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O estilo Florence Welch… na música e na moda

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

No dia em que o Fashion Rio abre a temporada de lançamento da coleção Outono-Inverno 2012, o GarotaFM publica um texto fashion musical de Christina Fuscaldo. Aproveite, inspire-se e desfile por aí ouvindo Florence + The Machine:

Sai uma de cena, entra outra. Ou acumulam-se. Assim corre o fluxo de cantoras boas e estilosas no mercado britânico. No mesmo ano em que Amy Winehouse se despediu da cena musical e Adele se estabeleceu, surgiu uma nova promessa: Florence Welch. Nascida em Londres, a líder do grupo Florence + The Machine, que desembarca este mês para três shows no Brasil, despontou em 2011 com o lançamento de seu segundo disco, “Ceremonials”, e ainda levou da revista Harper’s Bazaar UK o posto de segunda personalidade mais bem-vestida da Inglaterra. A cantora e percussionista perdeu apenas para a duquesa de Cambridge, Catherine (Kate) Middelton, mas passou a frente da modelo Kate Moss e da estilista Stella McCartney.

Escalada para o Summer Soul Festival, que acontece em 24 de janeiro em São Paulo, no dia 25 no Rio de Janeiro e em 28 em Florianópolis,  Florence Welch tem apenas 25 anos e uma bagagem musical de dar inveja a muitos veteranos, além de um vozeirão que coloca o reinado de nomes como Lady Gaga em risco. Do rock progressivo ao  metal passando pelo pop, sua música mistura diversos estilos e é produzida com ajuda de músicos como Robert Ackroyd (guitarra), Chris Hayden (bateria e percurssão), Isabella Summers (teclado), Mark Saunders (baixo) e Tom Monger (harpa). “Ceremonials” sucede “Lungs”, disco de estreia de Florence + The Machine, que teve a canção “Dog Days Are Over” como destaque. Entre um e outro, o grupo incluiu “Heavy in Your Arms” na trilha sonora de “Eclipse”, filme da saga “Crepúsculo”.

No que diz respeito ao traje, Florence Welch não tem medo de ser feliz. Mas mesmo os exageros – por exemplo a maquiagem em “Dog Days Are Over” – estão em sintonia com seu trabalho. Com muito tecido, como no clipe “Shake it Out”, ou pouco, como em “Cosmic Love”, Florence parece ter estilo (no aguardo do show para a confirmação). Não é à toa que a inglesa virou uma das queridinhas de Karl Lagerfeld. No ano passado, o estilista da Maison Chanel fotografou a cantora vestida Chanel para a capa de uma edição limitada em vinil do single “Shake it Out”, do novo disco. Ainda de acordo com a revista Vogue, a cantora  fez a trilha sonora ao vivo do último desfile da grife francesa.

No início de 2011, a estilista da Gucci, Frida Giannini, contou que a música “Hurricane Drunk”, da Florence + The Machine, ajudou no processo de criação da coleção outono-inverno 2011/12 da marca, noticiou Lilian Pacce em seu site. Mas, para provar que não vive o glamour 24 horas por dia, a cantora declarou em entrevista à revista NME que passou o último Natal vestida com um pijama super colorido e bijuterias. Fashion, não?

GarotaFM: A música embrulhada para presente

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sempre gostei de dar música de presente para amigos, familiares ou colegas de profissão. Podia ser através de LPs, fitas cassetes, CDs quando já mais crescidinha, livros relacionados ao tema, ingressos para shows ou, já no século XXI, DVDs. Nos últimos dez anos, essa mania virou um hábito. Como jornalista musical, aproximei-me ainda mais dos títulos, porque recebo muitos deles (para usar como material de consulta durante minha produção de textos) e porque segui comprando nas poucas lojas ainda existentes, em sebos, em feiras de rua etc. Nos últimos dez anos, descobri no processo de seleção de presentes uma verdadeira diversão. No Natal, principalmente, escolher no mínimo dez nomes para homenagear pessoas queridas com minha arte preferida é praticamente uma experiência antropológica.

Minha saga quase começou quando tirei o papelzinho do amigo oculto da empresa. Havia uma lista na rede compartilhada com o presente que cada um queria. O primeiro colocou lá: “CD ‘O que Você quer Saber de Verdade’, de Marisa Monte”. A outra repetiu o desejo. Uma terceira fez a mesma coisa. Todos já completamente fãs de “Ainda Bem”, música recém-lançada pela cantora e, com certeza, a sua mais radiofônica depois de “Amor I Love You” (do CD “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor”). Eis que um colega vindo do circuito mais underground do jornalismo musical fez seu pedido: “O disco do Kassin.” Ele queria “Sonhando Devagar”, o primeiro solo do produtor de discos de Caetano Veloso, Mallu Magalhães, Vanessa da Mata, Los Hermanos e tantos outros. Entendi melhor ainda o ar vintage da minha chefe quando ela colocou lá seu desejo pelo DVD de algum filme de Elvis Presley. Eu disse que a saga havia quase começado porque não tirei nenhum deles e acabei parando numa loja-de-mulherzinha para buscar um gloss.

Poucos dias depois, fui vencida pela insistência de minha prima de 14 anos. Levei a “aborrecente” a um show de Luan Santana. Pois é… Quando criança, ser fã de Dominó ou New Kids On The Block era, no máximo, colecionar recortes de jornais e revistas e vibrar com apresentações em playback em programas de TV. Quando adolescente, roqueira, tinha como programa preferido frequentar bares e casas de shows onde as bandas de amigos e familiares tocavam. Mas, naquela sexta-feira acalorada de dezembro, fui parar em um clube na Ilha do Governador onde estavam milhares de meninas e otros más berrando e fazendo coraçõezinhos com as mãos. Minha prima pulou, suou se empolgou tanto que eu não pude deixar de achar saudável minha incursão no mundo do astro de “Meteoro”. O moço fala umas besteiras e faz uns gestos não muito apropriados para seu público, mas canta de verdade… e canta o amor. Ownnnn!

Para meu pai, beatlemaníaco daqueles, adiantei o presente de Natal: no mês anterior, comprei ingressos para ele e minha mãe assistirem comigo e meu namorado a Ringo Starr e sua All Starr Band. Ultimamente, seu sorriso de felicidade estava viciado por estar atrelado aos DVDs que costumo dar. Mas, naquela madrugada, saímos da Barra da Tijuca com mais comentários do que nunca (meu pai sempre gosta de tecer os seus enquanto seus ídolos estão no palco, mesmo quando os vê pela televisão). Além de ver um ex-Beatle de perto, encontrou vários sessentões da sua turma. A alegria se estendeu até o dia seguinte, quando recebi um e-mail típico deste engenheiro civil apaixonado por música e inimigo da internet: em papel timbrado anexado à mensagem, com belíssimas palavras, mostrou que o esforço que fiz para pagar os tickets mais caros, os da pista VIP, valeu a pena.

Meu namorado… Bom, CD e DVD, não adianta dar. Ele faz a linha “baixo tudo”.  O gato ganhou duas câmeras fotográficas alternativas (uma com lente olho de peixe e uma que faz quatro fotos ao mesmo tempo), mas não pode reclamar de não ter ganhado um presente musical.  Já que estamos perto do ano novo, vale um mini flashback de retrospectiva… Este ano, o levei a grandes shows. O melhor presente veio no dia do seu aniversário: um ingresso para assistir à banda de rock que mais marcou sua adolescência, Red Hot Chili Peppers. Teve ainda vários outros nomes em outros dias de Rock in Rio, Lynyrd Skynyrd no SWU, concertos incríveis na MIMO (Mostra Internacional de Música em Olinda), atrações diversas no Lupaluna… Isso sem contar os eventos fora dos festivais: Mundo Livre S/A, Zé Ramalho, Eric Clapton (!!!), Ringo, Tom Zé, Totonho e os Cabra, A Cor do Som, Tony Tornado (!!!)… ai, chega! Impossível lembrar de todos! Foi bom, né, meu amor?

E, finalmente, chegou o grande dia da distribuição. Enquanto Papai Noel deixava bonecas variadas e uma guitarra das Princesas para a filha do meu irmão, eu comecei a tirar os embrulhos feitos por mim do saco. Para minha progenitora, DVD e CD de André Rieu e o kit de Elymar Santos cantando sucessos de Alcione. Que mistura, hein, mãe?!  No dia seguinte, ela não tirou o espetáculo do regente holandês da TV e o CD do cantor brega brasileiro do som do carro. Minha sobrinha de um ano e meio levou o DVD do Palhaço Topetão e não esboçou nenhum sentimento. Com uma mãe super adepta da importação via internet de produtos estadunidenses, ela já é uma big fan dos CDs do “Hi-5”. Minha prima de sete pulou de felicidade ao rasgar o papel e dar de cara com Justin Bieber. A irmã de 15 anos, adotada como prima desde que meu primo se casou com sua mãe, ficou com o da Taylor Swift, que julguei ser um fenômeno de sua geração. Dei para minha avó, a matriarca de 96 anos – que tem toda a coleção de Nelson Gonçalves, Ataulfo Alves, Francisco Alves e Cyro Monteiro – um DVD de Martinho da Vila, porque há algum tempo ela resolveu se encantar por sambistas “novos”. Bom, perto dos ídolos dela, Martinho é mesmo um broto!

E rolaram outros presentes, que gastariam mais alguns parágrafos desse artigo. Cada um tem um gosto, uma preferência. E é uma delícia tentar entender as personalidades através do que gostam de ver ou ouvir. Não sei se vocês conseguiram sacar algo sobre os que citei no texto. Eu começo 2012 ano com mais certeza de que conheço cada vez melhor as pessoas que estão a minha volta. E a música me ajuda nisso. Um 2012 musical a todos!

Obs.: A imagem foi registrada em 2006 pela grande fotógrafa Wania Corredo, que trabalhou comigo no jornal Extra.

Minha experiência com Luan Santana, um ídolo que canta e fala o que as fãs querem ouvir

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Não, desta vez eu não estava na plateia cobrindo o show ou curtindo porque-amo-muito-aquele-que-estava-no-palco. Fui, depois de muitas tentativas de me esquivar do popstar do momento, levar minha prima de 14 anos para ver Luan Santana, na última sexta-feira (09/12). Evelyn vinha há meses tentando me convencer a levá-la a um show do “amado”. Ela sabe que eu teria feito isso a trabalho se ainda fosse repórter e colunista de música do jornal Extra. Na época em que trabalhava lá, minha prima era fã da novelinha mexicana Rebelde e eu trouxe de uma coletiva de imprensa uma foto e um autógrafo de um dos integrantes da banda RBD. Ela devia ter uns nove anos na época… Pois bem. Cedi. Não fui ver Luan com ela em Nova Iguaçu nem em Mesquita, mas acabei topando o show da Ilha do Governador, sentindo que pelo menos ida e vinda seriam tranquilas.

Os portões abriam às 18h e às 18h30 Evelyn já estava na porta da minha casa, ansiosa. Sexta-feira no Rio de Janeiro, o trânsito nunca é bom, né? Mas lá fomos nós rumo à Associação Atlético Portuguesa. Chegamos por volta das 21h30, mas o show só começou mesmo às 23h. Cansatiiiivo… O DJ era um dos piores que já “vivi” na vida. O cara tocou dance music e funk da minha época (Claudinho & Buchecha, Cidinho e Doca etc). Toda hora eu perguntava: “Evelyn, você conhece essa?” E ela fazia que não com a cabeça e respondia: “Pô, ele devia tocar Michel Teló.” Esse rapazinho é aquele que recentemente grudou na cabeça de muitos o refrão “Ai, se te pego. Ai, ai!” Vale ressaltar que, no dia seguinte do show, até na feira, eu e minha prima ouvimos gente cantar Michel Teló.

Optei por ir com Evelyn na pista VIP, que custava apenas R$ 60, uma discrepância em relação a ingressos como os de Paul McCartney, cuja pista Prime (VIP) no Engenhão, em maio, saiu a R$ 700. Tá bom, vamos a um artista brasileiro… Chico Buarque fará show no Vivo Rio, em janeiro, e o ingresso mais caro custa R$ 320. Ok, ok… Você deve estar pensando: “Pô, não dá para comprar Luan Santana com Paul ou Chico!” Está certo… Vamos comparar Luan com Luan: no show que ele fez na Apoteose em dezembro de 2010, o ingresso de pista comum custava R$ 140.  Melhor ver na Ilha, né? Por seu um espaço para show tão pouco popular, não imaginei que ia estar tão cheio. Percebi que o local e o marketing encarecem muito o evento. Imaginei se não seria legal se Paul tocasse lá na Associação Atlético Portuguesa também… :P

Na hora em que começou, chegou a dar medo de viver o mesmo que vivi no show do Rage Against The Machine no festival SWU de 2010 (leia aqui). Mas em questão de segundos percebi que a altura média da galera era 1,55m e que a plateia era formada em sua maioria por meninas. Berros a muitos decibéis, mãos que formavam coraçõezinhos, suor naquela primeira noite menos fria de dezembro e muita choradeira permearam o evento. Enquanto elas se rasgavam, Luan dava uma aula de como ser canastrão… e um verdadeiro popstar. O sotaque é do Mato Grosso do Sul, onde nasceu e cresceu. Com o ”R” puxado como aquele do interior de Minas Gerais ou São Paulo, enviou frases direto ao coração das fãs. “Eu tava louco para subir no palco logo, olhar no fundo dos olhos e dizer que eu só quero vocês”, declarou. Em seguida, puxou mais gritos: “Eu tô solteiro. Tô mais sozinho que chinelo de Saci.”

Luan dançou com uma menina da plateia, escolhida por sua produção, e deu chocolate na boca daquela que chamou de “Garota Chocolate”. Falou que o Rio de Janeiro é o lugar com mais mulher bonita e voou do palco até parte da pista VIP, pendurado por uma corda regulada por uma estrutura de ferro montada no alto da estrutura onde aconteceu seu show.  Formada por sete integrantes (tecladista, baterista, dois guitarristas, baixista e duas backing vocals), a banda entrou em todas as brincadeiras do “astro”, que até fez dueto com Ivete Sangalo através de um telão que exibia a imagem da cantora baiana. Evelyn catou um papelzinho vermelho (cor preferida de Luan Santana) que caiu do palco e jogou lá uma cartinha com bichinhos de pelúcia. Minha prima disse que ele tem um quarto em sua casa onde guarda tudo o que ganha. Ela tem um saquinho com papéizinhos, recortes, ingressos na bolsa e no coração.

Não, não me encantei com Luan Santana. Achei o show bem estruturado e ele, extremamente esperto e focado na carreira. Pode ser que enverede mais para a música sertaneja do que para a romântica (ou parta para o romântico adulto) e consiga se manter em alta por muitos e muitos anos. Pode ser que saia de moda e passe a trabalhar no backstage. Não dá para saber. As fãs, bom, um dia elas vão crescer, amadurecer e talvez até topar levar suas primas mais novas em shows dos próximos ídolos. E com certeza lembrarão para sempre dessa fase que viveram.

Quanto a mim, eu espero que, quando precisar entrevistar Luan Santana para alguma matéria ou esbarre com ele em alguma cobertura jornalística, possa aproveitar essa experiência. Na única oportunidade, que foi durante a cobertura do Criança Esperança para o site oficial, sua produtora pedia até a cor da calcinha para liberar minha entrevista enquanto eu só sabia que era aquele que cantava a canção-chiclete “Meteoro”. Mal conhecia seu rosto, para mim, nada atraente como eram os dos meus ídolos da adolescência…  Que Evelyn nunca esqueça desse momento que vivemos juntas.

 

Ringo Starr libera o palco para o talento dos amigos em show no Rio

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A única certeza que tinham os presentes no show de Ringo Starr nesta terça-feira (15/11) não era a de que cada um ali, algum dia, vai morrer, mas a de que todos eram beatlemaníacos. Ou mulher de um beatlemaníaco. Ou namorado de uma beatlemaníaca. Alguma relação com Beatles aquela gente que quase encheu o Citibank Hall, no Rio, tem. Mas o baterista mais fofo da história do rock britânico não se aproveitou disso. Apresentando apenas “I Wanna Be Your Man”, “Yellow Submarine” e “With a Little Help From my Friends” do repertório “daquela outra banda” (como ele faz questão de chamar), Ringo Starr priorizou a divulgação do trabalho de seus parceiros de palco.

A All Starr Band, que vira e mexe alterna seus astros, veio ao Brasil com Rick Derringer (guitarra), Richard Page (baixo), Edgard Winter (teclado), Wally Palmar (guitarra), Gregg Bissonette (bateria) e Gary Wright (guitarra). Cada um tem seu estilo e todos tiveram a chance de brilhar no show comandado por Ringo, que abriu a noite com seu maior hit solo, “It Don’t Come Easy”, e interpretou o clássico de Carl Perkins “Honey Don’t”. Depois de “Choose Love”, o ex-Beatle deu a vez a Rick Derringer, que tocou e cantou “Hang on Sloopy”, um sucesso de sua ex-banda McCoys. Para quem não lembra, foi a música que ganhou versão de Leno & Lilian na Jovem Guarda e virou “Pobre menina”.

Edgard Winter, irmão da “lenda da guitarra” Johnny Winter (lembre do show no Rio), assumiu o microfone e, com o teclado pendurado no pescoço como se fosse uma guitarra, tocou “Free Ride”. Gary Wright apresentou “Dream Weaver” e Wally Palmar mostrou “Talking in Your Sleep”, dos seus tempos na banda The Romantics. Richard Page colocou para fora seu lado oitentista com “Broken wings” (momento Antena 1 Light FM). E não foram só essas. A alternância durou o show todo, com Bissonette na bateria principal o tempo todo e Ringo indo e vindo de trás do palco (onde estava a sua bateria) para a frente (quando pegava no microfone). Os fãs alternaram-se entre gostar e achar chatos os números dos amigos de Ringo. Mesmo assim a simpatia do ex-Beatle, que declarou seu amor aos presentes o tempo todo e disseminou Paz e Amor muitas vezes, segurou a atenção da plateia do início ao fim.

Assista ao vídeo da confusão na entrada do SWU

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Assista ao vídeo da confusão na entrada do SWU:

 

Revista agressiva na porta do SWU faz jornalista perder show e ganhar seus direitos no grito e na ‘carteirada’

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Carta à produção do festival SWU, cuja segunda edição começou no sábado (12/11) e termina nesta segunda-feira (14/11), em Paulínia (SP):

SWU: não começa com você

Escrevo para fazer uma reclamação. Fui agredida na porta de entrada por seguranças truculentos. Fiz um pequeno motim e consegui no grito entrar com os objetos que a mulher queria que eu tirasse a bolsa (pente, espelho, lápis de olho etc). A foto dos objetos está aqui embaixo e também no Facebook, assim como relatos do ocorrido. Aconteceu assim:

Enquanto eu tirava a capa de chuva, que estava por cima da mochila, ao tentar me “ajudar”, uma das  mulheres responsáveis pela revista RASGOU a mesma. Abriu o zíper enquanto eu ainda ajeitava a mochila em cima da mesa. Arrancou de dentro a necessaire que vai comigo a qualquer lugar (aeroportos, bancos, shows e outros festivais, tais como Rock in Rio e LupaLuna) e abriu. Pedi que deixasse eu abrir, mas ela IGNOROU minha fala e foi tirando tudo de dentro. Colocou a mão na minha escova de dente, abriu a pasta dental para cheirar e separou na mesa  meu lápis de olho, um espelho redondo com suporte de madeira, um cortador de unha, uma pinça, dois pentes de plástico pequenos e presilhas tic-tac. Da outra bolsinha, retirou uma caneta americana, mas a Bic, largou lá. E disse que eu não entraria com os 19 OBJETOS que ela selecionou aleatoriamente. Detalhe: Chaves, cinto com fivela grande, sacos plásticos, shampoo, condicionador e caneta Bic entraram.

Falei para a jovem que essas REGRAS NÃO ESTAVAM ESCRITAS nem no site do SWU nem no verso do ingresso. E que eu tinha tudo ali porque fui do Rio de Janeiro direto, com a mochila nas costas com uma muda de roupa e a necessaire. Tudo passou pela rodoviária e pela Polícia Federal, no aeroporto. Pedi para falar com meu namorado, que por ter sido levado a correr uma fila de homens a essa altura já havia passado pela catraca, e uma OUTRA MULHER FEZ UMA BARREIRA, e disse que dali eu não passaria. Comecei a falar com ele de longe, gritando para ele ouvir e entender o que estava acontecendo. Eis que vem um SEGURANÇA GRANDE (leia-se alto e gordo) e se fazendo valer de seu tamanho, ME EMPURROU e disse que, se eu não jogasse aquelas coisas na lata de lixo, que fosse embora porque não teria conversa. Gritei que ele não podia ENCOSTAR EM MIM e, vendo a confusão, meu namorado pulou para fora do festival e veio em nossa direção, com a câmera ligada, registrando a tentativa de me inibir daquelas três pessoas. O “segurança grandão” METEU A MÃO NA MÃO DELE, desligando a câmera dele. Gritei mais uma vez, dizendo que ele não tinha o direito de encostar na gente. Uma pernambucana chamada Marília que estava tendo seus bens confiscados ali do lado  e viu a cena decidiu se juntar  a nós e também gritou com o homem. Um quarto “segurança” veio pra cima de mim, gritando QUE ERA POLICIAL E IA ME LEVAR DALI. Desafiei: “Me mostre então sua identificação e me diga seu nome!” E ele se negava a fazer uma coisa ou outra. A pernambucana fazia a mesma coisa. Meu namorado continuou filmando.

Exigi falar com o superior dele, mas eles não queriam chamar. Odeio dar a tal “CARTEIRADA”, mas nessa hora falei que era jornalista e que, em 2010, cobri o evento para o jornal O Globo do Rio (leia aqui). Mais que rapidamente, O SUPERIOR APARECEU (ele não quis se identificar, mas está no vídeo).  Na frente dele, os dois “seguranças” truculentos NEGARAM que tivessem encostado na gente e ameaçado com palavras. O que se disse policial enfiou o rabo entre as pernas e só sabia dizer que estávamos mentindo. O superior declarou que havia chamado uma policial para nos revistar e nos dizer que as regras eram aquelas. Nós nos acalmamos e vimos ali A CHANCE DE registrar a ocorrência e de questionar onde estão essas regras. Enquanto esperávamos, Marília sugeriu ao superior que assistisse ao vídeo registrado por Marco.  E, quando a companheira pernambucana repetiu para ele QUE EU ERA JORNALISTA, imediatamente ele nos levou para outra catraca E NOS LIBEROU COM TUDO o que tínhamos na bolsa. Medo de jornalista?

Pior é que mais de dez mulheres assistiram à cena e tentaram dar apoio, até mesmo numa de seguirem nossos passos e não perderem seus bens. Mas como as mesmas não fizeram barulho, acabaram ficando pra trás, presas na barreira dos quatro policiais “malvadinhos” e com certeza tiveram que deixar suas coisas na lata de lixo. Sempre que aceitarmos esse tipo de truculência, levaremos o prejuízo.

Porque estou trabalhando em outro projeto e por isso a Midiorama/MediaMania não me credenciou para a cobertura oficial do festival (aliás, a única assessoria que não dá crédito ao GarotaFM, site convidado para o Rock in Rio, a Mimo, o LupaLuna, o próprio SWU em 2010 e tantos outros festivais e eventos brasileiros de música), fui como plateia comum apenas no domingo, dia 13/11, quando tocariam dois ídolos meus: Zé Ramalho e Lynyrd Skynyrd. Por causa da confusão na porta de entrada, que durou mais de 45 minutos, PERDI O SHOW do Zé Ramalho. Calor, dor no peito, vermelhidão no rosto, sede, raiva… levei mais de uma hora e meia para me recuperar daquele estresse.  Agradeço a meu namorado pelo apoio na briga, pela filmagem e por me acalmar depois.

Quando eu já um pouco mais relaxada, vi a seguinte cena acontecer do meu lado: uma menina comprando chope por R$ 7 e dando uma nota de R$ 10 e o vendedor se negando a dar troco, dizendo que com ele o preço era esse. Eu me perguntei: “Cadê a fiscalização?”

Gostaria de registrar o ocorrido porque vou querer uma explicação para isso. E quero saber também como a produção pretende ressarcir meu prejuízo por ter perdido o show de Zé Ramalho, artista que acompanho há anos e sobre o qual estou escrevendo um livro (leia mais).

Atenciosamente,

Christina Fuscaldo

* No site do SWU, há uma pergunta na seção FAQ sobre o que pode e não pode ser levado ao festival. De acordo com o texto, apenas meu cortador de unha deveria ter sido confiscado. E também desodorante, shampoo, condicionador e pasta de dente, que não foram. Mas o pregador proibido é apenas aquele tipo bico de papagaio. É proibido levar camisa de time, mas o que mais se via eram homens vestidos com camisas de times. Alô, produção, no ano que vem, é possível treinar os seguranças / responsáveis pela revista ou pelo menos contratar pessoas acostumadas a trabalhar com isso?

O texto que está no site:

Não pode levar: Armas de fogo; armas brancas de qualquer tipo ou espécie (facas, canivetes, etc); guarda-chuva (de qualquer tamanho); pingentes, correntes pesadas; objetos pontiagudos (inclusive prendedores de cabelo tipo bico de papagaio); objetos perfuro cortantes (tesoura, estiletes, cortador de unha, aparelho de barba); materiais ou objetos que possam causar ferimentos; balões em geral; malabares; fogos de artifício e de estampido (de qualquer espécie); objetos de vidro, plástico ou metal (perfumes, cosméticos – inclusive desodorantes de qualquer tipo -, pasta e escova de dente); substâncias tóxicas e utensílios para utilização de drogas; bebidas (em qualquer tipo de recipiente ou vasilhame que não seja copo de água mineral selado e lacrado com o tamanho máximo de 200ml; remédios (somente com autorização/receita médica); camisa de time de futebol; bandeira com mastro; papel em rolo de qualquer espécie, jornais, revistas e livros; alimentos de qualquer natureza – SÓ SERÃO PERMITIDOS ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS COM A EMBALAGEM LACRADA ORIGINALMENTE (SALGADINHOS/BOLACHAS/BISCOITOS) – ALIMENTOS IN NATURA, MANIPULADOS E/OU COM EMBALAGEM ABERTA NÃO SERÃO AUTORIZADOS); vasilhames, copo de vidro, latas, canecas ou qualquer outro tipo de embalagem vazia ou contendo líquidos de qualquer natureza que, direta ou indiretamente, possam provocar ferimentos em caso de esforço físico isolado ou generalizado; cadeiras; animais; máquinas fotográficas profissionais (lente intercambiável); gravadores; filmadoras; notebooks.

Pode levar: cigarro (1 maço lacrado); isqueiro; fósforo; dinheiro; cartão de débito e crédito; binóculo.

O dia em que Ivete Sangalo não foi a estrela (perdendo o posto para Paula Fernandes)

domingo, 6 de novembro de 2011

É raro acontecer. É difícil combater Ivete Sangalo no palco ou na TV. Mas, mesmo sem a menor intenção de fazer qualquer coisa do tipo, Paula Fernandes conseguiu. No aniversário de 11 anos do Altas Horas, gravado em Inhotim (MG) e transmitido na madrugada de sábado para domingo pela TV Globo, Serginho Groisman convidou a cantora que mais vendeu disco em 2011 para assumir a música do programa junto a Ivete, Samuel Rosa, Rogério Flausino e Milton Nascimento. Todos mineiros, até mesmo a baiana, que recentemente recebeu o título de Cidadã Honorária do Estado de Minas Gerais. Como sempre, Ivete fez suas gracinhas, mas nenhuma delas, nem mesmo as mais ácidas, derrubaram a sertaneja de Sete Lagoas.

Ivete imitou o jeito de Paula cantar (com os dentes fechados, fazendo do S um X). Elogiou a mineira cantando “Quando a Chuva Passar”, mas tentou fazer uma piadinha quando a jovem contou que ouviu essa música sozinha durante uma viagem: “Viajando sozinha? Sei!” A baiana levou uma respostinha marota quando brincou com a “suposta” santidade da moça: “Aí você falou: ‘Tire a mão daí’”. E Paula respondeu: “Ou coloque a mão aí!”  E olha que a novata foi só fofura com a “ídola”:  ”Eu não acredito em coincidência, nem acaso. Eu coloquei essa música no meu carro quando ganhei o CD da Ivete. Eu tenho que tomar cuidado com o que eu peço, com o que eu mentalizo” (sobre a vontade e oportunidade de gravar “Quando a chuva passar”).

É normal, com suas brincadeirinhas, a baiana tentar intimidar qualquer um que possa ameaçar seu reinado. É assim em entrevistas a jornalistas, por exemplo (os que não puxam o saco da baiana). Ivete é um grande talento da música brasileira, mas também há outros já consagrados e/ou surgindo por aí. Paula Fernandes é um deles. E, no último “Altas Horas”, a cantora foi sem dúvida a estrela da madrugada. Além do dueto com Ivete, cantou com Milton Nascimento “Canção da América”. Paula interpretou ainda “Man! I feel like a woman”, sucesso de Shania Twain. Do seu repertório, apresentou “Jeito de Mato”, “Seio de Minas” e a moda de viola “Saudade da minha terra”.

Assista ao dueto de Paula Fernandes e Ivete Sangalo

Coletiva virtual de Marisa Monte teve como foco os pontos de vista da cantora… mais do que o lançamento de seu novo disco

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Na coletiva de imprensa online que ofereceu na manhã desta quinta-feira (03/11), Marisa Monte começou falando sobre a…. coletiva de imprensa online que ofereceu na manhã desta quinta. Novidade que ela nunca havia experimentado, o encontro com os jornalistas na internet foi negociado assim para que todos tivessem a mesma oportunidade, desde a repórter de Portugal até o de Curitiba.  Durante uma hora, a cantora respondeu a muitas perguntas para cerca de 55 pessoas sobre seu novo disco, “O Que Você Quer Saber de Verdade”, e muito mais.

“É legal dar oportunidades iguais a todo mundo. Eu sonhava com isso. Há 15 anos, eu fazia turnê de divulgação em todos os países para falar. A internet dá a possibilidade de falar com todo mundo. É uma experiência nova que abre possibilidades novas. Espero que a imprensa possa viver esse novo momento comigo. É uma mudança para todo mundo. Tem a questão do ritmo da imprensa. Todo mundo tem que sair (dar a notícia) no mesmo dia. Uma maneira democrática de atender a todos era dar essa condição através do site. Daqui a pouco vou falar com um por um. Mais pra frente vamos ter outros encontros”, declarou Marisa, deixando em aberta a possibilidade de dar outras entrevistas.

Perguntas sobre o disco demoraram a aparecer. Antes, jornalistas quiseram saber sobre pontos de vista de Marisa Monte. Primeiro, foi desmitificada a ideia de que Marisa Monte não lança(ria ou rá) mais disco:

“Você lançar um grupo de canções juntas de tempos em tempos tinha sido determinado pelo LP e, depois, o CD. O 78 rotações, as pessoas lançavam de dois em dois. (Numa entrevista no site…) Eu falava que o formato estava em transformação. A constatação é de que cada um escuta à sua maneira. Se criaram muitas maneiras de ouvir música. Eu falei que poderia lançar de dois em dois discos, três em três. Mas nunca disse que não ia lançar disco.”

Sobre formato, ela continuou falando um pouco depois, junto com sua resposta sobre como escuta música hoje em dia. E, como sempre faz, defendeu o conceito de “álbum”.

“Eu raramente escuto música no shuffle. Gosto de ouvir álbum. Sempre escuto o álbum inteiro. É engraçado. Raramente escuto no mp3 player. Escuto mais no computador. Não me adaptei tanto a administrar aquele arquivo no celular ou no iPod. No carro, no meu som  nem liga iPod. Escuto rádio ou CD. Outro dia, cheguei em casa e tinha uns amigos. Cheguei com o CD Player e uns CDzinhos e eu senti um clima de ‘Ai que amor, ela toca CD’. Parecia que eu estava chegando com uma vitrolinha e uns LPs. Esse álbum eu fiz pensando num álbum que tem como formato o CD. É um grupo de canções juntas agrupadas, formato herdado do LP, que pra mim não mudou ainda. Acho legal que possa sei lá daqui a um tempo lançar uma música ou outra e não esperar tantos anos pra lançar um grupo de cancões. Ao mesmo tempo, acho legal ter um grupo de canções que têm um conceito. Tribalistas tem um conceito. Aquelas cinco pessoas tocando aquelas músicas… É legal que esteja tudo junto. Esse (disco) também reflete o momento, tem um ponto de ligação, um conceito de álbum. Antigamente, Carmen Miranda lançava duas músicas no carnaval, uma no São João e uma no fim do ano. Era mais dinâmico porque era tudo era diferente. A indústria era diferente. A gravadora tinha uma orquestra contratada. Aquilo funcionava como uma fábrica. Hoje não é assim”, comparou.

Se Marisa é considerada “antiga” no seu modo de ouvir música, seu gosto por estrelas da época de seus pais segue o mesmo caminho. No novo disco, ela incluiu uma versão em português do tango Lencinho querido (El Panuelito), de Juan de Dios Filiberto  e Gabino Coria Penaloza, sucesso na voz de Dalva de Oliveira nos anos 50.

“Eu sempre gostei de música antiga brasileira. Eu era uma adolescente diferente porque gostava de fuçar disco da avó e do pai. Não tinha CD e era difícil encontrar relançamentos em LP. Eu ia muito a sebo ou na Funarte comprar LPs. Tinha aquela coleção Abril e eu me lembro de ter compilações da Dalva. Essa música, eu conheço desde essa época, de 15 ou 16 anos, quando eu ouvia Dalva, Lupicínio (Rodrigues), Francisco Alves, repertório que entrei em contato muito jovem. Não era gosto comum para pessoas da minha geração, mas hoje em dia faz o maior sentido eu ter vivido isso. Eu fazia aula de canto, mas não era cantora profissional. Era uma curiosa”, lembrou Marisa.

Sem ficar presa ao passado, Marisa destacou também nomes da atualidade que chamam sua atenção: “Das cantoras, eu adoro a Nina Becker, a Tulipa Ruiz, Maria Gadú, Mallu Magalhães… Tem várias pessoas fazendo trabalhos interessantes. Dos compositores, (Marcelo) Jeneci, Andrea Carvalho… Sempre tem coisas interessantes surgindo. Tem um cara que não conheço tanto, mas tenho curiosidade de ouvir é o Criollo. Tem o Pretinho da Serrinha. Quando perguntam assim, esqueço, mas tem muita coisa interessante.”

Marisa ressaltou que “O Que Você Quer Saber de Verdade” não foi inspirado em estilo nenhum, mas fez questão de frisar que não tem preconceito. “Eu disse (anteriormente, durante a entrevista) que não era meu disco mais popular. Acho que parte da popularidade não vem de um estilo, mas da clareza das canções, da capacidade de me comunicar através do canto, dos arranjos, com intenção de fazer com que elas tenham uma mensagem clara, que possam chegar às pessoas”, disse, pouco depois de responder a uma pergunta sobre qual estilo ela ainda gostaria de gravar.  ”Não penso num estilo. As coisas têm vida própria. Talvez tenha coisas que eu nunca fiz. Não tenho nenhum preconceito contra nenhum estilo musical. Tem coisas boas em todos os estilos e coisas ruins em todos os estilos.”

A questão da simplicidade foi muito explorada pela cantora e também pelos jornalistas, em suas perguntas, durante a coletiva de imprensa. Logo que lançou a primeira música de trabalho, “Ainda Bem”, choveu comparações com bandas bregas nas redes sociais. Liberada em streaming em seu site, a canção inédita ultrapassou a marca de 1,2 milhões de acessos, incluindo as exibições do clipe da música no Youtube, em que a cantora aparece dançando com o lutador Anderson Silva, atual campeão mundial dos pesos médios do UFC. Para Marisa, ela é simples como “Bem Que se Quis” e outras músicas que gravou ao longo de sua carreira.

“O álbum prima pela simplicidade embora tenha soado sofisticado durante o processo. Temos várias escolhas antes, durante e depois. A coisa se faz por si só. O álbum tem vida própria, estamos ali a serviço. A  simplicidade talvez tenha existido no meu trabalho desde o primeiro, com ‘Bem Que Se Quis’ e ‘Chocolate’. Sempre tive uma linguagem simples. Por outro lado, tem um lado de elaboração na produção e poeticamente, que é um lado que compensa. Ele saiu assim. É um reflexo do meu jeito de viver e sentir a música”, disse, comentando também a leveza do single. “‘Ainda Bem’ caiu no gosto. Era um disco difícil de escolher uma primeira música para ir para a rádio. Ele traz muitas opções e a gente escolheu ‘Ainda Bem’ porque é uma música positiva. Nesse aspecto, ela representava bem o disco. A música que mais representa é ‘O Que Você Quer Saber de Verdade’, ela abre o disco. Mas elas tem funções diferentes. ‘Ainda Bem’ tem também uma ajuda grande do clipe. A leitura em audiovisual teve um resultado muito feliz. Um clipe com Anderson Silva representa bem o espírito da música.”

A certa altura, uma jornalista perguntou a resposta de Marisa para a pergunta que dá nome do seu álbum: “O Que Você Quer Saber de Verdade?”

“Não tem resposta. Você vai descobrindo as coisas e a necessidades se renovam. Faz parte da insatisfação humana você ir em busca de novas respostas e novos questionamentos. O que eu procuro ouvir, que está por trás do título do disco, é a necessidade individual de cada um de ouvir as necessidades da alma. Atenção para essa questão. É o que diz a música. É uma das coisas que gostaria de saber de verdade da vida. É a voz da minha alma.”

Marisa Monte falou sobre sua admiração por João Ubaldo Ribeiro, sobre como é mais fácil o artista viver de show do que da venda de discos (e de como o Brasil não se preparou para a questão do download) e também sobre a importância, para ela, de a arte estar em primeiro plano e o artista, por trás. E foi depois disso tudo que surgiram perguntas sobre o novo álbum, produzido pela artista e coproduzido pelo amigo e parceiro Dadi Carvalho, também baixista da cantora. O CD traz composições de Marisa com Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Dadi e Rodrigo Amarante. “O que se quer” é a primeira parceria da cantora com o ex-Los Hermanos, atualmente morando em Los Angeles e tocando com a banda Little Joy.

“Eu e Amarante, a gente sempre foi admirador um do outro. Eu passei por Los Angeles para trabalhar com Mario Caldato, que produziu meu último disco de samba (‘Universo ao Meu Redor’),  durante a produção desse disco. Ele tem contato com Rodrigo e eu encontrei com ele.”

A outra releitura presente no disco (além do tango) é “Descalço no Parque”, música de  Jorge Ben Jor que Marisa já vinha ensaiando gravar faz tempo. “É uma música que adoro e tem um arranjo incrível. Eu já tocava em casa há anos. Desde  a outra turnê eu tocava em passagem de som, hotel… Já toquei nuns shows nos últimos dois anos. É uma música que eu gostava e achava que podia fazer parte desse repertório. Não é uma música muito conhecida do Jorge, mas é uma música no compasso 3/4, que é coisa rara do Jorge”, contou.

Durante a entrevista, a cantora comentou que ainda não tem turnê prevista nem show para gravação de DVD planejado. Ao ser perguntada sobre quem é Marisa Monte hoje, ela foi clara: “A mesma pessoa (do início da carreira), só que com mais experiência e mais história, mas com o mesmo desejo de desenvolver uma maneira própria de me relacionar, com essa maneira de fazer música de maneira própria. As regras existem para serem questionadas. É bom fazer de maneira diferente. Isso faz parte de toda a reflexão, minha reflexão sobre o que eu faço.”

Mundo Livre S/A faz show animado para meia plateia (que encheu a pista), em festa no Rio

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Uma experiência única, ou melhor, diferente. Assistir ao Mundo Livre S/A em uma festa, no caso a Coordenadas Live, não é a mesma coisa do que sair de casa para ver a banda em um show totalmente dela. Não foi melhor nem pior a atuação de Fred Zero Quatro. Interessante é perceber que metade da galera está ali por ele e sua trupe e a outra parte, não. Melhor ainda é constatar que, num Vivo Rio grande e lotado, o número de pessoas que ficaram à frente do palco (em vez de esperarem a vez dos DJs de rock  na parte de cima da casa) foi suficiente para fazer com que os pernambucanos sentissem que podiam jogar toda sua energia naquela apresentação. E olha que isso aconteceu na noite desta terça-feira (01/11), depois de o vocalista ter vivido dois dias de corre-corre no Rio de Janeiro.

“Tivemos reunião ontem com a Coqueiro Verde e depois saímos da Barra da Tijuca para o Grajaú para ensaiar com Juliano, o baixista que está substituindo Areia. Hoje, viemos passar o som, voltamos para o hotel, na Barra, para depois virmos pra cá, tudo isso pegando trânsito. Tô cansado”, contou Fred no camarim, antes do show.

O Mundo Livre S/A lança seu próximo disco, “As Lendas da Tribo Toshi Babaa”, até o fim do ano pela gravadora Coqueiro Verde. No show, Fred Zero Quatro (vocal, guitarra e cavaquinho), Xef Tony (bateria), Léo D. (teclados), Tom Rocha (percussão) e o convidado Juliano Holanda (baixo) incluíram apenas quatro músicas novas. Dos sucessos, levantaram a galera “Melô das musas”, que mistura “Musa da Ilha Grande” com “Uma Mulher com W… Maiúsculo”, além de “O Mistério do Samba”, “Bolo de Ameixa”, “Mexe mexe” e, a pedido da plateia, “Pastilhas Coloridas”. Até “Meu Esquema”, mesmo mais lenta, fez a galera balançar (ou dançar juntinho). Animando-se gradativamente ao longo do show, Fred apresentou a banda explicando que Areias estava fora do Brasil e enaltecendo a participação de Juliano, que tem em seu currículo shows com a Orquestra Contemporânea de Olinda.

“Areias está na Escandinávia com um artista de lá. Vai fazer quinze shows em dezesseis dias em países como Finlândia, Suécia, Dinamarca, Noruega. A gente achou legal liberar ele desses shows aqui pela experiência que ele vai trazer depois de tocar com músicos indianos, marroquinos etc. O Juliano é fã da banda desde o início e toca muito bem. É sempre diferente, mas bom também”, disse Zero Quatro, no camarim.

Agora, é aguardar o lançamento de “As Lendas da Tribo Toshi Babaa” e o anúncio de um novo show do Mundo Livre S/A no Rio, com a plateia toda lá para ver a banda.

Obs.: Parabéns também aos DJs Dodô, Luizinho, Mario Mamede e Edinho a aos VJs Ratón e Lê Pantoja, que levantaram a plateia, tanto a que não foi para ver Mundo Livre quanto a que se animou com o show e seguiu na festa.

Fotos: Marco Amarelo.

Coordenadas Live traz Mundo Livre s/a para apresentar seu oitavo disco ao Rio

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Produtores do Coordenada LiveO Mundo Livre s/a é a atração da segunda edição da festa Coordenadas Live, nesta terça-feira, no Vivo Rio. No palco, a banda pernambucana vai apresentar seu oitavo disco, “As Lendas da Tribo Toshi Babaa”, que durante as gravações teve participação de B Negão na música “Carinhoca”. Depois do show, assumem as carrapetas os DJs Dodô e Luizinho, acompanhados pelo VJ Ratón, e, na outra pista, os DJs roqueiros Mario Mamede e Edinho, que tocarão na companhia da VJ Lê Pantoja. Veja o que diz o produtor Rodrigo Caucotto sobre a festa:

GarotaFM: Quando, como e onde surgiu a Coordenadas Live e qual é o objetivo da festa? Por que a ideia de convidar bandas?

Rodrigo Caucotto: Nós estávamos fazendo a festa Coordenadas há quatro anos com o mesmo formato (2 pistas, uma de rock e outra que mescla variados ritmos). No ano passado começamos a pensar em como trazer alguma novidade, algo que pudesse dar cara nova ao evento. Foi aí que criamos um projeto diferenciado, chamado Coordenadas Live, com a proposta de convidar bandas para tocar junto à festa. Fomos atrás de parcerias, e na primeira edição, que rolou em julho, conseguimos trazer o Ed Kowalczyk, vocalista do Live.

GFM: Como ela funciona? Qual é a periodicidade?

RC: A Coordenadas Live sempre terá uma atração ao vivo junto com as outras atrações da festa, Djs e Vjs, e deverá acontecer duas vezes ao ano. A intenção é alternar entre artistas gringos e nacionais.

GFM: Quando será a próxima? Já fecharam banda? Se não, estão conversando com alguma?

RC: Estamos em contato para trazer uma atração, mas ainda não tivemos a confirmação. Essa atração seria o  Cake…Mas se não fecharmos com eles, já temos outros nomes engatilhados.

GFM: Mudou alguma coisa da primeira edição para cá?

RC: A mudança da 1ª para esta está mais no layout da festa, do novo posicionamento das pistas no Vivo Rio. Além de termos mais atrações na festa, com mais Djs e Vjs. E agora o projeto tomou forma e está se posicionando para entrar na cena musical do Rio como evento de shows nacionais e internacionais, ligados ao rock, indie e poprock.

GFM: Como foi a recepção do Mundo Livre vir de vir ao Rio pela festa mesmo sabendo que a banda tem público cativo na cidade?

RC: Foi super bacana, pois foi justamente o fato da proposta deles tocarem numa festa que fez o diferencial pra que eles fechassem com a gente. Eles gostaram das informações da festa e toparam na hora, queriam fazer algo diferente do que só realizar um show. Como foi pensada essa configuração (mundo livre + Dodô + Ratón +Luizinho + Mario Mamede) Fale da escolha das atrações.
O Mundo Livre sempre foi uma das bandas que pensamos em convidar desde que pensamos nessa edição com uma atração ao vivo, e também por se encaixar no perfil da festa, de fazer um som bastante animado e original. Também pesou o fato de que há algum tempo que eles não se apresentavam no Rio. Já as atrações das pistas, esse é o nosso time titular da festa.

GFM: Qual vai ser a participação de Dodô, Ratón, Luizinho e Mario Mamede?

RC: Desta vez será diferente da 1ª edição, após o show, o palco vai receber o Dodô que estará discotecando junto com o Luizinho, com as projeções do Ratón. Já na outra pista, juntamos os roqueiros Mario Mamede e Edinho, que terão a companhia da VJ Lê Pantoja. A ideia é montar uma festa que tenha pistas fieis aos ritmos que são propostos pela festa e criar cenários diferentes com os VJS em cada um dos ambientes. Nós tentamos juntar tudo que gostaríamos de ter numa noite.

GFM: Como produtor, fale sobre sua relação com Mundo Livre e sobre esse novo disco da banda.

RC: Nós somos fãs da banda, sempre assistimos aos shows deles no Circo Voador e pra gente é um orgulho enorme tê-los na nossa festa. Sobre o disco, está sensacional e foi uma grata coincidência ter o lançamento no Rio justamente na Coordenadas Live.

GFM: O que vocês pretendem para as próximas edições? Alguma novidade, algo que desejem acrescentar?

RC: Por enquanto, a novidade que podemos adiantar é que em breve estaremos lançando o nosso novo site, que vai trazer mais informações sobre música além de serviços pro nosso público. Nós queremos ajudar na formação deste cenário musical da cidade e trazer atrações que potencializem esse lado inovador que o Rio vem mostrando.

Coordenadas Live com Mundo Livre s/a: Terça-feira (01/11), as 22h, no Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo. R$ 40 a R$ 100.