal é que cada um traz influências de diversos gêneros à sonoridade da banda.”

As influências vão de Louis Armstrong a Justin Timberlake, passando Chet Baker, Nina Simone e Radiohead:“A banda surgiu no final do ano passado com objetivo de tocar jazz sem nos preocuparmos com virtuosismos. Hoje, fazemos até releituras de músicas atuais do repertório de artistas contemporâneos.”

Entre os artistas “contemporâneos” estão Britney Spears e Justin Timberlake. “Toxic” e “What Goes Around” fazem parte do repertório da banda, que já fez show no Espaço Sérgio Porto e no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, onde a Baleia reside e se inspira para compor e ensaiar diversos instrumentos.

“A banda é formada por três vozes, baixo, bateria, guitarra, violino e piano. Entre os vocais, tocamos violão, guitarra, bandolim e ukulelê, dependendo da música”, conta Gabriel.

Formada por Gabriel Vaz, Luiza Jobim e Sofia Vaz (vozes), Cairê Rego (baixo), David Rosenblit (piano), Felipe Pacheco (violino e guitarra) e João Pessanha (bateria), a banda tem letras em português e em inglês e também executa temas instrumentais: “Quase todos compõem, e todos participam da criação dos arranjos. Compomos juntos e decidimos qual voz tem mais a ver com cada tema.”

Juntos também, os integrantes, que tem entre eles uma filha de Tom Jobim, escolheram o nome Baleia simplesmente por simpatizarem com a representação do animal:“Passamos dias pensando em nomes possíveis, até ficarmos exaustos. Foi aí que nos convencemos que Baleia era um bom nome. Gostamos do animal e de toda a mitologia e as imagens que ele evoca.”

Livro de Tiago Velasco analisa a relação do pop com a mídia e mostra o que Elvis Presley e Mallu Magalhães têm em comum

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Por incrível que pareça, Elvis Presley e Mallu Magalhães têm algo em comum. E não é só o fato de os dois cantarem em inglês. O rei do rock e a jovem revelação da internet surgiram, em suas respectivas épocas, mexendo com o imaginário dos jovens, que, na década de 50, encantavam-se com o advento da televisão e, nos idos dos anos 2000, passaram a se impressionar com a grande oferta oferecida pela/na rede. Ambos são artistas pop, rótulo dado aos “beneficiados” pelo poder dos meios de comunicação de levá-los às massas. Em “Novas dimensões da cultura pop”, que será lançado nesta quinta-feira (07/07), às 19h, no Espaço Multifoco (Av. Mem de Sá, 126, Lapa), o jornalista e professor de Comunicação Tiago Velasco fala dessa relação, mostrando as mudanças da cultura pop ao longo dos tempos e citando outros nomes que fazem parte dessa história, tais como Beatles e Madonna. O livro é resultado dos estudos de Tiago no Mestrado em Comunicação e Cultura da UFRJ. Abaixo, uma entrevista com o autor.

GarotaFM: O que podemos esperar de “Novas dimensões da cultura pop”?

Tiago Velasco: É um livro que tenta mostrar como a cultura pop – com foco na música – vem se modificando desde o seu início, em meados dos anos 1950. Para isso, procuro entender o pop como uma forma de economia, como uma manifestação do pós-modernismo e como uma expressão cultural essencialmente jovem, o que não tem a ver necessariamente com a faixa etária, mas como um certo espírito jovem que fica em voga desde meados do século XX. Como a cultura pop está diretamente liga aos meios de comunicação, foi preciso mostrar as mudanças que aconteceram nessa área: do meio de comunicação de massa às novas tecnologias da comunicação, principalmente a web. Isso é essencial, porque essas tecnologias digitais criaram condições para uma mudança na forma de consumir, produzir e distribuir cultura. Mas o que o público em geral deve gostar mais são os estudos de caso, que ocupam metade do livro, mais ou menos. Ali eu procurei mostrar como os ídolos da música de determinadas épocas davam conta de ilustrar aquele momento do pop.

GFM: E quais são os “ídolos” citados no livro?

TV: Falei sobre Elvis Presley, marco do rock e da música jovem. Falei de Beatles, principalmente da passagem dessa música jovem para algo mais “sério”, contracultural, tendo o “Sgt Pepper’s…” como marco. Depois é a época da MTV, com a análise de Madonna e Michael Jackson, período onde o pop ganha seu rei e sua rainha.
Era importante trazer isso para o Brasil, então faço uma breve descrição de como essa música entrou no país, via Jovem Guarda, passando pela Tropicália e se estabelecendo com o Rock brasileiro dos anos 80. E, então, analiso o último ídolo da música, agora não mais de massa, mas de segmento: Mallu Magalhães, pelo seu caráter pioneiro no Brasil no uso bem-sucedido das novas tecnologias da comunicação. Com isso, pretendo não só mostrar uma nova forma de aparecer para o público e gerir carreira, mas também tentar mostrar que qualquer artista de segmento, diferentemente daqueles anteriores analisados, não são representativos do momento do pop, apenas de seu próprio segmento. Essa talvez seja a grande característica da cultura pop de hoje: ela não é apenas massiva; é, ao mesmo tempo, extremamente segmentada.

GFM: Durante sua pesquisa, como vieram à tona os nomes dos velhos e dos novos ícones da música pop?

TV: Os ídolos que escolhi me parecem óbvios. Elvis Presley marca o início do rock, a primeira música de e para jovens, música de marca claramente a distinção geracional. Até então o ídolo jovem era Frank Sinatra, um artista que também agradava aos pais, ou seja, não era “apenas” dos jovens, não representava algo de uma geração que negasse a anterior. Alem disso, com o surgimento do rock, há, também, toda uma restruturação da indústria musical; os Beatles, como já citei, foi porque servem para mostrar essa transição de música pueril para algo ligado á contracultura, uma elevação artística não só musical quanto nas letras. E isso na mesma banda. Ali, a música pop mostrou suas infinitas possibilidades, sua característica aglutinadora, seja de gênero musical seja de referências (simultaneamente eruditas e populares). O estúdio passa a ser um instrumento musical. Em suma: uma série de barreiras, de fronteiras é quebrada. O salto para Madonna e Michael Jackson tem a ver com a MTV – ou quando a música pop vira imagem. Neste período, a TV, o clipe é tão ou mais importante para a música do que o rádio. Impossível pensar em uma música de sucesso sem videoclipe. E é o primeiro canal dedicado ao jovem. Mallu Magalhães é para causa estranhamento mesmo, mas é porque é o primeiro caso brasileiro que faz o caminho das novas mídias para as antigas. A escolha passa muito pelo seu pioneirismo.

GFM: Qual foi o material usado nas suas pesquisas?

TV: Usei muitos livros, não só de música/cultura pop, mas também de teoria da comunicação, de economia, sociologia, antropologia… Mas há, também, matérias de jornais, revistas e sites.

GFM: Fale de sua relação com a música.

TV: Minha relação com a música não começou muito cedo, acho. Lembro que a primeira coisa que gostei de verdade foi Chico Buarque. Eu devia ter uns 10 anos. Depois, vieram o Guns N’ Roses e o Raul Seixas. Agora, o meu mundo caiu de verdade com o “Nevermind”, do Nirvana, em 92. Acho que fui infectado com esse disco.
Foi a música que fez eu largar Economia e fazer Jornalismo. Eu decidi que não tendo talento algum para tocar, escrever sobre música poderia ser uma ótima forma de estar perto do que gosto.

GFM: Fale de sua relação com seus ídolos, citando-os.

TV: Não sou muito de ídolos. A ideia do ídolo me interessa muito, porque, a despeito de discursos sobre fãs alienados, são eles que representam sonhos, angústias, dá uma sensação de pertencimento a uma infinidade de pessoas ao redor do mundo. Talvez, o mais próximo de um ídolo que tenho seja mesmo o Kurt Cobain, por causa estritamente da música, e nem digo das letras, que até hoje nunca traduzi. É o som que me interessa. Ao mesmo tempo, lembro que fiquei bastante emocionado ao ver o Iggy Pop e os Rolling Stones de perto. Dá uma sensação que estamos vendo a história. E isso tem um peso quase tátil.

GFM: Qual seu objetivo com esse estudo? Você conseguiu atingi-lo?

TV: Acho que o meu objetivo era poder pensar algo que curto e, quem sabe, que pudesse me ajudar a entender o que tanto gosto, música pop. Embora eu saiba que não é um estudo definitivo, que poderia ficar melhor, temos que ter um grau de desapego e de noção das restrições que existem a todas as pesquisas, ainda mais de mestrado, com seu curto tempo de dois anos. Ainda assim, sem dúvida alguma eu entendo melhor a música pop, sem falar de uma leitura diferente. Pode até ser meio chato, porque muito da magia foi descoberta, mas, juro, continuo achando interessante.

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