Zé Ramalho misturou clássicos com Raul Seixas em Curitiba

Posted by Chris Fuscaldo Category: Shows e eventos

Zé Ramalho no Master Hall CuritibaO legal de assistir a um artista tocando em diversas cidades diferentes é sacar o gosto da plateia. Em entrevistas, diversos nomes da música brasileira já me disseram que é normal sua produção sondar quais são as músicas que têm mais apelo na cidade para que o show seja legal para o povo de lá. Não sei se foi o que aconteceu com Zé Ramalho na semana passada, mas com certeza ele acertou ao exaltar Bob Dylan, Raul Seixas e Luiz Gonzaga no palco do Master Hall, em Curitiba, na sexta-feira (31/05). Só lamento não ter escutado nenhuma das ótimas canções do disco mais recente de Zé, “Sinais dos Tempos”. Acho que a experiência de conhecer esse trabalho seria incrível também para aquela legião de fãs.

O Master Hall, que tem capacidade para até 3.400 pessoas, estava cheio.  A rádio Lumen FM anunciava que o show começaria às 21h30, mas a filipeta trazia o horário verdadeiro: 23h30. E Zé Ramalho, pontual como poucos artistas brasileiros, subiu ao palco na hora marcada. A versão que fez para “Blowing in The Wind” foi a primeira música da noite: com “O Vento Vai Responder”, o músico paraibano fez quem havia se esquecido relembrar que estava ali o Bob Dylan do Sertão.

Zé disparou a coletânea de músicas antigas, algumas menos e outras mais, algumas não tão conhecidas e outras super celebradas. Primeiro, veio “Companheira de Alta Luz”, do álbum “Eu Sou Todos Nós”, de 1998, seguida por “Mulher Nova, Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor”, do disco “Décimas de um Cantador”, de 1987. “Entre a Serpente e a Estrela” e “Taxi Lunar” foram as músicas que levantaram os paranaenses e visitantes, como eu (que até ali estava naquela vibe bracinhos balançando). “A Terceira Lâmina” e “Banquete dos Signos” trouxeram memórias interessantes de 1981 e 1982, respectivamente. Acompanhado pela Banda Z, Zé mostrou uma bela leitura de “Eternas Ondas”. A sequência de clássicos veio na sequência: “Avôhai”, “Vila do Sossego”, “Chão de Giz”, “Garoto de Aluguel” e “Admirável Gado Novo”! O Master Hall inteiro cantou!

Raul Seixas é Raul Seixas em qualquer canto do país. Mas eu sinto que o pessoal do Sul tem uma queda maior pelo Maluco Beleza. Zé não só homenageou o roqueiro baiano no palco como, após o show, eram os DVDs “Zé Ramalho canta Raul Seixas”, de 2001, que estavam em destaque para vendas. Durante o show, Zé anunciou: “Esse é um momento especial em que faço uma homenagem a meu colega de profecias. Vou cantar duas músicas de Raul Seixas.” E entoou, marcando os ouvidos com seu vozeirão trovadoresco, “Gita” e “Medo da Chuva”. Bela homenagem!

Em “Frevo Mulher”, Zé apresentou a Banda Z: Toti Cavalcanti (sopros), Dodo de Moraes (teclados), Edu Constant (bateria), Zé Gomes (percussão) e Chico Guedes (baixo). Em uma saída de palco bem rápida – ainda bem que nossos músicos estão também cansados do mise en scène que virou o Bis ensaiado – o Bob Dylan do Sertão trouxe mais um hit de novela, “Sinônimos”, ao palco. E, para terminar o espetáculo, encarnou Luiz Gonzaga, cantou “A Vida do Viajante” e agradeceu: “Valeu, Curitiba!”

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