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The Mark: ‘Easy Star’s Lonely Hearts Dub Band’ é destaque na Markusic

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Já faz uns cinco ou seis anos que o álbum “Dub Side of the Moon” ganhou as melhores cotações nas páginas de crítica dos jornais brasileiros. A versão em dub do clássico do Pink Floyd “Dark Side of The Moon” revolucionou o mundo do reggae pelas mãos do Easy Star All-Stars. Faz pouco menos de um mês que chegou às minhas mãos o resultado de uma nova (mas não tanto) aventura do grupo novaiorquino, só que desta vez pelo universo dos Beatles. O álbum “Easy Star’s Lonely Hearts Dub Band” traz a releitura de todo o repertório do “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” seguindo o estilo consagrado na Jamaica. Se o original foi um disco que mudou a história do rock por todas as suas inovações, este tributo não fica atrás no quesito experimentação.

Leia a resenha completa na coluna Markusic da revista The Mark

Banda neozelandesa The Naked And Famous faz show com abertura da Tipo Uísque

quarta-feira, 14 de março de 2012

A banda neozelandesa The Naked And Famous faz show no Circo Voador nesta quinta-feira (15/03), com abertura da brasileira Tipo Uísque. Eleita como uma das grandes revelações da cena musical internacional em 2011 e apontada pela equipe da BBC como a promessa musical de 2012, TNAF traz ao país a turnê internacional de seu primeiro álbum “Passive Me, AggressiveYou”. Com o EP “Afague” recém-lançado, a Tipo Uísque mostrará porque tem chamado atenção na cena indie.  O show no Circo Voador está previsto para 23h30 e o ingresso custa R$ 100 ou R$ 50 para estudantes, menores de 21anos, idosos, quem levar 1kg de alimento ou e-flyer.

Clique aqui e leia na coluna Markusic do site The Mark uma entrevista com a banda Tipo Uísque.

The Mark: Promessa carioca, Cícero diz que suas músicas ganharam espaço sozinhas

sexta-feira, 9 de março de 2012

“Não fiz análise de mercado e carreira e do que está acontecendo. Coloquei o disco na internet e as músicas fizeram tudo sozinhas. Tô meio a reboque do que elas estão gerando de interesse nas pessoas”.

Isso foi o que disse em entrevista a TVMB, a televisão da Melody Box (rede social voltada para músicos, produtores e fãs) Cícero, músico convidado a abrir o show de Marcelo Camelo, sábado (10/03),  no Circo Voador. Clique aqui e leia mais sobre esse novo expoente da cena musical carioca na coluna Markusic, do site The Mark.

Abaixo, o clipe de “Tempo de Pipa”, música de Cícero:

Som de preto: quando toca, ninguém fica parado

segunda-feira, 5 de março de 2012

“O nosso som não tem idade, não tem raça e não tem corMas a sociedade pra gente não dá valor”

Com o funk “Som de Preto”, Amilka e Chocolate cantaram na década de 90 o que o samba quis dizer no início do século XX, quando seus expoentes eram perseguidos, e o que Wilson Simonal deveria ter gritado quando foi levianamente chamado de dedo-duro durante a ditadura militar, o que afundou uma carreira de sucesso que incomodava por ser algo inédito para um negro no Brasil. Os funqueiros disseminaram a ideia que as “branquelas” da axé music vêm explorando desde que Daniela Mercury popularizou o movimento fora da Bahia, nessa mesma época em que a música das favelas cariocas se espalhou pelo país: a de que os estilos desenvolvidos a partir da música africana botam mesmo pra quebrar. “É som de preto, de favelado. Mas quando toca, ninguém fica parado”, cantava no refrão a dupla produzida na época por DJ Marlboro. Sugando o soul dos negros americanos, que influenciou até mesmo Elvis Presley, Tim Maia é um que se deu bem às custas da música negra.

Mas vamos falar da Bahia, que sempre se orgulhou de sua cultura, muito influenciada pela mistura de raças. Foi lá que Pedro Álvares Cabral desembarcou pela primeira vez (mais especificamente entre Santa Cruz de Cabrália e Porto Seguro) e para lá os portugueses levaram escravos retirados do Golfo da Guiné. Com eles, vieram da África a culinária, a música, a dança e a religião. Axé, no Candomblé, simboliza um poder de força sobrenatural. Na música, o axé é o resultado da mistura de frevo, forró, maracatu, reggae e calipso, e ganhou mais força quando grupos blocos afros ganharam os palcos e ruas de Salvador. Hoje em dia, o estilo se desvirtuou, mas ainda há quem enalteça as raízes negras.

Neste último carnaval, Claudia Leitte saiu de Negalora no Bloco Papa e no Bloco da Barra, homenageando mulheres de tribos africanas. Seu camarote ganhou o nome de África e as roupas seguiram as tendências do outro continente. No camarote DM, Daniela Mercury homenageou Jorge Amado, baiano que escreveu muito sobre a cultura local. Em cima do trio elétrico, encarnou Dona Flor, personagem famosa do escritor, protagonizou cenas de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e entoou clássicos como “O Canto da Cidade” e “O Mais Belo dos Belos”, na qual diz: “Bata no peito mais forte e diga: Eu sou Ilê”(Ilê Aiyê é o bloco afro mais antigo do carnaval de Salvador).

Vale lembrar que a “rainha do carnaval”da Bahia, como declarou Ivete Sangalo, levou um Grammy Latino por seu álbum Balé Mulato em 2007 e defendeu os negros também quando gravou “Preta” ao lado de Seu Jorge:

“Eu sou preta
Trago a luz que vem da noite
Todos os meus santos
Também podem lhe ajudar

Negro é uma cor de respeito
Negro é inspiração
Negro é silêncio, é luto
Negro é a solidão”

The Mark: Inspirados por Vinícius, Chico e Calcanhotto, irmãos gaúchos Kleiton & Kledir dedicaram ‘Par ou Ímpar’ às crianças

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na coluna Markusic da The Mark, foi publicado na semana “Tiny Little Things” um bate papo com Kleiton & Kledir sobre “Par ou Ímpar”, um disco feito para guris.  Nele, os irmãos gaúchos gravaram canções sentimentais e, também, músicas compostas recentemente para a criançada. Leia a introdução do texto disponível na revista virtual e, depois, vá até lá mergulhar na íntegra da entrevista. Aproveite e… volte a ser criança!!!

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A música também sempre teve momentos de “fofidão”. É verdade. Quem não achou fofo, na década de 80, Raul Seixas gravar “Carimbador Maluco” junto com o Balão Mágico? Eu, não, porque eu era bem pequena naquela época… Mas meus pais contam que foi uma brecha na vida louca do maluco beleza. Não faz muito tempo que a moda de músico adulto se dedicar à criançada voltou. E não foi um ou dois que gravaram uma ou duas canções dedicadas aos pimpolhos. Grandes nomes brasileiros voltaram ao jardim de infância e fizeram verdadeiras obras de arte infantis. Primeiro, foi Adriana Calcanhotto, com seu “Partimpim”. Depois, vieram Pato Fu, Arnaldo Antunes, Kleiton & Kledir… A banda de Fernanda Takai e John Ulhôa gravou “Música de Brinquedo” usando apenas instrumentos infantis. “Pequeno Cidadão” traz músicas compostas pelo ex-integrante dos Titãs e por Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto para seus filhos. Já os irmãos gaúchos sentiram-se estimulados pela tradição de músicos brasileiros dedicarem canções às crianças e lançaram o álbum “Par ou Ímpar” recentemente.

“É uma novidade na carreira, mas a vontade era antiga. Ficamos entusiasmados quando Vinícius de Moraes lançou ‘A Arca de Noé’. Depois, o MPB4 fez discos infantis (“Flicts” e “Adivinha o que é”). Existe essa tradição na música brasileira que vem desde Braguinha, passou por Chico Buarque quando ele fez ‘Os Saltimbancos’ e andou esquecida. Resgatada por Adriana, Arnaldo e Pato Fu, essa tradição serviu de estímulo pra gente”, conta Kledir.

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Clique aqui e leia a entrevista na íntegra

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The Mark: C.Q. Lee promove androginia no rock

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A revista virtual The Mark publicou esta semana uma resenha sobre o musical “Isto Aqui é Rok’n'Roll”, que está em cartaz às terças e quartas-feiras, até o fim de fevereiro, no Teatro Leblon. No palco, Carlos Lofller e Banda contam a história do roqueiro C.Q. Lee, que experimentou de tudo. Carlinhos Quase Lee (que tem esse nome porque se diz íntimo de Rita Lee), drogou-se pra caramba, vendeu maconha para integrantes dos Rolling Stones, inspirou diversos sucessos do rock etc. Bissexual assumido, entre uma música e outra, fala abertamente dos seus casos e dá em cima dos integrantes de sua banda. Vestem a camisa do show e surpreendem com tanto talento os guitarristas Lula Washington e Danilo Bareiro, o baterista Cassio Acioli, o baixista Rubey Catarcione e a backing vocal Kelly Ana. Carlos Loffler impressiona com seu potencial vocal.

Leia o texto na íntegra na coluna Markusic, na revista The Mark

 

Marjorie Estiano fala para a The Mark sobre anos 90 e outros momentos de sua vida e carreira

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

“Nos anos 90, tinha roupas dos anos 90. Acho que usei baloné. É, usei muita baloné.”

Para a música, os anos 90 foram o início da mistura que hoje domina o cenário. O rock continuou tendo seu espaço, mas com ele dividia as atenções o pagode, o axé e o movimento manguebeat, encabeçado pelo pernambucano Chico Science. Nesta mesma época,  em Curitiba, uma jovem apaixonada por todo tipo de arte que não tinha decidido ainda se queria ser cantora ou atriz, mas já estudava teatro e fazia aulas de canto. Mais tarde, já no século XXI, Marjorie Estiano acabou assumindo os dois papéis e conseguiu até protagonizar ambos quando estreou na telinha como Natasha, em Malhação, da Rede Globo. Marjorie tem em seu currículo dois álbuns (“Marjorie Estiano” e “Flores, Amores e Blábláblá”), um DVD (“Marjorie Estiano e Banda Ao Vivo”), participações em coletâneas e shows aos montes. Para nossa entrevista especial sobre anos 90, a The Mark elegeu a cantriz Marjorie Estiano para falar sobre a década em que foi adolescente e outros momentos de sua vida e carreira.

Leia entrevista de Júlia Almeida e Christina Fuscaldo com Marjorie Estiano


Cantora, compositora, cineasta e ‘filha de’

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Herdeira de Glauber, Ava Rocha lança disco de estreia de sua banda, AVA, e faz show no Rio

Realizado todas as quartas-feiras, às 20h30, gratuitamente, no Studio RJ (Av. Vieira Souto, 110, Ipanema), o projeto Cedo e Senta, do Fora do Eixo, recebe a banda AVA. Apresentando o show do disco “Diurno”, AVA é formada por Ava Rocha, Daniel Castanheira, Emiliano Sette e Nana Carneiro da Cunha. A banda Canastra encerra a noite e, no comando das picapes, a DJ Tata Ogan apresenta seu estilo “Da raiz ao chip”. Para conhecer melhor a AVA, leia a matéria que saiu na revista Rolling Stone de dezembro sobre AVA, com complemento especialmente feito para o GarotaFM:

 

“Surge uma nova cantora de voz grave.” A manchete poderia ser essa se Ava Rocha não fosse muito mais do que isso. A cantora de voz peculiarmente grave é também compositora, cineasta, neta de Jorge Gaitán Durán, poeta famosíssimo na Colômbia, e filha caçula do ícone do Cinema Novo Glauber Rocha. Ava entende menos de música do que de cinema, mas enveredou para essa arte depois de aprender a ser musicista com o irmão, o compositor Pedro Paulo Rocha. Ela reuniu três músicos de talentos tão peculiares quanto o dela na AVA e, desde 2008, com o microfone na mão e muitas ideias na cabeça, vem recebendo elogios, conquistando seu público nos palcos do Rio de Janeiro e gravando. O resultado da experimentação está no disco “Diurno”, que a Warner acaba de lançar.

“Sou a pessoa menos preparada musicalmente na banda. Falo de composição como se estivesse falando de um filme que invento. Sempre cantei, mas nunca me vi como cantora. Comecei a entender esse meu lugar na música ao lado do Pedro, porque ele também não tem o compromisso estritamente musical. A partir da música que ele faz, estética, política e filosófica, senti uma vitalidade no meu canto. Encontrei neles (músicos da banda) a mesma liberdade”, conta Ava.

Pedro virou o quinto elemento da AVA, além de parceiro da irmã em “O Futuro”, “Batendo no Mundo” e “Filha da Ira”, esta última a primeira composição da artista. Na banda, estão Daniel Castanheira, Emiliano Sette e Nana Carneiro da Cunha. Doutorando em Letras, Daniel assume a bateria, a percussão e os elementos eletrônicos do álbum. Fã de João Gilberto e Jimi Hendrix, Emiliano toca violão com pedais. Nana faz do violoncelo seu instrumento de rock’n'roll. No palco, o quarteto também é acompanhado pelo baixista (Rodrigo Sebastian) e  pelo pianista (Otávio Ortega), que também gravaram em “Diurno”. Gravado em estúdios, salas abertas e até no atelier do Tunga (artista plástico que fez a capa do CD), a mistura resulta em um som experimental, meio soturno meio enigmático e, sem dúvida, orgânico e diferente de tudo o que se vê por aí.

“Cada um traz seu conjunto de referências e todo mundo compartilha algumas. John Cage, Velvet Underground e Arto Lindsay, que gravou guitarra em ‘O Futuro’, são alguns. A última música do disco são todas as músicas coladas uma por cima da outra numa faixa só. É uma ruidagem que Cildo Meireles fez em um dos trabalhos dele”, diz Daniel.

Ava tenta enumerar as influências acumuladas em seus 32 anos de vida: “Para mim, referências fortes nesse disco e nesse processo são Clarice Lispector, Frida Kahlo, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, Jards Macalé, John Cage, Godart, Deleuze, a poesia latino-americana, Charly Garcia…”

Da MPB, a banda regravou “Movimento dos Barcos”, de Jards Macalé e Capinam, e “Pra Dizer Adeus”, de Edu Lobo e Torquato Neto. Os irmãos Ava e Pedro assinam com Clarice Lispector a autoria de “Batendo no Mundo”, que traz uma passagem do livro “Água Viva”, da escritora. Do avô colombiano, Ava Rocha trouxe para o disco, musicado por ela e Emiliano, o poema “Sé Que Estoy Vivo”, do Livro “Os Amantes” (1959). Orgulhosa de sua história, Ava não tem medo do estigma de “filha de”.

“Minha mãe se chama Paula Gaitán e também é cineasta. Minha avó era diretora de teatro. Dos 14 aos 20, morei em Bogotá e deixei de ser a filha de Glauber para me tornar a neta de Jorge Gaitán Durán. Mas sempre fui eu, e acho natural que as pessoas tenham afeto e transfiram um pouco esse sentimento. E não me incomoda. Talvez possa estar havendo uma certa preguiça. Meu irmão (Eryk Rocha) é um cineasta importante no Brasil e continuam chamando ele de ‘filho do Glauber’. É um gancho, abre portas, mas é uma coisa natural na nossa vida… Mas não sou a única filha de cineasta nessa banda”, esquiva, apontando para Emiliano.

O violonista é filho de José Sette, autor de filmes como “Um Filme 100% Brazileiro” e “A Janela do Caos”, e, assim como todos os outros, inclusive Ava, fã de Glauber:

“Independente de qualquer coisa, meu pai só traz coisas boas para todas as pessoas que tem ligação com a cultura brasileira. Todos aqui são filhos de Glauber”, finaliza Ava.

Lou Reed e Metallica são destaque na Markusic, a coluna musical da revista The Mark

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Já faz algumas semanas que me tornei colaboradora da The Mark, que tem lançamento oficial previsto para esta semana, durante o Fashion Rio. Idealizada por Júlia Almeida, atriz, fotógrafa amadora e uma apaixonada por escrever,  a revista virtual traz textos de antenados como o publicitário Rafael Simi, o stylist Yan Acioli e a videomaker Patrícia Fróes. Destacam-se os ensaios fotográficos do diretor de arte Sebastian Bailey, inglês radicado no Rio e co-fundador da The Mark, e os textos editoriais e os de gastronomia de Júlia. Na Markusic, escrevo sobre o que há de mais cool na música ou experiências pessoais com a arte que faz qualquer esqueleto balançar. Nesta quarta-feira (11/01), publiquei uma resenha sobre “Lulu”, o novo disco de Lou Reed com o Metallica. Acesse The Markusic e leia.

Leia também:

Marisa Monte esquenta o gogó em baladas simples que mobilizam

Mallu Magalhães: Amor com gosto de Pitanga

O Rio de Janeiro é de Vinil


GarotaFM: A música embrulhada para presente

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sempre gostei de dar música de presente para amigos, familiares ou colegas de profissão. Podia ser através de LPs, fitas cassetes, CDs quando já mais crescidinha, livros relacionados ao tema, ingressos para shows ou, já no século XXI, DVDs. Nos últimos dez anos, essa mania virou um hábito. Como jornalista musical, aproximei-me ainda mais dos títulos, porque recebo muitos deles (para usar como material de consulta durante minha produção de textos) e porque segui comprando nas poucas lojas ainda existentes, em sebos, em feiras de rua etc. Nos últimos dez anos, descobri no processo de seleção de presentes uma verdadeira diversão. No Natal, principalmente, escolher no mínimo dez nomes para homenagear pessoas queridas com minha arte preferida é praticamente uma experiência antropológica.

Minha saga quase começou quando tirei o papelzinho do amigo oculto da empresa. Havia uma lista na rede compartilhada com o presente que cada um queria. O primeiro colocou lá: “CD ‘O que Você quer Saber de Verdade’, de Marisa Monte”. A outra repetiu o desejo. Uma terceira fez a mesma coisa. Todos já completamente fãs de “Ainda Bem”, música recém-lançada pela cantora e, com certeza, a sua mais radiofônica depois de “Amor I Love You” (do CD “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor”). Eis que um colega vindo do circuito mais underground do jornalismo musical fez seu pedido: “O disco do Kassin.” Ele queria “Sonhando Devagar”, o primeiro solo do produtor de discos de Caetano Veloso, Mallu Magalhães, Vanessa da Mata, Los Hermanos e tantos outros. Entendi melhor ainda o ar vintage da minha chefe quando ela colocou lá seu desejo pelo DVD de algum filme de Elvis Presley. Eu disse que a saga havia quase começado porque não tirei nenhum deles e acabei parando numa loja-de-mulherzinha para buscar um gloss.

Poucos dias depois, fui vencida pela insistência de minha prima de 14 anos. Levei a “aborrecente” a um show de Luan Santana. Pois é… Quando criança, ser fã de Dominó ou New Kids On The Block era, no máximo, colecionar recortes de jornais e revistas e vibrar com apresentações em playback em programas de TV. Quando adolescente, roqueira, tinha como programa preferido frequentar bares e casas de shows onde as bandas de amigos e familiares tocavam. Mas, naquela sexta-feira acalorada de dezembro, fui parar em um clube na Ilha do Governador onde estavam milhares de meninas e otros más berrando e fazendo coraçõezinhos com as mãos. Minha prima pulou, suou se empolgou tanto que eu não pude deixar de achar saudável minha incursão no mundo do astro de “Meteoro”. O moço fala umas besteiras e faz uns gestos não muito apropriados para seu público, mas canta de verdade… e canta o amor. Ownnnn!

Para meu pai, beatlemaníaco daqueles, adiantei o presente de Natal: no mês anterior, comprei ingressos para ele e minha mãe assistirem comigo e meu namorado a Ringo Starr e sua All Starr Band. Ultimamente, seu sorriso de felicidade estava viciado por estar atrelado aos DVDs que costumo dar. Mas, naquela madrugada, saímos da Barra da Tijuca com mais comentários do que nunca (meu pai sempre gosta de tecer os seus enquanto seus ídolos estão no palco, mesmo quando os vê pela televisão). Além de ver um ex-Beatle de perto, encontrou vários sessentões da sua turma. A alegria se estendeu até o dia seguinte, quando recebi um e-mail típico deste engenheiro civil apaixonado por música e inimigo da internet: em papel timbrado anexado à mensagem, com belíssimas palavras, mostrou que o esforço que fiz para pagar os tickets mais caros, os da pista VIP, valeu a pena.

Meu namorado… Bom, CD e DVD, não adianta dar. Ele faz a linha “baixo tudo”.  O gato ganhou duas câmeras fotográficas alternativas (uma com lente olho de peixe e uma que faz quatro fotos ao mesmo tempo), mas não pode reclamar de não ter ganhado um presente musical.  Já que estamos perto do ano novo, vale um mini flashback de retrospectiva… Este ano, o levei a grandes shows. O melhor presente veio no dia do seu aniversário: um ingresso para assistir à banda de rock que mais marcou sua adolescência, Red Hot Chili Peppers. Teve ainda vários outros nomes em outros dias de Rock in Rio, Lynyrd Skynyrd no SWU, concertos incríveis na MIMO (Mostra Internacional de Música em Olinda), atrações diversas no Lupaluna… Isso sem contar os eventos fora dos festivais: Mundo Livre S/A, Zé Ramalho, Eric Clapton (!!!), Ringo, Tom Zé, Totonho e os Cabra, A Cor do Som, Tony Tornado (!!!)… ai, chega! Impossível lembrar de todos! Foi bom, né, meu amor?

E, finalmente, chegou o grande dia da distribuição. Enquanto Papai Noel deixava bonecas variadas e uma guitarra das Princesas para a filha do meu irmão, eu comecei a tirar os embrulhos feitos por mim do saco. Para minha progenitora, DVD e CD de André Rieu e o kit de Elymar Santos cantando sucessos de Alcione. Que mistura, hein, mãe?!  No dia seguinte, ela não tirou o espetáculo do regente holandês da TV e o CD do cantor brega brasileiro do som do carro. Minha sobrinha de um ano e meio levou o DVD do Palhaço Topetão e não esboçou nenhum sentimento. Com uma mãe super adepta da importação via internet de produtos estadunidenses, ela já é uma big fan dos CDs do “Hi-5”. Minha prima de sete pulou de felicidade ao rasgar o papel e dar de cara com Justin Bieber. A irmã de 15 anos, adotada como prima desde que meu primo se casou com sua mãe, ficou com o da Taylor Swift, que julguei ser um fenômeno de sua geração. Dei para minha avó, a matriarca de 96 anos – que tem toda a coleção de Nelson Gonçalves, Ataulfo Alves, Francisco Alves e Cyro Monteiro – um DVD de Martinho da Vila, porque há algum tempo ela resolveu se encantar por sambistas “novos”. Bom, perto dos ídolos dela, Martinho é mesmo um broto!

E rolaram outros presentes, que gastariam mais alguns parágrafos desse artigo. Cada um tem um gosto, uma preferência. E é uma delícia tentar entender as personalidades através do que gostam de ver ou ouvir. Não sei se vocês conseguiram sacar algo sobre os que citei no texto. Eu começo 2012 ano com mais certeza de que conheço cada vez melhor as pessoas que estão a minha volta. E a música me ajuda nisso. Um 2012 musical a todos!

Obs.: A imagem foi registrada em 2006 pela grande fotógrafa Wania Corredo, que trabalhou comigo no jornal Extra.