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Jovem revelação da música, Laura Rizzotto canta em inglês enquanto presta vestibular e sonha com carreira internacional

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cantora e compositora, com apenas 17 anos e 34 canções no currículo, Laura Rizzotto começou a escrever quando foi morar nos Estados Unidos, fazendo versões de músicas brasileiras em inglês para mostrar aos seus amigos. Laura toca piano, estudou dança por muitos anos e, ao invés de fazer uma festa de debutante aos 15, pediu um clipe de presente para seu pai. Ela bateu um papo com o GarotaFM e falou de sua carreira, o novo CD, o que toca em seu Ipod e muito mais.

Conte pra gente um pouco sobre o CD “Made in Rio”.

O “Made in Rio” é o meu disco de estreia cem por cento autoral. Tem doze faixas autorais e três faixas bônus em português e eu escrevi cinquenta por cento em co-parceria com meu irmão Lucas Rizzoto e ainda tem a participação especial do Eumir Deodato no CD. Ele produziu a faixa número 12. O CD foi produzido pelo Paul Ralphes, a parte de arranjo eu fiz com os músico e com o Paul, foi um trabalho em conjunto e os músicos que gravaram o CD são os que me acompanham agora nos shows.

Como aconteceu essa aproximação com Eumir Deodato?

A gente se conhecia pela internet, temos alguns amigos em comum e ele acabou ouvindo as minhas músicas por indicação de alguma outra pessoa. Ele ouviu e gostou e a gente começou a se falar e, quando eu viajei para Nova York com minha família, a gente se conheceu pessoalmente. O Deodato já virou um amigo de família. A gente sempre conversava e falávamos de um dia trabalharmos juntos, fazermos algum projeto juntos. Quando comecei a gravar meu CD, fiz o convite e ele aceitou. Foi ele que escolheu a faixa 12.

Como começou a compor?

Eu comecei a compor aos 12 anos de idade, quando eu estava morando nos Estados Unidos. É por isso que eu sempre escrevo em inglês. Antes de eu começar a escrever minhas músicas, estava escrevendo versões em inglês de músicas brasileiras que eu gostava e queria que os meus amigos entendessem as letras porque eles curtiam o nosso som, a música pop brasileira, mas não entendiam nada. Então, comecei a fazer essas versões e logo depois comecei a escrever minhas próprias músicas, fazer meu próprio som e eu aprendi a me expressar musicalmente nesse idioma. Peguei essa prática toda. A primeira música que escrevi lembro que foi aos doze anos e se chama “The Reason Why”. Não está nesse CD, mas é um rock mais pesado. E é um processo muito orgânico pra mim, é muito gostoso, todas as músicas meio que fazem parte do meu diário, é o meu diário só que musicado. Fala sobre experiências que eu tive, coisas que eu sinto. Apesar de eu continuar escrevendo bastante em inglês, também comecei a escrever em português quando voltei pro Brasil, tanto que temos algumas faixas em português no CD.

Seu irmão mais velho compõe com você, né? Como funciona o processo de criação?

Quando rola uma parceria, escrevo algo no meu canto e ele escreve no canto dele. Quando a gente se encontra, a gente vê se tem algo que se encaixa. Nós sempre compomos separadamente e tem uma hora que a gente chega e mostra para o outro o que a tem. A própria música de trabalho, “Friend In Me”, foi assim. Eu tinha feito um início de uma música e não sabia qual versão colocar, não conseguia continuar e mostrei para meu irmão e ele falou: “Ah,  eu tenho uma versão que encaixa.” E a gente juntou. Ou então, às vezes, ele vem com uma melodia e eu dou aquela ajeitadinha. Mas é muito gostoso até porque meu irmão tem um ponto de vista diferente em relação ao meu na música. Fica bem interessante quando a gente junta um pouquinho de cada um e fica uma música diferente.

Você almeja carreira internacional?

Ah, sim! Tenho uma vontade enorme de fazer carreira internacional. Até porque, para todo o artista, a música que ele escreve, para o compositor principalmente,  é a contribuição dele para o mundo. É a mensagem que ele está mandando. A carreira internacional permite que essa mensagem chegue a um número maior ainda de pessoas. Tanto que a maior realização de um músico é ter um número maior de gente se identificado com seus sucessos.

Você acha que seu trabalho vem sendo bem aceito pelo público?

Ah, eu estou tendo um feedback bem positivo da galera, até porque eu acho que tem muita música em inglês tocando no Brasil, músicas de artistas internacionais e até de uma galera que agora tá começando a escrever em inglês aqui no Brasil. Às vezes a pessoa pode não entender tudo o que estou falando, mas curte a sonoridade. E a galera que entende inglês está se identificando bem.
Como você concilia a carreira com seus estudos?

Tá dando pra conciliar, mas tá sendo meio loucura conseguir ter tempo pra tudo, até porque eu gosto de dar cem por cento em tudo o que eu faço. Ainda mais agora que eu estou na época de vestibular e ENEM. Às vezes fica até meio complicado de poder conciliar, mas eu tô dando um jeito, pois eu gosto muito do que eu faço.

Você pretende fazer vestibular para algo relacionado à música?

Sim, eu vou fazer vestibular para música. Quero fazer faculdade de música, é exatamente isso o que eu quero fazer. Eu estou prestando outros vestibulares só por fazer, mas eu quero mesmo me formar em música e com a autorização dos meus pais.

Seus pais sempre te deram força pra você seguir a carreira musical?

Sim!  A minha família me apoia cento por cento desde o início porque é algo que eu quero muito. Eu não tenho essa coisa de “ah, eu quero ficar famosa”, não. Eu gosto muito de trabalhar com música, estudar música e por isso eu tenho me dedicado muito. Eu tinha um trato com a minha mãe: se eu tivesse um contrato antes de terminar o colégio eu poderia fazer faculdade de música. Bem, então agora eu posso fazer minha faculdade.

Como foi a sensação de participar do Criança Esperança?

Era um quadro de novos talentos que estavam fazendo e chamaram a Maria Gadú para participar também. Fizeram uma homenagem ao Legião Urbana e tocaram algumas músicas. Mas foi incrível ter participado de um evento que tem um objetivo legal e foi uma delícia!

Quais são suas influências pra compor?

Internacional, gosto muito da Joss Stone, Maroon 5, One Republic, Shania Twain, Michael Bublé. Agora, da galera do Brasil, curto muito Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Ed Motta, Seu Jorge, Ivete.

O que toca no seu Ipod?

Geralmente eu escuto essas pessoas que falei anteriormente. As influências que eu tenho é o que eu mais tenho escutado. E tem Beatles, porque eu sou apaixonada também.

Seu clipe entrou no Acesso MTV. Depois disso, você sentiu a repercussão do seu trabalho?

Participar do Acesso MTV deu uma repercussão legal porque é um programa que  tem um público bem jovem e bem grande. Então, teve uma galera que veio falar comigo depois que eu participei que não conhecia o som. Foi muito legal participar.

O que você espera da sua carreira daqui pra frente?

Eu pretendo continuar trabalhando bastante, estudando música, compondo, tocando, fazendo muito shows e levando minha música pelo Brasil.

Autor de sucesso gravado por Ricky Martin e Claudia Leitte, Marcelo Mira forma trio de surf music com Armandinho

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Em evidência por conta da música “Samba”, gravada por Ricky Martin e Claudia Leitte, o carioca Marcelo Mira se uniu a Armandinho e Fredinho (da banda Macucos, de Vitória) para formarem um trio de surf music, intitulado de Praia Trio. O disco foi gravado no estúdio de Armandinho, na Praia Brava, Santa Catarina. São 15 músicas, sendo cinco de cada artista, mas recriadas pelo trio, que canta junto em todas as faixas. “Desenho de Deus”, música de Armandinho que ganhou projeção nacional, e “Divida”, da banda Alma D’Jem, liderada por Mira e que fez bastante sucesso entre os surfistas, estão no repertório. Nesse bate-papo exclusivo com o GarotaFM, Marcelo fala do espaço que ele ganhou após a gravação do ex-Menudo com a estrela baiana, dos tempos em liderava uma banda de reggae e dos encontros que têm pontuado sua carreira.

Quando você compôs “Samba”, esperava toda essa repercussão?

Quando a gente compõe uma música, deseja que ela vá o mais longe possível. Mas quando vi a dimensão que “Samba” tomou em alguns países nas vozes da Claudia Leitte e do Ricky Martin, confesso que surpreendeu minhas expectativas.

Ter uma música lançada por um astro internacional como Ricky pode abrir portas lá fora?

Com certeza. O mundo está de olho no Brasil e a música brasileira sempre foi um dos nossos maiores cartões de visita. Aos poucos, vamos fazendo contato com outros compositores e intérpretes estrangeiros e abrindo novos caminhos. O fato de ja ter tido músicas de minha autoria gravadas por Ricky Martin e também pelo rapper Ja Rule ajudam a dar credibilidade.

Fale um pouco sobre sua trajetória com a banda Alma D’Jem?

O Alma D’Jem nasceu em 1997, em Brasília, quando eu ainda morava lá. Sempre tive vontade de ter uma banda e achei que era o momento certo. Me identifiquei com o reggae naquela época e as canções começaram a nascer naturalmente, caindo no gosto da galera ligada ao surf no Brasil inteiro. Depois disso, fomos convidados pela EMI em 2002 a mudar pra São Paulo e lançamos mais dois discos. Em 2008, vimos que era hora de fechar o ciclo e cada um se dedicar a seus projetos pessoais.

Em que momento você percebeu que era a hora de partir para uma carreira solo?

Vi que o Alma D’jem tinha um respeito grande no mercado e havia conquistado muitos fãs. Só poderíamos continuar e gravar um próximo trabalho se estivéssemos totalmente comprometidos com a banda. Mas tínhamos alguns projetos pessoais que tinham que ser tocados naquela hora. Então decidimos finalizar a banda e nos dedicarmos ao que acreditávamos naquele momento. Pra mim, iniciar uma carreira solo foi uma boa oportunidade pra experimentar outros estilos. A MPB e o pop sempre fizeram parte da minha história.

Suas composições já foram gravadas por artistas de vários gêneros. Quais as músicas que você destaca, entre as que ficaram conhecidas através de outros vozes?

A primeira a ganhar grande destaque na mídia  foi a música “Fly/Meu Momento” gravada pela Wanessa com o rapper Ja Rule. Nesse disco da Wanessa, tem oito músicas minhas em co-autoria. Mas antes já tinha sido gravado num disco da banda  Falamansa (música “Teu Lugar”) e no DVD do Natiruts (“Iluminar”) com boa repercussão. Agora veio o “Samba”.

Agora você investe num novo projeto, de surf music. Fale um pouco sobre ele.

Fui convidado pelo Armandinho, cantor de reggae, e pelo Fred da banda Macucos, lá de Vitória do Espírito Santo, para fazermos um disco bem praiano com cinco composições de cada um e os três cantando todas as músicas. O projeto se chama Praia Trio. É um disco bem beira de praia, com bastante som de violão, percussão… Adoramos o resultado e tenho certeza que vai agradar as pessoas no verão.

O que achou da crítica de Luana Piovani (via Twitter) a respeito do clipe de Claudia Leitte e Ricky Martin?

Não concordei com as críticas. Achei o clipe de bom gosto. Ressaltaram elementos brasileiros tradicionais das escolas de samba como o mestre-sala e a porta-bandeira, sem perder a modernidade que a produção do DJ Deeplick oferece. Acho que temos que dar todo apoio para que cada vez mais artistas brasileiros ganhem espaço e levem nossa música pro mundo inteiro. Isso fortalece o mercado musical. Outra coisa que não concordo é essa polarização do público entre Claudia Leitte e Ivete Sangalo. Quanto mais artistas brasileiros em destaque tivermos, melhor. Nos Estados Unidos, cantoras como Beyoncé, Rihanna e Lady Gaga, por exemplo, coexistem e interagem naturalmente. Cantei com a Gaby Amarantos, essa nova grande estrela da música, lá em Belém, e fui recebido pelo público dela de braços abertos. Foi incrível.

A parceria com esses artistas pode render novos projetos?

Espero que a música ganhe cada vez mais espaço e abra novas portas não só pro Marcelo Mira compositor, mas também pro Marcelo Mira cantor.

DVD e show no Rock in Rio fazem Rodrigo Santos comemorar a vitória da (velha) nova fase

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Dono de uma carreira solo muito bem-sucedida, Rodrigo Santos lançou três CDs e, agora, chega ao seu primeiro DVD. “Rodrigo Santos – Ao Vivo em Ipanema” tem participações de grandes nomes da música brasileira, como Frejat, Pepeu Gomes, Ney Matgrosso e outros. O show do seu projeto Kombi Elétrica e o clipe com a participação de Chris Pitman (tecladista do Guns’n’ Roses) cantando “Holidays In The Sun”, do Sex Pistols, também estão no novo trabalho do ex-baixista do Barão Vermelho.

Baixista, violonista, cantor, compositor e produtor musical que já tem uma extensa jornada na música e já tocou com grandes nomes como Lobão, Léo Jaime, Kid Abelha, Rodrigo bateu um papo com o GarotaFM e falou sobre o Rock in Rio este ano, momentos marcantes da sua vida e o show de lançamento, que acontece nesta sexta-feira (18/11), no Teatro Ipanema, no Rio (com convidados).

Fale um pouco sobre a ideia de fazer esse DVD e seu processo de produção.

Eu vinha de dois discos autorais e muitos shows e, quando fui marcar o show de lançamento de “Waiting On A Friend” no Teatro Ipanema, me ocorreu de gravar um DVD para registro. Um local tão bacana e diferente… Aí me deu o estalo de gravar um DVD geral do que vinha acontecendo na carreira solo, com as músicas dos três CDs. Valorizei as autorais e algumas de “Waiting”, onde acho que interpreto melhor. Foi um registro da minha imagem em alta qualidade, com 6 câmeras e dirigido lindamente pelo grande João Elias Jr e seu sócio, Luiz Paulo Assumpção. Eles me descobriram num show acustico (voz e violão) no Città América, um mês antes da gravação em Ipanema, ou seja, eu tinha marcado o evento, mas não tinha as câmeras ainda… (risos). Numa carona de volta para casa, ao ser perguntado por Luiz Paulo sobre quem filmaria, eu respondi: “Ninguém ainda.” Ali começou nossa parceria, que no caso do João Elias ainda se desdobrou para o programa Roda de Rock, onde serei apresentador junto com a Erika Martins. Em relação à produção, ficou praticamente tudo nas minhas costas e acabei fazendo a direção geral do DVD. Marcação de ensaios, roteiro, clima de show, escolha dos convidados, direção geral da passagem de som,  figurino, fotógrafos, making of, captação de patrocínio, venda de ingressos antecipada (na minha casa), textos para redes sociais, painéis para entrada do teatro com as marcas de patrocínio, arte das filipetas e banners. Arrumei praticamente tudo para o show do teatro e ainda me veio a ideia de registrar o show da Kombi um mês depois, pois essa historia tinha muito a ver comigo também. Sempre gostei de tocar em luaus, ar livre, na rua e inventar novas soluções de shows. Como estava muito falada a Kombi, resolvi gravar o DVD em duas partes e incluí-la também. O show do Teatro seria mais focado no repertorio dos CDs,  comigo no violão, voz (em quinteto, com Humberto Barros e Jorge Valladão) e o show da Kombi seria baseado no meu power trio Rodrigo Santos & Os Lenhadores, que inclui Fernando Magalhães (Barão) e Kadu Menezes (ex- Kid Abelha), que também participaram no teatro. Esse trio tem rodado o Brasil todo em mais de 20 shows por mês… Não poderia deixar de fora essa realidade. Nessa fase Kombi, eu cantei e toquei baixo e o repertório foi mais festa contando a minha história como baixista no Brock. Para a realização dessa etapa, contei com a ajuda de um amigo (Bernardo Egas) que conseguiu a liberação do espaço no WQS do Arpoador, final do campeonato de surf, dia 10/10/10. Lucio Maia e Jorge Valbuena me ajudaram nos eventos também. Em ambos o público marcou presença e compareceu em grande número, me deixando realmente muito feliz. Escolhi o Fausto Prochet para mixar o DVD inteiro (ele captou também). Belíssimo trabalho. Foi uma ralação sem precedentes a captação de tudo isso (contando com ajuda de São Pedro) e ainda da parte com Chris Pitman, no estúdio Jam House. O cenário da Latoog também foi muito belo, no teatro, assim como o PA, feito pelo Eduardo Zero (Dico).

Você recebeu vários amigos e parceiros nesse show. Fale um pouco sobre essas participações.

As participações foram escolhidas seguindo três critérios: quem já havia participado de algum dos meus CDs solo; quem foi importante na minha história como músico; e quem fez parte da minha formação musical na adolescência. Segui o mesmo critério na escolha do repertório, portanto, foi um DVD dos mais completos que já participei. Em alguns dos casos, a escolha acaba coincidindo em dois critérios. Por exemplo, o Ney Matogrosso foi influência em minha formação musical e cantou no meu segundo CD, portanto, cantamos uma música dele (dos Secos & Molhados) e outra minha, a do CD. O Frejat, nem preciso dizer o porquê, mas o mais interessante e não óbvio foi que não cantamos músicas do Barão, apesar dele ser super importante nessa minha parte da história, e sim que para esse momento era mais verdadeiro e importante que fizéssemos as duas músicas em que ele participou nos meus solos, aliás todas títulos de dois dos meus CDs, “Um Pouco Mais de Calma” e “Waiting On A Friend”. Isabella Taviani cantou comigo no terceiro CD e repetimos a canção, pois ao mesmo tempo em que eu gravava um DVD no Teatro Ipanema, também lançava “Waiting On A Friend”. Leoni participou do meu primeiro CD e no segundo fizemos a parceria que deu nome ao disco, “O Diario do Homem Invisível”. Foi essa que entrou no DVD e pela primeira vez juntos, pois no segundo CD cantei-a com Autoramas. Os Miquinhos entraram em dois quesitos, tanto fizeram parte da minha história como baixista, como participaram de meu segundo disco. Além disso toquei com eles em 1985 no Teatro Ipanema. Mesmo caso do Leo Jaime, afinal toquei  com Leo anos e também no Teatro, em 86. Toquei com a Blitz e Evandro solo em 2002, numa excursão de um ano. Pepeu foi minha grande influência, pois aprendi a tocar baixo escutando os LPs dele e tirando os baixos e riffs do Didi Gomes. Alguns grandes músicos entraram também, caso de Milton Guedes e Rogerio Meanda (Blitz e ex-Cazuza), muito pela grandeza de sua arte, um com sax e gaita, outro com a super guitarra. A distribuição de todos entre Teatro e Kombi obedeceu a alguns critérios meus, mas todos poderiam estar em qualquer dos eventos e até nos dois, caso dos Miquinhos, companheiros meus de surfe na decada e 80. Afinal, a Kombi foi dentro do WQS do surfe. Tudo a ver com Evandro (surfista do Arpex que se sentiu em casa) e Pepeu (nesse ultimo caso, mais pela Kombi Elétrica, que é uma mini extensão do trio elétrico). Leo Jaime poderia estar também no teatro, onde tocamos juntos em 86, assim como Frejat poderia estar na Kombi conosco. O Ney tem tudo a ver com teatro, luz, cenário, mas também ficaria sensacional na Kombi, pois ele é sensacional (e rock’n’roll) em qualquer lugar. Isabella também é rock! Kombi, teatro, tanto faz o que interessava era a escolha afetiva e emocional também, além da profissional. Acredito que funciono muito melhor quando as pessoas que estão ao meu lado têm afinidade emocional comigo. Tudo isso foi colocado em questão e também ficaram faltando Zélia, Moska e Lobão, mas quem sabe numa próxima. Sobre Chris Pitman, foi pura afinidade musical e emocional também. Ficamos amigos rápido e ele cantou em dois shows meus antes de eu convidá-lo a participar. Um grande cara! Todos ali foram escolhidos a dedo. Só gente da melhor qualidade.

Você tocou no Rock In Rio, e seu show foi super bem recebido. Conte essa experiência.

É verdade… Estávamos super a vontade e a fim de mostrar serviço. Já tinha participado em 91 com Lobão e em 2001 com o Barão. Em carreira solo foi diferente, como começar do zero! Sabia que faríamos um bom show, pois estamos azeitados na estrada, com 20 shows por mês, eu, Kadu Menezes e Fernando Magalhães, mas superou muito nossas expectativas, por melhores que fossem. Acho que entramos muito concentrados para ganhar o jogo, uma vez que éramos para o publico passante, ilustres desconhecidos. Mas escolhi um show para festival e deu certo. Acabou sendo o recorde de publico da Rock Street, deviam ter umas 10.000 pessoas e quem estava indo ver Ivete, parou e ficou lá com a gente. Foram três bis e gritos da galera de “palco mundo” . Super emocionante. Eu entrei muito feliz por estar ali, nada nervoso e sim curtindo cada momento. Para mim até passou rápido, mas foi quase uma hora e meia de show. Foi sem dúvida o show mais marcante da minha carreira solo e talvez da minha vida. Tinha um misto de garra e urgência, tipo: “Ó, estamos na área!!!”.

Fale sobre a turnê do novo trabalho.

Bom, como toda turnê que faço, terá um pouco de tudo, só que dessa vez mais músicas autorais nos locais que permitir cenário, luz, etc. Como já venho de muitos shows e estou com agenda fechada ate março de 2012, quando volta o Barão, vou me divertir e ao mesmo tempo cair dentro da divulgação desse DVD, o produto da minha vida. Foi feito com muita raça, carinho, perseverança e planejamento. Vou pra estrada e o levo debaixo do braço. Já tenho shows marcados em todos os estados, mas o lançamento oficial (apesar de eu já ter feito noite de autógrafos na Argumento e pré-lançamento no Rock in Rio ,inclusive vendendo na loja do festival) será dia 18 no Teatro Ipanema e talvez uma Kombi em janeiro.

Você está em algum projeto como baixista neste momento? Como tem conseguido conciliar com sua carreira solo?

Não, o único projeto como baixista é também como apresentador de um programa de TV (também como cantor), chamado “Roda de Rock” e os discos em que venho produzindo, caso da Marilia Bessy e Mauro Santa Cecília, onde também toco baixo. Nos meus shows sou o baixista e cantor, mas não toco como baixista de outros artistas ha tempos. Alias exceção a Mart’nália, no show em que fui diretor musical no Vivo Rio (Saúde Criança). Além de fazer meu show, toquei cinco sambas com ela, como músico. De resto não tem dado tempo ou folga na agenda para isso. Conciliarei em 2012 todos os projetos que vim cavando ao longo desses cinco anos, mas a prioridade será o Barão, a partir de março. Fecho um ciclo com esse DVD (4 discos) e abrirei outro em 2013.

Como e quando surgiu a idéia de tocar uma carreira solo?

Quando foi anunciada a segunda parada do Barão, num ensaio para a volta aos palcos em 2004. Frejat comentou no estúdio, que haveria uma nova parada em 2007 (sem previsão de volta). Ali decidi que ia me preparar para uma carreira solo e o primeiro passo foi dado em 2005, quando parei com álcool de drogas.

Qual o show mais marcante que você já fez na vida?

Esse do Rock in Rio 2011,  sem dúvida, pelo caráter emocional e pelo simbolismo de uma grande vitória na nova fase, a prova de que se trabalhando dignamente e com foco, as coisas acontecem, sem pressa de ser feliz. Tudo tem seu tempo. Ali, meu filho mais velho, Leo, me viu tocando no Rock in Rio!!! Pude estar com ele junto! Sempre pensei que com a parada do Barão, meus filhos não me veriam mais num momento tão importante, de orgulho… Antes, em 2005, com álcool e drogas, isso era inimaginável. Muita coisa mudou internamente e vendo meu filho e minha mulher ali, num dia tão importante, de uma carreira suada, no braço, não tem preço. Está eternizado no meu emocional e não apenas no profissional… Foi bem diferente e novo para nós. E garanto que Kadu e Fernando também tiveram esse sabor de… Vencemos!!!

Qual a experiência que mais marcou sua vida até hoje?

A de ter filhos e a de parar com álcool e droga, principalmente num meio tão careta, que é mais preconceituoso com quem não bebe ou usa drogas, do que ao contrário. O conceito de caretice está invertido, pois liberdade é transgressão e prisão (no caso emocional e interno do uso de drogas pesadas) é caretice. A vida é feita de escolhas e a liberdade de ser quem você é não tem preço. Mas muitas pessoas andaram esquecendo que já fui louco (no bom e mau sentido), um dos mais divertidos e loucos músicos do Rock, mas isso teve um preço e hoje me sinto muito feliz, há seis anos e meio sem usar nada. Isso para mim é liberdade e liberdade é sinônimo de não caretice… Se é que me entende. Precisar de um prato, um canudo, uma carreira para poder fazer as coisas, é uma prisão caretérrima e doentia. Saí dela… E junto abandonei o álcool também. Quando fui chamado para a campanha “Rock in Rio vou sem drogas.”, senti que os doidões de plantão estavam mais preocupados em pichar a campanha do que com o real teor dela, isso é preconceituoso, é defeituoso, é careta, é ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Mas eu relevo e perdôo, pois já fui assim também. Portanto mais respeito com quem viveu os dois lados da moeda. E o trabalho e meu astral e bom relacionamento com todo mundo falou mais alto. Cito esses momentos, filhos porque são o motivo real de se viver, de dar continuidade, com responsabilidade de estar junto, atento, amigo, parceiro, pai, vilão e mocinho, mas inteiro… Com a droga junto isso não é possível, e olha que não tem nada de religioso o que estou falando e sim de amor pela família, de entrega e dedicação. A droga tira isso das pessoas, isso é careta! Cuidar dos filhos é liberdade e quem acha que se drogando violentamente está cuidando de alguém, se ilude, é mentira. Portanto esses dois momentos estão intimamente ligados ao mais importante, pois se eu não tivesse inteiro e pleno, não poderia cuidar da minha família como cuido hoje em dia… E de mim também. Ao parar com álcool e drogas, tomei uma decisão que influenciou em todos os setores da minha vida e hoje em dia convivo inclusive com a malucada numa boa! Rs

 

Lançando novo trabalho, Djangos diz que ska e reggae estão o DNA da banda

sábado, 12 de novembro de 2011

A banda carioca Djangos lança seu novo trabalho “Mundodifusão” com mais mistura de sons e participações pra lá de especiais de Amora Pêra, João Xavi, Lazão, Marcelo Yuka e Jomar Schrank. Com Marco Homobono (voz / guitarra), Carlyle Diniz (baixo / voz) e Jj Aquino (bateria / voz), a banda vai fazer turnê por alguns estados brasileiros e, apesar de terem acrescentando mais ritmos ao seu trabalho, continua com suas raízes no ska e no reggae, que estão o “DNA da banda”, como disse o baterista João Aquino em entrevista ao GarotaFM.

Fale um pouco sobre o CD “Mundodifusão”. Quais são as maiores influências?

Passamos por um período de mudança  de som. A gente estava procurando uma nova sonoridade sem deixar as influências que a gente sempre teve do ska e do reggae. Então, independente do que nós iríamos fazer, isso seria uma base da nossa influência e nisso a gente estava escutando um monte de coisa, uma série de sons que tinham outros elementos de reggae, coisas que nós estávamos pensando em fazer, pegamos músicas do Oriente da índia, coisas dessa influência que a gente trouxe pro nosso som. Esse é nosso segundo disco e no meio nós lançamos algumas coisas, lançamos algumas demos, participamos do “Sepultura inédito”, nós ficamos nesse hiato fazendo essas coisas. Fizemos antes também um clipe brinde aos Paralamas, e fizemos também “Dos Margaritas”, tipo um videoclipe.

Fale um pouco sobre as participações especiais nesse disco.

Nós tivemos o João Xavi, um rapper de Volta Redonda com quem já tínhamos trocado ideia e a gente achou legal que ele participasse do disco até pelas afinidades musicais que nós tínhamos. Tem a Amora Pêra, que é filha do Gonzaguinha… Eu já tinha visto o show dela com as Chicas e gostei muito do trabalho dela. O Yuka é o produtor do disco e teve essa sacação de chamar a Amora para cantar a música “Comportamento Geral”, que a gente escolheu pra entrar no repertório. E acabou caindo como uma luva, pois a interpretação dela foi linda. Todo mundo no estúdio se emocionou muito com a participação dela e até hoje a gente escuta e pensa: “Caramba! É uma música forte.” Teve o Lazão, do Cidade Negra, participando em “Imigrante Ilegal”, que a gente sempre pensou enquanto estávamos fazendo a música: “Pô, cara, parece que cai como uma luva o Lazão cantando essa parte.” Fora as pessoas que estavam envolvidas na gravação do CD, o Marcelo Yuka que é o produtor e participou de uma demo atrás, ele já estava trabalhando com a gente nesse disco a um bom tempo e ele participou tocando algumas coisas também, além de participar dos vocais. Teve o Jomar Schrank tocando vários instrumentos também que estava junto com a gente lá participando das gravações e ele levou várias coisas de guitarra e teclado. Enfim, essas são as participações que deram o recheio do bolo do CD.

E em relação ao primeiro disco, o que você acha que tem de diferente em “Mundodifusão”?

Acho que todo mundo sempre falou da nossa mistura de som, mas esse disco é bem mais mistura, porque o primeiro estava muito focado no ska, que ainda é nossa influência. Nesse, tem ska e reggae também. Acho que é nosso DNA, mas tem muito mais mistura. Acho que essa é a grande diferença. Tivemos mais cuidado com as letras também e com qual música ia encaixar dentro desse repertório. Foi um hiato bem grande de um disco para o outro e a gente compôs muita música mesmo.

O processou de gravação levou um ano um ano e meio?

Gravamos durante mais ou menos um ano. Depois a gente mixou e, nesse meio tempo, fizemos uma coisa importantíssima, que foi a capa do disco. Raul Mourão e Quito fizeram a capa do disco e o legal foi que eles pegaram a concepção, escutaram… Isso foi bacana! Aí masterizamos… Vamos colocar dois anos aí, né? Porque foi um processo bem nosso mesmo, a gente arregaçou as mangas e foi um processo um pouco lento, mas, agora está tudo muito mais rápido pra gente depois que o CD sai é outra etapa.

Fala um pouco sobre a historia da banda? Como vocês se conheceram?

Foi um lance meio casual, nós éramos moleques saindo do colégio e eu conheci um amigo que conhecia outro em comum e acabou a gente se encontrando e formamos a banda. Aí, teve o processo e acabou. Depois voltamos a nos encontrar,  eu e o Gilmar,  numa formação diferente e começou a dar o pontapé inicial. Aí, mais tarde, saiu o baixista, até chegar a essa formação que é agora com Lyle Diniz no baixo e aí, nós começamos a fazer um demo. Na verdade foi uma junção de coisas. O Lyle é o meu primo, a gente já se conhecia por parte de família mesmo e ele tocava baixo numa outra banda e acabou a banda dele. E nessas coisas que acontecem com as bandas, todo mundo se encontra, todo mundo toca com todo mundo. Aí, acabou a gente fechando nesse formato, esse trio. Mas, começou meio coisa de colégio, mais ou menos aí uma coisa familiar e colegial.

MC Marcinho dribla as agruras da vida e revoluciona o funk ao gravar DVD com banda

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Com Christina Fuscaldo

Marcinho já foi famoso, mas viu sua carreira ter uma baixa quando o funk erotizado passou a dominar os bailes e as pistas de dança do Rio de Janeiro. O MC não desistiu. Fez muitas viagens de ônibus para estúdios de gravação, estúdios de DJs e empresários. Chegou a trabalhar no setor administrativo de um hospital. Quando estava no auge da carreira, depois de explodir com “Glamurosa”, aí foi sua vida que teve uma baixa. Em um acidente de carro, Marcinho quase morreu. Em 2008, dois anos depois, largou as muletas e revolucionou o funk gravando, acompanhado de uma banda, o DVD “MC Marcinho – Tudo é Festa”. O trabalho chega às lojas agora, depois de mais um capítulo sobre as dificuldades da vida: desta vez, dizia respeito a liberação de fonogramas. Depois disso tudo, Marcinho sorri e confessa que vive talvez a melhor fase de sua vida. Mais voltado para sua religião, quando não está no palco, o funkeiro do bem se dedica à família. Confira a entrevista que Marcinho deu ao GarotaFM:

Como surgiu a vontade de gravar esse que é o seu primeiro DVD?

Esse DVD foi uma ideia da Lidiane Madureira, nossa produtora musical. Ela sempre teve essa vontade de colocar músicos para me acompanhar, para tocar comigo. Ela achava que dava para fazer essa junção de funk com músicos tocando. Só que eu tinha medo de fugir muito da essência do funk. Ela continuou amadurecendo a ideia, mas eu estava debilitado, tinha voltado do acidente e estava fazendo show de cadeira de rodas ainda. Aí ela falou: “Cara, vamos lançar um DVD! A hora é agora! Agora que você já consegue se levantar e está conseguindo se libertar um pouco das muletas.”E eu falei: “Vambora”.

Daí começamos a agitar o DVD e ela disse: “Vamos colocar um violão aí.” Colocamos o violão. Depois ela falou: “Dá para colocar um sax!” Aí colocamos o saxofone, o teclado e uma percussãozinha, que ela disse que ficaria legal também. Quando vi, a galera já estava toda formada e a gente conseguiu fazer essa junção do DJ com o tambor e a banda acompanhando atrás, colocando só aquilo que justamente o DJ fazia no estúdio. Para gravar esse DVD ao vivo, foi uma emoção tremenda. Quando eu vi aquele monte de gente… eu tinha vindo de um acidente eu não imaginava que as pessoas tinham um carinho tão grande assim por mim. O Circo Voador lotado, todo mundo cantando minhas músicas… foi um momento mágico pra mim, que estava pra baixo. Foi o que me deu aquela injeção de ânimo pra eu poder continuar, porque eu vi que muita gente gostava de mim e o DVD ficou maravilhoso!

E por que levantou tanto tempo pra sair o DVD?

Tivemos problemas com edição, liberação de músicas. Algumas mais antigas tinham sido editadas em editoras que não queriam liberar as músicas para sair no DVD. Aí, começou toda a nossa luta e eu agradeço muito à EMI. O DVD foi gravado em 2008. A gente deu a proposta para a EMI em 2009, mostramos o DVD e eles ficaram encantados com o trabalho e resolveram lançar. Só que tivemos problemas com as liberações. Mas em momento algum a EMI desistiu. Eu é que já achava que nem ia sair mais… Já ia completar três anos que gravamos e, com muito custo, conseguimos.

O povo tinha esse preconceito de falar que a EMI não era funkeira. Eu disse: “Gente, não se trata disso, estamos falando da minha carreira, do meu DVD, da minha vida. Vocês estão pensando em vocês e estão esquecendo de mim.” Eles começaram a refletir e acabaram liberando. Aí, depois de três anos, graças a Deus, o DVD saiu. As pessoas já estavam me perguntando: “Cadê o DVD?”.

Você já tinha algum disco lançado por gravadora multinacional?

Não, por uma multinacional não. Eu tive pela MIC, que é a gravadora do Marlboro, e pela Furacão 2000 Records, mas por uma multinacional é a primeira vez.

Você quase colocou uma barreira na história da banda. Agora que se apaixonou, vai carregá-la com você?

Agora eu não consigo mais largar minha banda (risos).

Você toca algum instrumento?

Não, eu só arranho um pouquinho de violão. Eu tenho que aprender a tocar!

E a turma do funk aceitou essa história da banda?

Na verdade, meu medo era esse. Só que aconteceu o contrário: as pessoas aderiram bem isso porque a gente não tirou a essência do funk, a gente só musicalizou o funk. A gente não tirou a batida do tambor nem aquela coisa do “funkão”, não. A galera achou muito legal e, hoje em dia, faço show com a banda mesmo se tiver que reduzi-la. Nesses casos, baixo e violão estão sempre comigo, pra poder dar uma musicalidade na parada. Eu me amarro. Se todo mundo fizesse isso, ia ser muito bom pro funk. Hoje em dia, o Sapão faz a mesma coisa e o Léozinho, também. As pessoas estão tentando fazer com que o funk tenha uma imagem melhor porque a galera vê o funk como fim de festa, todo mundo já doidão. Mas a gente tem que ver também que o funk tem música, tem uma letra e que é legal de se curtir, não é só vulgaridade e baixaria.

E as participações?

As participações foram uma benção. Sandra de Sá foi minha adolescência todinha… Eu cresci ouvindo Sandra de Sá. Foi um sonho realizado gravar “Tem Que Acreditar” com ela! Flávia Santana cantando comigo em “Quer Casar Comigo, Amor?” também foi um presente maravilhoso, porque eu já era fã quando ela cantava com o Belo e, quando surgiu o convite, ela aceitou. Mirian Martin também veio gravar comigo “Olha Pra Mim”. E o restante são meus amigos, sem palavras… Sapão é fora de sério, cantou “Hino Funkeiro” comigo. Ele chega num lugar e ilumina o ambiente, faz todo mundo rir. Mc Bob Rum, cantamos juntos em “Zona Oeste 2”, é parceria que já faz mais de dez anos. E foi só felicidade poder gravar com a minha filha o clipe “Pra Ver Se Cola”. Eu paro e penso: “Eu poderia ter morrido naquele acidente, mas Deus me deu outra oportunidade de estar vivo e de poder compartilhar com minha filha uma música, de ver ela crescendo, de ver meus filhos participando do clipe. Só tenho a agradecer a Deus”.

Você já era evangélico antes do acidente?

Sempre fui evangélico, mas eu era um evangélico que acreditava em Deus, mas não ia muito a igreja. Minha mãe sempre foi evangélica, sempre falou de Deus para mim e sobre o caminho que eu deveria seguir. E tem pessoas que são fanáticas, mas eu não prego a religião, eu prego Jesus Cristo. Deus que me tirou daquele acidente.

Você pretende lançar um CD Gospel e deixar o funk?

No momento eu não pretendo fazer isso. No dia em que eu for gravar um CD Gospel, tenho que largar o funk e me dedicar somente à musica gospel, porque as duas coisas acabam confundindo a cabeça das pessoas. Podem falar: “Esse cara aí canta gospel ou música secular?”. Esse clipe que eu fiz de “Deus É Fiel” é um agradecimento a Deus, pode ver que a letra fala das coisas que eu vivi. Eu mentia, eu ficava bêbado, fazia coisas terríveis e hoje não faço mais isso. Eu falo que Deus me mudou. Então, aquilo foi mais que um agradecimento. Mas o pensamento de gravar um CD gospel, no momento, não tenho. Eu deixo Deus trabalhar. Se for da vontade dele eu gravar um CD gospel, pode ter certeza de que vou gravar. Mas aí não vou mais estar cantando musica secular.

Mas será que não dá para misturar e fazer um som gospel?

Você pode até fazer um funk gospel, mas eu não posso estar no mundo secular. As duas coisas não batem. Música secular é música do povão que não fala do evangelho.

Mas essa questão não está mais na letra? O ritmo não pode ser qualquer um?

O ritmo pode ser qualquer um, o problema é a postura que você vai ter. Eu posso até fazer um funk Gospel, mas não posso fazer um show metade funk gospel e metade dedicado a músicas como “Glamurosa”.

As pessoas já sugeriram que parasse de cantar funk?

Muita gente fala, mas minha parada não é com homem, é com Deus. A hora em que Deus me mostrar que tenho que parar, eu vou parar. Não vou parar por pressão de um ou de outro. Vou continuar indo para a Igreja, porque não tô indo lá para buscar o homem. Vou para buscar Deus.

O que você tem escutado ultimamente?

Tenho escutado muita música gospel. Aline Barros, Fernanda Brum… Quando não é isso, escuto Roberto Carlos, Beyoncé… Sou um cara que escuta de tudo. Sou bem eclético.

‘Casinha Branca’ é uma música muito antiga. Por que escolheu essa para regravar em seu DVD?

Foi uma música que marcou minha vida na época em que eu era criança. Coisas do passado… Quando a gravei, fiquei muito feliz porque foi mais um sonho realizado. Tem axé também. Tem “Dinagô”, da Banda Mel. Ficou muito maneiro também!

Quando entrou a fase do funk erotizado, você achou que perdeu espaço? O que fez para reverter essa situação?

Olha, eu passei um bocado… Meu empresário disse: “Tá difícil de fazer show. Se você não fizer alguma parada, vai ficar difícil.” Eu falei: “Nada pessoal, nada contra, cada um com seu cada um. Cada um cante como quiser e responda pelos seus atos. Mas, se for para eu cantar essas paradas, prefiro parar.” Não sei cantar isso. Não tem a ver com minha índole, minha essência. Começamos a bater de frente e ele saiu fora. Aí eu falei: “O que eu vou fazer da minha vida agora?”

E o que você fez?

Sozinho, fui a estúdios pedir para os DJs tocarem “Glamurosa”. Ninguém queria tocar. Fiz um CD independente e comecei a distribuir fora do Rio de Janeiro. Conheci o Elton Madureira, que virou meu empresário, e ele falou: “Vamos expandir essa parada.” Comecei a receber convite e a viajar fazendo show. A galera daqui ia tocar fora do Rio, via que o pessoal pedia “Favela” e “Glamurosa”, e aí começaram a abrir os olhos pra isso. Os DJs hoje em dia me respeitam porque consegui sobreviver sem eles. Nenhum pode dizer que foi por causa dele que voltei às paradas. Logo depois, Furacão 2000 lançou “Marcinho 10 anos” no ano de 2000 e foi um sucesso. A partir daí a elite me abraçou tremendamente.

A Furacão tem seus artistas, Marlboro tem os dele… Você nunca ficou atrelado a um grupo?

Não, nunca fiquei preso a ninguém. Sempre achei que você tem que fazer aquilo que gosta, tem que estar bem no ambiente em que trabalha. Por isso nunca quis ter uma dupla. Se errar ou se eu acertar, fui eu que fiz isso e não tenho que culpar ninguém. Não tenho vínculo com ninguém nem inimizade com ninguém. Se a Furacão me ligar, eu vou. Se o Marlboro me ligar, eu vou também.

Previsto para 2012, disco de Gaby Amarantos terá composições próprias e de Thalma de Freitas, além da participação de Fernanda Takai

domingo, 6 de novembro de 2011

No ano passado, logo que ficou conhecida em todo o Brasil como a Beyoncé do Pará, Gaby Amarantos bateu um papo exclusivo com o GarotaFM. Quando fizemos a pergunta: “Você é compositora. Qual é a diferença, para você, entre fazer uma música própria e uma versão?”, a estrela do tecnobrega, ritmo que domina a região amazônica e faz a festa nas aparelhagens de Belém, vibrou: “Adoro essa pergunta pois é minha chance de dizer para as pessoas: eu sou compositora. Já fui premiada e tenho músicas gravadas por outros artistas, mas sempre fiz versão por gostar da brincadeira, principalmente a pedido dos fãs . Inclusive a Som Livre lançou um DVD que apresenta pro Brasil a cena tecnobrega, no qual canto uma de  minhas composições, Eu vou pro Vetron,  fora jingles e musicas para aparelhagens sonoras e grupos folclóricos. Compus samba enredo, galope, musica gospel, várias paródias, canções para campanhas de conscientização social, trilhas para filmes, desenhos animados, músicas infantis e fora as que eu esqueço.”

Pelas contas de Gaby, já são mais de 300! Para sua estreia em disco solo, marcada para o início de 2012, ela reservou quatro, entre elas “Faz um T”, já um clássico do tecnobrega, que Gaby canta em seus shows desde os tempos da banda TecnoShow. Com produção de Carlos Eduardo Miranda, que assina discos de mundo livre s/a e Raimundos, o CD tem como carro-chefe Xirley (Assista ao clipe) , do pernambucano Zé Cafofinho, que ganhou um clipe inspirado, dirigido pela cineasta Priscila Brasil. Desde que foi lançado, há cerca de um mês, o vídeo recebeu críticas elogiosas de Hermano Vianna, em sua coluna de O Globo (considerando-o um dos melhores de todos os tempos), e de Nelson Motta, no Jornal da Globo. Foi essa mesma música que ela cantou no encerramento do VMB, da MTV, este ano, com um look de LED, assinado pelo estilista-revelação Guilherme Rodrigues.

Mas a música que conta a saga de Xirley Xarque, que faz de tudo para fazer sucesso, é só um aperitivo do disco, que traz canções de Thalma de Freitas, Iara Rennó, o saudoso Alípio Martins, o novato Felipe Cordeiro e, ainda, dona Onete, lenda viva da música paraense. A nortista (nasceu no Amapá, embora muita gente pense que é mineira) Fernanda Takai participa na faixa “Sal e Pimenta”.

“Sempre admirei a Fernanda e o Pato Fu. No início de 2011, ela, eu e também Zelia Duncan, Mart’nália e a diva Elba Ramalho fomos convidadas para cantar na posse da presidente Dilma Roussef. Foi um momento importante para todas nós. E a Fernanda foi uma querida, disse que conhecia a música de Belém e, aí, vi que não tinha pessoa mais acertada para cantar comigo”.

Antes do lançamento do disco, a cantora vai aparecer na telinha da Globo em dois programas: o Som Brasil em homenagem a Zezé di Camargo (recriando à sua maneira “Tapa na Cara”, “Indiferença” e “Coração Tá em Pedaços”) e o especial de ano novo do Domingão do Faustão, primeiro programa nacional de que participou, nos idos de 2003. “Faustão prestou atenção à nossa música desde o início. Já tenho uma história no programa e fico muito comovida com o espaço que ele me dá”, comenta.

Para 2012, Gaby promete um supershow com as músicas do disco, recriações e até números inusitados, como Águas de Março, cuja versão em tecnobrega faz sucesso na Europa. A direção será de Cleodon Coelho e a produção, de Marcel Arede. Na direção musical, estará Felix Robato, um dos grandes nomes da nova música paraense. “Em todas as cidades em que eu cantar, vou chamar uma voz local para me acompanhar. Adoro esses encontros”.

Aclamada por nomes que vão da paulista Tiê e o carioca Marcelo Mira ao pernambucano Almir Rouche (com quem cantou no Galo da Madrugada esse ano), Gaby nunca se sentirá sozinha.

Coletiva virtual de Marisa Monte teve como foco os pontos de vista da cantora… mais do que o lançamento de seu novo disco

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Na coletiva de imprensa online que ofereceu na manhã desta quinta-feira (03/11), Marisa Monte começou falando sobre a…. coletiva de imprensa online que ofereceu na manhã desta quinta. Novidade que ela nunca havia experimentado, o encontro com os jornalistas na internet foi negociado assim para que todos tivessem a mesma oportunidade, desde a repórter de Portugal até o de Curitiba.  Durante uma hora, a cantora respondeu a muitas perguntas para cerca de 55 pessoas sobre seu novo disco, “O Que Você Quer Saber de Verdade”, e muito mais.

“É legal dar oportunidades iguais a todo mundo. Eu sonhava com isso. Há 15 anos, eu fazia turnê de divulgação em todos os países para falar. A internet dá a possibilidade de falar com todo mundo. É uma experiência nova que abre possibilidades novas. Espero que a imprensa possa viver esse novo momento comigo. É uma mudança para todo mundo. Tem a questão do ritmo da imprensa. Todo mundo tem que sair (dar a notícia) no mesmo dia. Uma maneira democrática de atender a todos era dar essa condição através do site. Daqui a pouco vou falar com um por um. Mais pra frente vamos ter outros encontros”, declarou Marisa, deixando em aberta a possibilidade de dar outras entrevistas.

Perguntas sobre o disco demoraram a aparecer. Antes, jornalistas quiseram saber sobre pontos de vista de Marisa Monte. Primeiro, foi desmitificada a ideia de que Marisa Monte não lança(ria ou rá) mais disco:

“Você lançar um grupo de canções juntas de tempos em tempos tinha sido determinado pelo LP e, depois, o CD. O 78 rotações, as pessoas lançavam de dois em dois. (Numa entrevista no site…) Eu falava que o formato estava em transformação. A constatação é de que cada um escuta à sua maneira. Se criaram muitas maneiras de ouvir música. Eu falei que poderia lançar de dois em dois discos, três em três. Mas nunca disse que não ia lançar disco.”

Sobre formato, ela continuou falando um pouco depois, junto com sua resposta sobre como escuta música hoje em dia. E, como sempre faz, defendeu o conceito de “álbum”.

“Eu raramente escuto música no shuffle. Gosto de ouvir álbum. Sempre escuto o álbum inteiro. É engraçado. Raramente escuto no mp3 player. Escuto mais no computador. Não me adaptei tanto a administrar aquele arquivo no celular ou no iPod. No carro, no meu som  nem liga iPod. Escuto rádio ou CD. Outro dia, cheguei em casa e tinha uns amigos. Cheguei com o CD Player e uns CDzinhos e eu senti um clima de ‘Ai que amor, ela toca CD’. Parecia que eu estava chegando com uma vitrolinha e uns LPs. Esse álbum eu fiz pensando num álbum que tem como formato o CD. É um grupo de canções juntas agrupadas, formato herdado do LP, que pra mim não mudou ainda. Acho legal que possa sei lá daqui a um tempo lançar uma música ou outra e não esperar tantos anos pra lançar um grupo de cancões. Ao mesmo tempo, acho legal ter um grupo de canções que têm um conceito. Tribalistas tem um conceito. Aquelas cinco pessoas tocando aquelas músicas… É legal que esteja tudo junto. Esse (disco) também reflete o momento, tem um ponto de ligação, um conceito de álbum. Antigamente, Carmen Miranda lançava duas músicas no carnaval, uma no São João e uma no fim do ano. Era mais dinâmico porque era tudo era diferente. A indústria era diferente. A gravadora tinha uma orquestra contratada. Aquilo funcionava como uma fábrica. Hoje não é assim”, comparou.

Se Marisa é considerada “antiga” no seu modo de ouvir música, seu gosto por estrelas da época de seus pais segue o mesmo caminho. No novo disco, ela incluiu uma versão em português do tango Lencinho querido (El Panuelito), de Juan de Dios Filiberto  e Gabino Coria Penaloza, sucesso na voz de Dalva de Oliveira nos anos 50.

“Eu sempre gostei de música antiga brasileira. Eu era uma adolescente diferente porque gostava de fuçar disco da avó e do pai. Não tinha CD e era difícil encontrar relançamentos em LP. Eu ia muito a sebo ou na Funarte comprar LPs. Tinha aquela coleção Abril e eu me lembro de ter compilações da Dalva. Essa música, eu conheço desde essa época, de 15 ou 16 anos, quando eu ouvia Dalva, Lupicínio (Rodrigues), Francisco Alves, repertório que entrei em contato muito jovem. Não era gosto comum para pessoas da minha geração, mas hoje em dia faz o maior sentido eu ter vivido isso. Eu fazia aula de canto, mas não era cantora profissional. Era uma curiosa”, lembrou Marisa.

Sem ficar presa ao passado, Marisa destacou também nomes da atualidade que chamam sua atenção: “Das cantoras, eu adoro a Nina Becker, a Tulipa Ruiz, Maria Gadú, Mallu Magalhães… Tem várias pessoas fazendo trabalhos interessantes. Dos compositores, (Marcelo) Jeneci, Andrea Carvalho… Sempre tem coisas interessantes surgindo. Tem um cara que não conheço tanto, mas tenho curiosidade de ouvir é o Criollo. Tem o Pretinho da Serrinha. Quando perguntam assim, esqueço, mas tem muita coisa interessante.”

Marisa ressaltou que “O Que Você Quer Saber de Verdade” não foi inspirado em estilo nenhum, mas fez questão de frisar que não tem preconceito. “Eu disse (anteriormente, durante a entrevista) que não era meu disco mais popular. Acho que parte da popularidade não vem de um estilo, mas da clareza das canções, da capacidade de me comunicar através do canto, dos arranjos, com intenção de fazer com que elas tenham uma mensagem clara, que possam chegar às pessoas”, disse, pouco depois de responder a uma pergunta sobre qual estilo ela ainda gostaria de gravar.  ”Não penso num estilo. As coisas têm vida própria. Talvez tenha coisas que eu nunca fiz. Não tenho nenhum preconceito contra nenhum estilo musical. Tem coisas boas em todos os estilos e coisas ruins em todos os estilos.”

A questão da simplicidade foi muito explorada pela cantora e também pelos jornalistas, em suas perguntas, durante a coletiva de imprensa. Logo que lançou a primeira música de trabalho, “Ainda Bem”, choveu comparações com bandas bregas nas redes sociais. Liberada em streaming em seu site, a canção inédita ultrapassou a marca de 1,2 milhões de acessos, incluindo as exibições do clipe da música no Youtube, em que a cantora aparece dançando com o lutador Anderson Silva, atual campeão mundial dos pesos médios do UFC. Para Marisa, ela é simples como “Bem Que se Quis” e outras músicas que gravou ao longo de sua carreira.

“O álbum prima pela simplicidade embora tenha soado sofisticado durante o processo. Temos várias escolhas antes, durante e depois. A coisa se faz por si só. O álbum tem vida própria, estamos ali a serviço. A  simplicidade talvez tenha existido no meu trabalho desde o primeiro, com ‘Bem Que Se Quis’ e ‘Chocolate’. Sempre tive uma linguagem simples. Por outro lado, tem um lado de elaboração na produção e poeticamente, que é um lado que compensa. Ele saiu assim. É um reflexo do meu jeito de viver e sentir a música”, disse, comentando também a leveza do single. “‘Ainda Bem’ caiu no gosto. Era um disco difícil de escolher uma primeira música para ir para a rádio. Ele traz muitas opções e a gente escolheu ‘Ainda Bem’ porque é uma música positiva. Nesse aspecto, ela representava bem o disco. A música que mais representa é ‘O Que Você Quer Saber de Verdade’, ela abre o disco. Mas elas tem funções diferentes. ‘Ainda Bem’ tem também uma ajuda grande do clipe. A leitura em audiovisual teve um resultado muito feliz. Um clipe com Anderson Silva representa bem o espírito da música.”

A certa altura, uma jornalista perguntou a resposta de Marisa para a pergunta que dá nome do seu álbum: “O Que Você Quer Saber de Verdade?”

“Não tem resposta. Você vai descobrindo as coisas e a necessidades se renovam. Faz parte da insatisfação humana você ir em busca de novas respostas e novos questionamentos. O que eu procuro ouvir, que está por trás do título do disco, é a necessidade individual de cada um de ouvir as necessidades da alma. Atenção para essa questão. É o que diz a música. É uma das coisas que gostaria de saber de verdade da vida. É a voz da minha alma.”

Marisa Monte falou sobre sua admiração por João Ubaldo Ribeiro, sobre como é mais fácil o artista viver de show do que da venda de discos (e de como o Brasil não se preparou para a questão do download) e também sobre a importância, para ela, de a arte estar em primeiro plano e o artista, por trás. E foi depois disso tudo que surgiram perguntas sobre o novo álbum, produzido pela artista e coproduzido pelo amigo e parceiro Dadi Carvalho, também baixista da cantora. O CD traz composições de Marisa com Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Dadi e Rodrigo Amarante. “O que se quer” é a primeira parceria da cantora com o ex-Los Hermanos, atualmente morando em Los Angeles e tocando com a banda Little Joy.

“Eu e Amarante, a gente sempre foi admirador um do outro. Eu passei por Los Angeles para trabalhar com Mario Caldato, que produziu meu último disco de samba (‘Universo ao Meu Redor’),  durante a produção desse disco. Ele tem contato com Rodrigo e eu encontrei com ele.”

A outra releitura presente no disco (além do tango) é “Descalço no Parque”, música de  Jorge Ben Jor que Marisa já vinha ensaiando gravar faz tempo. “É uma música que adoro e tem um arranjo incrível. Eu já tocava em casa há anos. Desde  a outra turnê eu tocava em passagem de som, hotel… Já toquei nuns shows nos últimos dois anos. É uma música que eu gostava e achava que podia fazer parte desse repertório. Não é uma música muito conhecida do Jorge, mas é uma música no compasso 3/4, que é coisa rara do Jorge”, contou.

Durante a entrevista, a cantora comentou que ainda não tem turnê prevista nem show para gravação de DVD planejado. Ao ser perguntada sobre quem é Marisa Monte hoje, ela foi clara: “A mesma pessoa (do início da carreira), só que com mais experiência e mais história, mas com o mesmo desejo de desenvolver uma maneira própria de me relacionar, com essa maneira de fazer música de maneira própria. As regras existem para serem questionadas. É bom fazer de maneira diferente. Isso faz parte de toda a reflexão, minha reflexão sobre o que eu faço.”

Coordenadas Live traz Mundo Livre s/a para apresentar seu oitavo disco ao Rio

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Produtores do Coordenada LiveO Mundo Livre s/a é a atração da segunda edição da festa Coordenadas Live, nesta terça-feira, no Vivo Rio. No palco, a banda pernambucana vai apresentar seu oitavo disco, “As Lendas da Tribo Toshi Babaa”, que durante as gravações teve participação de B Negão na música “Carinhoca”. Depois do show, assumem as carrapetas os DJs Dodô e Luizinho, acompanhados pelo VJ Ratón, e, na outra pista, os DJs roqueiros Mario Mamede e Edinho, que tocarão na companhia da VJ Lê Pantoja. Veja o que diz o produtor Rodrigo Caucotto sobre a festa:

GarotaFM: Quando, como e onde surgiu a Coordenadas Live e qual é o objetivo da festa? Por que a ideia de convidar bandas?

Rodrigo Caucotto: Nós estávamos fazendo a festa Coordenadas há quatro anos com o mesmo formato (2 pistas, uma de rock e outra que mescla variados ritmos). No ano passado começamos a pensar em como trazer alguma novidade, algo que pudesse dar cara nova ao evento. Foi aí que criamos um projeto diferenciado, chamado Coordenadas Live, com a proposta de convidar bandas para tocar junto à festa. Fomos atrás de parcerias, e na primeira edição, que rolou em julho, conseguimos trazer o Ed Kowalczyk, vocalista do Live.

GFM: Como ela funciona? Qual é a periodicidade?

RC: A Coordenadas Live sempre terá uma atração ao vivo junto com as outras atrações da festa, Djs e Vjs, e deverá acontecer duas vezes ao ano. A intenção é alternar entre artistas gringos e nacionais.

GFM: Quando será a próxima? Já fecharam banda? Se não, estão conversando com alguma?

RC: Estamos em contato para trazer uma atração, mas ainda não tivemos a confirmação. Essa atração seria o  Cake…Mas se não fecharmos com eles, já temos outros nomes engatilhados.

GFM: Mudou alguma coisa da primeira edição para cá?

RC: A mudança da 1ª para esta está mais no layout da festa, do novo posicionamento das pistas no Vivo Rio. Além de termos mais atrações na festa, com mais Djs e Vjs. E agora o projeto tomou forma e está se posicionando para entrar na cena musical do Rio como evento de shows nacionais e internacionais, ligados ao rock, indie e poprock.

GFM: Como foi a recepção do Mundo Livre vir de vir ao Rio pela festa mesmo sabendo que a banda tem público cativo na cidade?

RC: Foi super bacana, pois foi justamente o fato da proposta deles tocarem numa festa que fez o diferencial pra que eles fechassem com a gente. Eles gostaram das informações da festa e toparam na hora, queriam fazer algo diferente do que só realizar um show. Como foi pensada essa configuração (mundo livre + Dodô + Ratón +Luizinho + Mario Mamede) Fale da escolha das atrações.
O Mundo Livre sempre foi uma das bandas que pensamos em convidar desde que pensamos nessa edição com uma atração ao vivo, e também por se encaixar no perfil da festa, de fazer um som bastante animado e original. Também pesou o fato de que há algum tempo que eles não se apresentavam no Rio. Já as atrações das pistas, esse é o nosso time titular da festa.

GFM: Qual vai ser a participação de Dodô, Ratón, Luizinho e Mario Mamede?

RC: Desta vez será diferente da 1ª edição, após o show, o palco vai receber o Dodô que estará discotecando junto com o Luizinho, com as projeções do Ratón. Já na outra pista, juntamos os roqueiros Mario Mamede e Edinho, que terão a companhia da VJ Lê Pantoja. A ideia é montar uma festa que tenha pistas fieis aos ritmos que são propostos pela festa e criar cenários diferentes com os VJS em cada um dos ambientes. Nós tentamos juntar tudo que gostaríamos de ter numa noite.

GFM: Como produtor, fale sobre sua relação com Mundo Livre e sobre esse novo disco da banda.

RC: Nós somos fãs da banda, sempre assistimos aos shows deles no Circo Voador e pra gente é um orgulho enorme tê-los na nossa festa. Sobre o disco, está sensacional e foi uma grata coincidência ter o lançamento no Rio justamente na Coordenadas Live.

GFM: O que vocês pretendem para as próximas edições? Alguma novidade, algo que desejem acrescentar?

RC: Por enquanto, a novidade que podemos adiantar é que em breve estaremos lançando o nosso novo site, que vai trazer mais informações sobre música além de serviços pro nosso público. Nós queremos ajudar na formação deste cenário musical da cidade e trazer atrações que potencializem esse lado inovador que o Rio vem mostrando.

Coordenadas Live com Mundo Livre s/a: Terça-feira (01/11), as 22h, no Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo. R$ 40 a R$ 100.

Zen, Jorge Vercillo lança disco de forma independente e faz show no Rio

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Cada vez mais zen, Jorge Vercillo sobe ao palco do Citibank Hall neste sábado (29/10) para o lançamento de seu novo disco, “Como Diria Blavatsky”. O músico faz um intervalo das aulas de yoga e de projeção astral e leva para o público sucessos e canções novas, como “Memória do Prazer”, parceria com a mulher, Gabriela Vercillo, que está no CD e na trilha sonora da novela “Fina Estampa”. Jorge está em uma nova fase e ele fala sobre isso, sobre seu disco independente, crítica, família e astral ao GarotaFM. Confira a entrevista:

GarotaFM: Você já havia lançado um disco independente antes de “Como Diria Blavatsky”. Hoje, qual seu ponto de vista sobre o mercado fonográfico?

Jorge Vercillo: Eu lancei “Leve” em 1999 de forma independente. Eu diria que eu tenho mais estrutura hoje com o “Blavatsky” do que quando lancei “DNA”, pela Sony. Eu saí da Sony e da EMI para ser um artista maior, não menor. É um momento completamente diferente daquele em que eu estava começando, tocando na noite, lançando um disco independente como o “Leve”. Para fazer esse disco agora, preferi sair da Sony porque comecei a perceber que eu tinha como ser um artista maior e investir mais na estrutura do meu trabalho sozinho ou com um parceiro do que numa grande gravadora, que tem muitos produtos pra cuidar.

GFM: Ter uma carreira consolidada e ser conhecido influenciou nessa decisão?

JV: Sim. Hoje eu tenho um estúdio, onde eu posso gravar meus discos, tenho como montar uma estrutura de divulgação que trabalhe melhor para mim do que trabalhariam numa gravadora grande, que tem muitos produtos. Mas mesmo assim eu sou muito grato a Sony pelo trabalho que foi feito no “DNA” e sou muito grato também a EMI, que foi uma casa onde  fiquei mais de dez anos. Foi muito importante pra minha carreira.

GFM: Qual foi sua inspiração e motivação para as canções desse novo trabalho?

JV: Esse é um disco temático, que fala de humanidade, evolução e consciência. Mas, ao mesmo tempo, é um disco que, no repertório, tem umas músicas mais densas e, em outros momentos, tem outras mais suaves paras as pessoas relaxarem e curtirem. Eu acho que esse disco tá refletindo a minha verdade mesmo na totalidade. Eu busco a totalidade na minha vida e na minha carreira, que é sempre estar lançando músicas de MPB, e lançando também um repertório mais pop que tem a ver com a minha verdade também. Essas duas vertentes estão presentes no meu disco também.

GFM: Como está sendo a resposta do público em relação ao novo CD?

JV: Eu estou muito contente porque fico vendo no Twitter e no Facebok as pessoas falando de cada faixa e se surpreendendo e se emocionando… Sinto que esse disco vai ser um disco mais importante na vida das pessoas, mais importante até que o “DNA”.

GFM: Para você, qual é a grande diferença dos trabalhos anteriores?

JV: Eu acho que a diferença mais marcante é o fato do disco ter três sambas e três músicas com influência do rock. Acho que é uma novidade isso na minha discografia. O resto do disco  caminha numa normalidade que as pessoas já conhecem de estilos meus.

GFM: Você já foi alvo de muitas críticas? Isso te incomoda?

JV: Não, porque na verdade nós vivemos num mundo relativo, então, não tem como a pessoa afirmar uma coisa sobre arte até porque a arte é algo abstrato. Não tem, por exemplo, como a pessoa afirmar que “Blavatsky” é “o melhor” ou “o pior” disco do Vercillo. Isso não vai refletir em nada. O que vai refletir é o inconsciente coletivo onde as pessoas vão ouvir, vão gostar, vão se identificar e outras não. E é isso que decide o jogo. E eu sinto que tem uma parte da crítica que espera algo de mim, não sei por quê. Eles esperam que eu faça um disco todo de samba ou de uma forma mais antiga, mas isso não é o meu gosto. O que eles esperam de mim, eu acho chato. Tem trabalhos que a crítica elogia que eu acho chatos; de outros, eu gosto. Mas meus parâmetros são muitos diferentes dos da crítica. E eu acho que a critica tem um parâmetro muito diferente da realidade, do que acontece em rádio, do que as pessoas estão a fim de ouvir, do que estão curtindo, do que é denso e do que não é.

GFM: Como você se posiciona?

JV: Estou ligado em outra esfera, em outra dimensão, atualmente, para ficar preocupado com isso. Eu tô fazendo yoga, curso de projeção astral, estudando filosofia… Minha realidade está muito distante disso. Não querendo subestimar ninguém, não, mas, na verdade, nenhum elogio que já tenha recebido me ajudou tanto e nenhuma crítica negativa por parte da crítica me atrapalhou.

GFM: O que a imprensa nunca te pergunta que você sempre quis falar?

JV: Eu acho que a imprensa nunca mergulhou profundamente no meu trabalho, no contexto das letras. Eu acho que é essa questão da totalidade, “Por que você, Jorge, busca essa totalidade?”; “Por que você grava uma balada rock, um samba, uma música mais hermética como ‘Blavatsky’ e, ao mesmo tempo, grava uma música pop como ‘Me leve a sério’?”. Esse é o tipo de questionamento que nunca fizeram e que eu estou sempre evidenciando e poucos percebem isso. Na verdade, acho que não são poucos não… o público percebe isso, o público tem mais tempo pra ouvir o disco, para perceber…

GFM: Carreira e família, como você concilia?

JV: Ultimamente tenho ficado bastante com a minha família. Agora em outubro fiz aniversário e viajei com eles durante uma semana pelo Caribe. Antes, fui com minha mulher para Amsterdã, onde cantei para a Família Real na abertura de um evento que homenageia o Brasil. Eles entraram em contato e fizeram o convite para eu abrir o festival e cantar para princesa da Holanda. Foi um evento daqueles em que eles querem se aproximar comercialmente do Brasil e foi muito bacana. Desfilei num carro alegórico.

GFM: O que você tem escutado ultimamente?

JV: Chico Buarque. O disco novo do Chico pra mim é um primor. Acho que não tem uma música ruim no disco. É impressionante!

GFM: Se não fosse a música, o que você faria?

JV: Não sei. Eu queria ser jogador de futebol. Mas, ainda bem que a música me levou porque eu era um jogador mediano. Acho que eu faria algo relacionado à criatividade, acho que o ser humano está aqui na terceira dimensão para usar a criatividade dele, para inventar um mundo novo a cada momento e é isso que eu tento fazer através da minha musica, inspirar as pessoas a novas ideias.

GFM: Como você vê Jorge Vercillo no futuro?

JV: Eu me vejo fazendo muitos discos, compondo muitas músicas, conseguindo fazer projeção astral… Acho que “Como diria Blavatsky” é um disco através do qual tento melhorar como pessoa. Talvez por causa disso o meu envolvimento com teosofia, com budismo, com ufologia. Eu acho que a gente precisa ser melhor, a gente precisa melhorar caráter, conteúdo, sintonia consigo mesmo. Estou numa fase em que quero melhorar como pessoa e esse disco reflete isso. E você me pergunta do futuro e eu vejo o Jorge Vercillo melhor como pessoa. Me vejo podendo ganhar mais dinheiro e podendo ajudar mais pessoas com meu trabalho, fazendo shows beneficentes mas sem populismo. Até porque tem milhares de pessoas que ajudam muito mais do que a gente através do suor, do próprio braço. E eu espero que a vida me dê cada vez mais oportunidade pra eu poder ajudar os outros. Seja através de um show, de uma música minha ou do suor do meu trabalho ou através de uma ação ambiental, eu me vejo cada vez mais ligado a isso.

Jorge Vercillo: Sábado (29/10), às 22h, no Citibank Hall (Av. Ayrton Senna, 3.000, Shopping Via Parque, Barra da Tijuca – Tel: 4003-6464). R$ 60 a R$ 130

Luiz Brasil lança CD de ‘música popular instrumental’ e diz: ‘Eu respiro isso’

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Com nove faixas através das quais mostra toda a sua competência musical com as cordas, os metais, as madeiras e ritmos variados, Luiz Brasil lança seu segundo trabalho solo, intitulado “Beira”. Com muito bom humor, ele falou com o GarotaFM sobre turnê, inspirações, paixão pela música e sobre o título do CD, que têm um significado muito especial para ele. Conheça mais da vida e da carreira desse talentosíssimo musicista que está na estrada desde 17 anos.

GarotaFM: Fale um pouco sobre as canções do novo CD.

Luiz Brasil: É um CD de música instrumental brasileira, não é um CD de música cantada, embora tenha uma música cantada. Então, essas são músicas de uma safra nova, compostas para esse trabalho. Há duas músicas no CD que não são minhas. Uma se chama “Farol”, que é do meu irmão, e outra se chama “Ronco Da Cuíca”, de João Bosco e Aldir Blanc, que já é uma música conhecida. No mais, todas as outras são composições minhas e tem duas que tem parceria com pessoas amigas.

GFM: E qual foi sua maior inspiração pra compor as canções desse novo CD?

LB: É difícil te dizer qual foi a inspiração, eu sou um músico muito influenciado pela canção popular brasileira e eu trabalhei a minha vida inteira e trabalho até hoje com cantores e cantoras, produzindo, fazendo arranjos, participando dos shows. Então, minha grande influência é mesmo a música cantada, só que o meu trabalho não é um trabalho de um cantor, é trabalho de um musicista. Com exceção de uma que se chama “Madalena”, música minha que está nesse CD e é cantada, todas as outras são músicas que podem ser letradas porque não tem uma pegada de jazz como geralmente a música instrumental tem. Ela é quase que uma canção mesmo, só falta ter letra. Minha inspiração é João Gilberto, Caetano, Gil, Chico Buarque, que é um grande artista brasileiro, Paulinho da Viola… Esse pessoal me influencia muito e é o pessoal que eu mais escuto. Sou muito influenciado pela música popular brasileira, embora eu faça música popular instrumental.

GFM: Você encaixaria seu disco em algum estilo?

LB: O CD abre com uma bossa que remete bem ao Sul, tipo uma bossa nova muito louca. Depois, tem uma fanfarra com característica baiana, que é da onde eu sou. Depois começam a vir coisas de outro tipo. Eu acho que a música brasileira regional me influencia muito, os ritmos brasileiros. Inclusive é uma coisa que eu trato até de outra forma porque eu também dou Workshop de violão brasileiro, que é baseado em diversos ritmos. Então é claro que eu sou influenciado pela música regionalista, mas minha música tem influencia de tudo. Eu vivo ouvindo, gravando, tocando, música de todos os lugares, inclusive musicas de fora do Brasil. Mas, eu sou muito nacionalista.

GFM: Você está em turnê de lançamento desse novo CD?

LB: Eu fiz um pré-lançamento aqui no Rio no mês retrasado. Depois, fiz o lançamento em Salvador, no Teatro Castro Alves. Em dezembro, vou  fazer em São Paulo e no verão eu devo ir até o nordeste. E, em março do ano que vem, tenho um projeto se estruturando que é uma turnê nos Estados Unidos. Já tem um circuito que estou namorando e já tem uns contatos que devem me ajuda a fechar algumas coisas. De Seattle até São Francisco, Nova York, New Jersey, Boston, Massachusetts… Vou fazer o que puder pelo disco, porque depois a gente começa a se ocupar com  outras coisas e, daqui a pouco, vai vir outro disco.

GFM: O título do CD tem algum significado especial?

LB: Tem um significado muito especial. “Beira” é uma afirmação. Na verdade é até um pouco de protesto com relação ao sistema atual que a gente vê acontecer. Todo mundo tem que fazer o mais legal, o melhor de todos, tem que ser sempre o mais colorido, ter mais valor, que seja mais alto, tudo mais. Eu acho isso imediatista demais. “Beira” quer dizer justamente a não necessidade de estar no centro, basta você estar. Então é isso, beira de tudo. Quando você está na beira, você está. Não precisa estar no centro. “Beira” representa um pouco da tranquilidade do tempo se você faz existir pra valer, inclusive tem no CD essa frase: “Basta existir pra valer.” E “Beira” é isso aí, que você pode estar sem precisar ser a melhor coisa do mundo.  Você pode ser a melhor coisa, mas não que você tenha a obrigação disso. E nessa corrida, às vezes você pode acabar mostrando o que não é. Então, eu procuro fazer a minha parte na minha arte, no meu trabalho, o mais honesto e o mais sincero possível sem a pretensão de ser o melhor.

GFM: Fala um pouco dessa sua paixão pela música, como começou?

LB: Olha, eu não tenho como te explicar como começou. A minha família é uma família de muitos músicos e a vida inteira foi assim. Antes de eu nascer já existiam muitos músicos na minha família e muitos deles são famosos. Minha mãe tocava violão e piano. Com três anos de idade eu ganhei uma gaita da minha bisavó e eu já gostava de música nessa época.  Com cinco, ganhei uma sanfoninha e minha mãe começou a me ensinar violão lá pelos cinco, seis anos.  Ela me ensinou muitos acordes, então eu gostei da música a vida inteira. E na verdade eu não escolhi trabalhar com música, quando eu vi eu já estava ate o pescoço, não tinha mais jeito. Às vezes eu fico chateado com o curso que as coisas tomam, com as dificuldades de sobreviver de música, aí eu penso em fazer outra coisa, mas eu não sei fazer outra coisa.  Eu acho admirável as pessoas que tem mais de uma profissão, porque tem muitos que são dentistas, arquitetos, advogados,  e são músicos também, ou seja,  se eles não estão ganhando muito dinheiro com a música eles tem outra profissão, eu não tenho. Eu posso não tocar, mas eu não consigo trabalhar com outra coisa que não seja com música. E eu sempre fui apaixonado por música minha vida inteira, é uma necessidade básica de sobrevivência. Eu respiro isso. A minha opinião sobre alguma coisa sempre tem alguma coisa a ver com a música mesmo a opinião diante da vida, tem a música no meio. É uma vida dentro da música, eu não tenho mais o que fazer.