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‘De Pés no Chão’: Márcia Castro lança clipe na rede e disco em teatro da Bahia

terça-feira, 13 de março de 2012

“Lacinhos cor-de-rosa ficam bem no sapatão”, canta Márcia Castro em “De Pés no Chão”, música que acaba de ganhar um clipe e que dá nome ao álbum que a cantora baiana lança sexta-feira, no Tearo Castro Alves, em Salvador, Bahia. Com metais, batidas eletrônicas e mistura de ritmos, a música anima e ousa. “Eu nasci descalça. Pra que tanta pergunta?”, grita Márcia.

Márcia Castro lançou seu primeiro disco, “Pecadinho”, em 2007. O segundo lhe rendeu uma indicação ao Prêmio TIM 2008 na categoria  Melhor Cantora de Pop-Rock, a participação no Montreux Jazz Festival, na Suíça, shows acompanhando a argentina Mercedes Sosa e a inclusão da música “Queda” na trilha da novela Ciranda de Pedra. Graduada na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, começou a cantar aos 16 anos. Mudou-se para São Paulo em 2008 e criou o projeto Pipoca Moderna, através do qual promove um intercâmbio artístico com cantoras de diferentes Estados brasileiros.

Em “De Pés no Chão”, incluiu “Preta pretinha”, dos Novos Baianos, “Catedral do inferno”, de Cartola e Hermínio Bello de Carvalho, além de composições de Tom Zé, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Rita Lee, Otto e Luciano Salvador Bahia, entre outros. O maestro baiano Letieres Leite, da Orkestra Rumpilezz, assina os arranjos de sopros em quatro faixas. Vocalista do Vanguart, Hélio Flanders participa no disco, assim como o violonista paulista Kiko Dinucci, a baiana Marcela Bellas e a carioca Thalma de Freitas.

 

Anjos tortos Itamar Assumpção, Wilson Simonal, Torquato Neto e Waly Salomão são celebrados

segunda-feira, 12 de março de 2012

“A importância está na obra que esses caras deixaram. A musical, naturalmente, mas, sobretudo, a herança de um comportamento livre. Cada um ao seu modo, todos lutaram muito.” Jornalista e curadora da série “Anjos Tortos, a MPB Gauche na Vida”, Monica Ramalho explica o que fez com que decidisse homenagear Itamar Assumpção, Wilson Simonal, Waly Salomão e Torquato Neto. No palco do Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB Rio), de 15 a 25 de março (quinta a domingo, alternando a cada fim de semana), outros quatro criadores afinados com a obra desses artistas mesclarão músicas de seus repertórios com as dos convidados. A estreia será com a banda Isca de Polícia e Arrigo Barnabé e a primeira celebração será por Itamar Assumpção. Max de Castro vai relembrar sucessos do pai, Wilson Simonal. Jards Macalé apresentará parcerias que fez com Waly Salomão e Chico César homenageará Torquato Neto.

Para você, qual é a importância de Itamar Assumpção, Wilson Simonal, Waly Salomão e Torquato Neto para a música brasileira?

A importância está na obra que esses caras deixaram. A musical, naturalmente, mas, sobretudo, a herança de um comportamento livre. Cada um ao seu modo, todos lutaram muito. O Itamar, pioneiríssimo, contra o esquema das grandes gravadoras e das regras super comerciais do mercado naquele tempo. Simonal contra o preconceito racial, a inveja e a maledicência. Não se comprovou o envolvimento dele com os militares. Ele foi enterrado vivo, como disse o jornalista Carlos Calado num depoimento que filmamos pro vídeo de abertura do show em homenagem ao Simonal. Waly batalhou contra o senso comum e mostrou que é possível estar à margem do óbvio e ser bem sucedido e Torquato foi radical: matou-se aos 28 anos, inconformado com os rumos da época e, certamente, sem perceber o quanto seria valioso o seu trabalho nesse mundo que tanto o incomodava.

O que significa MPB gauche? Como surgiu esse termo e por que ele foi atribuído a esses artistas?

O nome da série veio do “Poema das sete faces” (“Quando nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida”), de Carlos Drummond de Andrade que, por sua vez, inspirou a parceria do Torquato Neto com o Jards Macalé, “Let’s play that” (“quando eu nasci / um anjo louco muito louco/ veio ler a minha mão/ não era um anjo barroco/ era um anjo muito louco, torto/ com asas de avião”). Faltam anjos tortos nos dias de hoje… Concorda?

Por que esses nomes podem ser considerados “anjos tortos”?

São anjos que iluminaram a cena cultural brasileira com suas criações provocativas, livres e libertárias. Gente sem medo de experimentar, de subverter, de bater de frente com seus contemporâneos e, verdadeiramente, inovar, como fizeram os modernistas, baseados no lema cunhado por Ezra Pound (“Make it new!). Eram tortos, mas não era caídos, como bem notou a cantora e compositora Lucina no vídeo que conta um pouco quem foi Itamar. Esses vídeos, maravilhosos, foram feitos pela super equipe da Plano Geral. É bom dar o crédito ; ) Penso em disponibilizar tudo no nosso blog após essa segunda e última rodada do ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’.

Como foram escolhidas as atrações que vão subir ao palco do CCBB?

Fui atrás de quem realmente receber influências desses marginais da nossa cultura (citando aquela famosa e incompreendida criação do Hélio Oiticica, “Seja marginal, seja herói”). É isso. Eles foram heróis e estamos felizes de lembrar, mais uma vez, de seus nomes e de seus legados únicos. Para cantar Itamar, ninguém melhor do que a Isca de Polícia, banda que ele próprio fundou em 1979. Como eles interpretam apenas a obra do Nego Dito, chamamos o Arrigo Barnabé, um dos fundadores da Vanguarda Paulista, para cantar suas músicas dentro da mesma linha. Além de filho do Simonal, o Max de Castro é um artista independente muito inventivo e cheio de suingue. Só Jards Macalé, ele mesmo um anjo torto dessa safra original (risos), para cantar aqueles clássicos que compôs com Waly Salomão. E pensei no Chico César para homenagear o Torquato Neto porque considero a poética deles muito similar em alguns aspectos, embora o Chico seja mais solar que o Torquato. E os dois são filhos do Nordeste brasileiro.

Fale um pouco sobre a configuração dos shows?

A gente propôs que esses artistas embaralhassem suas composições com as obras-primas dos homenageados, mas com alguma liberdade para cantar a mais ou a menos. Assim, respeitamos o espírito desses quatro anjos tortos, não é? (risos). São shows únicos e lindos – pergunte ao público e à imprensa de Brasília, onde estreamos a série em setembro de 2011. Estou feliz por realizar esse sonho nas duas cidades da minha vida. Em Brasília, onde nasci há 35 anos, e no Rio de Janeiro, onde moro desde os dois meses de idade. Quero ver o Garota FM lá no Teatro III do CCBB, hein? (mais risos).

PROGRAMAÇÃO

Dias 15 e 16 de março (quinta e sexta), às 19h
NEGO DITO: QUE TAL O IMPOSSÍVEL?
Itamar Assumpção (1949-2003) continua no futuro, embora suas músicas irreverentes, bem humoradas e repletas de crítica social, gravadas nas décadas de 1980 e 1990, estejam sendo revisitadas por cantoras do nosso tempo, como Zélia Duncan e Mônica Salmaso. Itamar criou a Isca de Polícia em 1979 com o objetivo de ter uma banda sólida em seus discos e shows. E o bonito é ver que a Isca continua na ativa. Já Arrigo Barnabé fez, em 2006, um tributo ao parceiro em forma de disco. Isca e Arrigo se unem nesse show para cantar as obras majestosas desses mentores da Vanguarda Paulista.

Dias 17 e 18 de março (sábado e domingo), às 19h
PAÍS TROPICAL: SEI DE COR O AMOR QUE TENHO POR VOCÊ
Wilson Simonal (1938-2000) foi um dos artistas mais produtivos, conhecidos e bem pagos da música popular brasileira na década de 1960. Quando Max de Castro nasceu, em 1972, o pai já estava estigmatizado como informante dos militares, fato que nunca foi comprovado. Primeiro negro a apresentar sozinho um programa de tevê no país, Simonal incentivou a carreira dos seus garotos e Max já estreou com um álbum aclamado pela crítica. Será emocionante ver o filho cantar seus sucessos e os clássicos de Simonal, mostrando ao vivo todo o suingue que herdou do Rei da Pilantragem.

Dias 22 e 23 de março (quinta e sexta), às 19h
VAPOR BARATO: NÃO PRECISO DE GENTE QUE ME ORIENTE
Waly Salomão (1943-2003) provou que é possível ser livre e dar certo comercialmente. Tropicalista, o baiano dirigiu Gal Costa e produziu Cássia Eller em trabalhos memoráveis, permanece sendo regravado por estrelas, como Adriana Calcanhotto, e até venceu um Prêmio Jabuti. Jards Macalé (1943) dirigiu Maria Bethânia lá atrás e continua fazendo história. Em 2005, Macalé reuniu o melhor do cancioneiro da dupla no álbum ‘Real Grandeza’, um documento vivo da genialidade desses anjos tortos.

Dias 24 e 25 de março (sábado e domingo), às 19h
ANJO TORTO: DIZ AÍ COMO É QUE É
Torquato Neto (1944-1972) se autodenominava um anjo torto, inspirado nos versos de Drummond. Poeta, jornalista, letrista e ligado à contracultura: suas habilidades eram tantas que o colocaram, com folga, na proa do Tropicalismo levado adiante pelos seus parceiros Caetano Veloso e Gilberto Gil. Torquato disse adeus cedo demais, aos 28 anos, antes de ver a chegada do “pop genuinamente brasileiro” com o qual tanto sonhava e que é tão bem defendido por Chico César (1964). Será mágico presenciar outra vez – a série passou pelo CCBB Brasília, em 2011 – o encontro das tintas inventivas desses dois filhos do Nordeste.

‘ANJOS TORTOS, A MPB GAUCHE NA VIDA’: Quintas, sextas, sábados ou domingos entre 15 a 25/03 (ver programação detalhada ), às 19h, no CCBB Rio (Rua Primeiro de Março, 66, Centro do Rio – (21) 3808.2020). R$ 6 e R$ 3 (meia-entrada válida para estudantes, professores, maiores de 60 anos e clientes BB).

Tuítes em cobertura do show de Roberta Sá

domingo, 11 de março de 2012

O GarotaFM levou um fã ao show de Roberta Sá e também assistiu ao lançamento da turnê “Segunda Pele”, homônima ao novo disco da cantora. No palco, Roberta misturou canções novas com sucessos e todas levantaram a galera. Mesmo as mais lentas, que levam o álbum para uma vertente mais pop do que a cantora está acostumada a fazer, tiveram coro da plateia. Os sambas não ficaram de lado. Com o GarotaM voltando devagar ao ritmo das coberturas por Twitter, veja alguns tuítes enviados durante o show de Roberta Sá, sábado (10/03), na Fundição Progresso:

No palco da Fundição Progresso, @_robertasa apresentando Segunda Pele. Agora!

@_robertasa canta sucesso antigo… “De virada desço queixo e rio amarelo”

“Rio de Janeiro é Rio de Janeiro”, diz @_robertasa na Lapa!

Mão e Luva, música de Pedro Luís e A Parede, no repertório de @_robertasa

Público canta sozinho parte de “Cicatrizes”. @_robertasa tem coro!

Depois de um pot-pourri de sucessos, @_robertasa canta “O Nego e Eu”

@_robertasa canta: “Tem alvorada depois da chuva” e emenda “Não vou dizer seu nome porque me desgas, pra bom entendedor meia palavra bas”

@_robertasa Fim!

The Mark: Promessa carioca, Cícero diz que suas músicas ganharam espaço sozinhas

sexta-feira, 9 de março de 2012

“Não fiz análise de mercado e carreira e do que está acontecendo. Coloquei o disco na internet e as músicas fizeram tudo sozinhas. Tô meio a reboque do que elas estão gerando de interesse nas pessoas”.

Isso foi o que disse em entrevista a TVMB, a televisão da Melody Box (rede social voltada para músicos, produtores e fãs) Cícero, músico convidado a abrir o show de Marcelo Camelo, sábado (10/03),  no Circo Voador. Clique aqui e leia mais sobre esse novo expoente da cena musical carioca na coluna Markusic, do site The Mark.

Abaixo, o clipe de “Tempo de Pipa”, música de Cícero:

O Natura Musical e o GarotaFM levam você ao show da Roberta Sá no Rio de Janeiro

quinta-feira, 8 de março de 2012

Roberta Sá acaba de lançar o álbum “Segunda Pele” e leva sua turnê nacional, com apoio do Natura Musical, ao Rio de Janeiro no sábado, 10/03, na Fundição Progresso, às 22h. Clique aqui e confira conteúdos exclusivos da artista no Facebook do Natura Musical. Para concorrer a um par de ingressos é fácil:

Regulamento do concurso

Primeiro você tem que seguir o nosso perfil no twitter: @GarotaFM.  Depois, é só retuitar (RT) a seguinte frase: “Eu quero ir com o Natura  Musical e o GarotaFM ao show da Roberta Sá no RJ! http://kingo.to/11bx” O sorteio será feito através da ferramenta sorteie.me. A promoção é só hoje (08/03), porque o resultado será divulgado na sexta-feira 09/03, no GarotaFM e no Twitter (com informações detalhadas por DM). Depois de divulgado o nome do ganhador, o mesmo deve enviar seu nome completo, RG e e-mail até o dia 9/03, às 10h por DM. Participe!
Roberta Sá fala sobre a turnê:

 

Regente, violonista e intérprete, Rodrigo Ferreira lança ‘Mar de Roça’ em palcos cariocas

quarta-feira, 7 de março de 2012

A música brasileira não tem do que reclamar. Ainda mais quando aparece um artista como Rodrigo Ferreira querendo fazer parte da cena. Cidadão de todos os lugares e profissional a serviço da tão requisitada música do nosso país, esse baiano criado no Piauí e radicado no Rio de Janeiro acaba de lançar seu primeiro álbum, “Mar de Roça”, já regado de experiência. A faixa-título já classificou o músico para o festivais e o levou a rádios, programas de TV e muitos palcos. Esta semana, ele estreia seu novo repertório em palcos cariocas, com shows nesta quinta-feira (08/03), no Centro Cultural da Justiça Federal, e sexta (09/03), na Casa de Cultura Elbe de Holanda. No dia 16, ele se apresenta no Centro Cultural Artipura.

Maestro, violonista de primeira e cantor, Rodrigo Ferreira começou a tocar aos oito anos e, dos nove aos 14, “profissionalmente”, passou a atuar nas missas de uma Igreja da cidade piauiense de Piripiri. Nessa época, recebia aulas de musicalização com o frade alemão Fritz Zilner. Na adolescência, fundou a banda Sírius e, aos 15, passou a dar aulas de violão e se apresentar em festas e bares da cidade. Sua primeira experiência em um festival aconteceu em 1996, em Piripiri: Rodrigo conquistou o terceiro lugar. Aos 16, partiu para a capital, Teresina, onde acompanhou o cantor e compositor Machado Junior, a banda B-R-O-BRÓ e a cantora Solange Leal.

Rodrigo Ferreira cursou Licenciatura em Educação Artística, com habilitação em Música na Universidade Federal do Piauí. Na faculdade, fundou a banda Suarabáct, que tinha repertório instrumental e algumas canções dos Beatles. Nessa mesma época, entrou para o coro do maestro Reginaldo Carvalho, pupilo de Villa-Lobos, e passou a reger corais de Teresina. Rodrigo exerce essa prática até hoje, no Rio de Janeiro, para onde veio quando foi aceito no curso de Regência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Hoje, ele atua como regente nas Oficinas de Canto Coral do Projeto Segundo Turno Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro.

“Mar de Roça”, a música, mistura a água com seca, como só um bom nordestino é capaz de fazer. Logo no início, o músico recita duas frases poéticas: “Minha vida é canoa no mar vagando nessas águas sem fim / Eu, pescador, teimo em navegar neste mar que há dentro de mim”. “Mar de Roça”, o disco, mostra como Rodrigo aplica o violão erudito que estudou à música popular brasileira. A faixa de abertura, “Comparsa”, mostra influências diversas e poderia estar em qualquer rádio de MPB de qualquer lugar do país, caso Rodrigo não fosse uma artista independente, que assumiu a produção musical e os arranjos de todas as músicas do disco, além de ser o compositor de todas elas.

O álbum traz o violino de Felipe de Oliveira, que em 2009 levou o prêmio de melhor instrumentista junto com Rodrigo no festival nacional da canção de Colatina (ES). Em 2011, a dupla foi premiada com o primeiro lugar no festival Artipura (RJ) saiu com o segundo lugar no FESTSAQUÁ em Saquarema (RJ). Vale lembrar que, como melhor intérprete, Rodrigo foi premiado cinco vezes, entre elas no II FEMPOESPI, em 1997, e no II Festival de Música do Monte Castelo, em 2001.

No disco, a percussão é de Zé Leal e o baixo é de Fernando Souza em “Artesão”, “Dalva Estrela”, Domador”, Mar de Roça”, “Os Quatro” e “Retiro” e de Ruben Meireleles em “Comparsa” e “Vão Profundo”. A flauta doce de “Domador” de Byafra, assim como a voz que faz dueto com Rodrigo na música. Rodrigo e Byafra se conheceram em 2007, quando gravou sua primeira demo, com nove faixas. A dupla compôs em parceria mais de dez faixas.

Este é o último fim de semana para assistir ao musical sobre Emilinha e Marlene

terça-feira, 6 de março de 2012

Este é o último fim de semana para quem dá valor à história da música conhecer a parte dela que envolve Emilinha e Marlene, duas estrelas que tiveram suas carreiras marcadas por sucessos e disputas. “Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio” está em cartaz no Teatro Maison de France de quinta a domingo (quinta e sexta às 19h30 e sábado e domingo às 18h30). Aproveite!

Clique no link ou leia abaixo o texto publicado na revista The Mark em 15/02/2012:

Quem não conhece “Chiquita Bacana” ou nunca ouviu “Coitadinho do papai”? Entra ano, sai ano e o carnaval do Rio de Janeiro sempre chama a atenção não só por oferecer o maior espetáculo do Brasil, que são os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí (agora com a Apoteose reformada), mas também por abrigar blocos de rua que tornam a diversão mais democrática. Espalhados por toda a cidade e com programação para todos os gostos, eles priorizam, em sua maioria, as marchinhas, gênero de música popular que surgiu na década de 20 e teve seu auge nos anos 40, quando nomes como Emilinha Borba e Marlene popularizaram, respectivamente, os dois sucessos citados acima. No musical “Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio”, em cartaz no Teatro Maison de France de quinta a domingo até  11 de março, as atrizes Vanessa Gerbelli e Solange Badin interpretam algumas marchas, fazendo com que espectadores daquela geração relembrem e jovens apaixonados pela cultura carioca se encantem com a história das duas cantoras e da relação delas com o carnaval.

Uma composição de Alberto Ribeiro e João de Barro, “Chiquita Bacana” foi a música que colocou Emilinha como favorita ao posto de Rainha do Rádio, em 1949. Promovido pela Rádio Nacional, o concurso acabou coroando Marlene, que já tinha em seu repertório a marchinha “Coitadinho do papai”, de Henrique de Almeida e M. Garcez. O episódio marcou o início da rivalidade entre os fãs de Emilinha e Marlene e, de certa forma, também entre as cantoras. Na peça, Vanessa e Solange promovem risos e choros ao mostrar situações como a alfinetada de Marlene quando, em seu casamento com Luís Rufino, lembra Emilinha de que seu namoro com Arthur Souza Costa Filho já dura dez anos. A briga de duas irmãs costura a trama: de um lado da casa, o quarto de Bia (Ângela Rebello) é repleto de objetos que adquiriu durante o período em que seguiu Emilinha e, do outro, Gegê (Rosa Douat) guarda relíquias de Marlene.

Só em 1953, Emilinha foi finalmente coroada como Rainha do Rádio. Na década de 70, ela parou de cantar após ter um edema nas cordas vocais. Marlene gravou um disco intitulado “Antologia da Machinha”, no qual interpretou clássicos como “Ta-i”, “Moreninha no Rio”, “A Banda” e “Se a Lua Contasse”. O musical mostra cenas de preocupação de uma com a outra e de encontros e desencontros. Quando Marlene volta de Paris, onde se apresentou como convidada de Edith Piaf – na peça incorporada por Cilene Guedes – Emilinha espezinha o fracasso da brasileira ao lado da maior cantora francesa. Em determinado momento, Gegê implica com Bia porque a ídola da irmã nunca renovou seu repertório, enquanto Marlene passeou por diversos gêneros musicais. A renomada diretora Bibi Ferreira, que no Maison de France ganha ótima interpretação também de Cilene Guedes, tenta reunir as duas em um espetáculo, mas não consegue. Marlene chegou a atuar em um espetáculo chamado “Carnavália”. As duas rainhas do rádio se encontram  no mesmo palco já na década de 90, no show “Vivendo a Rádio Nacional”, ao lado de Ângela Maria, Cauby Peixoto e Miéle.

Mas, como nenhuma briga é eterna, as rainhas do rádio fazem as pazes quando Emilinha grava um disco independente e convida Marlene para dividir o microfone com ela no hit sertanejo “Entre Tapas e Beijos”. A canção não vai ser lembrada no carnaval, mas as marchinhas da dupla, com certeza, vão.

 

Som de preto: quando toca, ninguém fica parado

segunda-feira, 5 de março de 2012

“O nosso som não tem idade, não tem raça e não tem corMas a sociedade pra gente não dá valor”

Com o funk “Som de Preto”, Amilka e Chocolate cantaram na década de 90 o que o samba quis dizer no início do século XX, quando seus expoentes eram perseguidos, e o que Wilson Simonal deveria ter gritado quando foi levianamente chamado de dedo-duro durante a ditadura militar, o que afundou uma carreira de sucesso que incomodava por ser algo inédito para um negro no Brasil. Os funqueiros disseminaram a ideia que as “branquelas” da axé music vêm explorando desde que Daniela Mercury popularizou o movimento fora da Bahia, nessa mesma época em que a música das favelas cariocas se espalhou pelo país: a de que os estilos desenvolvidos a partir da música africana botam mesmo pra quebrar. “É som de preto, de favelado. Mas quando toca, ninguém fica parado”, cantava no refrão a dupla produzida na época por DJ Marlboro. Sugando o soul dos negros americanos, que influenciou até mesmo Elvis Presley, Tim Maia é um que se deu bem às custas da música negra.

Mas vamos falar da Bahia, que sempre se orgulhou de sua cultura, muito influenciada pela mistura de raças. Foi lá que Pedro Álvares Cabral desembarcou pela primeira vez (mais especificamente entre Santa Cruz de Cabrália e Porto Seguro) e para lá os portugueses levaram escravos retirados do Golfo da Guiné. Com eles, vieram da África a culinária, a música, a dança e a religião. Axé, no Candomblé, simboliza um poder de força sobrenatural. Na música, o axé é o resultado da mistura de frevo, forró, maracatu, reggae e calipso, e ganhou mais força quando grupos blocos afros ganharam os palcos e ruas de Salvador. Hoje em dia, o estilo se desvirtuou, mas ainda há quem enalteça as raízes negras.

Neste último carnaval, Claudia Leitte saiu de Negalora no Bloco Papa e no Bloco da Barra, homenageando mulheres de tribos africanas. Seu camarote ganhou o nome de África e as roupas seguiram as tendências do outro continente. No camarote DM, Daniela Mercury homenageou Jorge Amado, baiano que escreveu muito sobre a cultura local. Em cima do trio elétrico, encarnou Dona Flor, personagem famosa do escritor, protagonizou cenas de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e entoou clássicos como “O Canto da Cidade” e “O Mais Belo dos Belos”, na qual diz: “Bata no peito mais forte e diga: Eu sou Ilê”(Ilê Aiyê é o bloco afro mais antigo do carnaval de Salvador).

Vale lembrar que a “rainha do carnaval”da Bahia, como declarou Ivete Sangalo, levou um Grammy Latino por seu álbum Balé Mulato em 2007 e defendeu os negros também quando gravou “Preta” ao lado de Seu Jorge:

“Eu sou preta
Trago a luz que vem da noite
Todos os meus santos
Também podem lhe ajudar

Negro é uma cor de respeito
Negro é inspiração
Negro é silêncio, é luto
Negro é a solidão”

No carnaval de Recife, show em homenagem aos 40 anos de carreira de Alceu Valença terá Pitty, Ney Matogrosso, Lenine e outros

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A baiana Pitty é mais um nome confirmado no show que vai homenagear os 40 anos de carreira de Alceu Valença e que abrirá o Carnaval Multicultural do Recife, na sexta, 17 de fevereiro. Com direção musical de Pupillo, da Nação Zumbi, Pitty se apresentará ao lado de Ney Matogrosso, Criolo, Lenine, Otto, Lirinha e Karina Buhr, cantando sucessos do homenageado no palco do Marco Zero – pólo principal da folia. Antes deles, o músico Naná Vasconcelos vai comandar um grande encontro de maracatus, com a participação da cantora africana Angelique Kidjo e do grupo performático Stomp.

Ao longo dos quatro dias de Carnaval, passarão pelos 17 pólos espalhados pela capital pernambucana nomes como Lulu Santos, Beth Carvalho, Gaby Amarantos, Roberta Sá, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Junio Barreto, Zé Ricardo, Almir Rouche, Lia de Itamaracá, André Rio, Academia da Berlinda, Reginaldo Rossi, Elba Ramalho, Marcelo Jeneci, Quinteto Violado, Mombojó, Ortinho, China e Silvério Pessoa.

Vários encontros especiais estão previstos, como o da banda Eddie – criadora de Quando a Maré Encher, famosa com Cássia Eller – com o cantor Nasi, no Marco Zero. Já Gaby Amarantos, que canta na segunda (no Pátio de São Pedro) e na terça (em Brasília Teimosa), terá como convidada especial a atriz Hermila Guedes, estrela do premiado filme O Céu de Suely, que cantará com ela Pimenta com Sal, destaque do primeiro CD solo da paraense. Lia Sophia, nova revelação da cena paraense, também cantará com Gaby.

Nos últimos anos, o Carnaval do Recife ganhou destaque por promover shows gratuitos durante os quatro dias de festa. Por lá, já passaram Caetano Veloso, Maria Bethânia (num show só de maracatus), Gal Costa (cantando apenas frevos, com a orquestra do Maestro Spok), Vanessa da Mata, Maria Rita, Preta Gil, Marina Lima, Maria Gadu e muitos outros artistas.

A programação completa pode ser conferida no site

The Mark: Inspirados por Vinícius, Chico e Calcanhotto, irmãos gaúchos Kleiton & Kledir dedicaram ‘Par ou Ímpar’ às crianças

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na coluna Markusic da The Mark, foi publicado na semana “Tiny Little Things” um bate papo com Kleiton & Kledir sobre “Par ou Ímpar”, um disco feito para guris.  Nele, os irmãos gaúchos gravaram canções sentimentais e, também, músicas compostas recentemente para a criançada. Leia a introdução do texto disponível na revista virtual e, depois, vá até lá mergulhar na íntegra da entrevista. Aproveite e… volte a ser criança!!!

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A música também sempre teve momentos de “fofidão”. É verdade. Quem não achou fofo, na década de 80, Raul Seixas gravar “Carimbador Maluco” junto com o Balão Mágico? Eu, não, porque eu era bem pequena naquela época… Mas meus pais contam que foi uma brecha na vida louca do maluco beleza. Não faz muito tempo que a moda de músico adulto se dedicar à criançada voltou. E não foi um ou dois que gravaram uma ou duas canções dedicadas aos pimpolhos. Grandes nomes brasileiros voltaram ao jardim de infância e fizeram verdadeiras obras de arte infantis. Primeiro, foi Adriana Calcanhotto, com seu “Partimpim”. Depois, vieram Pato Fu, Arnaldo Antunes, Kleiton & Kledir… A banda de Fernanda Takai e John Ulhôa gravou “Música de Brinquedo” usando apenas instrumentos infantis. “Pequeno Cidadão” traz músicas compostas pelo ex-integrante dos Titãs e por Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto para seus filhos. Já os irmãos gaúchos sentiram-se estimulados pela tradição de músicos brasileiros dedicarem canções às crianças e lançaram o álbum “Par ou Ímpar” recentemente.

“É uma novidade na carreira, mas a vontade era antiga. Ficamos entusiasmados quando Vinícius de Moraes lançou ‘A Arca de Noé’. Depois, o MPB4 fez discos infantis (“Flicts” e “Adivinha o que é”). Existe essa tradição na música brasileira que vem desde Braguinha, passou por Chico Buarque quando ele fez ‘Os Saltimbancos’ e andou esquecida. Resgatada por Adriana, Arnaldo e Pato Fu, essa tradição serviu de estímulo pra gente”, conta Kledir.

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Clique aqui e leia a entrevista na íntegra

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