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Hyldon: ‘O disco ficou mais forte, sarado, rico melodicamente e, modéstia à parte, swingado’

domingo, 1 de abril de 2012

Quatro anos depois do lançamento de “Soul Brasileiro”, seu primeiro disco de inéditas desde 1989, Hyldon lança “Soul Brasileiro Edição Extra” em show no Teatro Rival nesta quinta-feira (05/04), às 19h30, com participações de Dalto e Tunai (R$ 45, R$ 30 para os 200 primeiros pagantes e R$ 22,50 é a meia). O novo disco do soulman que  se  destacou  nos  anos  70  com  “Na Rua, na Chuva,  na Fazenda” traz as mesmas músicas do álbum de 2008, só que reformuladas (Quer ganhar um CD? Leia as instruções depois da entrevista*). “O estúdio onde eu gravei foi todo reformulado, agora tem novos equipamentos, de ponta, e recebi a proposta da Warner Chappell Editora de refazer as vozes e remixar o disco. Aceitei o desafio pois não ficara satisfeito com o resultado”, conta Hyldon ao GarotaFM. Chico Buarque, Zeca Baleiro, Jorge Vercillo, Dalto e todos os outros convidados, que gravaram apenas instrumentos no disco anterior, continuam na nova versão de “Soul Brasileiro”. A novidade é a faixa bônus “Estão Dizendo Por Aí”, com participações sobre as quais Hyldon fala na entrevista a seguir.

Como surgiu a ideia de voltar ao estúdio para fazer ajustes nas mesmas músicas que lançou no disco “Soul Brasileiro”?

O estúdio onde eu gravei foi todo reformulado, agora tem novos equipamentos, de ponta, e recebi a proposta da Warner Chappell Editora (dona do estúdio e onde há anos edito minhas músicas) de refazer as vozes e remixar o disco. Aceitei o desafio pois não ficara satisfeito com o resultado, apesar do disco ter sido super bem recebido pela crítica. Na época do lançamento, por exemplo, a revista Rolling Stone colocou o disco entre os 25 melhores do ano.

Quais foram esses ajustes?

Da parte técnica, microfones novos, interface e compressores novos. Da parte musical… Bem, depois de algum tempo ouvindo o disco friamente, senti falta de um instrumento mais definido para somar com os violões. As músicas têm muitas convenções… em linguagem musical, são aquelas partes que todo mundo toca igual, geralmente nas introduções, no meio e no final. Foi aí que entraram as guitarras. Isso permitiu que subíssemos os volumes de baixo e bateria. Tomei cuidado pra não descaracterizar os originais e, sabe como é, quando estava colocando voz (tive que fazer isso pois os microfones e compressores novos eram maravilhosos) fiz um lance que hoje a galera do hip hop usa muito, que é dobrar a própria voz. Só que eu abrir as vozes colocando vocais onde não tinha antes. Como dizia Che Guevara: “Há que endurecer sem jamais perder a ternura”. Então foi isso. O disco ficou mais forte, sarado, mais rico melodicamente e, modéstia à parte, mais swingado com a entrada das guitarrinhas.

Dá para ver que a ordem das músicas mudou. Nesses quase quatro anos você viu uma nova história sendo contada por essa nova ordem?

Como houve essas alterações, coloquei numa ordem diferente que levasse o ouvinte a “viajar”  da primeira a última canção.

O que aconteceu com os convidados que você teve no disco “Soul Brasileiro”?

Todos estão no disco, eu só melhorei os sons na hora de mixagem. Não toquei num fio de cabelo dos meus queridos amigos/convidados. Pelo contrário, o que houve foi a entrada de outros 12 artistas na faixa bônus “Estão Dizendo por Aí”. Gentilmente cedida pela MTV, pra minha alegria chegaram pra compor o time Arnaldo Antunes, Seu Jorge,Céu,Karina Buhr,Gui e Rica Amabis, os meninos do Nação Zumbi (Dengue, Pupillo e Lúcio Maia) e Edgar Scandurra. Foi uma honra dividir o palco com essa galera no Programa Grêmio Recreativo Arnaldo Antunes. E foi dessa gravação ao vivo que saiu um clipe na MTV que fez o maior sucesso e, posteriormente, facilitou a liberação para colocar a música no meu disco.

É perceptível também a presença de novos toques eletrônicos. Por que e como os incluiu?

Ouço muita coisa nova e adorei o último disco do Léo Cavalcanti, meu mais novo parceiro. Isso hoje é uma tendência, os discos do Kassin, da Céu, da Karina Buhr e o exemplo mais recente é o novo da Gal Costa. Outro dia li uma crítica do show do Lenine e o jornalista meteu o pau porque ele estava inserindo esses elementos, depois eu soube que deu um problema técnico, coisas de estreia, mas o cara não quis nem saber: falou mal do cara, do Marcos Suzano (percussionista), que não tinha nada a ver com a história… Mas isso de inserir elementos é uma tendência mundial. No meu caso, usei em doses homeopáticas pra não assustar os conservadores e basicamente continua um disco acústico com violões e muita percussão.

Fale também da mudança na concepção gráfica (capa, foto, fonte da letra)?

Resolvi fazer outra capa pra discernir bem que era o mesmo disco, mas com outra cara e tinha as faixas bônus. Agradeço muito a Agência Guanabara que soube captar o espírito do disco. Fizemos caprichado com um mini poster com todas as informações  e incluímos todas as letras.

Fale sobre o clipe “Brazilian Samba Soul”. Quando foi rodado e o que pode dizer dele?

Esse clipe foi um presente que ganhei da minha querida amiga diretora  Malu Schroeder , fotografado por José Amarílio Jr e editado por Claudio Barros, com participações especias de Carla Cachoeira (passista), Gil Miranda e Gilce de Paula (vocais), Mc Yasmin (filha), Panmela Castro (grafite). O clipe está rolando na MTV e no Canal Brasil e lá fora também. Vou aproveitar que vou tocar no Rock in Rio Lisboa para fechar alguns contratos de distribuição na Europa. Ah, é bom lembrar que o clipe está no disco como uma faixa multimídia.

*Regulamento do concurso

Primeiro você tem que seguir o GarotaFM no twitter (@GarotaFM). Depois, é só retuitar (RT) a seguinte frase: “Promoção! Dê RT no trecho frase a seguir  e ganhe! Eu quero o CD Soul Brasileiro Edição Extra, de Hyldon, retuitando http://kingo.to/134A ” O sorteio será feito através da ferramenta sorteie.me. A promoção vai até sexta-feira (06/04), dia em que o resultado será divulgado, no Twitter do GarotaFM (com informações detalhadas por DM). Depois de divulgado o nome do ganhador, o mesmo deve enviar seu nome completo, RG, e-mail e endereço para envio do álbum. Participe!

Arariboia Rock começa o ano reunindo quatro bandas na festa Ampli, em Niterói

sexta-feira, 30 de março de 2012

Para o Arariboia Rock, o ano começa neste sábado (31/03), quando as bandas Xande Mc Leite, Os Clodoaldos, Prosaico e Filhos do Barão se apresentam na festa Ampli – Energia do Rock no Convés, em Niterói. O primeiro evento oficial do movimento musical niteroiense contará ainda com o som do DJ Corysco e a exposição “Arariboia Rock” a partir das 21h. Gestor cultural e jornalista, Pedro de Luna estará vendendo seu livro “Niterói Rock Underground (1990-2010)”. Leia entrevista com De Luna.

A primeira edição da festa Ampli – Energia do Rock foi em 2005. Como tem sido a periodicidade?

Essa festa em especial não teve periodicidade. Fizemos três em 2005, uma em 2009 e estamos resgatando esse ano. Provavelmente será a prioridade do Arariboia Rock no Convés. Ano passado a bola da vez era o evento Arariboia Rock Apresenta, que “apresentava” uma banda do Rio ou de outro estado, como a Jennifer Lo-Fi, de São Paulo. Mas por conta dos custos de cachê, nenhuma das cinco edições se pagou. Na festa Ampli, não há essa “exigência” de ter um headliner de fora.

Algum motivo especial para essas bandas terem sido selecionadas?

O critério foi oportunidade. Xande Mc Leite e Filhos do Barão ainda não tinham tocado em eventos “oficiais” do Arariboia Rock. Os Clodoaldos estão voltando a tocar em Niterói após um bom tempo e são parceiros importantes do coletivo. Já o Prosaico fará seu último show, porque o vocalista vai mudar para outro estado. Então, como sempre, ninguém está ali por estar, sempre há um motivo. E todas que tocarem esse ano estão sendo avaliadas para tocar ou não no festival de oito anos.

O que o Arariboia Rock está preparando e prevendo para 2012?

A grande atração será o festival de oitavo aniversário. Ganhamos o edital de festivais de música da Secretaria de Estado de Cultura e já temos R$ 50 mil numa conta corrente. Vai ser o melhor de todos e estamos com uma equipe envolvida para aumentar esse orçamento. Mas, antes disso, estamos começando o projeto Arariboia Rox (com X mesmo) no Espaço Box, que abriu mês passado na Praça da Cantareira. Faremos um evento por mês lá, e as bandas participam da bilheteria a partir de 50 pagantes. E tem mais coisa por vir…

Fale dessa história de o Convés estar correndo risco de ser fechado.

Não sei se a pessoa que ler essa entrevista conhece o Espaço Convés, em Niterói. Mas ele existe há 15 anos e é o espaço cultural mais antigo em atividade na cidade. E agora ele também está sendo vítima do ECAD. Pois é, o proprietário, Sr. Adenor, nunca pagava os boletos de R$ 400 (em média) por mês, por que sua casa sempre recebia eventos de música independente, tanto de reggae e rock quanto de forró, poesia e outras manifestações artísticas, de artistas sem gravadora. No final do ano passado, ele recebeu uma ação judicial retroativa no valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais)!!! E, claro, ele não tem essa grana e está preparando uma defesa, por que isso pode significa o fechamento do Convés!!! O julgamento ainda não está marcado, mas estamos fazendo o possível para ajudá-lo.

Há quanto tempo o Arariboia Rock está na ativa?

Desde 4 de dezembro de 2004, que é por Lei o Dia Municipal do Rock em Niterói, em nossa homenagem. Foi um projeto aprovado na câmara pelo então vereador Leonardo Giordano. Hoje, apenas 10 cidades no Brasil possuem esta data comemorativa.

O que você pode falar do movimento hoje?

O que tem sido mais bacana é o envolvimento de pessoas que não são músicos, como estudantes de produção cultural da UFF. Com eles estamos formando uma equipe mais profissional e criando uma produtora para prestar serviços a bandas que não são do Arariboia Rock, que atuará mais nesta vertente de utilidade pública e reivindicação popular. Fazemos uma reunião mensal com todos os interessados e a troca tem sido excelente.A grande dificuldade continua sendo a falta de uma sede, onde as pessoas pudessem sempre se encontrar. A Cantareira poderia ser isso, mas com a gestão da UFF acho improvável. E esse governo municipal foi terrível, prometeram muito apoio à cultura e nada foi feito. Então temos sido corajosos de insistir em produzir eventos na cidade, pois hoje você tem que alugar casa, som, pagar segurança, flyer etc. São muitos custos numa cena onde não existe rádio ou TV local, nem empresariado engajado. Mas estamos aí, firmes e fortes, em nosso oitavo ano de resistência cultural.

Quem quiser conhecer mais basta entrar no site.

Julia Bosco larga o petróleo pela música e lança um disco com participação do pai, João Bosco

quarta-feira, 28 de março de 2012

Não foi quando menina que Julia Bosco decidiu ser cantora. Tampouco a vontade veio por influência do pai, apesar de ser apaixonada pela obra dele. A filha de João Bosco trabalhava como consultora em uma multinacional do petróleo, mas frequentava rodas de samba e saraus. Quando conheceu o músico e produtor Fabio Santanna, não teve mais dúvida: com ele se casou e gerou o primeiro filho, “Tempo”, que chega às lojas sem correr qualquer risco de comparação.

“A gente fez quase todas as músicas para o disco diretamente, pensando nelas como parte de um projeto único, como um enredo que se desenha desenvolvendo um tema. Algumas coisas acabaram não entrando justamente porque saíram um pouco deste tema comum que amarra o ‘Tempo’ e estão guardadas para projetos futuros”, explica Julia.

O enredo é a vida de Julia, que hoje tem 32 anos, e a paixão pelo jazz foi o que ajudou o casal a dar uma unidade ao álbum, que tem produção de Fabio e Plinio Profeta. A cantora carioca e o marido dividem a maioria das composições, mas algumas eles assinam separadamente. Entre as participações estão a de Marcos Valle (“Curtição”) e de seu pai (“Na Oração”):

“As participações têm cada uma um valor muito especial para mim. O Marcos é um ídolo de sempre. Eu estudava os discos dele e ficava chocada com tanto suingue. Ele é um homem solar, que irradia alegria e luz. Tê-lo no disco foi um presente. O papai foi uma participação muito emocional, apesar de eu também ser absolutamente alucinada pelo trabalho dele, mas a música que ele toca no meu disco foi feita para ele com o coração, é diferente… Foi uma ligação a mais que a gente estabeleceu ali, não dá muito para explicar. E o Plínio foi o nosso ‘toque especial’. Fabio fez o convite porque eles são amigos. Ele dizia: ‘Esse cara faz aqueles discos do jeito que você gosta, vai por mim que vai ser lindo!’ E realmente foi. O Plínio é um produtor super zeloso, um amigo querido e tem um bom gosto incrível. No final, eu só saí ganhando.”

Fale um pouco da sua infância.

Nasci no Rio de Janeiro, mas fui criada no eixo Rio-Belo Horizonte, porque como meus pais viajavam muito em longas turnês quando éramos pequenos, meu irmão Francisco e eu acabávamos passando um terço do ano com a família em Minas Gerais.

Por que você demorou a optar pela carreira artística?

Eu percebi que poderia cantar bem mais tarde do que as pessoas me diziam que eu deveria cantar e, por isso, demorei a assumir essa posição. Enquanto não brotasse dentro de mim uma grande certeza, eu não faria! E isso veio ali, quase na casa dos 30…

O fato de ter um pai famoso (e celebrado na MPB) fez com que você adiasse esse sonho?

Não, de forma alguma. Era uma questão exclusivamente minha.

Você achou que ter um pai famoso poderia ajudar ou atrapalhar? Em que momento se deu conta de que valeria a pena tê-lo como parceiro nesse projeto?

Não pensei em “ajudar ou atrapalhar”, pensei nos bons conselhos que ele me daria e no conhecimento que poderia dividir comigo, como ele de fato faz. E isso acaba ajudando.

Você ainda trabalha como consultora de petróleo?

Não, pedi demissão depois de muita ponderação no momento em que as caixas com os primeiros mil discos chegaram à minha casa e eu pude entender que agora eu teria um novo trabalho que exigiria uma dedicação exclusiva. Isso foi praticamente ontem, em setembro de 2011.

Como é dividir a vida e, agora, a obra com Fabio Santanna?

É fácil e prático por um lado, mas requer um cuidado maior por outro. Quando se trabalha com o seu parceiro de vida, você tem que saber dividir bem as duas realidades, para não deixar nem o trabalho correr frouxo e nem o relacionamento ficar de lado. Mas acho que como para tudo na vida, isso é só uma questão de equilíbrio. O mais importante, e também o mais difícil, é dar a sorte que eu dei em encontrar uma pessoa que tivesse tanta afinidade comigo.

O que você ouve normalmente?

Nossa, eu ouço um pouco de tudo e um muito de pouco… Tem coisas que são sagradas para mim e que vão de Nina Simone a Pink Floyd passando por Jackson do Pandeiro e Dolores Duran, mas procuro conhecer o que toca hoje em dia, para não ficar por fora dos papos!

Com ‘Ai, Menina’, a defensora da música brega Lia Sophia sai de Belém para a novela das seis

segunda-feira, 19 de março de 2012

Nascida na Guiana Francesa, criada em Macapá e radicada em Belém desde a adolescência, a cantora Lia Sophia embala a personagem de Andreia Horta na novela Amor Eterno Amor com o carimbó eletrônico “Ai, Menina”, de sua própria autoria. A música estará presente no CD “Salto Mortal”, que Lia prepara para o segundo semestre. Faixas como “Amor de Promoção” e a que dá título ao disco já estão prontas. Cantora, compositora e instrumentista, Lia mistura ritmos como carimbó, guitarrada, zouk e brega com toques eletrônicos. Seu primeiro disco, “Livre”, foi lançado em 2005. Quatro anos depois, veio “Castelo de Luz”. E, em 2010, ela lançou “Amor Amor”, com releituras de clássicos do brega paraense. Convidada de Gaby Amarantos no projeto Sonoridades, dias 23 e 24 de março no Oi Futuro de Ipanema, a cantora fala com exclusividade ao Garota FM sobre a ótima fase que a música paraense atravessa, cita a importância de conterrâneas como Fafá de Belém e Leila Pinheiro e analisa a boa aceitação que a música brega vem ganhando.

Como você vê esse momento da música paraense?

Vejo como um momento especial, quando estamos conseguindo ultrapassar os limites do estado e levar a música que produzimos a outros lugares do Brasil. Há também uma feliz coincidência nos trabalhos que estão sendo produzidos por aqui, o olhar tem se voltado para uma herança cultural, que penso ter sido negada por artistas, jornalistas e rádios daqui durante muitos anos. Agora os trabalhos musicais estão afirmando influências brega, caribenhas e afro-indígenas que fazem parte da formação musical da região Norte. Percebo também, para além das características artísticas/criativas, um ápice pela busca por profissionalização da cadeia produtiva da música, que vem aí de uns dez anos para cá. Isso ajuda com que a cena se organize e vá para frente.

O Brasil está preparado para essa invasão?

O Brasil é por natureza um país miscigenado que assimila e incorpora novidades com facilidade, principalmente musicais. Pelo menos o “povão” é assim!

Que artistas da cena do Pará, veteranos e novos, você destaca?

Destaco como agentes que ajudaram a construir o momento que vivemos hoje, todos os bregueiros, cantores e compositores, das décadas de 80 e 90. Por exemplo, Alípio Martins, Juca Medalha, Luiz Guilherme, Ted Max, Mauro Cota, Francis Dalva, Míriam Cunha, Carlos Santos, Fernando Belém e muitos outros. Esses artistas meteram o pé na porta das rádios, num momento em que não se tocava música produzida na região, e abriram caminho para que hoje isso fosse diferente. Ainda falando em veteranos, destaco a Fafá de Belém, Nilson Chaves, entre tantos. Da nova geração, gosto muito do trabalho de Felipe Cordeiro, Gaby Amarantos, Luê Soares, Strobo, Adriana Cavalcante… Tem muita gente fazendo música boa aqui!

O trabalho da Banda Calypso também recebe muita influência das Guianas. Você se identifica com esse lado mais festivo da música?

Com certeza! Nasci em Cayena, Guiana Francesa, e durante a minha infância ouvíamos muito zouk, merengue, cacicó em casa. Venho de uma família festeira que adora música e dança, por isso a escolha do repertório sempre ser bem festivo na casa dos meus pais. E isso me influencia hoje nas composições e no repertório.

O Pará é um estado que revelou, no passado, grandes cantoras, como a já citada Fafá, Leila Pinheiro e Jane Duboc. São vozes que lhe influenciaram?

Sim! São cantoras incríveis. Cada uma com seu timbre e maneira de interpretar as canções, conseguiram se destacar e fazer história num país de tantas cantoras maravilhosas. Sou fã das três!

Qual a sensação que sentiu ao ouvir sua voz numa novela?

Senti não, sinto! (risos) Uma alegria, uma sensação de conquista. Afinal, acho que todo artista deseja ter o seu trabalho exposto para o maior número de pessoas possível, e é isso que a visibilidade de uma novela proporciona. Tenho recebido muitas mensagens de carinho e apoio de todo canto do Brasil, por aí posso avaliar o alcance disso. Além de ser um belo termômetro do caminho que quero fazer nesse novo trabalho. Essa música, “Ai Menina”, ainda não foi lançada oficialmente em nenhum disco, o que existia era uma versão demo, a qual eu havia disponibilizado nas minhas redes sociais e alguns produtores já haviam tido acesso. E, para minha surpresa, ela foi escolhida para a trilha da novela a partir dessa versão! Daí tive que correr pra preparar uma versão devidamente finalizada para a coisa ficar bonita mesmo.

Como estão os preparativos do seu novo disco?

Estamos ensaiando o repertório com a banda, definindo os arranjos, os timbres, para quando chegarmos no estúdio a coisa ser mais fácil. O repertório será 60% de músicas minhas, mas também tem uma música do Mestre Curica (“Beleza da Noite”) e uma de Almirzinho Gabriel (“Clarão da Lua”).  Devo receber como convidados especiais neste disco grandes guitarristas como Mestre Vieira, Felipe Cordeiro e Félix Robato. A ideia é mostrar toda a latinidade amazônica de maneira moderna, misturando várias influências rítmicas do carimbó, da guitarrada, do zouk, com pitadas de elementos eletrônicos. Este trabalho foi disponibilizado como um EP virtual chamado “Salto Mortal”, contendo três músicas, nas minhas redes sociais, e distribuído como material de divulgação para jornalistas e produtores. Recebi elogios importantes como os de Nelson Motta, que já até cunhou o termo “carimbop” para o meu som. Dentre as minhas composições, estarão “Ai menina” e “Amor de Promoção”, da qual estamos preparando um clipe ainda para este primeiro semestre. O álbum terá a produção musical de Carlos Miranda. E espero que o disco esteja pronto em julho e possamos lança-lo no segundo semestre.

Há dois anos você gravou um CD com músicas do chamado brega paraense. Acha que o conceito de brega está sendo bem aceito pela elite?

Pois é. Em 2010, eu lancei o álbum “Amor Amor”, após dois anos de pesquisas sobre o vasto e diversificado universo da música brega da região Norte. O que resultou em releituras de grandes clássicos das décadas de 80 e 90, sucessos que marcaram gerações e hoje são muito ouvidos nas Aparelhagens dos chamados Bailes da Saudade, que acontecem na periferia de Belém, e são conhecidos como “Flash Brega”. Esse disco foi muito bem recebido por aqui, já que são canções que foram ouvidas pelos nossos pais, avós, e que fizeram parte da infância de muita gente, como da minha. Esteticamente, fiz o caminho contrário ao ritmo brega nas releituras, enfatizando o lado pop das canções. Dizendo aos preconceituosos de plantão que se essas canções fossem cantadas em bossa, em baladas, em pop/rock, elas seriam bem recebidas. E foi o que aconteceu. Chegaram muitos comentários a mim do tipo: “eu detesto brega, mas adoro esse disco”. Mas só pra contrariar, no show de lançamento desse álbum, cantei as minhas próprias músicas (de outros trabalhos) em tecnobrega, zouk, e não como são no arranjo original. Tudo isso foi uma maneira de homenagear compositores bregas que tanto fizeram pela nossa música, e penso serem um eixo central da nossa cultura, mas que tanto são negados.

Apesar de todo o preconceito das elites ao que é considerado brega, acho que mesmo timidamente isso tem mudado. Quando artistas como Caetano Veloso, Marisa Monte, Kassin e outros da MPB mais contemporânea gravam músicas bregas ou que caminham nessa direção, a coisa fica mais fácil de ser aceita. É claro que esse brega aceito pela elite é mais moderno e com letras menos apelativas, além de já ter conquistado espaços undergrounds e ser “hypado” pela crítica, o que serve para mostrar o alcance de diferentes públicos que o brega conseguiu, depois de tanto apanhar. Assim fica mais fácil aceitar o seu lado brega.
 

Mariana Aydar divide noite de lançamento com Pedro Luís: ‘Acho o Pedro um compositor raro’

quinta-feira, 15 de março de 2012

Foi em um encontro na Bahia, mais precisamente em Trancoso, que Mariana Aydar e Pedro Luís decidiram fazer o show de lançamento de seus novos discos juntos, “Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo” (dela) e “Tempo de Menino” (dele). A cantora de São Paulo já tinha gravado uma música do líder do grupo A Parede e fundador do Monobloco: para seu segundo CD, “Peixes Pássaros Pessoas”, Mariana encomendou “Tá?” a Carlos Rennó, que fez a letra e deu para Pedro e Roberta Sá musicarem. No sábado (17/03), a intérprete e o músico carioca dividem o palco do Circo Voador. Nesse show de lançamento de seu terceiro disco, ela recebe o multi-instrumentista Duani, o produtor Letieres Leite e o rapper Emicida. Pedro Luís apresenta seu primeiro trabalho solo acompanhadopor Marcelo Vig (bateria), Guila (baixo) e Leo Saad (guitarra). “Tá?” também está no repertório dele.

É a primeira vez que divide a noite com Pedro Luís ou já viveu essa experiência antes? Conte e fale sobre a expectativa para sábado!

Sim, é a primeira vez que divido o palco com Pedro. Na verdade, a ideia surgiu nessas férias. Nos encontramos em Trancoso e começamos a cantar na praia, com Roberta (Sá) e Duani, e achamos que tinha tudo a ver lançarmos nossos discos juntos no Rio. Estou muito feliz mesmo. É  a primeira vez que faço um show no Circo. Já fiz algumas participações na arena, mas nunca um show inteiro meu.

Você já gravou uma música de Pedro Luís e Roberta Sá (+ Carlos Rennó). Como “Tá?”  foi parar na sua lista?

Na verdade, foi no meu segundo CD,  ”Peixes Pássaros Pessoas”. Eu tinha encomendado uma letra para o Rennó, queria que falasse da nossa condição humana, de quanto o homem é um bicho difícil! E o Rennó acertou em cheio e deu a letra para Pedro e Roberta musicarem. Foi uma grata surpresa na hora em que ouvi!  Achei incrível como a melodia e a letra se fundiram. É uma música que tenho muito carinho e sempre canto nos shows. Acho o Pedro um compositor raro, sempre quis gravar algo dele, todos os discos eu pedia uma música.

Nesse novo álbum, “Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo”, há Emicida, Zé Ramalho… Como foi decidir esse repertório e qual você acha que é a peculiaridade do disco?

Foi um disco que nasceu das minhas composições e, a partir daí, fui escolhendo as músicas que tinham a ver com   essas composições.  Acho que a peculiaridade é ser um disco bem eclético, mas que conta uma história. É um álbum mesmo. A presença dos produtores Letieres Leite e Duani também foi essencial para a sonoridade do Cavaleiro.

Você rotula sua música? Qual você acha que é sue estilo (ou são) e quais são suas principais influências?

Acho que uma das características da minha geração é a falta de rótulo. Eu ouvi tanta coisa a vida inteira e elas se fundem e se transformam em outras, que é a minha música. Mas com certeza tenho uma raiz muito grande na música brasileira, que é o que mais ouço e mais amo.

O que você vai apresentar no show de sábado, no Rio?

Vou apresentar as músicas do meu disco novo, “Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo”, mas também músicas dos meus outros dois discos, como o “Tá?”, “Aqui em Casa” e “Zé do Caroço”.

Apesar de fazer parte do eixo e sediar todas as gravadoras, além de contar com muitos veículos de comunicação, o Rio tem uma cena relativamente fechada. O que você sente em relação à cidade?

Engraçado que já ouvi isso, mas nunca senti na pele . Fui sempre muito bem recebida no Rio, é um lugar no qual eu amo cantar. Me identifico muito tanto musicalmente  como quanto ao estilo de vida . Acho uma plateia totalmente sincera. Se está legal, eles vibram muito e, se não está, você sabe na hora. Gosto muito dessa sinceridade.

Pedro Luis e Mariana Aydar: Sábado (17 /03), às 23h30, no Circo Voador (Rua dos Arcos, s/nº, Lapa – 2533-0354). R$  80 ou R$ 40 (estudantes, menores de 21 anos e idosos, quem levar 1 kg de alimento ou e-flyer e sócios do Clube do Assinante O Globo)

Anjos tortos Itamar Assumpção, Wilson Simonal, Torquato Neto e Waly Salomão são celebrados

segunda-feira, 12 de março de 2012

“A importância está na obra que esses caras deixaram. A musical, naturalmente, mas, sobretudo, a herança de um comportamento livre. Cada um ao seu modo, todos lutaram muito.” Jornalista e curadora da série “Anjos Tortos, a MPB Gauche na Vida”, Monica Ramalho explica o que fez com que decidisse homenagear Itamar Assumpção, Wilson Simonal, Waly Salomão e Torquato Neto. No palco do Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB Rio), de 15 a 25 de março (quinta a domingo, alternando a cada fim de semana), outros quatro criadores afinados com a obra desses artistas mesclarão músicas de seus repertórios com as dos convidados. A estreia será com a banda Isca de Polícia e Arrigo Barnabé e a primeira celebração será por Itamar Assumpção. Max de Castro vai relembrar sucessos do pai, Wilson Simonal. Jards Macalé apresentará parcerias que fez com Waly Salomão e Chico César homenageará Torquato Neto.

Para você, qual é a importância de Itamar Assumpção, Wilson Simonal, Waly Salomão e Torquato Neto para a música brasileira?

A importância está na obra que esses caras deixaram. A musical, naturalmente, mas, sobretudo, a herança de um comportamento livre. Cada um ao seu modo, todos lutaram muito. O Itamar, pioneiríssimo, contra o esquema das grandes gravadoras e das regras super comerciais do mercado naquele tempo. Simonal contra o preconceito racial, a inveja e a maledicência. Não se comprovou o envolvimento dele com os militares. Ele foi enterrado vivo, como disse o jornalista Carlos Calado num depoimento que filmamos pro vídeo de abertura do show em homenagem ao Simonal. Waly batalhou contra o senso comum e mostrou que é possível estar à margem do óbvio e ser bem sucedido e Torquato foi radical: matou-se aos 28 anos, inconformado com os rumos da época e, certamente, sem perceber o quanto seria valioso o seu trabalho nesse mundo que tanto o incomodava.

O que significa MPB gauche? Como surgiu esse termo e por que ele foi atribuído a esses artistas?

O nome da série veio do “Poema das sete faces” (“Quando nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida”), de Carlos Drummond de Andrade que, por sua vez, inspirou a parceria do Torquato Neto com o Jards Macalé, “Let’s play that” (“quando eu nasci / um anjo louco muito louco/ veio ler a minha mão/ não era um anjo barroco/ era um anjo muito louco, torto/ com asas de avião”). Faltam anjos tortos nos dias de hoje… Concorda?

Por que esses nomes podem ser considerados “anjos tortos”?

São anjos que iluminaram a cena cultural brasileira com suas criações provocativas, livres e libertárias. Gente sem medo de experimentar, de subverter, de bater de frente com seus contemporâneos e, verdadeiramente, inovar, como fizeram os modernistas, baseados no lema cunhado por Ezra Pound (“Make it new!). Eram tortos, mas não era caídos, como bem notou a cantora e compositora Lucina no vídeo que conta um pouco quem foi Itamar. Esses vídeos, maravilhosos, foram feitos pela super equipe da Plano Geral. É bom dar o crédito ; ) Penso em disponibilizar tudo no nosso blog após essa segunda e última rodada do ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’.

Como foram escolhidas as atrações que vão subir ao palco do CCBB?

Fui atrás de quem realmente receber influências desses marginais da nossa cultura (citando aquela famosa e incompreendida criação do Hélio Oiticica, “Seja marginal, seja herói”). É isso. Eles foram heróis e estamos felizes de lembrar, mais uma vez, de seus nomes e de seus legados únicos. Para cantar Itamar, ninguém melhor do que a Isca de Polícia, banda que ele próprio fundou em 1979. Como eles interpretam apenas a obra do Nego Dito, chamamos o Arrigo Barnabé, um dos fundadores da Vanguarda Paulista, para cantar suas músicas dentro da mesma linha. Além de filho do Simonal, o Max de Castro é um artista independente muito inventivo e cheio de suingue. Só Jards Macalé, ele mesmo um anjo torto dessa safra original (risos), para cantar aqueles clássicos que compôs com Waly Salomão. E pensei no Chico César para homenagear o Torquato Neto porque considero a poética deles muito similar em alguns aspectos, embora o Chico seja mais solar que o Torquato. E os dois são filhos do Nordeste brasileiro.

Fale um pouco sobre a configuração dos shows?

A gente propôs que esses artistas embaralhassem suas composições com as obras-primas dos homenageados, mas com alguma liberdade para cantar a mais ou a menos. Assim, respeitamos o espírito desses quatro anjos tortos, não é? (risos). São shows únicos e lindos – pergunte ao público e à imprensa de Brasília, onde estreamos a série em setembro de 2011. Estou feliz por realizar esse sonho nas duas cidades da minha vida. Em Brasília, onde nasci há 35 anos, e no Rio de Janeiro, onde moro desde os dois meses de idade. Quero ver o Garota FM lá no Teatro III do CCBB, hein? (mais risos).

PROGRAMAÇÃO

Dias 15 e 16 de março (quinta e sexta), às 19h
NEGO DITO: QUE TAL O IMPOSSÍVEL?
Itamar Assumpção (1949-2003) continua no futuro, embora suas músicas irreverentes, bem humoradas e repletas de crítica social, gravadas nas décadas de 1980 e 1990, estejam sendo revisitadas por cantoras do nosso tempo, como Zélia Duncan e Mônica Salmaso. Itamar criou a Isca de Polícia em 1979 com o objetivo de ter uma banda sólida em seus discos e shows. E o bonito é ver que a Isca continua na ativa. Já Arrigo Barnabé fez, em 2006, um tributo ao parceiro em forma de disco. Isca e Arrigo se unem nesse show para cantar as obras majestosas desses mentores da Vanguarda Paulista.

Dias 17 e 18 de março (sábado e domingo), às 19h
PAÍS TROPICAL: SEI DE COR O AMOR QUE TENHO POR VOCÊ
Wilson Simonal (1938-2000) foi um dos artistas mais produtivos, conhecidos e bem pagos da música popular brasileira na década de 1960. Quando Max de Castro nasceu, em 1972, o pai já estava estigmatizado como informante dos militares, fato que nunca foi comprovado. Primeiro negro a apresentar sozinho um programa de tevê no país, Simonal incentivou a carreira dos seus garotos e Max já estreou com um álbum aclamado pela crítica. Será emocionante ver o filho cantar seus sucessos e os clássicos de Simonal, mostrando ao vivo todo o suingue que herdou do Rei da Pilantragem.

Dias 22 e 23 de março (quinta e sexta), às 19h
VAPOR BARATO: NÃO PRECISO DE GENTE QUE ME ORIENTE
Waly Salomão (1943-2003) provou que é possível ser livre e dar certo comercialmente. Tropicalista, o baiano dirigiu Gal Costa e produziu Cássia Eller em trabalhos memoráveis, permanece sendo regravado por estrelas, como Adriana Calcanhotto, e até venceu um Prêmio Jabuti. Jards Macalé (1943) dirigiu Maria Bethânia lá atrás e continua fazendo história. Em 2005, Macalé reuniu o melhor do cancioneiro da dupla no álbum ‘Real Grandeza’, um documento vivo da genialidade desses anjos tortos.

Dias 24 e 25 de março (sábado e domingo), às 19h
ANJO TORTO: DIZ AÍ COMO É QUE É
Torquato Neto (1944-1972) se autodenominava um anjo torto, inspirado nos versos de Drummond. Poeta, jornalista, letrista e ligado à contracultura: suas habilidades eram tantas que o colocaram, com folga, na proa do Tropicalismo levado adiante pelos seus parceiros Caetano Veloso e Gilberto Gil. Torquato disse adeus cedo demais, aos 28 anos, antes de ver a chegada do “pop genuinamente brasileiro” com o qual tanto sonhava e que é tão bem defendido por Chico César (1964). Será mágico presenciar outra vez – a série passou pelo CCBB Brasília, em 2011 – o encontro das tintas inventivas desses dois filhos do Nordeste.

‘ANJOS TORTOS, A MPB GAUCHE NA VIDA’: Quintas, sextas, sábados ou domingos entre 15 a 25/03 (ver programação detalhada ), às 19h, no CCBB Rio (Rua Primeiro de Março, 66, Centro do Rio – (21) 3808.2020). R$ 6 e R$ 3 (meia-entrada válida para estudantes, professores, maiores de 60 anos e clientes BB).

Depois de lançar ‘Música Crocante’, baterista do Autoramas fala sobre o mercado independente, as turnês internacionais e muito mais

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

“Música Crocante” é o nome do mais novo álbum do Autoramas, lançado no segundo semestre de 2011. A banda, que é uma das mais bem sucedidas do cenário independente nacional, está na estrada desde 2007 e passou por algumas mudanças. Atualmente está com Gabriel Thomaz (vocal e guitarra), Bacalhau (bateria) e Flávia Couri (baixo) em sua formação. Bacalhau fala ao GarotaFM das dificuldades de ser uma banda “alternativa”, de como se articulam para fazer turnês internacionais, das influências e do fato de ter sido a única banda a tocar de forma acústica no “MTV Apresenta”.

O título desse novo disco tem algum significado especial pra vocês?

Acho que é o momento que estamos vivendo. As músicas têm essa crocância que o disco sugere. É um momento bom da banda, nós viemos de uma turnê europeia bem sucedida.

Essa turnê internacional foi desse disco ou do anterior?

Na verdade, todo ano a gente acaba indo para a Europa e a gente testa umas músicas lá. Nessa última turnê, testamos três ou quatro músicas que estão no disco e isso tem funcionado. A gente aproveita todos os shows pra tocar as músicas novas, para testar.

Como vocês conseguem sobreviver no mercado independente?

Acho que porque nós sempre fizemos nossas escolhas, sempre corremos atrás. A gente tem um escritório que trabalha junto com a gente, tem nossa empresária que está sempre com a gente… E a gente ganhou já três prêmios na MTV que também ajudou bastante o nosso trabalho.

Nenhuma gravadora procurou por vocês ou já houve proposta e vocês não aceitaram?

Não, nunca tivemos. Até gostaríamos que tivesse uma gravadora interessada, mas também nunca precisamos e nunca esperamos. A gente sempre correu atrás e fizemos acontecer. E estamos fazendo acontecer até agora.

Como acontece esse contato para fazer essas turnês internacionais? Sendo uma banda independente dificulta mais?

É difícil sim… são anos tentando fazer e a gente já vai pra Europa há mais de cinco anos. E a gente tenta tocar em festivais, pubs, a gente toca em vários tipos de lugares. Quando você tem uma gravadora fica mais fácil, mas estamos correndo atrás disso. Estamos conseguindo isso de forma independente e estamos querendo lançar o disco novo lá também.

Esse disco é o primeiro por uma gravadora ou na verdade é só uma parceria para distribuição?

Na verdade, esse disco foi feito por nós juntos com os fãs e a gravadora Coqueiro Verde, para celebrar esse momento que a gente tá passando. A Coqueiro é mais uma gravadora do que uma distribuidora. É um prazer estar lá, tudo uma maravilha. Eles ajudaram muito na distribuição e colocando a gente em lugares que a gente não conseguia.

Vocês gravaram esse CD com a ajuda dos fãs através de um site. Como funcionou isso?

A gente começou a gravar independente e o site “Embolacha”  acabou batendo um papo com a gente. Conversamos sobre isso e achamos interessante a ideia e nós lançamos um valor e colocamos 45 dias para conseguir alcançar essa meta  e a gente conseguiu e foi muito bom, super gratificante.  Atingimos a meta nos 45 dias. As pessoas pagavam um valor, cada recompensa tinha um valor que foi de vinte a cinqüenta mil reais e, conforme o valor, eles tinham uma recompensa, desde ir ao show de graça, ganhar o disco, entre outras coisas. E, depois que a gente conseguiu alcançar essa meta, apareceu a Coqueiro Verde e fechou com chave de ouro.

Vocês mantêm contato direto com os fãs através das mídias?

Sim, bastante! O pessoal que contribuiu é o pessoal que vai ao show e está sempre com a gente. É uma galera que acompanha a gente há muito tempo.

E qual a maior influência de vocês atualmente?

No geral, a gente gosta muito de rock latino, uma coisa psicodélica, uma guitarrada do Pará, um rock turco, umas coisas assim. Rock de um modo geral, do mundo inteiro.

Vocês foram a primeira banda a se apresentar no “MTV Apresenta” de forma acústica, apesar de vocês terem certo peso no som de vocês. Como foi a ideia de tocar desplugado?

Foi bom porque a gente tinha tanta música que a gente não tocava que estavam perdidas entre os CDs e teve gente que pediu no show. O desplugado foi legal que a gente desconstruiu isso tudo e fizemos de uma forma diferente, foi um trabalho bem difícil porque a gente demorou um bom tempo ensaiando, descobrindo para dar certo. Porque rearranjar suas próprias músicas, escutá-las e pensar numa forma diferente foi bem complicado, mas foi muito bom e ajudou muito para o “Música Crocante”. Foi um desafio.

Como vocês vêem o mercado independente nacional atualmente?

Eu acho que agora talvez tenha um mercado, não sei se tão grande. Mas soube que os festivais têm aumentado e a estrutura também. A Feira de Música tem sido um sucesso… eu não frequento muito, mas tenho acompanhado as coletivas e tem começado a engatinhar com alguma infraestrutura.

The Mark: Inspirados por Vinícius, Chico e Calcanhotto, irmãos gaúchos Kleiton & Kledir dedicaram ‘Par ou Ímpar’ às crianças

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na coluna Markusic da The Mark, foi publicado na semana “Tiny Little Things” um bate papo com Kleiton & Kledir sobre “Par ou Ímpar”, um disco feito para guris.  Nele, os irmãos gaúchos gravaram canções sentimentais e, também, músicas compostas recentemente para a criançada. Leia a introdução do texto disponível na revista virtual e, depois, vá até lá mergulhar na íntegra da entrevista. Aproveite e… volte a ser criança!!!

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A música também sempre teve momentos de “fofidão”. É verdade. Quem não achou fofo, na década de 80, Raul Seixas gravar “Carimbador Maluco” junto com o Balão Mágico? Eu, não, porque eu era bem pequena naquela época… Mas meus pais contam que foi uma brecha na vida louca do maluco beleza. Não faz muito tempo que a moda de músico adulto se dedicar à criançada voltou. E não foi um ou dois que gravaram uma ou duas canções dedicadas aos pimpolhos. Grandes nomes brasileiros voltaram ao jardim de infância e fizeram verdadeiras obras de arte infantis. Primeiro, foi Adriana Calcanhotto, com seu “Partimpim”. Depois, vieram Pato Fu, Arnaldo Antunes, Kleiton & Kledir… A banda de Fernanda Takai e John Ulhôa gravou “Música de Brinquedo” usando apenas instrumentos infantis. “Pequeno Cidadão” traz músicas compostas pelo ex-integrante dos Titãs e por Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto para seus filhos. Já os irmãos gaúchos sentiram-se estimulados pela tradição de músicos brasileiros dedicarem canções às crianças e lançaram o álbum “Par ou Ímpar” recentemente.

“É uma novidade na carreira, mas a vontade era antiga. Ficamos entusiasmados quando Vinícius de Moraes lançou ‘A Arca de Noé’. Depois, o MPB4 fez discos infantis (“Flicts” e “Adivinha o que é”). Existe essa tradição na música brasileira que vem desde Braguinha, passou por Chico Buarque quando ele fez ‘Os Saltimbancos’ e andou esquecida. Resgatada por Adriana, Arnaldo e Pato Fu, essa tradição serviu de estímulo pra gente”, conta Kledir.

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Clique aqui e leia a entrevista na íntegra

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Cantora, compositora, cineasta e ‘filha de’

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Herdeira de Glauber, Ava Rocha lança disco de estreia de sua banda, AVA, e faz show no Rio

Realizado todas as quartas-feiras, às 20h30, gratuitamente, no Studio RJ (Av. Vieira Souto, 110, Ipanema), o projeto Cedo e Senta, do Fora do Eixo, recebe a banda AVA. Apresentando o show do disco “Diurno”, AVA é formada por Ava Rocha, Daniel Castanheira, Emiliano Sette e Nana Carneiro da Cunha. A banda Canastra encerra a noite e, no comando das picapes, a DJ Tata Ogan apresenta seu estilo “Da raiz ao chip”. Para conhecer melhor a AVA, leia a matéria que saiu na revista Rolling Stone de dezembro sobre AVA, com complemento especialmente feito para o GarotaFM:

 

“Surge uma nova cantora de voz grave.” A manchete poderia ser essa se Ava Rocha não fosse muito mais do que isso. A cantora de voz peculiarmente grave é também compositora, cineasta, neta de Jorge Gaitán Durán, poeta famosíssimo na Colômbia, e filha caçula do ícone do Cinema Novo Glauber Rocha. Ava entende menos de música do que de cinema, mas enveredou para essa arte depois de aprender a ser musicista com o irmão, o compositor Pedro Paulo Rocha. Ela reuniu três músicos de talentos tão peculiares quanto o dela na AVA e, desde 2008, com o microfone na mão e muitas ideias na cabeça, vem recebendo elogios, conquistando seu público nos palcos do Rio de Janeiro e gravando. O resultado da experimentação está no disco “Diurno”, que a Warner acaba de lançar.

“Sou a pessoa menos preparada musicalmente na banda. Falo de composição como se estivesse falando de um filme que invento. Sempre cantei, mas nunca me vi como cantora. Comecei a entender esse meu lugar na música ao lado do Pedro, porque ele também não tem o compromisso estritamente musical. A partir da música que ele faz, estética, política e filosófica, senti uma vitalidade no meu canto. Encontrei neles (músicos da banda) a mesma liberdade”, conta Ava.

Pedro virou o quinto elemento da AVA, além de parceiro da irmã em “O Futuro”, “Batendo no Mundo” e “Filha da Ira”, esta última a primeira composição da artista. Na banda, estão Daniel Castanheira, Emiliano Sette e Nana Carneiro da Cunha. Doutorando em Letras, Daniel assume a bateria, a percussão e os elementos eletrônicos do álbum. Fã de João Gilberto e Jimi Hendrix, Emiliano toca violão com pedais. Nana faz do violoncelo seu instrumento de rock’n'roll. No palco, o quarteto também é acompanhado pelo baixista (Rodrigo Sebastian) e  pelo pianista (Otávio Ortega), que também gravaram em “Diurno”. Gravado em estúdios, salas abertas e até no atelier do Tunga (artista plástico que fez a capa do CD), a mistura resulta em um som experimental, meio soturno meio enigmático e, sem dúvida, orgânico e diferente de tudo o que se vê por aí.

“Cada um traz seu conjunto de referências e todo mundo compartilha algumas. John Cage, Velvet Underground e Arto Lindsay, que gravou guitarra em ‘O Futuro’, são alguns. A última música do disco são todas as músicas coladas uma por cima da outra numa faixa só. É uma ruidagem que Cildo Meireles fez em um dos trabalhos dele”, diz Daniel.

Ava tenta enumerar as influências acumuladas em seus 32 anos de vida: “Para mim, referências fortes nesse disco e nesse processo são Clarice Lispector, Frida Kahlo, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, Jards Macalé, John Cage, Godart, Deleuze, a poesia latino-americana, Charly Garcia…”

Da MPB, a banda regravou “Movimento dos Barcos”, de Jards Macalé e Capinam, e “Pra Dizer Adeus”, de Edu Lobo e Torquato Neto. Os irmãos Ava e Pedro assinam com Clarice Lispector a autoria de “Batendo no Mundo”, que traz uma passagem do livro “Água Viva”, da escritora. Do avô colombiano, Ava Rocha trouxe para o disco, musicado por ela e Emiliano, o poema “Sé Que Estoy Vivo”, do Livro “Os Amantes” (1959). Orgulhosa de sua história, Ava não tem medo do estigma de “filha de”.

“Minha mãe se chama Paula Gaitán e também é cineasta. Minha avó era diretora de teatro. Dos 14 aos 20, morei em Bogotá e deixei de ser a filha de Glauber para me tornar a neta de Jorge Gaitán Durán. Mas sempre fui eu, e acho natural que as pessoas tenham afeto e transfiram um pouco esse sentimento. E não me incomoda. Talvez possa estar havendo uma certa preguiça. Meu irmão (Eryk Rocha) é um cineasta importante no Brasil e continuam chamando ele de ‘filho do Glauber’. É um gancho, abre portas, mas é uma coisa natural na nossa vida… Mas não sou a única filha de cineasta nessa banda”, esquiva, apontando para Emiliano.

O violonista é filho de José Sette, autor de filmes como “Um Filme 100% Brazileiro” e “A Janela do Caos”, e, assim como todos os outros, inclusive Ava, fã de Glauber:

“Independente de qualquer coisa, meu pai só traz coisas boas para todas as pessoas que tem ligação com a cultura brasileira. Todos aqui são filhos de Glauber”, finaliza Ava.

Di Stéffano: Apreciador do jazz, músico que acompanhou grandes nomes lança terceiro CD

domingo, 15 de janeiro de 2012

Compositor, músico e educador, Di Stéffano aproveitou a virada do ano para lançar seu terceiro trabalho solo, “Outros Mares”. Na estrada há um bom tempo e tocando bateria ao lado de grandes nomes da música brasileira, ele fala sobre sua trajetória, influências e as grandes participações em seu novo trabalho ao GarotaFM  em entrevista. Só para dar uma palhinha, Di já gravou e/ou tocou com Dominguinhos, João Donato, Boca Livre, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Mart’nália, entre outros.

Você já tem uma longa estrada na música tocando com outros grandes nomes. Como é lançar seu próprio CD?

Este é o terceiro disco solo e tem sido um privilégio poder compor, gravar, produzir e ainda dividir estas emoções com meus amigos e irmãos da música. É muito gratificante ouvir sua música nas rádios, ler críticas de revistas e jornais e ver pessoas comentando.

Qual é sua maior influência na hora de compor?

Ouço muita música de todos os gêneros. Além de nossa música brasileira, ultimamente tenho ouvido muitos discos africanos e franceses, com destaque para Moreira Chonguiça, Richard Bona, Lionel Loueke, Manu Dibango e, da França, o Dominique Fillon, Sylvan Luc, Marc Berthoumieux e do Stéphane Huchard.

E sobre a turnê desse novo trabalho, como está acontecendo?

O primeiro show da turnê “Outros Mares” foi em Brasília, no Jardim Botânico. O show seguiu para Natal e, em janeiro, retomo as atividades com shows nas principais capitais do país e divulgando nas rádios, TVs e jornais.

Fale um pouco sobre o processo de produção do novo CD.

Foi produzido entre Natal, onde foram feita as bases, Rio de Janeiro e São Paulo. Teve ainda a participação especial do pianista francês Dominique Fillon, gravada lá em Paris. Tenho muitos amigos na música morando nessas cidades e tentei reunir alguns deles. O resultado ficou de alto nível.

Ha quanto tempo está na estrada?

Profissionalmente, desde 1991, quando tirei minha carteira da OMB (Ordem dos Músicos do Brasil). Mas já tocava nas gincanas do colégio e na Igreja.

Recentemente você teve uma de suas músicas inseridas no disco “Instrumental Nordeste”. Como isso aconteceu?

Foi através de um show que fiz dentro da programação da Feira da Música em Fortaleza. Foram selecionados alguns artistas e minha música foi contemplada a entrar numa coletânea com um repertório belíssimo de artistas da região nordeste.

Como aconteceu a ideia de lançar seu próprio CD?

Vim morar no Rio de Janeiro em 2004 e, tocando com alguns amigos, percebi que existia um mercado vasto na produção de música instrumental. Como eu sempre gostei do jazz e de suas nuances, comecei a produzir o meu próprio trabalho solo e a coisa deu certo. Hoje, quando não estou tocando com algum cantor ou dando aulas de bateria, faça os meus shows pelo mundo afora.

O título do novo CD é o nome de uma faixa. Tem algum significado especial?

“Outros Mares” é o título de uma música que é fruto de uma parceria com o grande músico e tecladista carioca Glauton Campelo.

Como tem sido a crítica em relação ao seu novo trabalho?

Olha, tenho recebido muitas mensagens, com as pessoas parabenizando pela qualidade.

Fale sobre as participações desse CD.

O disco “Outros Mares” traz um time dos melhores músicos do nosso país. Teclado e piano foi gravado por Vitor Gonçalves, músico da nova geração que toca na banda da Maria Bethania e no Grupo Bambú, e pelos veteranos André Mehmari e Glautom Campelo. Também nas teclas, só que no acordeon, tive o auxílio luxuoso do Adelson Viana. Nos sopros, tive os saxofonistas Marcelo Martins e Josué Lopez, os trompetistas Fábinho Costa e Bruno Santos, que também assinam um arranjo de naipe na Salsa “Lais”, e clarinete do Jotapê. Os baixistas foram Arthurzinho Maia, Marcelo Mariano, Hamilton Pinheiro, Nema Antunes, Rômulo Gomes e Alex Rocha. Nos violões, os conterrâneos Sérgio Farias e Jubileu Filho. Na guitarra, a participação especial de Ricardo Silveira e do capixaba Clauber Fabre. O disco saiu pelo meu selo, o “DWB Music”, mas espero lançar na Europa, Estados Unidos, Japão e África do Sul.