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Rodrigo Faour reúne sensualidade e safadeza no álbum duplo ‘Sexo MPB’

quinta-feira, 29 de julho de 2010

faour1Mestre em dissertar sobre a presença do sexo nas composições brasileiras, o jornalista Rodrigo Faour acaba de compilar em dois CDs músicas sensuais e safadinhas. Lançado pela EMI, o álbum duplo viaja da primeira década do século XX até os dias de hoje, passando por Doris Monteiro (”Graças a Deus”), Elis Regina (”Dois Pra Lá, Dois Pra Cá”), Ney Matogrosso (”Por Que A Gente é Assim?”), Jair Rodrigues (”Não Bota no Meu”) e até Gretchen (”Melô do Piripipi”) . Os brindes estão nos bônus: o disco “Músicas Safadinhas” traz a locuções de Faour e as canções “Rua Pau Ferro”e “Boceta de Rapé”, ambas de domínio público.  

Leia entrevista com Rodrigo Faour:

GarotaFM: O que significa para você o lançamento deste CD?

Rodrigo Faour: Uma realização profissional. Não é qualquer um que consegue fazer um livro sobre história da MPB numa grande editora, a Record, chegar à terceira edição, ganhar um programa de rádio numa importante emissora carioca, a MPB FM, um outro de TV no prestigioso Canal Brasil e ainda ter o aval de uma gravadora importante como a EMI Music de querer fazer um CD duplo em cima desta ideia. Estou muito contente. Meu ofício é árduo. Tudo na minha área dá muito trabalho. São muitas autorizações e muita dor-de-cabeça pra conseguir botar um produto bonito na praça. Este CD não foi diferente, mas felizmente todos os projetos saíram como eu queria, o CD inclusive.

GFM: Qual critério usou para selecionar essas músicas?

RF: As faixas mais representativas do repertório da EMI Music e algumas outras consegui de outras gravadoras que não poderiam ficar de fora, como os clássicos “Dois Pra Lá Dois Pra Cá” (com Elis Regina) e “O Meu Amor” (com Bethânia e Alcione). A ideia do CD foi reunir clássicos e faixas menos óbvias em dois temas, o CD 1, Canções sensuais e o CD 2, Músicas safadinhas – que são os dois lados da mesma moeda, a nossa música quente brasileira. No primeiro, as mais envolventes com pitada erótica e o segundo mais escrachadas, para dançar, com um apelo ainda maior.

GFM: Você pesquisou muito sobre sexo na MPB para escrever o livro. Mas parece que continua pesquisando para o programa da rádio e para os discos que lança. O assunto não se esgota e a pesquisa nunca acaba?

RF: Como boa cronista de costumes, a música brasileira retrata tudo o que está à nossa volta, seja na política, na economia e também no aspecto comportamental e afetivo do brasileiro. Sendo assim, o tema não se esgota nunca. E em cada formato posso me aprofundar nele de uma maneira diferente: no livro, no rádio, na TV e no CD. Cada um tem sua mídia favorita. Então atendo a todos os gostos.

GFM: Como é fazer e como está a repercussão do programa da rádio?

RF: Excelente. Recebo muitas mensagens no meu site (clique aqui)  , no meu twiter (clique aqui), no meu Orkut e no Facebook . Às vezes, até nas ruas também. As pessoas curtem muito. Meu maior objetivo com esta série em todos esses formatos é atrair a atenção do público jovem para a MPB, que infelizmente não pegou a fase áurea da nossa música, então tem referências apenas da parte mais pop contemporânea.

GFM: Tirando os falecidos, você já esteve com todos esses músicos que estão compilados no CD? Alguma história que eles tenham contado bacana para repassar ao GarotaFM?

RF: Já estive com quase todos. Ney Matogrosso, Angela Ro Ro, Fátima Guedes e João Roberto Kelly me contaram histórias saborosíssimas em todos os formatos. Participaram dos quatro formatos. Ney conta como fazia questão de chocar com sua postura extravagante numa época que a sexualidade era mais reprimida que hoje e que o homossexual era considerado uma figura menor que deveria ser espezinhado e sacaneado. Ro Ro me contou histórias hilárias de suas músicas, muitas confessionais, baseadas em fatos reais, como a recente “Dorme, Sonha”, que fez para uma namorada vendo-a dormir, na sua presença. Fátima Guedes defendeu amores mais livres, sem a prisão da monogamia em inúmeras músicas, como “Condenados”, “Dois amores” e “Namorado”, e João Roberto Kelly me contou, por exemplo, que fez “Dança do Bole Bole” (que era inédita em CD e aparece pela primeira vez no meu disco) para que as mulatas de seu programa “Rio dá samba”, da TV Bandeirantes, nos anos 70, pudessem evoluir melhor na passarela.

GFM: Alguma história sua que tenha a ver com o tema Sexo na MPB?

RF: Várias, todas impublicáveis! (Risos) Só posso dizer que já testei o CD1 das Canções Sensuais “naquelas horas” e funcionou maravilhosamente bem!!! E já tive amigos que também já o testaram com grande êxito! (Risos)

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Barão Vermelho se reúne em gravação de disco do baixista Rodrigo Santos

quarta-feira, 28 de julho de 2010

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Rodrigo Santos era só o baixista do Barão Vermelho até Frejat, seu vocalista, pedir férias à banda, em 2007. Enquanto os outros músicos cuidavam de seus projetos, ele realizou o sonho de gravar um disco cantando suas composições. Daí veio o segundo e Rodrigo se firmou como um frontman conhecido nos palcos brasileiros. Agora, para ele, tanto faz se sua banda vai voltar a tocar logo. Além da consciência de que a carreira solo anda de vento em popa, Rodrigo acabou de matar as saudades ao reunir Frejat, Guto Goffi (bateria), Fernando Magalhães (guitarra), Maurício Barros (teclado), Peninha (percussão) em seu terceiro álbum, Waiting on a Friend.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 46, julho/2010, da Rolling Stone

‘Quando se cresce, muda tudo’, diz Mallu Magalhães, madura em seu segundo disco

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

mallu005Mallu Magalhães é uma adolescente como outra qualquer quando o assunto é vida pessoal. Bem resolvida profissionalmente – prova disso é o lançamento do seu segundo disco, mais uma vez muito bem recebido pela crítica –, a adolescente vem passando pelos mesmos dramas que grande parte das meninas de sua idade passam. E não é só porque ela viu seu dia a dia virar de cabeça para baixo há dois anos, quando as músicas que compôs, gravou e disponibilizou no MySpace viraram hits não só entre os internautas, como também na cena mainstream da música brasileira. Mallu está tentando virar adulta de uma vez por todas. Mas – não sei se você lembra – não é lá a coisa mais fácil de conseguir quando se tem apenas 17 anos. Mas ela tenta, dizendo isso à mãe na quinta música do CD novo, “Make It Easy”: “I keep fighting for my love / As a woman / And mamma cries (…) It shouldn’t be so hard / No, mamma / We’ll accept each other…”

“As coisas que escrevo têm relação com as dificuldades reais. Já passei por trocentos perrengues. Desde a minha voz, pois depois do primeiro disco tive que tomar muitos cuidados, até o desgaste físico e o emocional de ficar longe da família. Tive que aprender a falar e a ser mais carinhosa, para mostrar para as pessoas que a distância não é destrutiva. Já disse coisas horríveis que não queria ter dito, ouvi coisas que não queria ter escutado… só percebi depois. Mas não adianta ficar com medo de erra e de sofrer. O sofrimento é o primeiro passo para a alegria. Quando se cresce e se torna uma pessoa mais independente, muda tudo. Não faço as coisas que eu fazia, tenho outros sonhos e objetivos”, diz Mallu.

Um deles, comenta, é cuidar da própria vida. Mallu segue estudando – ela acaba de passar para o terceiro ano – e sabe que tudo tem seu tempo. Mas a cantora, que namora Marcelo Camelo (31) há pouco mais de um ano, não esconde a vontade de formar sua própria família:

“Tenho dificuldades na escola, faço reposição de notas com trabalhos, mas sigo em frente… e estou feliz por estar conseguindo. Sempre fui muito caseira, quieta, nunca fui de balada! Então, acho que não tem a ver com o fato de eu ter uma relação com uma pessoa mais velha, mas é um momento em que quero outras coisas. Não quero mais uma pessoa para sair… estou buscando apoio e suporte psicológico. E, quando você tem isso, fica com vontade de fazer planos, construir uma vida, uma família. Tenho muitos sonhos, na verdade. Tento ponderar, claro. É preciso ser sensata, para não atropelar as fases da vida. Mas a gente também não pode deixar de aproveitar as coisas boas: é bom sonhar na hora que o sonho vem e não deixar todos os planos para depois.”

Essa recém-conquistada maturidade transborda nas palavras de Mallu e também em seu novo disco, que foi produzido por Kassin e traz seis canções em português e sete em inglês. Um rock estilo anos 60, “My Home is My Man” (Minha casa é meu homem) é o nome da primeira faixa do álbum, que também é marcado por uma diversidade de ritmos. “Shine Yellow” é um reggae. “Versinho de Número Um” parece ter sido composta por Camelo (mas é dela mesmo), que, aliás, faz vocais em algumas canções. O folk reaparece em músicas como “Make It Easy” e “Nem Fé Nem Santo”.

“É fruto das misturas e do meu contato com esses estilos. Me senti livre o bastante para fazer desse jeito e acabou saindo. Não tenho muitas influências de reggae, mas até gosto de Bob Marley. Ouço Muito Skatalites e Lee Dorsey, por exemplo. Meu baixista, o Thiago (Consorti), me deu um box com quatro discos dos Mutantes e eu passei um tempo apaixonada, dedicada a ouvir e entender a banda”, conta Mallu.

Compositores de samba e MPB também mexeram com Mallu nos últimos tempos. A responsável por essas novas influências foi Nara Leão.

“Nara foi a grande revolução na minha vida e na minha percepção de mundo. Me apaixonei quando ouvi ela cantando ‘Joana francesa’. Fiquei maravilhada! Aí, essa paixão se desdobrou em muitas outras. Perguntei: ‘O que mais Chico Buarque escreveu?’ E fui ouvir Chico, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Dorival Caymmi, Noel Rosa…”

Assim como fez com Fernanda Takai, que acabou gravando um disco tributo à cantora já falecida (leia entrevista antiga com a vocalista do Pato Fu), Nara também mostrou a Mallu que é possível se sentir segura mesmo não tendo vozeirão. A pequena segue cantando mais do que nunca e cuidando do instrumento (natural) que a faz ser uma das mais queridinhas do Brasil:

“Bebo muita água para liberar as toxinas, faço exercícios vocais, poupo a voz e me poupo de estresses. Procuro não gritar no travesseiro, não passar frio e não andar descalça. Faço inalação, bebo chá e tenho acompanhamento médico. A Narinha me fez ter vontade de cantar mais. Percebi que há um lugar, onde ela canta e fala, que não machuca. Consigo me sentir mais segura e usar o que minha voz pode me oferecer”.

Veja vídeos que a própria Mallu postou no Youtube:

Dentro do estúdio com o ECT (Eu, Chris e Taís): últimas imagens

terça-feira, 7 de julho de 2009
João Pinaud e Taís Salles no Studio 94

João Pinaud e Taís Salles no Studio 94

Já postei imagens do primeiro dia de gravação, com Jorginho Percussa, e um vídeo do terceiro, quando o Baiano (Rodrigo Sestrem) humilhou todo mundo com sua flauta maravilhosa. Um dia após a primeira mixagem, disponibilizo aqui uma foto de João Pinaud, o inventor da Companhia Brasileira de Modinhas de Sacanagem que toca baixo nos shows do Doces Cariocas e, no segundo dia de estúdio, gravou graves incríveis para o EP do ECT (EU, Chris e Taís). Fica também uma foto de Felipe Melo, produtor do trabalho que colocou violão em “Enteléquia”.

Felipe Melo grava violão em 'Enteléquia'

Felipe Melo grava violão em 'Enteléquia'

Estão nesse post mais dois vídeos: de Taís colocando voz em “Pra Falar da Bahia” (momento mágico!) e da gravação de “Olhozinho”, música de Zeca Baleiro que abriu os trabalhos da banda há um ano.

Ah, fica a dica: quem quiser sacar mais ou menos como vai ser a capa do EP, dê um pulo no nosso MySpace. Mas ignore as músicas. Ou melhor, espere até sexta-feira, quando teremos novidades.

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Assista ao novo clipe de Ivete Sangalo

terça-feira, 26 de maio de 2009

O novo disco de Ivete Sangalo, “Multishow Registro - Pode Entrar”, ainda não chegou às lojas, mas o clipe da música “Agora Eu Já Sei”, apresentado no “Fantástico” na semana passada, já está disponível no Youtube. Clique aqui ou veja, abaixo, cópia pirata disponível no site:

Maria Gasolina volta a atacar com novas versões em finlandês de músicas brasileiras

sábado, 9 de maio de 2009
'Mä Olen Sun', disco da banda Maria Gasolina

'Mä Olen Sun', disco da banda Maria Gasolina

Uma carta da Finlândia? Eu já sabia o que era… O novo CD da Maria Gasolina! O nome é “Mä Olen Sun” e o repertório é tão curioso quando o do álbum de estreia do grupo, “Se Jokin”. Talvez um pouco mais engraçado. É que, desta vez, a banda liderada por Lissu Lehtimaja não focou só nos clássicos e trouxe uma versão, em finlandês, de “Cara Valente”, aquele samba de Marcelo Camelo gravado por Maria Rita em seu último disco. Se você, leitor, pensa que Lissu abriu mão do “ê ê” e do “oiá” em prol de alguma interjeição típica de seu país, está enganado. A vocalista finlandesa “abrasilera” mesmo em “Jätkä Tälläinen” (nome da música traduzido):

Ê! Ê!
hän ei hiffaa
Oiá!!!
asenteella tolla
ei mitään hyvää voi saa

Entendeu alguma coisa? Nem eu… Mas dei umas boas gargalhadas. E o mais legal é que o som é bacana! Destaque para “Pulo, Pulo”, de Jorge Ben, que virou “Hypin, Hypin”, e “Hampaita Kiristellen” (”Tinindo Trincando”, dos Novos Baianos).

A banda foi formada em Helsinque por acaso, depois de um trabalho de colégio em que Lissu deveria escrever poesias. “Eu perguntei se poderia traduzir letras brasileiras. Ela falou que eu teria que cantá-las e eu acabei montando uma banda”, contou-me a finlandesa pouco depois do lançamento do primeiro disco, em matéria para o caderno Megazine, do jornal O Globo (‘Na rua, na chuva, na Finlândia’).

O primeiro hit foi “Na Rua, na Chuva, na Fazenda”, de Hyldon, sob a alcunha de “Kadulla, Sateessa Tai Landella” (ainda bem que adotei a caixa alta para músicas, porque nunca saberia quando se trataria de um nome próprio). “Se Jokin” trazia também uma versão fofésima de “Baby”, de Caetano Veloso - “baby, baby / näin, se vaan on näin”, dizia o refrão - e “Feijoada Completa”, de Chico Buarque (em finlandês, “Kunnon papupata”). Devo dizer que tanto Caê quanto Chico ganharam disquinhos pelas minhas mãos: numa visita ao Rio, esbarrei com Taneli Brunn, integrante da banda, que deixou alguns para que eu fizesse a ponte com os ídolos da finlandesada. Hyldon já tinha o seu.

“Mä Olen Sun” traz também uma versão dançante de “Bebete vãobora”, intitulada “Bebebte, Nyt Mennään!” e “Karollina Kaunis” (”Carolina Carol Bela”, de Jorge Ben e Toquinho). Sem tradução, “Madalena” (ufa!) também está no disco junto a “Laulu Tytöistä” (”Xote das Meninas”, de Luiz Gonzaga). E tem ainda “Haloo Haloo Marsilainen”… alguém se habilita a traduzir? Uma dica: é de Rita Lee e Roberto de Carvalho.

Conheça o site da banda, que traz notas sobre as músicas (mas só entende quem sabe ler em finlandês)

Ouça músicas no MySpace da Maria Gasolina

Leia matéria publicada no Megazine em 2006: ‘Na rua, na chuva, na Finlândia’

A banda na época do lançamento de 'Se Jokin'

A banda na época do lançamento de 'Se Jokin'

Esqueça o lado Winehouse de Peter Doherty e conheça ‘Grace / Wastelands’

quinta-feira, 7 de maio de 2009

doherty
Desde quando o Libertines se apresentou no TIM Festival, em 2004, tinha curiosidade sobre esse tal Peter Doherty. Por que Carl Barât insistia em dizer que a banda não tinha sentido sem o guitarrista? Por que mesmo depois de o cara assaltar seu apartamento, o vocalista ainda o tinha como seu maior parceiro? Entendi tudo ao ouvir “Grace / Wastelands”, disco solo de Doherty que acaba de ser lançado no Brasil pela EMI.

Imaginei escutar algo sem sentido, algo que tivesse a ver com o comportamento de Peter Doherty nos últimos cinco ou seis anos. Mas lembrei de Amy Winehouse… de como ela faz música boa quando não está na capa do “The Sun”, tablóide britânico que também adora explorar as histórias do ex-libertino… Decidi dar uma chance à bolachinha. No player do meu carro, “Grace / Wastelands” transferiu-me para diversos lugares e me deixou a sensação de que valeu a pena não me deixar levar pela aparência.

A primeira faixa, “Arcady”, na qual Doherty bebe descaradamente na fonte de Bob Dylan, lembrou-me uma viagem que fiz a Nashville quando tinha 17 anos. “Last of the English Roses” tem muito do que de bom tiveram os anos 80. Quando tocou a introdução de ”1939 Returning”, senti-me no teatro onde apresentava anualmente (por 12 anos) o espetáculo de fim de ano do balé. Mas, logo após o trecho de música clássica, fui jogada num pub londrino (quem sabe o de Camdem onde o ex de Kate Moss costuma encontrar Winehouse em noites embaladas). 

“Broken Love Song” me levou de volta à época em que estava começando a ouvir falar na tal música ”indie”. Com violino, cello e até tamborim,  ”A Little Death Around the Eyes” parece feita para a trilha sonora de algum longa francês que assisti no Festival do Rio. Se tivesse Doherty cantando com uma cheia de firulas (ainda bem que não é assim), ”Sweet By And By” seria perfeita para os filmes de Fred Astaire. Destaque para a participação da cantora escocesa Dot Allison em “Sheepskin Tearway” (assista o vídeo do Youtube), para o ex-guitarrista do Blur Graham Coxon, e para as pinturas do encarte, feitas por Peter.

“Grace / Wastelands” levou quatro estrelas no “The Guardian” (”O resultado não é perfeito, mas este é o primeiro álbum com o qual Doherty se envolveu desde o Libertines”). Aqui, ele leva cinco: *****.

Da cena indie nova-iorquina para a TV brasileira, Beirut chega ao Brasil pela EMI

quinta-feira, 30 de abril de 2009

beirut1
Quando sentei para assistir ao primeiro capítulo de “Capitu”, microssérie exibida pela TV Globo em dezembro de 2008, não imaginei que em menos de dez minutos conheceria uma das bandas mais legais que conheci nos últimos tempos. O tema da abertura me deixou completamente extasiada. Mas de quem era aquela voz grave e tão melodiosa? De onde vinha aquele violão doce e o trompete cheio de presença? Eu não fazia ideia. E, paralisada com aquela sensação de descoberta, não consegui fazer nada além de assistir ao primeiro capítulo (não sei dizer se o “muito” do “gostei” é por causa da música ou da série mesmo).

Quase cinco meses após a exibição de “Capitu”, a gravadora EMI traz para o Brasil o Beirut e a sua “Elephant Gun” encantada. Batizada com este nome das Arábias, a banda integra a cena indie de Nova York e a música faz parte do E.P. “Lon Gisland”, apesar de, para os brasileiros, ela estar chegando no CD “Gulag Orkestar”. Bom, vou explicar. Foi assim que soube tudo…

No dia seguinte ao primeiro capítulo de “Capitu”, consegui descobrir o MySpace do Beirut, mas nada em site nenhum explicava alguma coisa sobre a banda. Tanto que passei algum tempo achando que ela podia estar lá pela Irlanda, já que as músicas disponibilizadas no site de relacionamento tinham muitos elementos e provável influência do país britânico. Pouco depois, soube que a banda era de Nova York, cidade para qual eu iria três semanas depois. Pirei. Lá, rodei diversas lojas e acabei encontrando o Beirut na Virgin Megastore, só que na última prateleira (quase no chão), no setor “Indie”. O vendedor perguntou se eu queria o CD ou o EP. Nem pestanejei: “Os dois”. E voltei para o Brasil feliz da vida.

“Elephant Gun” está no E.P. “Lon Gisland” com mais quatro músicas (todas valem a pena). “Gulag Orkestar” não tem nenhuma música em novela, mas também é um ótimo disco (acho que fiquei fã mesmo). Para ter graça, a EMI juntou os dois produtos em um só e, quem levar o disco, ganha de bônus aquele que provavelmente um dia foi a demo que a banda usou para divulgar seu trabalho. Vale reforçar que, nos Estados Unidos, os dois foram lançados pelo Ba Da Bing! Records.

Entrevistando a banda carioca Manacá há menos de um mês, não consegui me conter: perguntei a Letícia Persiles, vocalista e protagonista da microssérie, quem havia descoberto “uma banda tão underground”. Teria sido o próprio Luiz Fernando Carvalho, o diretor? Foi César. Ou melhor, Luiz César Pintoni, guitarrista do Manacá. Aí vai a história dele com o Beirut:

“Foi uma amiga que morou fora que me mostrou. Fiquei surtado quando ouvi. O Luiz já estava conversando comigo sobre músicas e bandas. Ele queria sacar mais ou menos as nossas influências. Aí mandei o Beirut para ele por e-mail. Ele gostou e, além de começar a colocar nos ensaios, resolveu que seria o tema. Agora eles são da EMI, parceiros nossos (o Manacá lança CD pela EMI ainda este semestre).”

Assista ao clipe de “Elephant Gun”, no Youtube: