Arquivo de fevereiro de 2012

Depois de lançar ‘Música Crocante’, baterista do Autoramas fala sobre o mercado independente, as turnês internacionais e muito mais

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

“Música Crocante” é o nome do mais novo álbum do Autoramas, lançado no segundo semestre de 2011. A banda, que é uma das mais bem sucedidas do cenário independente nacional, está na estrada desde 2007 e passou por algumas mudanças. Atualmente está com Gabriel Thomaz (vocal e guitarra), Bacalhau (bateria) e Flávia Couri (baixo) em sua formação. Bacalhau fala ao GarotaFM das dificuldades de ser uma banda “alternativa”, de como se articulam para fazer turnês internacionais, das influências e do fato de ter sido a única banda a tocar de forma acústica no “MTV Apresenta”.

O título desse novo disco tem algum significado especial pra vocês?

Acho que é o momento que estamos vivendo. As músicas têm essa crocância que o disco sugere. É um momento bom da banda, nós viemos de uma turnê europeia bem sucedida.

Essa turnê internacional foi desse disco ou do anterior?

Na verdade, todo ano a gente acaba indo para a Europa e a gente testa umas músicas lá. Nessa última turnê, testamos três ou quatro músicas que estão no disco e isso tem funcionado. A gente aproveita todos os shows pra tocar as músicas novas, para testar.

Como vocês conseguem sobreviver no mercado independente?

Acho que porque nós sempre fizemos nossas escolhas, sempre corremos atrás. A gente tem um escritório que trabalha junto com a gente, tem nossa empresária que está sempre com a gente… E a gente ganhou já três prêmios na MTV que também ajudou bastante o nosso trabalho.

Nenhuma gravadora procurou por vocês ou já houve proposta e vocês não aceitaram?

Não, nunca tivemos. Até gostaríamos que tivesse uma gravadora interessada, mas também nunca precisamos e nunca esperamos. A gente sempre correu atrás e fizemos acontecer. E estamos fazendo acontecer até agora.

Como acontece esse contato para fazer essas turnês internacionais? Sendo uma banda independente dificulta mais?

É difícil sim… são anos tentando fazer e a gente já vai pra Europa há mais de cinco anos. E a gente tenta tocar em festivais, pubs, a gente toca em vários tipos de lugares. Quando você tem uma gravadora fica mais fácil, mas estamos correndo atrás disso. Estamos conseguindo isso de forma independente e estamos querendo lançar o disco novo lá também.

Esse disco é o primeiro por uma gravadora ou na verdade é só uma parceria para distribuição?

Na verdade, esse disco foi feito por nós juntos com os fãs e a gravadora Coqueiro Verde, para celebrar esse momento que a gente tá passando. A Coqueiro é mais uma gravadora do que uma distribuidora. É um prazer estar lá, tudo uma maravilha. Eles ajudaram muito na distribuição e colocando a gente em lugares que a gente não conseguia.

Vocês gravaram esse CD com a ajuda dos fãs através de um site. Como funcionou isso?

A gente começou a gravar independente e o site “Embolacha”  acabou batendo um papo com a gente. Conversamos sobre isso e achamos interessante a ideia e nós lançamos um valor e colocamos 45 dias para conseguir alcançar essa meta  e a gente conseguiu e foi muito bom, super gratificante.  Atingimos a meta nos 45 dias. As pessoas pagavam um valor, cada recompensa tinha um valor que foi de vinte a cinqüenta mil reais e, conforme o valor, eles tinham uma recompensa, desde ir ao show de graça, ganhar o disco, entre outras coisas. E, depois que a gente conseguiu alcançar essa meta, apareceu a Coqueiro Verde e fechou com chave de ouro.

Vocês mantêm contato direto com os fãs através das mídias?

Sim, bastante! O pessoal que contribuiu é o pessoal que vai ao show e está sempre com a gente. É uma galera que acompanha a gente há muito tempo.

E qual a maior influência de vocês atualmente?

No geral, a gente gosta muito de rock latino, uma coisa psicodélica, uma guitarrada do Pará, um rock turco, umas coisas assim. Rock de um modo geral, do mundo inteiro.

Vocês foram a primeira banda a se apresentar no “MTV Apresenta” de forma acústica, apesar de vocês terem certo peso no som de vocês. Como foi a ideia de tocar desplugado?

Foi bom porque a gente tinha tanta música que a gente não tocava que estavam perdidas entre os CDs e teve gente que pediu no show. O desplugado foi legal que a gente desconstruiu isso tudo e fizemos de uma forma diferente, foi um trabalho bem difícil porque a gente demorou um bom tempo ensaiando, descobrindo para dar certo. Porque rearranjar suas próprias músicas, escutá-las e pensar numa forma diferente foi bem complicado, mas foi muito bom e ajudou muito para o “Música Crocante”. Foi um desafio.

Como vocês vêem o mercado independente nacional atualmente?

Eu acho que agora talvez tenha um mercado, não sei se tão grande. Mas soube que os festivais têm aumentado e a estrutura também. A Feira de Música tem sido um sucesso… eu não frequento muito, mas tenho acompanhado as coletivas e tem começado a engatinhar com alguma infraestrutura.

No carnaval de Recife, show em homenagem aos 40 anos de carreira de Alceu Valença terá Pitty, Ney Matogrosso, Lenine e outros

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A baiana Pitty é mais um nome confirmado no show que vai homenagear os 40 anos de carreira de Alceu Valença e que abrirá o Carnaval Multicultural do Recife, na sexta, 17 de fevereiro. Com direção musical de Pupillo, da Nação Zumbi, Pitty se apresentará ao lado de Ney Matogrosso, Criolo, Lenine, Otto, Lirinha e Karina Buhr, cantando sucessos do homenageado no palco do Marco Zero – pólo principal da folia. Antes deles, o músico Naná Vasconcelos vai comandar um grande encontro de maracatus, com a participação da cantora africana Angelique Kidjo e do grupo performático Stomp.

Ao longo dos quatro dias de Carnaval, passarão pelos 17 pólos espalhados pela capital pernambucana nomes como Lulu Santos, Beth Carvalho, Gaby Amarantos, Roberta Sá, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Junio Barreto, Zé Ricardo, Almir Rouche, Lia de Itamaracá, André Rio, Academia da Berlinda, Reginaldo Rossi, Elba Ramalho, Marcelo Jeneci, Quinteto Violado, Mombojó, Ortinho, China e Silvério Pessoa.

Vários encontros especiais estão previstos, como o da banda Eddie – criadora de Quando a Maré Encher, famosa com Cássia Eller – com o cantor Nasi, no Marco Zero. Já Gaby Amarantos, que canta na segunda (no Pátio de São Pedro) e na terça (em Brasília Teimosa), terá como convidada especial a atriz Hermila Guedes, estrela do premiado filme O Céu de Suely, que cantará com ela Pimenta com Sal, destaque do primeiro CD solo da paraense. Lia Sophia, nova revelação da cena paraense, também cantará com Gaby.

Nos últimos anos, o Carnaval do Recife ganhou destaque por promover shows gratuitos durante os quatro dias de festa. Por lá, já passaram Caetano Veloso, Maria Bethânia (num show só de maracatus), Gal Costa (cantando apenas frevos, com a orquestra do Maestro Spok), Vanessa da Mata, Maria Rita, Preta Gil, Marina Lima, Maria Gadu e muitos outros artistas.

A programação completa pode ser conferida no site

The Mark: Inspirados por Vinícius, Chico e Calcanhotto, irmãos gaúchos Kleiton & Kledir dedicaram ‘Par ou Ímpar’ às crianças

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na coluna Markusic da The Mark, foi publicado na semana “Tiny Little Things” um bate papo com Kleiton & Kledir sobre “Par ou Ímpar”, um disco feito para guris.  Nele, os irmãos gaúchos gravaram canções sentimentais e, também, músicas compostas recentemente para a criançada. Leia a introdução do texto disponível na revista virtual e, depois, vá até lá mergulhar na íntegra da entrevista. Aproveite e… volte a ser criança!!!

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A música também sempre teve momentos de “fofidão”. É verdade. Quem não achou fofo, na década de 80, Raul Seixas gravar “Carimbador Maluco” junto com o Balão Mágico? Eu, não, porque eu era bem pequena naquela época… Mas meus pais contam que foi uma brecha na vida louca do maluco beleza. Não faz muito tempo que a moda de músico adulto se dedicar à criançada voltou. E não foi um ou dois que gravaram uma ou duas canções dedicadas aos pimpolhos. Grandes nomes brasileiros voltaram ao jardim de infância e fizeram verdadeiras obras de arte infantis. Primeiro, foi Adriana Calcanhotto, com seu “Partimpim”. Depois, vieram Pato Fu, Arnaldo Antunes, Kleiton & Kledir… A banda de Fernanda Takai e John Ulhôa gravou “Música de Brinquedo” usando apenas instrumentos infantis. “Pequeno Cidadão” traz músicas compostas pelo ex-integrante dos Titãs e por Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto para seus filhos. Já os irmãos gaúchos sentiram-se estimulados pela tradição de músicos brasileiros dedicarem canções às crianças e lançaram o álbum “Par ou Ímpar” recentemente.

“É uma novidade na carreira, mas a vontade era antiga. Ficamos entusiasmados quando Vinícius de Moraes lançou ‘A Arca de Noé’. Depois, o MPB4 fez discos infantis (“Flicts” e “Adivinha o que é”). Existe essa tradição na música brasileira que vem desde Braguinha, passou por Chico Buarque quando ele fez ‘Os Saltimbancos’ e andou esquecida. Resgatada por Adriana, Arnaldo e Pato Fu, essa tradição serviu de estímulo pra gente”, conta Kledir.

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Clique aqui e leia a entrevista na íntegra

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Show do Happy Mondays no Rio é cancelado. Leia carta aberta do produtor do Circo Voador

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O SHOW DO HAPPY MONDAYS SUBIU NO TELHADO

Ficamos felizes quando o agente do Happy Mondays entrou em contato com a gente oferecendo um show pro dia 17 de março. Ainda mais quando vimos que os shows no Brasil seriam os primeiros da reunião da banda. Mas conhecendo o histórico do Shaun Rider, ficamos com um pé atrás. Sequer tínhamos certeza se o publico ainda se ligava em quem era Happy Mondays. Dai colocamos um post no Facebook dizendo que se tivéssemos um determinado numero de likes até o final do dia, fecharíamos o show. Não demorou nem quinze minutos pra atingir esse numero. Movidos pela empolgação, acertamos um preço, fechamos o show e mandamos a primeira parcela do cachet.

Desde então varias notícias saíram na imprensa especializada internacional falando da reunião da banda, mas nenhuma citava os shows no Brasil. Achamos que esses shows seriam warm ups, aquelas gigs que as bandas que voltam fazem antes de partir pra uma grande turnê, como se fosse o soft oppening de um restaurante. Mas mesmo não constando do calendário oficial, estava tudo certo. Afinal, o contrato estava assinado e a primeira parcela havia sido retirada por eles.

Eis que hoje o agente me manda um e mail dizendo que o empresário havia pedido pra que se re-agendasse esses shows pra junho ou julho, mas que teríamos que pagar mais, já que seria com a formação original. Também aventou a possibilidade de ter um show da tour solo do Shaun Rider mais pro final do ano. Ou do Peter Hook, que é do mesmo agente. Daí caiu a ficha “Caímos no conto do Shaun Rider!”

Como assim seria mais caro, se só topamos o show do Happy Mondays porque seria com a formação original? Na hora me veio a mente aquela cena do 24 Hour Party People em que ele seqüestra as próprias masters do álbum exigindo do produtor do disco um resgate. I can’t fuck believe it!

Visto de um angulo romântico, seria uma honra tomar uma volta dessa do Shaun Rider, mas já encaramos muito Tim Maia na vida pra engolir essa, ainda mais de um doidão gringo. Sendo assim, nem pensamos em adiar esse show. Pedimos o din din de volta e pronto. Madchester de cu é rola!

Então é isso: lamentamos informar que o show do Happy Mondays não vai acontecer no Circo dia 17 de março.  As vendas estão suspensas. Quem comprou terá seu dinheiro de volta. Quem comprou pela ingresso.com terá o valor do ingresso estornado da fatura do cartão de crédito.  Os que compraram em dinheiro poderão fazer o reembolso na bilheteria do Circo. Se você é fã, não se preocupe: eles acabarão vindo pro Brasil qualquer hora. E vamos assistir amarradões, da plateia! Mas eu é que não quero batizar mais nenhum cabelo branco de Shaun Rider!

Valeu!

Rolinha, produtor do Circo Voador