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Jorge Mautner tem sua ‘complexidade de valores’ exposta em emocionante documentário de Pedro Bial e Heitor D’Alincourt

domingo, 25 de março de 2012

“A complexidade de valores na família dele me deixava surpreso. Pra gente era pão, pão, queijo, queijo.”

A declaração do artista plástico José Roberto Aguilar em “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto” ajuda a esclarecer a personalidade do músico homenageado no documentário que abriu, no Rio, a 17ª edição do festival “E Tudo Verdade” (em São Paulo a abertura foi com “Tropicália”, de Marcelo Machado). Dirigido por Pedro Bial e Heitor D’Alincourt, o filme é uma releitura do livro “O Filho o Holocausto – memórias (1941 a 1958)”, lançado por Mautner no início do século XXI, complementado por entrevistas, músicas e histórias sobre o resto da vida (e obra) do artista. O documentário é emocionante, divertido, complexo e objetivo ao mesmo tempo. Percebe-se um processo de produção minucioso e uma finalização primorosa.

O filme começa com Mautner vestido de Adolf Hitler e é seguido pela interpretação do artista para sua canção “Lágrimas Negras”. Acompanhado de seu violino e pela banda formada por Nelson Jacobina (violão), Kassin (baixo), Pedro Sá (guitarra), Domenico Lancelotti (bateria) e Berna Ceppas (teclado), Jorge interpretou músicas suas de todos os tempos em um ambiente acolhedor para um poket show que, distribuído ao longo do filme, dá brilho às histórias contadas pelo músico e pelos convidados. Depois do depoimento de Suzanne Bial, mãe de Pedro, falar sobre os imigrantes que escaparam do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, Mautner interpreta seu maior sucesso, “Maracatu Atômico”. A canção volta em um dos momentos mais emocionantes do filme: Gilberto Gil toca o hit alçado à fama por Chico Science de frente para o amigo, que chora.

Filho da iuguslava católica Anna Illichi com o judeu austríaco Paul Mautner, Jorge Mautner cresceu frequentando cerimônias do candomblé com sua babá, Lúcia. E aprendeu a tocar violino com o segundo marido de sua mãe, Henri Müller. A avó postiça era uma francesa arrogante e o avô, um homem bom que defendia o pequeno filho de judeu da “bruxa”, mas tinha em seu quarto uma suástica. Na adolescência, ganhou da mãe um bar com bebidas alcoólicas e, em uma briga com um amigo chamado Frederico, enfiou nele um punhal, o que fez com que nunca mais ingerisse álcool. Jorge cresceu escritor, compositor, poeta, músico, mas, sobretudo, um homem livre.

No que diz respeito à vida de Mautner, os entrevistados primam pela espontaneidade. A filha Amora Mautner – que tinha vergonha do nome até entender que não foi uma homenagem à fruta, mas ao amor – declara que a psicanálise a salvou de uma criação sem parâmetros, na qual o pai andava nu em casa e a buscava na escola trajando apenas uma sunga. Em bate papo com a diretora de TV, Jorge diz que debates assuntos aleatórios em sua análise e, pressionado pela cria a dizer por que frequentar uma terapia se não sente que tem problemas a resolver, ele arrancou risos dos espectadores: “Pressão pública!”

Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Helena Guimarães gargalham ao lembrar da visita que receberam de Jorge Mautner e a mulher Ruth Mendes enquanto estavam no exílio, em Londres, durante a ditadura militar. O músico rodou “O Demiurgo”, um filme que mistura ficção com saudade do Brasil. Uma “chanchada filosófica”, segundo Nelson Jacobina, parceiro musical de Mautner desde a década de 70. Caetano canta “Eu Não Peço Desculpas” com Mautner no documentário.

Vestido de “Aladim” junto a Robertinho do Recife, Mautner gravou em 1981 o (hoje) hilário clipe ”Encantador de Serpentes”, que traz a dupla fazendo a cobra sair de um cesto de palha. Sucesso com Wanderléa, “Quero Ser Locomotiva” também foi citada (e tocada) no filme, assim como “Olhar Bestial”, uma canção que dedicou a Maysa em 1958.

Mas, tirando o nudismo bloqueado por sugestão da psicanalista de Amora, Jorge Mautner foi um ótimo pai, e fez a filha ler uma série de clássicos da literatura (em troca de pagamento, mas ela leu). E é um músico que acrescentou muito à arte brasileira. Também movimentou circuitos tratando da política do Kaos (movimento artístico-literário voltado à discussão de questões ligadas à cultura brasileira). E virou um verdadeiro profeta, contrariando o comentário feito por Bial (apenas em voz) lá pelas tantas em “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto” (“Jorge adora o papel de profeta!”):

“Eu sou o profeta!”

‘Rock Brasília – Era de Ouro’: Um filme sobre o movimento sob a ótica dos músicos e familiares

sábado, 22 de outubro de 2011

O rock brasileiro dos anos 80 sob a ótica de quem comandou o movimento e seus familiares. Esse é o mote de “Rock Brasília – Era de Ouro”, filme de Wladimir Carvalho que passou pela programação do Festival do Rio 2011 e estreou nesta sexta-feira (21/10), em cinemas do Brasil.

As bandas em destaque são Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. O tema principal é a formação do BRock e o comportamento de seus protagonistas. E os personagens são, além dos integrantes das mesmas, dona Maria do Carmo Manfredini, mãe do vocalista da Legião, Renato Russo, dona Sílvia Seabra, mãe do vocalista da Plebe, Philippe Seabra, seu Briquet de Lemos, pai do baterista e do baixista do Capital, Fê e Flávio Lemos, e outros parentes. O documentário reúne uma compilação de entrevistas feitas pelo diretor desde o final da década de 80.

Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Dinho Outro Preto e os irmãos Fê e Flávio. Philippe Seabra e André Mueller. Integrantes da Legião, Capital e Plebe, eles fazem parte da primeira geração de filhos de intelectuais, diplomatas e políticos que começou a surgir na música nos anos 1980. No filme, eles contam como foi experimentar a rebeldia sem causa aparente, a não ser, claro, pela sensação boa de poder cantar o que não se cantava antes devido à ditadura militar, que chegou ao fim em 1985, quando o rock brasileiro feito por esses “meninos” estava no auge.

“Vendi minha bicicleta para comprar a bateria”, diz Fê.

“Meus colegas de escola achavam horrível as bandas falarem mal da rainha”, diz Flávio, referindo-se ao período em que a família Lemos morou na Inglaterra.

“Lá, eu vi todos os shows, menos Sex Pistols”, comenta Fê.

“A única coisa que era constante era a vontade de não estar ali”, filosofa Dinho Ouro Preto: ”Éramos incrivelmente pretensiosos. Os revolucionários do planalto.”

“Fê me deixava tocar na bateria dele”, declara Bonfá.

“O Aborto Elétrico era uma banda que André Pretorius ia montar com Fê”, contou Renato Russo, em entrevista concedida em 1988.

“A gravadora queria que eu fosse um Bob Dylan do cerrado”, diz Renato Russo.

“O Renato era uma esponja da biografia de outros artistas”, lembra Dado Villa-Lobos.

“Comecei a me ligar naquelas canções longas, com melodias erráticas”, diz Caetano Veloso sobre Legião Urbana.

Abaixo, a lista dos entrevistados no filme de Wladimir Carvalho:

Renato Russo
Herbert Vianna
Bi Ribeiro
Dinho Ouro Preto
Philippe Seabra
André Mueller
Caetano Veloso
Bernardo Mueller
Hermano Vianna
Fê Lemos
Flávio Lemos
Briquet de Lemos
Dado Villa Lobos
Marcelo Bonfá
Carlos Marcelo
Carminha Manfredini
Carmem Tereza Manfredini
Sílvia Seabra
José Emílio Rondeau
Marcelo Castello Branco
Mayrton Bahia
Carlos Trilha
Gutje Woortmann
J. Pingo
Jimi Figueiredo

Rio terá exibição de documentário sobre ‘Paêbirú’, primeiro disco de Zé Ramalho, lançado com Lula Côrtes em 1975

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Faz pouco mais de um mês que faleceu Lula Côrtes, primeiro parceiro de Zé Ramalho em disco. Faz pouco tempo também que Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim conseguiram finalizar o documentário que preparavam sobre “Paêbirú – Caminho da Montanha do Sol”, álbum lançando em 1975 por Lula e Zé e hoje um dos mais raros (o original) e dos mais caros do mercado negro da pirataria de vinis (grande parte das cópias foram destruídas durante uma enchente). Parte do tempo e do investimento (próprio) foi feito entre a Paraíba e Pernambuco. A parte mais difícil foi resolver as questões burocráticas que rondaram os diretores por pelo menos dois anos. Mas todo o trabalho valeu a pena. O filme é com certeza um grande documento dessa história que nunca vai ser contada pelos dois juntos (os parceiros nunca mais se falaram depois de uma briga). Neste sábado, “Nas Paredes da Pedra Encantada” terá sua premiére carioca dentro da programação do Festival Internacional de Documentário Musicais, IN-EDIT. O filme será exibido às 21h, no Artplex Botafogo.

Leia a sinopse:

“Nas Paredes da Pedra Encantada” é um road movie que viaja pelas lendas do mítico “Paêbirú – Caminho da Montanha do Sol”, álbum lançando em 1975 por Lula Côrtes e Zé Ramalho. Os diretores Cristiano Bastos e Leonardo Bomfim arrumaram uma Kombi para levar Lula Côrtes de volta a Ingá, recanto do agreste paraibano envolto no misticismo de uma pedra talhada com signos pré-milenares. Entre as lembranças de Lula e as histórias de figuras diversas da cena udigrudi nordestina, como Lailson, Alceu Valença e Kátia Mezel, o filme investiga, não só a riqueza musical de “Paêbirú” mas também o imaginário do interior da Paraíba e o momento psicodélico dos anos 70 na ponte entre Recife e João Pessoa.

Conheça o blog do filme

Assista ao trailer

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Cover fiel de Jimi Hendrix toca no lançamento de documentário sobre o guitarrista

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O lançamento do filme “E aí, Hendrix?” no Hard Rock Café nesta última terça-feira (12/04) foi mais do que uma simples festa para comemorar a idolatria ao maior guitarrista de todos os tempos. Em grande estilo, os diretores Pedro Paulo Carneiro e Roberto Lamounier ofereceram aos convidados presentes a música de Jimi interpretada pelo grupo Are You Experienced?, liderado por John Campbell, um cover muito parecido fisicamente com Hendrix e muito virtuoso também. Clássicos como “Hey Joe” e “Foxy Lady” permearam o show.

O filme mostra a trajetória de Jimi Hendrix em Londres, onde ele morreu aos 27 anos em 1970, e traz histórias e curiosidades sobre a vida do guitarrista por meio de depoimentos de personalidades que conviveram com ele ou foram influenciados por sua obra. O biógrafo de Hendrix, Chris Welch, está no filme assim como o produtor John McCoy, que assinou o primeiro contrato de show com Jimi na Inglaterra. Também falam no documentário artistas brasileiros de certa forma influenciados pelo astro, como Pitty, Frejat, Pepeu Gomes, Robertinho de Recife, Davi Moraes e George Israel.

No Reino Unido, Hendrix lançou os sucessos “Hey Joe” e “Stone Free”, além de ter protagonizado uma das cenas mais impactantes do universo da música: queimou a própria guitarra em cima do palco durante show no Astoria Theatre, em Londres, em 1967. Ao lado de Jeff Dexter, amigo e produtor de Hendrix, Pitty inaugurou uma placa comemorativa em homenagem ao ídolo no hotel Hyde Park Inverness, primeiro lar de Jimi ao chegar na cidade. O tributo foi realizado durante o Hendrix Commemorative Experience, festival que marcou os 40 anos da morte do guitarrista e serviu de inspiração para o filme. Para destacar a perenidade do trabalho de Hendrix, os diretores resgatam imagens da década de 1960 e oferecem trechos de shows de John Campbell, considerado a reencarnação do músico, e sua banda Are You Experienced?, uma homenagem ao primeiro disco de Hendrix.

Frases interessantes do filme:

-> “Eu fui dormir baixista e acordei guitarrista” (Pepeu Gomes contando sobre a noite em que ouviu o álbum Smash Hits, apresentado a ele por Gilberto Gil).

-> “Eu me perguntei: ‘Isso é guitarra?’” (Robertinho do Recife, que já tocava o instrumento influenciado pelos Beatles e não acreditou no som que Hendrix tirava do instrumento).

-> “Jimi era um guitarrista famoso, mas pouco disciplinado” (O empresário Chas Chandler)

-> “Se Chas não tivesse feito o The Animals, não teria apresentado Hendrix”(John McCoy).

-> “Ele fez todos os defeitos da guitarra virarem efeitos” (Robertinho do Recife).

-> “A guitarra é um membro do corpo dele”(Pitty).

 

 

Bruna Surfistinha: All she need is love …ou… Coragem ou covardia, eis a questão

sábado, 19 de março de 2011


Bruna Surfistinha é um filme para causar sensações. Diversas delas. Tudo vai depender da personalidade do espectador que estiver sentado na cadeira do cinema. Comendo pipoca ou não, isso não faz diferença. Também não muda nada a pessoa estar acompanhada de alguém, seja namorado(a), amigo(a) ou até mesmo uma (outra) garota de programa. A história da menina de classe média que fugiu de casa para viver como prostituta pode causar raiva, pena, tristeza, inveja… todo tipo de sentimento é aceitável e compreensível.

Rachel Pacheco não se sentia à vontade em casa, com um pai ausente, uma mãe meio que submissa e um irmão implicante. Na escola, sofreu bullying. Farta de tudo isso, deu no pé e foi parar em um “puteiro” no qual a hora custava R$ 100. “Coitada”, disse uma amiga que assistiu ao filme. Bom, vamos ponderar… A garota também não era fácil… Em casa, não fazia questão de conversar. Na escola, deu mole de topar certas “sacanagens” com os colegas (se é que o filme é fiel à história). O longa já começa com uma cena da menina, de pijama, insinuando um striptease na frente do computador… Mais fácil do que encarar era fugir. E foi o que ela fez. Coragem ou covardia, eis a questão.

Rachel saiu na calada da noite deixando uma carta. Rachel virou Bruna, adotou o apelido de Surfistinha e se deu bem. Menina bonita, educada, inteligente e interessada em aprender tudo o que podia sobre sexo… O que mais um cara que está pagando pode querer? Num certo momento, Deborah Secco (no papel de Surfistinha) desvenda qualquer mistério que possa ter surgido na cabeça de quem não percebeu desde o início que o que Rachel precisava era se sentir amada: “Agora eu sei porque todo mundo quer famoso: para ser amado” (não exatamente com essas palavras, mas foi isso aí que ela quis dizer).

Bruna Surfistinha passou a ser muito amada: pelas prostitutas e travestis próximos, pelos clientes e pelos leitores de seu blog. Mas novamente sua fraqueza vem e acaba com tudo. Quando estava no auge de sua carreira como garota de programa, com blog e apartamento (privê) bombando de clientes (e rendendo muita grana), ela se drogou até se encher de dívidas e se ver completamente sozinha e abandonada. E Bruna acaba indo parar em um “puteiro” em que a hora custava R$ 20. Coragem ou covardia, eis novamente a questão.

Minha amiga ficou com pena e achou o filme triste. Uma outra achou Rachel Pacheco super corajosa. Para mim, o primeiro passo, rumo ao “puteiro”, foi corajoso. Mas foi covardia com ela mesma e com seus pais não tentar resolver as questões dentro de casa antes de tomar uma atitude como essa. Hoje, Rachel é ídolo. Mas, se não fosse seu estouro na mídia e a consequente fama, ela estaria entre os altos e baixos da vida “fácil” (pero no mucho) da prostituição. Se um desses clientes não tivesse se apaixonado por ela, talvez ela estivesse lá até hoje. E o pior… depois disso tudo, ela ainda perdeu (de vez) o amor de seus pais. Amor este que ela tinha, mas, por ser extremamente infantil, não conseguia ver.

Não dá pra julgar. Não é fácil entender. Talvez nem seja necessário. Rachel Pacheco foi corajosa e covarde. Hoje, é uma pessoa normal. Uma celebridade. Se por trás das câmeras é uma pessoa fraca ou uma mulher de fibra, só o ex cliente com quem se casou deve saber. Aos telespectadores resta a diversão às custas de uma história que não parece, mas é real.

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Autora diz que se inspirou em suas qualidades para criar ‘Pretty Little Liars’

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Matéria publicada na revista Megazine (O Globo) em 22/12/2010 (clique aqui)

sarashepardRIO – Sara Shepard já serviu café em lanchonete, vendeu facas de porta em porta e trabalhou em banco, mas, hoje, é uma das escritoras mais bem-sucedidas dos Estados Unidos. Autora do fenômeno “Pretty Little Liars”, que está chegando ao Brasil em forma de livros e de série de TV, Sara se orgulha do sucesso que já faz por aqui: na rede, há uma série de comunidades e sites dedicados a “PLL”; e, no Twitter, o título ficou por semanas nos Trending Topics Brasil.

- Espero que esses fãs me mandem os links desses sites pelo Twitter (@sarabooks). E eu amo quando PLL vai para os Trending Topics. Já reparei que o fluxo aumenta quando a série está no ar e que entra com diferentes títulos, como “PLL”, “Little Liars”… Estou tão feliz por meus livros agora estarem disponíveis para os brasileiros. Espero que o Brasil ame! Mal posso esperar para ver como ficou a capa – diz a autora.

 A editora Rocco acaba de lançar “Maldosas”, o primeiro volume da série que começa a contar a história de quatro amigas, Spencer , Hanna, Aria e Emily, que veem seu mundo desmoronar quando a líder do grupo, Alison, desaparece. Três anos depois, elas começam a receber mensagens de texto de alguém usando o nome de “A”, que ameaça expor seus segredos. As personagens são inspiradas em experiências de Sara quando ela era adolescente.

liars2- Fui boa aluna como Spencer, popular e fashion como Hanna, sensível e supersticiosa como Emily e, como Aria, cansei de morar no mesmo lugar e conviver com as mesmas pessoas. Ela se parece mais comigo, apesar de eu nunca ter tido um caso com meu professor de inglês – comenta Sara.

Prevista para ir ao ar no Brasil em março pelo canal Boomerang, a série estreou nos EUA em junho, pela ABC Family, com Torian Bellisario, Ashley Benson, Lucy Hale, Shay Mitchell e Sasha Pieterse no elenco. O sucesso alavancou a circulação dos livros, que são figurinha fácil nas listas de best-sellers e já atingiram a marca de um milhão de exemplares vendidos nos Estados Unidos. Sara não participou do processo de filmagem.

- Não fui responsável pela escolha das atrizes, roteiro, direção, nada! Mas acho que eles fizeram um ótimo trabalho! Tem tudo a ver com os livros. Vi o piloto no ano passado e gritei a cada cena. É estranho e maravilhoso ver suas personagens com vida – ela conta.

 Sara tem o hábito de tuitar e postar mensagens no Facebook durante a exibição dos episódios da série. Quando começou a escrever “Pretty Little Liars”, a autora usou o microblog para acalmar os “fãs ansiosos”.

- Tento sempre responder agradecendo pelas resenhas que fazem dos meus livros. Amo interagir com os fãs. Outro dia, dei uma entrevista a eles pelo Facebook usando webcam – conta Sara.

liars1A escritora diz que nunca se imaginou publicando livros, apesar da experiência com textos para a revista “Time Inc”, onde trabalhou, e para jornais e peças de teatro. Sara começou a escrever “Pretty Little Liars” em 2004, e hoje a série acumula oito títulos. O próximo a ser lançado no Brasil se chama “Impecáveis”:

- Escrever é o que eu amo e é meu trabalho: passo todo meu tempo dedicada a “PLL” e a “The Lying Game”, uma série adulta que acabou de estrear. Mesmo se eu não publicasse livros, escreveria para mim.
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Motivados pelo lançamento do ‘Guia do toco’, estudantes falam de foras que deram e levaram

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Matéria publicada na revista Megazine (O Globo) em 30/11/2010 (leia aqui)

tocoRIO – Que atire a primeira pedra quem nunca deu ou levou um fora inesquecível. Ligação não atendida, sumiço ou frases dolorosas como a simples “não estou mais a fim” podem deixar uma pessoa de cama. Experientes no assunto, as jornalistas Leticia Rio Branco e Fabi Cimieri listaram 69 tipos de veto no livro “O guia do toco – como dar e levar sem perder o bom humor”, recém-lançado pelo selo Best Seller. E a Megazine foi ao campus da PUC para saber que espécies de toco estão à solta por aí.

- O toco atinge pessoas de todas as idades. Mas, se há dez anos eu soubesse o que sei sobre o assunto hoje, teria evitado muitos. Todos vão se identificar com o livro, mas os jovens terão a visão de mulheres experientes – comenta Fabi, de 34 anos.

Se tivesse experiência, talvez o estudante de cinema Guilherme Arcanjo pudesse ter evitado o que o livro chama de “toco amigo” no cinema.

- Tentei beijar a garota, mas ela não deixou. Pulei duas cadeiras para o lado.

E Eduarda Dupin, do curso de Comunicação Social, talvez soubesse sair de uma relação “não estável” sem deixar o cara chateado.

- Não estava mais a fim e não sabia como falar. Fui parando de atender o telefone – conta a estudante.

Acostumada a dar nomes aos tocos, sempre anotando-os em guardanapos de bar ou folhas de papel, Leticia Rio Branco, de 33 anos, acha que saber aceitar o fora é uma arte. Mas ela admite que já se deixou abalar.

- Uma vez, tomei um “toco gringo” que me deixou doente. Viajei para a casa do cara, e ele mudou de figura – diz a jornalista, que levou o pé nabunda do estrangeiro.

Os tocos reunidos pela dupla estão divididos nas categorias Clássicos (“toconfuso” e “tocudoce”), Esfarrapados (“tô chegando” e “redes sociais”) ou Sinistros (“eu sou gay” e “doença fatal”). Na página ao lado, você lê histórias reais de pessoas que levaram ou deram os mais diversos tipos de toco – catalogados ou não no livro das jornalistas.

ANA ELISABETH AMARAL: Só porque não quis conversar com um cara na boate, a estudante de jornalismo de 25 anos acabou levando um tapa: “Ele puxou meu cabelo para me beijar, e eu o empurrei”. O menino partiu para a agressão, e ela revidou. “O toco acabou em porrada. Ele me bateu, e eu bati nele!” O mané foi expulso da boate, e Ana Elisabeth lançou uma nova espécie de toco, o “barraqueiro”, que não está no livro.

 GUILHERME ARCANJO:  ”Me busca na saída do Enem?” A frase foi a senha para uma peguete de Guilherme ganhar um “toco high school”. “Ficamos uma vez. Quando liguei, descobri que ela tinha 16!”. Mas ele também já foi vítima: “Estava no cinema e, quando fui beijar, ela disse que éramos só amigos”. De tanto levar fora, ele tomou uma atitude: “Comecei a fazer stand up comedy, e tudo mudou. Peguei até as que me rejeitaram”.

EDUARDA DUPIN: Não quer mais sair com alguém e não sabe como dizer? Dê um “tocobina”, como fez essa estudante de 19 anos: “Eu dava desculpas, dizia que ia viajar e fui parando de atender o telefone. Teve um dia em que ele percebeu e parou de ligar”. Um tempo depois, Eduarda encontrou o menino na rua e falou com ele como se nada tivesse acontecido. “Meio cara de pau, né? Acho que ele nem queria falar comigo”.

 ELISA TEPEDINO: Ela corria atrás do gatinho, e ele até topava sair (o livro chama esse de “toco até pode”). Um dia, a aluna de 20 anos cansou de ligar e deu o “toco bumerangue”: “Encontrei na night, e ele chegou em mim. Aí, eu disse ‘não’”.

ANWAR NACIFF: A estudante de 20 anos marcou até hora com a menina, que, depois de uma ficada, apareceu em sua casa. “Falei para voltar no dia seguinte e não fiquei lá.” Mas, mesmo após esse “toco Mr. M”, ela ainda deixou um bombom.

 CÉSAR COUTINHO: Esse aí já levou todo tipo de toco: via redes sociais, MSN etc. Mas, para o estudante de Engenharia do Petróleo, o mais comum é aplicar o “tribalista”, aquele em que o homem passa a noite trocando de mulher – e, é claro, ouvindo muitos “nãos”. “Normalmente, chego em quinze e consigo pegar três”. Ao perguntar o nome de garotas na night, ele já ouviu coisas como “eu prefiro a morte”. Mas César, de 20 anos, outro dia reverteu o quadro dando o “toco bumerangue”: “A menina falou que eu era feio. Pensei rápido e disse: ‘mas eu quero ficar com sua amiga, não com você’ (risos)”.

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Leo Morel lança livro sobre o impacto da inovação tecnológica na música: ‘Muita gente chorou e virou saudosista’

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Matéria publicada no siteda Megazine (O Globo) em 01/09/2010

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RIO – Até o surgimento do disco de vinil, a única forma possível de se ouvir música era se aproximando daquele que sabia ler partitura e tinha um instrumento. Com a bolacha transformando faixas em bem de consumo, a sociedade passou a enxergar a música de outra forma. Processo semelhante aconteceu quando apareceu o mp3 e, com ele, as trocas de informação pela web. Muito já se falou sobre isso, mas pouco se ouviu dos músicos, ou melhor, daqueles que realmente (sobre)vivem desse comércio. São pontos de vista desses “operário” que Leo Morel colocou em “Música e Tecnologia”, sua dissertação de conclusão do curso de pós-graduação que acaba de ser lançado como livro pela editora Azougue.

- O livro fala sobre o impacto da inovação tecnológica e as mudanças na maneira de se produzir, distribuir e consumir música. Esse universo virou de cabeça pra baixo, e muita gente sentou, chorou e virou saudosista. Procurei ouvir gente que trabalha, que procurou se adaptar, para saber quais estratégias essas pessoas estão usando para sobreviver – conta.

Durante os estudos para a dissertação, a busca de Leo foi por diferentes pontos de vista. Para isso, entrevistou pessoas que atuam em nichos específicos. Ele foi de Forfun, banda que ganhou força após divulgar sua música na rede, a Geraldo Azevedo, artista que começou sua carreira na época dos discos de vinil. Uma das maiores surpresas foi descobrir que o pernambucano foi dono do primeiro estúdio a ter tecnologia digital da América Latina, o Discovery.

01_mvg_morel21- Ele sempre esteve antenado. Também falei com Leoni que começou a tocar com o Kid Abelha nos anos oitenta e, hoje, comanda uma carreira solo de forma independente. Entrevistei Jay Vaquer, que ainda está tentando firmar seu nome no mercado. Quis ouvir também um instrumentista, porque esse é o artista que tira seu sustento dos shows que faz acompanhando grandes nomes. Falei com João Viana, baterista que trabalha com o pai, Djavan, e já tocou com Cássia Eller e Nando Reis. Também conversei com produtores e jornalistas, como Sérgio Cabral – diz.

Baterista e percussionista – que tem em seu currículo o trabalho com a banda Reverse e hoje acompanha diversos blocos de carnaval do Rio (Empolga às 9, Monobloco, Quizomba e Bloco Cru) – Morel concluiu que não tem como prever o futuro. Para o integrante da banda Unidade Imaginária, uma das cinco indicadas ao prêmio Aposta MTV do VMB 2010, o lado bom é que tudo ficou mais acessível:

- Acabou aquele mundo que a gente conhecia, de discos, gravadoras, lojas de discos e rádios. E ele não volta mais. Percebi também uma quebra do controle do processo produtivo. Se antigamente as gravadoras tinham controle desse processo, agora é o próprio artista que toca sua carreira. Tudo ficou mais possível graças à inovação tecnológica.

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Fenart: Zuenir Ventura fala de Marina Silva e diz que não leu o livro baseado em suas conversas com Veríssimo

domingo, 30 de maio de 2010

Durante um bate papo gostoso com jornalistas que cobriam o Festival Nacional de Arte (Fenart) de João Pessoa, Zuenir Ventura falou sobre seu apoio à pré-candidata à presidência pelo Partido Verde, Marina Silva, lembrou do caso em que um jornalista o “matou” em uma notícia para um site e confessou que ainda não teve coragem de ler “Conversa sobre o Tempo”, livro baseado em conversas suas com o amigo Luis Fernando Veríssimo. O jornalista e escritor comentou sua experiência com a Revolução Digital e se assumiu um otimista. Confira as declarações nos vídeos abaixo:

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Favela Blue apresenta evento multicultural na Lapa com ECT (Eu, Chris e Taís), teatro e cinema

terça-feira, 23 de março de 2010

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Música, teatro, cinema e stand up comedy… Favela Blue Apresenta evento multicultural no MOFO da Lapa. Quinta-feira (25/03), a banda Favela Blue será anfitriã do festival que terá diversas manifestações artísticas. Luciana Malcher pretende fazer o público morrer de rir com seus números de improviso. Michel Schettert apresentará três curta-metragens: “Faça seu papel”, “Arrepio” e “Um modo estranho de ser”. As artes cênicas estarão muito bem representada por André Pateta, que levará seu “Projeto 1434 personagens” ao palco. E a música fica por conta das bandas ECT (Eu, Chris e Taís) (veja MySpace) e Favela Blue (veja MySpace).

Rodrigo Sestrem é compositor e multiinstrumentista. Christina Fuscaldo canta e brinca com instrumentos diversos. Taís Salles é cantora, compositora e violonista. Com violão, flauta, vozes e barulhinhos percussivos, eles estão juntos no ECT (Eu, Chris e Taís), percorrendo a música brasileira de forma descontraída. Vão da roça ao rock, passando pelo folk e pelos baticuns dos terreiros. No repertório do primeiro EP, estão o forrock “De repente na cidade” (Taís Salles), a pop “Fênix” (Taís Salles), o folk “Enteléquia” (Felipe Melo e Taís Salles) e a nostálgica “Pra Falar da Bahia” (Rodrigo Sestrem e Taís Salles). Neste show, eles estarão sozinhos, mostrando seu formato acústico.

Formada em 2008, a banda Favela Blue nasceu da iniciativa do guitarrista e compositor Amu. O grupo reúne diversos ritmos brasileiros rearranjados numa estética contemporânea. A ideia é experimentar e “suingar”. Em 2009, com a formação atual, a banda gravou um EP com cinco músicas próprias. Favela Blue é um encontro, um abrasileiramento da música de trabalho americana ou uma universalização da música popular brasileira. A mistura se dá na experiência e no encontro de músicos de diferentes origens: Amu, de Brasília, Marcello Gabbay, do Pará, Bernardo Prata e Pablo Diego do Rio de Janeiro. Favela Blue é música popular, é suingue, é encontro. No Mofo, a Favela Blue vai fazer um show elétrico.

Favela Blue Apresenta Evento multicultural no MOFO da Lapa:  Quinta-feira (25/03), às 21h, no Mofo (Av. Mem de Sá, 94, Lapa – 2221-9851). R$ 10.