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Coordenadas Live traz Mundo Livre s/a para apresentar seu oitavo disco ao Rio

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Produtores do Coordenada LiveO Mundo Livre s/a é a atração da segunda edição da festa Coordenadas Live, nesta terça-feira, no Vivo Rio. No palco, a banda pernambucana vai apresentar seu oitavo disco, “As Lendas da Tribo Toshi Babaa”, que durante as gravações teve participação de B Negão na música “Carinhoca”. Depois do show, assumem as carrapetas os DJs Dodô e Luizinho, acompanhados pelo VJ Ratón, e, na outra pista, os DJs roqueiros Mario Mamede e Edinho, que tocarão na companhia da VJ Lê Pantoja. Veja o que diz o produtor Rodrigo Caucotto sobre a festa:

GarotaFM: Quando, como e onde surgiu a Coordenadas Live e qual é o objetivo da festa? Por que a ideia de convidar bandas?

Rodrigo Caucotto: Nós estávamos fazendo a festa Coordenadas há quatro anos com o mesmo formato (2 pistas, uma de rock e outra que mescla variados ritmos). No ano passado começamos a pensar em como trazer alguma novidade, algo que pudesse dar cara nova ao evento. Foi aí que criamos um projeto diferenciado, chamado Coordenadas Live, com a proposta de convidar bandas para tocar junto à festa. Fomos atrás de parcerias, e na primeira edição, que rolou em julho, conseguimos trazer o Ed Kowalczyk, vocalista do Live.

GFM: Como ela funciona? Qual é a periodicidade?

RC: A Coordenadas Live sempre terá uma atração ao vivo junto com as outras atrações da festa, Djs e Vjs, e deverá acontecer duas vezes ao ano. A intenção é alternar entre artistas gringos e nacionais.

GFM: Quando será a próxima? Já fecharam banda? Se não, estão conversando com alguma?

RC: Estamos em contato para trazer uma atração, mas ainda não tivemos a confirmação. Essa atração seria o  Cake…Mas se não fecharmos com eles, já temos outros nomes engatilhados.

GFM: Mudou alguma coisa da primeira edição para cá?

RC: A mudança da 1ª para esta está mais no layout da festa, do novo posicionamento das pistas no Vivo Rio. Além de termos mais atrações na festa, com mais Djs e Vjs. E agora o projeto tomou forma e está se posicionando para entrar na cena musical do Rio como evento de shows nacionais e internacionais, ligados ao rock, indie e poprock.

GFM: Como foi a recepção do Mundo Livre vir de vir ao Rio pela festa mesmo sabendo que a banda tem público cativo na cidade?

RC: Foi super bacana, pois foi justamente o fato da proposta deles tocarem numa festa que fez o diferencial pra que eles fechassem com a gente. Eles gostaram das informações da festa e toparam na hora, queriam fazer algo diferente do que só realizar um show. Como foi pensada essa configuração (mundo livre + Dodô + Ratón +Luizinho + Mario Mamede) Fale da escolha das atrações.
O Mundo Livre sempre foi uma das bandas que pensamos em convidar desde que pensamos nessa edição com uma atração ao vivo, e também por se encaixar no perfil da festa, de fazer um som bastante animado e original. Também pesou o fato de que há algum tempo que eles não se apresentavam no Rio. Já as atrações das pistas, esse é o nosso time titular da festa.

GFM: Qual vai ser a participação de Dodô, Ratón, Luizinho e Mario Mamede?

RC: Desta vez será diferente da 1ª edição, após o show, o palco vai receber o Dodô que estará discotecando junto com o Luizinho, com as projeções do Ratón. Já na outra pista, juntamos os roqueiros Mario Mamede e Edinho, que terão a companhia da VJ Lê Pantoja. A ideia é montar uma festa que tenha pistas fieis aos ritmos que são propostos pela festa e criar cenários diferentes com os VJS em cada um dos ambientes. Nós tentamos juntar tudo que gostaríamos de ter numa noite.

GFM: Como produtor, fale sobre sua relação com Mundo Livre e sobre esse novo disco da banda.

RC: Nós somos fãs da banda, sempre assistimos aos shows deles no Circo Voador e pra gente é um orgulho enorme tê-los na nossa festa. Sobre o disco, está sensacional e foi uma grata coincidência ter o lançamento no Rio justamente na Coordenadas Live.

GFM: O que vocês pretendem para as próximas edições? Alguma novidade, algo que desejem acrescentar?

RC: Por enquanto, a novidade que podemos adiantar é que em breve estaremos lançando o nosso novo site, que vai trazer mais informações sobre música além de serviços pro nosso público. Nós queremos ajudar na formação deste cenário musical da cidade e trazer atrações que potencializem esse lado inovador que o Rio vem mostrando.

Coordenadas Live com Mundo Livre s/a: Terça-feira (01/11), as 22h, no Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo. R$ 40 a R$ 100.

Zen, Jorge Vercillo lança disco de forma independente e faz show no Rio

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Cada vez mais zen, Jorge Vercillo sobe ao palco do Citibank Hall neste sábado (29/10) para o lançamento de seu novo disco, “Como Diria Blavatsky”. O músico faz um intervalo das aulas de yoga e de projeção astral e leva para o público sucessos e canções novas, como “Memória do Prazer”, parceria com a mulher, Gabriela Vercillo, que está no CD e na trilha sonora da novela “Fina Estampa”. Jorge está em uma nova fase e ele fala sobre isso, sobre seu disco independente, crítica, família e astral ao GarotaFM. Confira a entrevista:

GarotaFM: Você já havia lançado um disco independente antes de “Como Diria Blavatsky”. Hoje, qual seu ponto de vista sobre o mercado fonográfico?

Jorge Vercillo: Eu lancei “Leve” em 1999 de forma independente. Eu diria que eu tenho mais estrutura hoje com o “Blavatsky” do que quando lancei “DNA”, pela Sony. Eu saí da Sony e da EMI para ser um artista maior, não menor. É um momento completamente diferente daquele em que eu estava começando, tocando na noite, lançando um disco independente como o “Leve”. Para fazer esse disco agora, preferi sair da Sony porque comecei a perceber que eu tinha como ser um artista maior e investir mais na estrutura do meu trabalho sozinho ou com um parceiro do que numa grande gravadora, que tem muitos produtos pra cuidar.

GFM: Ter uma carreira consolidada e ser conhecido influenciou nessa decisão?

JV: Sim. Hoje eu tenho um estúdio, onde eu posso gravar meus discos, tenho como montar uma estrutura de divulgação que trabalhe melhor para mim do que trabalhariam numa gravadora grande, que tem muitos produtos. Mas mesmo assim eu sou muito grato a Sony pelo trabalho que foi feito no “DNA” e sou muito grato também a EMI, que foi uma casa onde  fiquei mais de dez anos. Foi muito importante pra minha carreira.

GFM: Qual foi sua inspiração e motivação para as canções desse novo trabalho?

JV: Esse é um disco temático, que fala de humanidade, evolução e consciência. Mas, ao mesmo tempo, é um disco que, no repertório, tem umas músicas mais densas e, em outros momentos, tem outras mais suaves paras as pessoas relaxarem e curtirem. Eu acho que esse disco tá refletindo a minha verdade mesmo na totalidade. Eu busco a totalidade na minha vida e na minha carreira, que é sempre estar lançando músicas de MPB, e lançando também um repertório mais pop que tem a ver com a minha verdade também. Essas duas vertentes estão presentes no meu disco também.

GFM: Como está sendo a resposta do público em relação ao novo CD?

JV: Eu estou muito contente porque fico vendo no Twitter e no Facebok as pessoas falando de cada faixa e se surpreendendo e se emocionando… Sinto que esse disco vai ser um disco mais importante na vida das pessoas, mais importante até que o “DNA”.

GFM: Para você, qual é a grande diferença dos trabalhos anteriores?

JV: Eu acho que a diferença mais marcante é o fato do disco ter três sambas e três músicas com influência do rock. Acho que é uma novidade isso na minha discografia. O resto do disco  caminha numa normalidade que as pessoas já conhecem de estilos meus.

GFM: Você já foi alvo de muitas críticas? Isso te incomoda?

JV: Não, porque na verdade nós vivemos num mundo relativo, então, não tem como a pessoa afirmar uma coisa sobre arte até porque a arte é algo abstrato. Não tem, por exemplo, como a pessoa afirmar que “Blavatsky” é “o melhor” ou “o pior” disco do Vercillo. Isso não vai refletir em nada. O que vai refletir é o inconsciente coletivo onde as pessoas vão ouvir, vão gostar, vão se identificar e outras não. E é isso que decide o jogo. E eu sinto que tem uma parte da crítica que espera algo de mim, não sei por quê. Eles esperam que eu faça um disco todo de samba ou de uma forma mais antiga, mas isso não é o meu gosto. O que eles esperam de mim, eu acho chato. Tem trabalhos que a crítica elogia que eu acho chatos; de outros, eu gosto. Mas meus parâmetros são muitos diferentes dos da crítica. E eu acho que a critica tem um parâmetro muito diferente da realidade, do que acontece em rádio, do que as pessoas estão a fim de ouvir, do que estão curtindo, do que é denso e do que não é.

GFM: Como você se posiciona?

JV: Estou ligado em outra esfera, em outra dimensão, atualmente, para ficar preocupado com isso. Eu tô fazendo yoga, curso de projeção astral, estudando filosofia… Minha realidade está muito distante disso. Não querendo subestimar ninguém, não, mas, na verdade, nenhum elogio que já tenha recebido me ajudou tanto e nenhuma crítica negativa por parte da crítica me atrapalhou.

GFM: O que a imprensa nunca te pergunta que você sempre quis falar?

JV: Eu acho que a imprensa nunca mergulhou profundamente no meu trabalho, no contexto das letras. Eu acho que é essa questão da totalidade, “Por que você, Jorge, busca essa totalidade?”; “Por que você grava uma balada rock, um samba, uma música mais hermética como ‘Blavatsky’ e, ao mesmo tempo, grava uma música pop como ‘Me leve a sério’?”. Esse é o tipo de questionamento que nunca fizeram e que eu estou sempre evidenciando e poucos percebem isso. Na verdade, acho que não são poucos não… o público percebe isso, o público tem mais tempo pra ouvir o disco, para perceber…

GFM: Carreira e família, como você concilia?

JV: Ultimamente tenho ficado bastante com a minha família. Agora em outubro fiz aniversário e viajei com eles durante uma semana pelo Caribe. Antes, fui com minha mulher para Amsterdã, onde cantei para a Família Real na abertura de um evento que homenageia o Brasil. Eles entraram em contato e fizeram o convite para eu abrir o festival e cantar para princesa da Holanda. Foi um evento daqueles em que eles querem se aproximar comercialmente do Brasil e foi muito bacana. Desfilei num carro alegórico.

GFM: O que você tem escutado ultimamente?

JV: Chico Buarque. O disco novo do Chico pra mim é um primor. Acho que não tem uma música ruim no disco. É impressionante!

GFM: Se não fosse a música, o que você faria?

JV: Não sei. Eu queria ser jogador de futebol. Mas, ainda bem que a música me levou porque eu era um jogador mediano. Acho que eu faria algo relacionado à criatividade, acho que o ser humano está aqui na terceira dimensão para usar a criatividade dele, para inventar um mundo novo a cada momento e é isso que eu tento fazer através da minha musica, inspirar as pessoas a novas ideias.

GFM: Como você vê Jorge Vercillo no futuro?

JV: Eu me vejo fazendo muitos discos, compondo muitas músicas, conseguindo fazer projeção astral… Acho que “Como diria Blavatsky” é um disco através do qual tento melhorar como pessoa. Talvez por causa disso o meu envolvimento com teosofia, com budismo, com ufologia. Eu acho que a gente precisa ser melhor, a gente precisa melhorar caráter, conteúdo, sintonia consigo mesmo. Estou numa fase em que quero melhorar como pessoa e esse disco reflete isso. E você me pergunta do futuro e eu vejo o Jorge Vercillo melhor como pessoa. Me vejo podendo ganhar mais dinheiro e podendo ajudar mais pessoas com meu trabalho, fazendo shows beneficentes mas sem populismo. Até porque tem milhares de pessoas que ajudam muito mais do que a gente através do suor, do próprio braço. E eu espero que a vida me dê cada vez mais oportunidade pra eu poder ajudar os outros. Seja através de um show, de uma música minha ou do suor do meu trabalho ou através de uma ação ambiental, eu me vejo cada vez mais ligado a isso.

Jorge Vercillo: Sábado (29/10), às 22h, no Citibank Hall (Av. Ayrton Senna, 3.000, Shopping Via Parque, Barra da Tijuca – Tel: 4003-6464). R$ 60 a R$ 130

Luiz Brasil lança CD de ‘música popular instrumental’ e diz: ‘Eu respiro isso’

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Com nove faixas através das quais mostra toda a sua competência musical com as cordas, os metais, as madeiras e ritmos variados, Luiz Brasil lança seu segundo trabalho solo, intitulado “Beira”. Com muito bom humor, ele falou com o GarotaFM sobre turnê, inspirações, paixão pela música e sobre o título do CD, que têm um significado muito especial para ele. Conheça mais da vida e da carreira desse talentosíssimo musicista que está na estrada desde 17 anos.

GarotaFM: Fale um pouco sobre as canções do novo CD.

Luiz Brasil: É um CD de música instrumental brasileira, não é um CD de música cantada, embora tenha uma música cantada. Então, essas são músicas de uma safra nova, compostas para esse trabalho. Há duas músicas no CD que não são minhas. Uma se chama “Farol”, que é do meu irmão, e outra se chama “Ronco Da Cuíca”, de João Bosco e Aldir Blanc, que já é uma música conhecida. No mais, todas as outras são composições minhas e tem duas que tem parceria com pessoas amigas.

GFM: E qual foi sua maior inspiração pra compor as canções desse novo CD?

LB: É difícil te dizer qual foi a inspiração, eu sou um músico muito influenciado pela canção popular brasileira e eu trabalhei a minha vida inteira e trabalho até hoje com cantores e cantoras, produzindo, fazendo arranjos, participando dos shows. Então, minha grande influência é mesmo a música cantada, só que o meu trabalho não é um trabalho de um cantor, é trabalho de um musicista. Com exceção de uma que se chama “Madalena”, música minha que está nesse CD e é cantada, todas as outras são músicas que podem ser letradas porque não tem uma pegada de jazz como geralmente a música instrumental tem. Ela é quase que uma canção mesmo, só falta ter letra. Minha inspiração é João Gilberto, Caetano, Gil, Chico Buarque, que é um grande artista brasileiro, Paulinho da Viola… Esse pessoal me influencia muito e é o pessoal que eu mais escuto. Sou muito influenciado pela música popular brasileira, embora eu faça música popular instrumental.

GFM: Você encaixaria seu disco em algum estilo?

LB: O CD abre com uma bossa que remete bem ao Sul, tipo uma bossa nova muito louca. Depois, tem uma fanfarra com característica baiana, que é da onde eu sou. Depois começam a vir coisas de outro tipo. Eu acho que a música brasileira regional me influencia muito, os ritmos brasileiros. Inclusive é uma coisa que eu trato até de outra forma porque eu também dou Workshop de violão brasileiro, que é baseado em diversos ritmos. Então é claro que eu sou influenciado pela música regionalista, mas minha música tem influencia de tudo. Eu vivo ouvindo, gravando, tocando, música de todos os lugares, inclusive musicas de fora do Brasil. Mas, eu sou muito nacionalista.

GFM: Você está em turnê de lançamento desse novo CD?

LB: Eu fiz um pré-lançamento aqui no Rio no mês retrasado. Depois, fiz o lançamento em Salvador, no Teatro Castro Alves. Em dezembro, vou  fazer em São Paulo e no verão eu devo ir até o nordeste. E, em março do ano que vem, tenho um projeto se estruturando que é uma turnê nos Estados Unidos. Já tem um circuito que estou namorando e já tem uns contatos que devem me ajuda a fechar algumas coisas. De Seattle até São Francisco, Nova York, New Jersey, Boston, Massachusetts… Vou fazer o que puder pelo disco, porque depois a gente começa a se ocupar com  outras coisas e, daqui a pouco, vai vir outro disco.

GFM: O título do CD tem algum significado especial?

LB: Tem um significado muito especial. “Beira” é uma afirmação. Na verdade é até um pouco de protesto com relação ao sistema atual que a gente vê acontecer. Todo mundo tem que fazer o mais legal, o melhor de todos, tem que ser sempre o mais colorido, ter mais valor, que seja mais alto, tudo mais. Eu acho isso imediatista demais. “Beira” quer dizer justamente a não necessidade de estar no centro, basta você estar. Então é isso, beira de tudo. Quando você está na beira, você está. Não precisa estar no centro. “Beira” representa um pouco da tranquilidade do tempo se você faz existir pra valer, inclusive tem no CD essa frase: “Basta existir pra valer.” E “Beira” é isso aí, que você pode estar sem precisar ser a melhor coisa do mundo.  Você pode ser a melhor coisa, mas não que você tenha a obrigação disso. E nessa corrida, às vezes você pode acabar mostrando o que não é. Então, eu procuro fazer a minha parte na minha arte, no meu trabalho, o mais honesto e o mais sincero possível sem a pretensão de ser o melhor.

GFM: Fala um pouco dessa sua paixão pela música, como começou?

LB: Olha, eu não tenho como te explicar como começou. A minha família é uma família de muitos músicos e a vida inteira foi assim. Antes de eu nascer já existiam muitos músicos na minha família e muitos deles são famosos. Minha mãe tocava violão e piano. Com três anos de idade eu ganhei uma gaita da minha bisavó e eu já gostava de música nessa época.  Com cinco, ganhei uma sanfoninha e minha mãe começou a me ensinar violão lá pelos cinco, seis anos.  Ela me ensinou muitos acordes, então eu gostei da música a vida inteira. E na verdade eu não escolhi trabalhar com música, quando eu vi eu já estava ate o pescoço, não tinha mais jeito. Às vezes eu fico chateado com o curso que as coisas tomam, com as dificuldades de sobreviver de música, aí eu penso em fazer outra coisa, mas eu não sei fazer outra coisa.  Eu acho admirável as pessoas que tem mais de uma profissão, porque tem muitos que são dentistas, arquitetos, advogados,  e são músicos também, ou seja,  se eles não estão ganhando muito dinheiro com a música eles tem outra profissão, eu não tenho. Eu posso não tocar, mas eu não consigo trabalhar com outra coisa que não seja com música. E eu sempre fui apaixonado por música minha vida inteira, é uma necessidade básica de sobrevivência. Eu respiro isso. A minha opinião sobre alguma coisa sempre tem alguma coisa a ver com a música mesmo a opinião diante da vida, tem a música no meio. É uma vida dentro da música, eu não tenho mais o que fazer.

Banda Rajar faz show de lançamento de disco que teve produção de Ézio Filho e Jack Endino

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A banda capixaba Rajar faz show de lançamento do seu mais novo CD “Olha o Sol…” nesta quinta-feira (13/10), no Espaço Acústica do Rio de Janeiro. Com a presença da cantora Luciana Guessa, o show promete ser animado. O novo álbum tem produção de Ézio Filho e co-produção de Jack Endino (de bandas como Nirvana e Soundgarden) e traz sete músicas inéditas, além de outras regravações de discos anteriores com novas roupagens. “Não Vá Embora”, de Marisa Monte, também está no disco.

Formado por Ronaldo Rajar (vocal), Thiago Martins (guitarra), Bruno Castro (bateria) e Eliza Schinner (baixo), a banda que já teve seu trabalho na trilha sonora de “Malhação”, em 2007, e na série do Multishow “Beijo Me Liga”. Agora, o Rajar está com seu novo clipe, “Monstrinho”, nas paradas da MTV.

O GarotaFM fez uma entrevista com Ronaldo, que falou sobre a trajetória da banda, o lançamento do disco e muito mais. Confira:

GarotaFM: Como surgiu a banda? Vocês já se conheciam antes? Como aconteceu esse encontro?

Ronaldo Rajar: A banda começou em Vitória no Espírito Santo, na faculdade. E, com alguns ex- integrantes, começamos a nos reunir pra fazer um som. Lá, tinha o Sérgio Benevenuto, que é um produtor que já trabalhou com Legião Urbana e foi o produtor do nosso primeiro disco. Nós começamos a nos reunir com ele para ver as músicas novas, para gente começar a fazer o álbum. Ficamos um ano com ele e acabou que em 2006 gravamos “Narcisista”, o CD de estreia.

GFM: E vocês tem uma música do primeiro CD que tocou na Malhação, não foi?

RR: Sim, e essa música inclusive está no terceiro CD e se chama “Vaidade”. Nós fizemos uma releitura dela e regravamos para ficar com um áudio mais organizado. A gente preferiu fazer uma versão atualizada para ela, pois ao vivo a gente tem tocado ela de forma muito diferente. E ela entrou na trilha da Malhação de 2007 e foi muito legal.  Tem também a “Volto Logo”, que é do primeiro disco e que esteve na trilha da série do Multishow “Beijo Me Liga”. Também a regravamos nesse disco.

GFM: Qual a expectativa para o lançamento desse novo CD?

RR: A gente lançou o primeiro clipe desse disco novo que é o “Monstrinho” e estivemos no Acesso MTV, que convidou a gente pra fazer o lançamento lá. Foi muito bacana. Estamos com esse disco faz um mês aproximadamente e estamos fazendo os shows de lançamentos. Já fizemos em São Paulo, no Paraná, Espírito Santo e, por último, vai ser aqui no Rio de Janeiro que é onde a banda mora. Está sendo uma experiência muito legal, o som é bem diferente do que a gente estava fazendo e acreditamos numa maturidade do som que a gente quer apresentar. Foi muito legal por causa disso, a gente tá muito satisfeito, a gente não mudaria nada do que foi feito porque todo mundo que tá ouvindo tá curtindo e tá sentindo essa energia boa que a gente queria passar no disco.

GFM: Fale um pouco sobre as canções do novo CD.

RR: No novo CD, nós fizemos uma releitura de duas músicas do primeiro disco e duas do segundo, e colocamos outras sete inéditas. O disco foi gravado na Toca do Bandido, aqui no Rio de Janeiro, que é o estúdio do Tom Capone, que é onde começou O Rappa e várias outras bandas de peso. E a gente teve a produção do Ézio Filho, produtor da Zélia Duncan, e a gente teve a co-produção do Jack Endino, que era produtor do Nirvana. Conseguimos tirar uma qualidade de som muito boa lá na Toca do Bandido e depois levamos para os Estados Unidos para fazer a mixagem lá com o Jack Endino, que deu todo esse toque gringo, que a gente estava buscando. Ficamos muito satisfeitos como disco novo.

GFM: E como aconteceu esse contato com o Jack Endino?

RR: No segundo disco, a gente gravou na Toca e levamos para ele. Só que teve um toque diferente, o segundo disco foi muito mais pesado, nós fizemos uma coisa mais rock’n'roll mesmo. No primeiro CD, a gente mandou as músicas pra ele e ele gostou muito. A gente nem esperava muito que ele fosse topar, mandamos pela pessoa que faz o contato de negócios dele e ele já respondeu pessoalmente falando que tinha adorado as músicas. Quando a gente foi fazer o trabalho, tanto do segundo quanto do terceiro disco, a gente ficou hospedado na casa dele. Então, foi uma experiência bem legal estar com o cara que é um “monstro” da história musical de Seattle, produziu Nirvana, Soundgarden, entre outros artistas. E pra gente foi muito legal, enriqueceu muito o nosso trabalho e trouxa muita coisa positiva.

GFM: E como funcionou esse processo? Vocês gravaram primeiro aqui e levaram só pra ele fazer a mixagem?

RR: Nós gravamos as músicas em estúdio aqui, não valendo, e a gente manda pra ele. A gente fez aqui com o Ézio, que é nosso produtor e que acompanha a banda, sugere coisas de arranjo, dá uma direção… Aí a gente gravou e mandou pro Jack. E ele fez as ponderações e chegamos a um ponto final da pré-produção. Então, gravamos no estúdio amadoramente mesmo, só para  saber como vai ser a estrutura daquela música e como todo mundo vai se preparar.  Aí, a gente gravou tudo aqui. Na gravação, não teve Jack Endino. Ele não veio para o Brasil. Levamos para os Estados Unidos e ele fez a mixagem do disco, que é o que dá toda a qualidade de som.

GFM: Fale sobre o clipe de “Monstrinho”.

RR: O clipe de “Monstrinho”, a gente gravou em São Paulo, com a participação da Mayara Lepre, que é atriz da série “Os caras de pau”. Tiveram também as duas musas do brasileirão, a Lucilene, que é a musa do Goiás, e a Ana Paulo Minerato que é do Corinthians. Todas as três meninas deram um toque especial no clipe, a gente ficou bem feliz com o trabalho delas e também com o trabalho da produção do clipe, que era bem em cima do que a gente estava querendo.

GFM: E com o vídeo de vocês na programação da MTV, vocês já sentiram a repercussão do trabalho de vocês aumentarem?

RR: Com certeza! No twitter, no dia que a gente foi bombou! A tarde que a gente passou lá dobrou o numero de seguidores da banda, todo mundo querendo saber, o pessoal mandando mensagem, o pessoal foi muito carinhoso com a gente.

GFM: E como vocês trabalham o marketing da banda? Nos shows vocês vendem camisetas, bottons, CDs, ou vocês trabalham mesmo pelas mídias?

RR: A gente provavelmente vai fazer isso, porque a turnê tem pouco tempo. Geralmente fechamos com os donos das casas onde nós vamos tocar que a pessoa que compra o ingresso ganha o CD. Então, ele não precisa comprar o CD quando ele vai. Mas, a gente vai até fazer uma sessão no nosso site só disso, de camisa, de boné, com esse tipo de coisas. Mas pra pessoa comprar como souvenir da banda mesmo. Que a gente já fez isso e foi muito legal, a gente vai até hoje em shows e tem gente com a camisa da banda que comprou e tal. A gente gosta de fazer muito sorteio pelo twitter, rádio, esse tipo de coisa.

GFM: No show de lançamento aqui no Rio de Janeiro, vocês vão tocar somente as músicas do novo CD ou vão tocar dos anteriores também?

RR: Não, a gente vai tocar cover também.  A gente gosta muito de tocar cover. Não cover tipo “cover”. A gente gosta de fazer versões como, por exemplo, tem uma no nosso disco que a gente começou a tocar em shows, que é “Não vá embora”, da Marisa Monte, e a gente fez uma versão completamente diferente da versão original. E o bacana, eu acho que é justamente isso, a gente aposta que se a gente for fazer um cover do Capital Inicial ou de alguma coisa que tenha influências com o nosso som, não tem muito que mudar. Então, por exemplo, a gente faz cover do Roberto Carlos, Britney Spears, Lady Gaga… Tem muita coisa diferente do que é o nosso som, a gente pega aquela música e faz outra versão e traz pra dentro do show, e isso é o que mais vem funcionado.

‘A vida real me inspira, sim’, diz Max Viana ao lançar um disco com canções sobre o amor

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Max Viana está lançando seu terceiro disco, intitulado “Um Quadro de Nós Dois”, no qual enfoca o amor. Com parcerias com Dudu Falcão, Arlindo Cruz e do uruguaio Rodrigo Vicente, além da participação de Alcione, o disco chega às lojas através da gravadora Biscoito Fino. A única música que não foi composta por Max para este CD é “O melhor vai começar”, de Guilherme Arantes.

Leia a entrevista de Max Viana ao GarotaFM:

GarotaFM: Por que priorizar o amor como tema? A vida real está te inspirando?

Max Viana: Não foi uma decisão ter o amor como tema do disco, simplesmente aconteceu, até porque tem várias parcerias no disco, e mesmo essas músicas também falam de amor. É um tema que toca muito as pessoas, a identificação é imediata. A vida real me inspira sim, mesmo sem ser autobiográfico sempre, as histórias das pessoas próximas, o que eu vejo, os lugares que eu já conheci, a natureza, são sempre grandes fontes de inspiração.

GFM: Como funciona seu esquema de parceria: você faz letra ou música (ou os dois variando de acordo com o parceiro)?

MV: Normalmente eu tenho parceiros em letra, no caso desse disco das músicas que eu não fiz os dois eu fiz a música e os parceiros a letra, mas sempre existe a liberdade pra interferir, ou sugerir uma mudança e tornar a composição ainda mais bacana. “É hora de fazer verão”, por exemplo eu mandei uns pedaços de letra que foram aproveitados pelo Arlindo na versão final.

GFM: Fale sobre seu trabalho com Dudu Falcão.

MV: É meu parceiro mais constante. Compomos sempre, mesmo que não exista um projeto em mente. É uma maneira de nos encontrarmos, de botar o papo em dia, o trabalho que virou uma grande amizade.
Temos uma sintonia grande e acho que temos uma parceria que se completa na hora de compor.

GFM: E como foi ter Arlindo e Alcione em uma canção?

MV: Eu já tinha feito música com o Arlindo antes. Quando compus essa canção logo pensei no Arlindo pra fazer a letra, mandei a demo com alguns pedaços de letra, que ele acabou aproveitando pra versão final.

GFM: Esse disco exalta os ritmos brasileiros. Fale de sua relação com os gêneros musicais. Por exemplo, quando era pequeno, gostava de rock ou já nasceu bamba?

MV: Eu sempre ouvi de tudo quando era pequeno, mas principalmente MPB. Ter crescido ouvindo tantas coisas diferentes me deu uma formação musical bem rica, e é exatamente isso que eu tento explorar no meu trabalho, seja nas composições ou nos arranjos. E acho que esse é o meu disco mais brasileiro, embora continue com influências diversas, tem um rock (Vidas paralelas) em espanhol, tem uma Bossa (O samba que eu guardei) e uma balada (O que é que você quer de mim) por exemplo. Acho que ser um artista brasileiro possibilita essa variedade de ritmos.

GFM: Fale também do uruguaio Rodrigo Vicente e dessa parceria.

MV: Um grande amigo meu, um ótimo cantor e compositor jovem do Uruguai. Nos conhecemos aqui no Brasil quando ele veio fazer um trabalho e logo nos encontramos de novo quando eu fui tocar no Uruguai com meu pai, nessa ocasião ele me convidou pra gravar no disco dele e depois fizemos mais algumas coisas ao vivo até que compusemos Vidas paralelas e o chamei pra cantar comigo no disco.

GFM: Quais seus planos para o palco?

MV: Poder fazer os shows de lançamento do cd em muitos lugares, tive a oportunidade de viajar bastante acompanhando outras pessoas e agora quero levar minha música para o maior número de lugares possíveis.

GFM: Há outros projetos no caminho ou agora o foco é no disco “Um quadro de nós dois”?

MV: Definitivamente o foco é a divulgação e os shows do disco. Estive muito tempo ocupado com outros trabalhos, sem privilegiar minha carreira solo, agora isso mudou. Mas quero continuar a produzir outros artistas, coisa que adoro fazer.

Luciana Mello lança ’6º Solo’, um álbum de música brasileira

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Foto de Ike Levy

Já fazia quatro anos que Luciana Mello não lançava um disco seu. Com “6º Solo”, a cantora mostra que o tempo foi importante para que conseguisse colocar em prática antigos desejos. Um deles foi o de gravar com a banda tocando ao vivo, no estúdio. ”O artista vive de fases e eu queria experimentar coisas novas. Falei para o produtor do disco, Otávio Moraes, que gostaria de gravar ao vivo para encontrar uma sonoridade e ele falou: ‘Vamos então fazer como se fazia antigamente?’ Eu só queria buscar a simplicidade de tocar. Sempre gostei da tecnologia, mas queria algo orgânico.”

O apego ao natural vem no embalo da paixão pela música brasileira. Em “6º Solo”, Luciana deixa o soul um pouco de lado para experimentar também ritmos que têm a ver com sua origem: “Eu cresci com a oportunidade de ouvir MPB. Esse disco mostra essa influência brasileira, que é do meu pai, do meu irmão, dos músicos que conheci…”

O pai, Jair Rodrigues, participa na música “Mentira”. “Ninguém melhor para chamar do que o cara que me apresentou o samba”, brinca  a cantora. O músico canadense Corneille divide a canção “Couleur Café” com Luciana. “Eu era fã do trabalho dele. Entrei em contato e ele respondeu. Mandei a música e ele gostou. Infelizmente não pude ir nem ele pôde vir. Gravamos à distância”, conta.

O disco abre com Chico César (“Descolada”) e “Tchau” (Jair Oliveira). O repertório traz também “Recado”, de Gonzaguinha, e “Se For Pra Mentir”, de Arnaldo Antunes.

Móveis Coloniais de Acaju conta como é se auto-produzir em post da Melody Box

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Matéria publicada no blog da Melody Box em 14/07/2011 (clique aqui para ver)

Quando Brasília ainda se gabava de ter sido o berço do punk rock brasileiro, mais de 15 anos depois de exportar para o Sudeste bandas como Legião Urbana e Capital Inicial, o Móveis Coloniais de Acaju surgiu mostrando que não era preciso sair do Distrito Federal para viver de música. Misturando diversas influências na cena independente da capital do Brasil, o grupo apareceu predisposto a vencer qualquer barreira, inclusive, a tecnológica. Em 1998, enquanto a cidade ainda vivia das lembranças dos tempos do vinil, o grupo que revolucionou ao mostrar que era possível se produzir sozinho colocou um site no ar. De lá pra cá, o Móveis cresceu, passou a viajar pelo Brasil todo e, para mostrar seu trabalho além dos palcos, cadastrou-se em quase todas as redes sociais que se popularizaram no país.

Hoje, com um EP, dois CDs e um DVD lançados, o grupo é o número um no ranking da Melody Box, posição alcançada com três dias de participação no site, e é atração confirmada do MB ao Vivo – Salvador, que acontece dia 3 e 4 de setembro na Concha Acústica. Guitarrista do grupo, BC conta como é viver no mercado independente e como se relacionar com as redes sociais.

Como os integrantes começaram a produzir sozinhos o Móveis Coloniais de Acaju?

Isso aconteceu de forma muito natural. A banda é grande e ninguém queria bancar dez pessoas em viagens. A gente precisou aprender. A primeira coisa interessante foi a produção do show de lançamento do nosso primeiro disco. Era comum fazer tiragem de mil cópias e nós prensamos três mil. Fizemos uma festa de lançamento na qual o ingresso valia o CD e vendemos 2.007 discos. Vimos que aquilo dava certo.

Vocês chegaram a ter propostas de gravadora?

Sim, mas as propostas não interessaram. Sempre tivemos a política de abertura total do nosso conteúdo e isso é um ponto sensível para elas. Fizemos um disco com a Trama, mas com eles é uma parceria. O Trama Virtual vai ao encontro dos nossos princípios. Foi muito bom! Eles são parceiros no nosso DVD.

Com o crescimento da banda, o que mudou em termos de produção?

Em 2009, já com o último disco gravado, resolvemos fazer um planejamento estratégico e chamamos uma empresa de consultoria de administração para nos ajudar a mapear missão, valores etc e dividir tarefas dentro da banda. As coisas estavam crescendo, começamos a precisar emitir nota fiscal, então, abrimos uma empresa. Agora temos um escritório, algumas pessoas contratadas e um estúdio.

Antes era um dos músicos que fechava show?

Conhecemos Fabrício em 2003 e ele nos propôs fazer nossa assessoria de imprensa. Ele virou um integrante que não tocava, mas tocava a banda. E a relação é mesmo de igualdade. Antes, empresário era o cara que tinha sua vida nas mãos. Fabrício é nosso sócio. Com ele, somos dez.

Os nove músicos trabalhavam na produção?

Sim! Eu, por exemplo, tomo conta das finanças. Tem uma pessoa que mexe com internet e comunicação, tem aquele que trabalha na identidade visual da banda e por aí vai. Agora, vamos ter assistentes para fazer isso.

E hoje os integrantes vivem de música?

De 2005 pra cá, nossa realidade mudou muito. A gente cresceu muito, temos um disco a mais, já aparecemos na TV e tivemos música em novela (“O Tempo”, em Araguaia). Já não pagamos para tocar e as contas da banda estão em dia, mas ainda precisamos ter dinheiro para o plano de saúde, a escola do filho e a aposentadoria.

Como é a relação do Móveis com as redes sociais?

Passamos por todas elas. O Móveis é uma banda contemporânea da internet e foi uma das primeiras em Brasília a ter um site. Isso foi em 1998. Depois, tivemos Fotolog, Orkut, MySpace. Agora, temos Twitter e Facebook. Isso tudo aproxima o público da gente e torna a comunicação direta, sem atravessadores. O fã vira quase que um sócio da banda. Esta semana, nos cadastramos na Melody Box, que é uma mão na roda… é mais uma rede para possibilitar a banda de estar em contato com seu público e ajudar a fechar show. Acho que isso é o futuro. E o Móveis tem valores muito próximos disso.

Livro de Tiago Velasco analisa a relação do pop com a mídia e mostra o que Elvis Presley e Mallu Magalhães têm em comum

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Por incrível que pareça, Elvis Presley e Mallu Magalhães têm algo em comum. E não é só o fato de os dois cantarem em inglês. O rei do rock e a jovem revelação da internet surgiram, em suas respectivas épocas, mexendo com o imaginário dos jovens, que, na década de 50, encantavam-se com o advento da televisão e, nos idos dos anos 2000, passaram a se impressionar com a grande oferta oferecida pela/na rede. Ambos são artistas pop, rótulo dado aos “beneficiados” pelo poder dos meios de comunicação de levá-los às massas. Em “Novas dimensões da cultura pop”, que será lançado nesta quinta-feira (07/07), às 19h, no Espaço Multifoco (Av. Mem de Sá, 126, Lapa), o jornalista e professor de Comunicação Tiago Velasco fala dessa relação, mostrando as mudanças da cultura pop ao longo dos tempos e citando outros nomes que fazem parte dessa história, tais como Beatles e Madonna. O livro é resultado dos estudos de Tiago no Mestrado em Comunicação e Cultura da UFRJ. Abaixo, uma entrevista com o autor.

GarotaFM: O que podemos esperar de “Novas dimensões da cultura pop”?

Tiago Velasco: É um livro que tenta mostrar como a cultura pop – com foco na música – vem se modificando desde o seu início, em meados dos anos 1950. Para isso, procuro entender o pop como uma forma de economia, como uma manifestação do pós-modernismo e como uma expressão cultural essencialmente jovem, o que não tem a ver necessariamente com a faixa etária, mas como um certo espírito jovem que fica em voga desde meados do século XX. Como a cultura pop está diretamente liga aos meios de comunicação, foi preciso mostrar as mudanças que aconteceram nessa área: do meio de comunicação de massa às novas tecnologias da comunicação, principalmente a web. Isso é essencial, porque essas tecnologias digitais criaram condições para uma mudança na forma de consumir, produzir e distribuir cultura. Mas o que o público em geral deve gostar mais são os estudos de caso, que ocupam metade do livro, mais ou menos. Ali eu procurei mostrar como os ídolos da música de determinadas épocas davam conta de ilustrar aquele momento do pop.

GFM: E quais são os “ídolos” citados no livro?

TV: Falei sobre Elvis Presley, marco do rock e da música jovem. Falei de Beatles, principalmente da passagem dessa música jovem para algo mais “sério”, contracultural, tendo o “Sgt Pepper’s…” como marco. Depois é a época da MTV, com a análise de Madonna e Michael Jackson, período onde o pop ganha seu rei e sua rainha.
Era importante trazer isso para o Brasil, então faço uma breve descrição de como essa música entrou no país, via Jovem Guarda, passando pela Tropicália e se estabelecendo com o Rock brasileiro dos anos 80. E, então, analiso o último ídolo da música, agora não mais de massa, mas de segmento: Mallu Magalhães, pelo seu caráter pioneiro no Brasil no uso bem-sucedido das novas tecnologias da comunicação. Com isso, pretendo não só mostrar uma nova forma de aparecer para o público e gerir carreira, mas também tentar mostrar que qualquer artista de segmento, diferentemente daqueles anteriores analisados, não são representativos do momento do pop, apenas de seu próprio segmento. Essa talvez seja a grande característica da cultura pop de hoje: ela não é apenas massiva; é, ao mesmo tempo, extremamente segmentada.

GFM: Durante sua pesquisa, como vieram à tona os nomes dos velhos e dos novos ícones da música pop?

TV: Os ídolos que escolhi me parecem óbvios. Elvis Presley marca o início do rock, a primeira música de e para jovens, música de marca claramente a distinção geracional. Até então o ídolo jovem era Frank Sinatra, um artista que também agradava aos pais, ou seja, não era “apenas” dos jovens, não representava algo de uma geração que negasse a anterior. Alem disso, com o surgimento do rock, há, também, toda uma restruturação da indústria musical; os Beatles, como já citei, foi porque servem para mostrar essa transição de música pueril para algo ligado á contracultura, uma elevação artística não só musical quanto nas letras. E isso na mesma banda. Ali, a música pop mostrou suas infinitas possibilidades, sua característica aglutinadora, seja de gênero musical seja de referências (simultaneamente eruditas e populares). O estúdio passa a ser um instrumento musical. Em suma: uma série de barreiras, de fronteiras é quebrada. O salto para Madonna e Michael Jackson tem a ver com a MTV – ou quando a música pop vira imagem. Neste período, a TV, o clipe é tão ou mais importante para a música do que o rádio. Impossível pensar em uma música de sucesso sem videoclipe. E é o primeiro canal dedicado ao jovem. Mallu Magalhães é para causa estranhamento mesmo, mas é porque é o primeiro caso brasileiro que faz o caminho das novas mídias para as antigas. A escolha passa muito pelo seu pioneirismo.

GFM: Qual foi o material usado nas suas pesquisas?

TV: Usei muitos livros, não só de música/cultura pop, mas também de teoria da comunicação, de economia, sociologia, antropologia… Mas há, também, matérias de jornais, revistas e sites.

GFM: Fale de sua relação com a música.

TV: Minha relação com a música não começou muito cedo, acho. Lembro que a primeira coisa que gostei de verdade foi Chico Buarque. Eu devia ter uns 10 anos. Depois, vieram o Guns N’ Roses e o Raul Seixas. Agora, o meu mundo caiu de verdade com o “Nevermind”, do Nirvana, em 92. Acho que fui infectado com esse disco.
Foi a música que fez eu largar Economia e fazer Jornalismo. Eu decidi que não tendo talento algum para tocar, escrever sobre música poderia ser uma ótima forma de estar perto do que gosto.

GFM: Fale de sua relação com seus ídolos, citando-os.

TV: Não sou muito de ídolos. A ideia do ídolo me interessa muito, porque, a despeito de discursos sobre fãs alienados, são eles que representam sonhos, angústias, dá uma sensação de pertencimento a uma infinidade de pessoas ao redor do mundo. Talvez, o mais próximo de um ídolo que tenho seja mesmo o Kurt Cobain, por causa estritamente da música, e nem digo das letras, que até hoje nunca traduzi. É o som que me interessa. Ao mesmo tempo, lembro que fiquei bastante emocionado ao ver o Iggy Pop e os Rolling Stones de perto. Dá uma sensação que estamos vendo a história. E isso tem um peso quase tátil.

GFM: Qual seu objetivo com esse estudo? Você conseguiu atingi-lo?

TV: Acho que o meu objetivo era poder pensar algo que curto e, quem sabe, que pudesse me ajudar a entender o que tanto gosto, música pop. Embora eu saiba que não é um estudo definitivo, que poderia ficar melhor, temos que ter um grau de desapego e de noção das restrições que existem a todas as pesquisas, ainda mais de mestrado, com seu curto tempo de dois anos. Ainda assim, sem dúvida alguma eu entendo melhor a música pop, sem falar de uma leitura diferente. Pode até ser meio chato, porque muito da magia foi descoberta, mas, juro, continuo achando interessante.

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Céu, Gui Amabis, Rica Amabis, Dengue e Pupillo formam o grupo Sonantes e lançam CD

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Foto: Divulgação / Fabiano Feijó

Vizinhos no bairro de Perdizes, em São Paulo, a cantora Céu, o compositor e produtor Gui Amabis, o membro do Instituto Rica Amabis e a dupla dinâmica da Nação Zumbi Dengue e Pupillo acabam de lançar um disco juntos. O grupo se chama Sonantes e o álbum é uma miscelânea de gêneros. MPB com influência da música afro e da latina, resquícios do cancioneiro ao estilo eletro-acústico, pitadas de som pernambucano… O CD conta ainda com participações especiais de Siba, Lúcio Maia, Beto Villares, Daniel Bozio, Toca Ogan, Fernando Catatau, Gustavo Da Lua, Pepe Cisneros, Sergio Machado, B-Negão e Apollo 9.

Leia entrevista com Rica Amabis:

GarotaFM: De onde surgiu a ideia desse projeto?

Rica Amabis: A ideia foi consequencia do montante de músicas que a gente tinha feito. Quando vimos que tínhamos 10 música prontas, resolvemos lançar o CD.

GFM: Considerando que cada um tem sua carreira e seus compromissos, como foi o processo de desenvolvimento/produção?

RA: O processo foi a base de muito café com leite e pão na chapa na padaria. A gente morava no mesmo prédio, o que facilitou os nossos encontros, disso e de muita conversa, e o tempo livre que tínhamos, montamos o disco. Eu dividia um apartamento/homestudio com o Pupillo e o Dengue e a Céu e o Gui moravam em outro apê.

GFM: Teve um líder ou a divisão de tarefas foi igual? Tem um que fez mais isso, outro que fez mais aquilo…?

RA: A divisão foi muito igual, sempre tinha um que trazia uma ideia e a partir dela desenvolvíamos as músicas.

GFM: Como é misturar estilos e qual influência veio de cada um?

RA: Na verdade, o background musical da gente é muito parecido. Sempre escutamos muita música brasileira, reggae, soul, funk, latina e africana, agora cada um escuta de um jeito e quando juntamos a nossas visões deu esse disco. No todo o disco tem uma unidade, mas é possível identificar cada um.

GFM: Qual é o objetivo do grupo, lançar o projeto ou transformar isso em uma banda, com turnês programadas etc?

RA: A gente não sabe. No momento, está cada um desenvolvendo seus projetos pessoais, nós nunca pensamos em tranformar o Sonantes em um grupo de carreira, fazer shows e etc.. Quem sabe?

GFM: Vai haver show de lançamento, ações na web etc?

RA: Não temos planos para um show de lançamento.

 

‘Promoção ainda é o maior problema do mercado independente’, diz criador da Melody Box

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O evento produzido pela Melody Box (conheça) no Circo Voador mostrou que a música brasileira tem sim novos talentos. O que falta é o público prestar atenção ou se conectar mais e, dessa forma, ficar mais antenado ao que rola na rede. Impressionante, por exemplo, a banda baiana Maglore ter ganhado coro em TODAS as músicas que apresentou no MB Ao Vivo, realizado nesta quinta-feira (19/05), na casa de shows da Lapa. Legal também foi ver João Brasil, diretamente de Londres, trazendo seu som para discotecar na festa, e o Brasov colocando a turma pra dançar. Damm, O Quarto Azul, Drops 96… teve muito mais.

Aqui, veja algumas fotos do evento e, mais abaixo, leia entrevista com Fernando Jardim, um dos criadores da Melody Box.


GarotaFM: Como surgiu a ideia da Melody Box e o que vocês precisaram fazer para colocá-la no ar?

Fernando Jardim: Decidimos montar uma produtora. Porém o grande desafio na época era quais artistas iríamos contratar e qual seria a estratégia para promovê-los. As novas tecnologias trouxeram liberdade para os artistas com relação à gravação e distribuição, mas a promoção ainda é o maior problema do mercado independente. Como promover o artista de forma acessível e principalmente constante? A inteligência por trás da MB busca justamente resolver esse problema. Os usuários do site nos apontam quem são os artistas que eles mais gostam e nós motivamos eles através dos prêmios a nos ajudarem na promoção. De forma bem básica, montamos com as ferramentas da internet um boca a boca acelerado. O maior desafio é fazer as pessoas comprarem a ideia e aderirem a rede. Precisamos concentrar em um único lugar a nova geração de músicos brasileiros, para que os interessados em boa música saibam onde achá-los. A internet é muito grande, está tudo muito perdido por aí. Só assim o projeto passa a fazer sentido. Quanto mais gente aderir, maior será a força que a rede vai ter, principalmente no mundo off line.

GFM: Qual é a formação de vocês, os sócios? Me fale um pouco sobre cada um?

FJ: Joana Carneiro se formou pela Goldsmiths College em Mídia e Comunicação e fez mestrado na London College of Communication em Marketing. Eu, Fernando Jardim, sou empresário da área de telecomunicações. Apesar de nunca ter trabalhado de forma direta com música, trago uma experiência de muitos anos como administrador de empresas. Além disso, fui músico na adolescência, conheço muitos músicos, e, através deles, vinha acompanhando há muito tempo os processos de mudanças no mercado da música, imaginando junto com eles qual poderia ser um novo modelo viável.

GFM: Como vocês se descobriram parceiros nessa empreitada?

FJ: Amigos em comum nos apresentaram. Trocamos ideias e vimos que tínhamos pensamentos muito parecidos a respeito de para onde o mercado deveria seguir.

GFM: Qual foi a maior inspiração para a criação deste projeto?

FJ: Pesquisamos diversos sites e novos modelos de negócio estrangeiros. Não teve um específico que nos serviu de inspiração, até porque o que funciona lá fora não necessariamente funciona aqui. A MB é na verdade um pedaço de cada um deles em um formato adaptado ao mercado nacional.

GFM: Há quanto tempo o site está no ar? Qual era a sua expectativa antes e o que pode dizer do retorno agora?

FJ: Estamos em fase de teste para convidados desde julho de 2010. Mas apenas em março desse ano abrimos para acesso de qualquer pessoa. Aprendemos muito na fase de teste, mas a verdade é que esse projeto vai estar em constante mutação e amadurecimento. Mas estamos tendo um aceitação acima das nossas expectativas!

GFM: Quais são os projetos para fazer da Melody Box a maior referência?

FJ: Os que oferecemos fora da internet. O MB ao Vivo por exemplo. Nossa maior preocupação é não ficar apenas no online. Outro grande diferencial do site é trazer os profissionais do mercado para participar da rede. Estamos constantemente atrás de parceiros que possam trazer oportunidades reais para os artistas além das que a gente oferece diretamente.

GFM: “A” Melody Box ou “o” Melody Box? Por que?

FJ: Chamamos “A Melody Box” por ser “A rede melody box”.

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