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The Mark: Inspirados por Vinícius, Chico e Calcanhotto, irmãos gaúchos Kleiton & Kledir dedicaram ‘Par ou Ímpar’ às crianças

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na coluna Markusic da The Mark, foi publicado na semana “Tiny Little Things” um bate papo com Kleiton & Kledir sobre “Par ou Ímpar”, um disco feito para guris.  Nele, os irmãos gaúchos gravaram canções sentimentais e, também, músicas compostas recentemente para a criançada. Leia a introdução do texto disponível na revista virtual e, depois, vá até lá mergulhar na íntegra da entrevista. Aproveite e… volte a ser criança!!!

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A música também sempre teve momentos de “fofidão”. É verdade. Quem não achou fofo, na década de 80, Raul Seixas gravar “Carimbador Maluco” junto com o Balão Mágico? Eu, não, porque eu era bem pequena naquela época… Mas meus pais contam que foi uma brecha na vida louca do maluco beleza. Não faz muito tempo que a moda de músico adulto se dedicar à criançada voltou. E não foi um ou dois que gravaram uma ou duas canções dedicadas aos pimpolhos. Grandes nomes brasileiros voltaram ao jardim de infância e fizeram verdadeiras obras de arte infantis. Primeiro, foi Adriana Calcanhotto, com seu “Partimpim”. Depois, vieram Pato Fu, Arnaldo Antunes, Kleiton & Kledir… A banda de Fernanda Takai e John Ulhôa gravou “Música de Brinquedo” usando apenas instrumentos infantis. “Pequeno Cidadão” traz músicas compostas pelo ex-integrante dos Titãs e por Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto para seus filhos. Já os irmãos gaúchos sentiram-se estimulados pela tradição de músicos brasileiros dedicarem canções às crianças e lançaram o álbum “Par ou Ímpar” recentemente.

“É uma novidade na carreira, mas a vontade era antiga. Ficamos entusiasmados quando Vinícius de Moraes lançou ‘A Arca de Noé’. Depois, o MPB4 fez discos infantis (“Flicts” e “Adivinha o que é”). Existe essa tradição na música brasileira que vem desde Braguinha, passou por Chico Buarque quando ele fez ‘Os Saltimbancos’ e andou esquecida. Resgatada por Adriana, Arnaldo e Pato Fu, essa tradição serviu de estímulo pra gente”, conta Kledir.

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Clique aqui e leia a entrevista na íntegra

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The Mark: C.Q. Lee promove androginia no rock

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A revista virtual The Mark publicou esta semana uma resenha sobre o musical “Isto Aqui é Rok’n'Roll”, que está em cartaz às terças e quartas-feiras, até o fim de fevereiro, no Teatro Leblon. No palco, Carlos Lofller e Banda contam a história do roqueiro C.Q. Lee, que experimentou de tudo. Carlinhos Quase Lee (que tem esse nome porque se diz íntimo de Rita Lee), drogou-se pra caramba, vendeu maconha para integrantes dos Rolling Stones, inspirou diversos sucessos do rock etc. Bissexual assumido, entre uma música e outra, fala abertamente dos seus casos e dá em cima dos integrantes de sua banda. Vestem a camisa do show e surpreendem com tanto talento os guitarristas Lula Washington e Danilo Bareiro, o baterista Cassio Acioli, o baixista Rubey Catarcione e a backing vocal Kelly Ana. Carlos Loffler impressiona com seu potencial vocal.

Leia o texto na íntegra na coluna Markusic, na revista The Mark

 

Marjorie Estiano fala para a The Mark sobre anos 90 e outros momentos de sua vida e carreira

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

“Nos anos 90, tinha roupas dos anos 90. Acho que usei baloné. É, usei muita baloné.”

Para a música, os anos 90 foram o início da mistura que hoje domina o cenário. O rock continuou tendo seu espaço, mas com ele dividia as atenções o pagode, o axé e o movimento manguebeat, encabeçado pelo pernambucano Chico Science. Nesta mesma época,  em Curitiba, uma jovem apaixonada por todo tipo de arte que não tinha decidido ainda se queria ser cantora ou atriz, mas já estudava teatro e fazia aulas de canto. Mais tarde, já no século XXI, Marjorie Estiano acabou assumindo os dois papéis e conseguiu até protagonizar ambos quando estreou na telinha como Natasha, em Malhação, da Rede Globo. Marjorie tem em seu currículo dois álbuns (“Marjorie Estiano” e “Flores, Amores e Blábláblá”), um DVD (“Marjorie Estiano e Banda Ao Vivo”), participações em coletâneas e shows aos montes. Para nossa entrevista especial sobre anos 90, a The Mark elegeu a cantriz Marjorie Estiano para falar sobre a década em que foi adolescente e outros momentos de sua vida e carreira.

Leia entrevista de Júlia Almeida e Christina Fuscaldo com Marjorie Estiano


Cantora, compositora, cineasta e ‘filha de’

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Herdeira de Glauber, Ava Rocha lança disco de estreia de sua banda, AVA, e faz show no Rio

Realizado todas as quartas-feiras, às 20h30, gratuitamente, no Studio RJ (Av. Vieira Souto, 110, Ipanema), o projeto Cedo e Senta, do Fora do Eixo, recebe a banda AVA. Apresentando o show do disco “Diurno”, AVA é formada por Ava Rocha, Daniel Castanheira, Emiliano Sette e Nana Carneiro da Cunha. A banda Canastra encerra a noite e, no comando das picapes, a DJ Tata Ogan apresenta seu estilo “Da raiz ao chip”. Para conhecer melhor a AVA, leia a matéria que saiu na revista Rolling Stone de dezembro sobre AVA, com complemento especialmente feito para o GarotaFM:

 

“Surge uma nova cantora de voz grave.” A manchete poderia ser essa se Ava Rocha não fosse muito mais do que isso. A cantora de voz peculiarmente grave é também compositora, cineasta, neta de Jorge Gaitán Durán, poeta famosíssimo na Colômbia, e filha caçula do ícone do Cinema Novo Glauber Rocha. Ava entende menos de música do que de cinema, mas enveredou para essa arte depois de aprender a ser musicista com o irmão, o compositor Pedro Paulo Rocha. Ela reuniu três músicos de talentos tão peculiares quanto o dela na AVA e, desde 2008, com o microfone na mão e muitas ideias na cabeça, vem recebendo elogios, conquistando seu público nos palcos do Rio de Janeiro e gravando. O resultado da experimentação está no disco “Diurno”, que a Warner acaba de lançar.

“Sou a pessoa menos preparada musicalmente na banda. Falo de composição como se estivesse falando de um filme que invento. Sempre cantei, mas nunca me vi como cantora. Comecei a entender esse meu lugar na música ao lado do Pedro, porque ele também não tem o compromisso estritamente musical. A partir da música que ele faz, estética, política e filosófica, senti uma vitalidade no meu canto. Encontrei neles (músicos da banda) a mesma liberdade”, conta Ava.

Pedro virou o quinto elemento da AVA, além de parceiro da irmã em “O Futuro”, “Batendo no Mundo” e “Filha da Ira”, esta última a primeira composição da artista. Na banda, estão Daniel Castanheira, Emiliano Sette e Nana Carneiro da Cunha. Doutorando em Letras, Daniel assume a bateria, a percussão e os elementos eletrônicos do álbum. Fã de João Gilberto e Jimi Hendrix, Emiliano toca violão com pedais. Nana faz do violoncelo seu instrumento de rock’n'roll. No palco, o quarteto também é acompanhado pelo baixista (Rodrigo Sebastian) e  pelo pianista (Otávio Ortega), que também gravaram em “Diurno”. Gravado em estúdios, salas abertas e até no atelier do Tunga (artista plástico que fez a capa do CD), a mistura resulta em um som experimental, meio soturno meio enigmático e, sem dúvida, orgânico e diferente de tudo o que se vê por aí.

“Cada um traz seu conjunto de referências e todo mundo compartilha algumas. John Cage, Velvet Underground e Arto Lindsay, que gravou guitarra em ‘O Futuro’, são alguns. A última música do disco são todas as músicas coladas uma por cima da outra numa faixa só. É uma ruidagem que Cildo Meireles fez em um dos trabalhos dele”, diz Daniel.

Ava tenta enumerar as influências acumuladas em seus 32 anos de vida: “Para mim, referências fortes nesse disco e nesse processo são Clarice Lispector, Frida Kahlo, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, Jards Macalé, John Cage, Godart, Deleuze, a poesia latino-americana, Charly Garcia…”

Da MPB, a banda regravou “Movimento dos Barcos”, de Jards Macalé e Capinam, e “Pra Dizer Adeus”, de Edu Lobo e Torquato Neto. Os irmãos Ava e Pedro assinam com Clarice Lispector a autoria de “Batendo no Mundo”, que traz uma passagem do livro “Água Viva”, da escritora. Do avô colombiano, Ava Rocha trouxe para o disco, musicado por ela e Emiliano, o poema “Sé Que Estoy Vivo”, do Livro “Os Amantes” (1959). Orgulhosa de sua história, Ava não tem medo do estigma de “filha de”.

“Minha mãe se chama Paula Gaitán e também é cineasta. Minha avó era diretora de teatro. Dos 14 aos 20, morei em Bogotá e deixei de ser a filha de Glauber para me tornar a neta de Jorge Gaitán Durán. Mas sempre fui eu, e acho natural que as pessoas tenham afeto e transfiram um pouco esse sentimento. E não me incomoda. Talvez possa estar havendo uma certa preguiça. Meu irmão (Eryk Rocha) é um cineasta importante no Brasil e continuam chamando ele de ‘filho do Glauber’. É um gancho, abre portas, mas é uma coisa natural na nossa vida… Mas não sou a única filha de cineasta nessa banda”, esquiva, apontando para Emiliano.

O violonista é filho de José Sette, autor de filmes como “Um Filme 100% Brazileiro” e “A Janela do Caos”, e, assim como todos os outros, inclusive Ava, fã de Glauber:

“Independente de qualquer coisa, meu pai só traz coisas boas para todas as pessoas que tem ligação com a cultura brasileira. Todos aqui são filhos de Glauber”, finaliza Ava.

Lou Reed e Metallica são destaque na Markusic, a coluna musical da revista The Mark

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Já faz algumas semanas que me tornei colaboradora da The Mark, que tem lançamento oficial previsto para esta semana, durante o Fashion Rio. Idealizada por Júlia Almeida, atriz, fotógrafa amadora e uma apaixonada por escrever,  a revista virtual traz textos de antenados como o publicitário Rafael Simi, o stylist Yan Acioli e a videomaker Patrícia Fróes. Destacam-se os ensaios fotográficos do diretor de arte Sebastian Bailey, inglês radicado no Rio e co-fundador da The Mark, e os textos editoriais e os de gastronomia de Júlia. Na Markusic, escrevo sobre o que há de mais cool na música ou experiências pessoais com a arte que faz qualquer esqueleto balançar. Nesta quarta-feira (11/01), publiquei uma resenha sobre “Lulu”, o novo disco de Lou Reed com o Metallica. Acesse The Markusic e leia.

Leia também:

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Mallu Magalhães: Amor com gosto de Pitanga

O Rio de Janeiro é de Vinil


GarotaFM: A música embrulhada para presente

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sempre gostei de dar música de presente para amigos, familiares ou colegas de profissão. Podia ser através de LPs, fitas cassetes, CDs quando já mais crescidinha, livros relacionados ao tema, ingressos para shows ou, já no século XXI, DVDs. Nos últimos dez anos, essa mania virou um hábito. Como jornalista musical, aproximei-me ainda mais dos títulos, porque recebo muitos deles (para usar como material de consulta durante minha produção de textos) e porque segui comprando nas poucas lojas ainda existentes, em sebos, em feiras de rua etc. Nos últimos dez anos, descobri no processo de seleção de presentes uma verdadeira diversão. No Natal, principalmente, escolher no mínimo dez nomes para homenagear pessoas queridas com minha arte preferida é praticamente uma experiência antropológica.

Minha saga quase começou quando tirei o papelzinho do amigo oculto da empresa. Havia uma lista na rede compartilhada com o presente que cada um queria. O primeiro colocou lá: “CD ‘O que Você quer Saber de Verdade’, de Marisa Monte”. A outra repetiu o desejo. Uma terceira fez a mesma coisa. Todos já completamente fãs de “Ainda Bem”, música recém-lançada pela cantora e, com certeza, a sua mais radiofônica depois de “Amor I Love You” (do CD “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor”). Eis que um colega vindo do circuito mais underground do jornalismo musical fez seu pedido: “O disco do Kassin.” Ele queria “Sonhando Devagar”, o primeiro solo do produtor de discos de Caetano Veloso, Mallu Magalhães, Vanessa da Mata, Los Hermanos e tantos outros. Entendi melhor ainda o ar vintage da minha chefe quando ela colocou lá seu desejo pelo DVD de algum filme de Elvis Presley. Eu disse que a saga havia quase começado porque não tirei nenhum deles e acabei parando numa loja-de-mulherzinha para buscar um gloss.

Poucos dias depois, fui vencida pela insistência de minha prima de 14 anos. Levei a “aborrecente” a um show de Luan Santana. Pois é… Quando criança, ser fã de Dominó ou New Kids On The Block era, no máximo, colecionar recortes de jornais e revistas e vibrar com apresentações em playback em programas de TV. Quando adolescente, roqueira, tinha como programa preferido frequentar bares e casas de shows onde as bandas de amigos e familiares tocavam. Mas, naquela sexta-feira acalorada de dezembro, fui parar em um clube na Ilha do Governador onde estavam milhares de meninas e otros más berrando e fazendo coraçõezinhos com as mãos. Minha prima pulou, suou se empolgou tanto que eu não pude deixar de achar saudável minha incursão no mundo do astro de “Meteoro”. O moço fala umas besteiras e faz uns gestos não muito apropriados para seu público, mas canta de verdade… e canta o amor. Ownnnn!

Para meu pai, beatlemaníaco daqueles, adiantei o presente de Natal: no mês anterior, comprei ingressos para ele e minha mãe assistirem comigo e meu namorado a Ringo Starr e sua All Starr Band. Ultimamente, seu sorriso de felicidade estava viciado por estar atrelado aos DVDs que costumo dar. Mas, naquela madrugada, saímos da Barra da Tijuca com mais comentários do que nunca (meu pai sempre gosta de tecer os seus enquanto seus ídolos estão no palco, mesmo quando os vê pela televisão). Além de ver um ex-Beatle de perto, encontrou vários sessentões da sua turma. A alegria se estendeu até o dia seguinte, quando recebi um e-mail típico deste engenheiro civil apaixonado por música e inimigo da internet: em papel timbrado anexado à mensagem, com belíssimas palavras, mostrou que o esforço que fiz para pagar os tickets mais caros, os da pista VIP, valeu a pena.

Meu namorado… Bom, CD e DVD, não adianta dar. Ele faz a linha “baixo tudo”.  O gato ganhou duas câmeras fotográficas alternativas (uma com lente olho de peixe e uma que faz quatro fotos ao mesmo tempo), mas não pode reclamar de não ter ganhado um presente musical.  Já que estamos perto do ano novo, vale um mini flashback de retrospectiva… Este ano, o levei a grandes shows. O melhor presente veio no dia do seu aniversário: um ingresso para assistir à banda de rock que mais marcou sua adolescência, Red Hot Chili Peppers. Teve ainda vários outros nomes em outros dias de Rock in Rio, Lynyrd Skynyrd no SWU, concertos incríveis na MIMO (Mostra Internacional de Música em Olinda), atrações diversas no Lupaluna… Isso sem contar os eventos fora dos festivais: Mundo Livre S/A, Zé Ramalho, Eric Clapton (!!!), Ringo, Tom Zé, Totonho e os Cabra, A Cor do Som, Tony Tornado (!!!)… ai, chega! Impossível lembrar de todos! Foi bom, né, meu amor?

E, finalmente, chegou o grande dia da distribuição. Enquanto Papai Noel deixava bonecas variadas e uma guitarra das Princesas para a filha do meu irmão, eu comecei a tirar os embrulhos feitos por mim do saco. Para minha progenitora, DVD e CD de André Rieu e o kit de Elymar Santos cantando sucessos de Alcione. Que mistura, hein, mãe?!  No dia seguinte, ela não tirou o espetáculo do regente holandês da TV e o CD do cantor brega brasileiro do som do carro. Minha sobrinha de um ano e meio levou o DVD do Palhaço Topetão e não esboçou nenhum sentimento. Com uma mãe super adepta da importação via internet de produtos estadunidenses, ela já é uma big fan dos CDs do “Hi-5”. Minha prima de sete pulou de felicidade ao rasgar o papel e dar de cara com Justin Bieber. A irmã de 15 anos, adotada como prima desde que meu primo se casou com sua mãe, ficou com o da Taylor Swift, que julguei ser um fenômeno de sua geração. Dei para minha avó, a matriarca de 96 anos – que tem toda a coleção de Nelson Gonçalves, Ataulfo Alves, Francisco Alves e Cyro Monteiro – um DVD de Martinho da Vila, porque há algum tempo ela resolveu se encantar por sambistas “novos”. Bom, perto dos ídolos dela, Martinho é mesmo um broto!

E rolaram outros presentes, que gastariam mais alguns parágrafos desse artigo. Cada um tem um gosto, uma preferência. E é uma delícia tentar entender as personalidades através do que gostam de ver ou ouvir. Não sei se vocês conseguiram sacar algo sobre os que citei no texto. Eu começo 2012 ano com mais certeza de que conheço cada vez melhor as pessoas que estão a minha volta. E a música me ajuda nisso. Um 2012 musical a todos!

Obs.: A imagem foi registrada em 2006 pela grande fotógrafa Wania Corredo, que trabalhou comigo no jornal Extra.

O GarotaFM deseja feliz Natal e Ano Novo

sábado, 24 de dezembro de 2011

Minha experiência com Luan Santana, um ídolo que canta e fala o que as fãs querem ouvir

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Não, desta vez eu não estava na plateia cobrindo o show ou curtindo porque-amo-muito-aquele-que-estava-no-palco. Fui, depois de muitas tentativas de me esquivar do popstar do momento, levar minha prima de 14 anos para ver Luan Santana, na última sexta-feira (09/12). Evelyn vinha há meses tentando me convencer a levá-la a um show do “amado”. Ela sabe que eu teria feito isso a trabalho se ainda fosse repórter e colunista de música do jornal Extra. Na época em que trabalhava lá, minha prima era fã da novelinha mexicana Rebelde e eu trouxe de uma coletiva de imprensa uma foto e um autógrafo de um dos integrantes da banda RBD. Ela devia ter uns nove anos na época… Pois bem. Cedi. Não fui ver Luan com ela em Nova Iguaçu nem em Mesquita, mas acabei topando o show da Ilha do Governador, sentindo que pelo menos ida e vinda seriam tranquilas.

Os portões abriam às 18h e às 18h30 Evelyn já estava na porta da minha casa, ansiosa. Sexta-feira no Rio de Janeiro, o trânsito nunca é bom, né? Mas lá fomos nós rumo à Associação Atlético Portuguesa. Chegamos por volta das 21h30, mas o show só começou mesmo às 23h. Cansatiiiivo… O DJ era um dos piores que já “vivi” na vida. O cara tocou dance music e funk da minha época (Claudinho & Buchecha, Cidinho e Doca etc). Toda hora eu perguntava: “Evelyn, você conhece essa?” E ela fazia que não com a cabeça e respondia: “Pô, ele devia tocar Michel Teló.” Esse rapazinho é aquele que recentemente grudou na cabeça de muitos o refrão “Ai, se te pego. Ai, ai!” Vale ressaltar que, no dia seguinte do show, até na feira, eu e minha prima ouvimos gente cantar Michel Teló.

Optei por ir com Evelyn na pista VIP, que custava apenas R$ 60, uma discrepância em relação a ingressos como os de Paul McCartney, cuja pista Prime (VIP) no Engenhão, em maio, saiu a R$ 700. Tá bom, vamos a um artista brasileiro… Chico Buarque fará show no Vivo Rio, em janeiro, e o ingresso mais caro custa R$ 320. Ok, ok… Você deve estar pensando: “Pô, não dá para comprar Luan Santana com Paul ou Chico!” Está certo… Vamos comparar Luan com Luan: no show que ele fez na Apoteose em dezembro de 2010, o ingresso de pista comum custava R$ 140.  Melhor ver na Ilha, né? Por seu um espaço para show tão pouco popular, não imaginei que ia estar tão cheio. Percebi que o local e o marketing encarecem muito o evento. Imaginei se não seria legal se Paul tocasse lá na Associação Atlético Portuguesa também… :P

Na hora em que começou, chegou a dar medo de viver o mesmo que vivi no show do Rage Against The Machine no festival SWU de 2010 (leia aqui). Mas em questão de segundos percebi que a altura média da galera era 1,55m e que a plateia era formada em sua maioria por meninas. Berros a muitos decibéis, mãos que formavam coraçõezinhos, suor naquela primeira noite menos fria de dezembro e muita choradeira permearam o evento. Enquanto elas se rasgavam, Luan dava uma aula de como ser canastrão… e um verdadeiro popstar. O sotaque é do Mato Grosso do Sul, onde nasceu e cresceu. Com o ”R” puxado como aquele do interior de Minas Gerais ou São Paulo, enviou frases direto ao coração das fãs. “Eu tava louco para subir no palco logo, olhar no fundo dos olhos e dizer que eu só quero vocês”, declarou. Em seguida, puxou mais gritos: “Eu tô solteiro. Tô mais sozinho que chinelo de Saci.”

Luan dançou com uma menina da plateia, escolhida por sua produção, e deu chocolate na boca daquela que chamou de “Garota Chocolate”. Falou que o Rio de Janeiro é o lugar com mais mulher bonita e voou do palco até parte da pista VIP, pendurado por uma corda regulada por uma estrutura de ferro montada no alto da estrutura onde aconteceu seu show.  Formada por sete integrantes (tecladista, baterista, dois guitarristas, baixista e duas backing vocals), a banda entrou em todas as brincadeiras do “astro”, que até fez dueto com Ivete Sangalo através de um telão que exibia a imagem da cantora baiana. Evelyn catou um papelzinho vermelho (cor preferida de Luan Santana) que caiu do palco e jogou lá uma cartinha com bichinhos de pelúcia. Minha prima disse que ele tem um quarto em sua casa onde guarda tudo o que ganha. Ela tem um saquinho com papéizinhos, recortes, ingressos na bolsa e no coração.

Não, não me encantei com Luan Santana. Achei o show bem estruturado e ele, extremamente esperto e focado na carreira. Pode ser que enverede mais para a música sertaneja do que para a romântica (ou parta para o romântico adulto) e consiga se manter em alta por muitos e muitos anos. Pode ser que saia de moda e passe a trabalhar no backstage. Não dá para saber. As fãs, bom, um dia elas vão crescer, amadurecer e talvez até topar levar suas primas mais novas em shows dos próximos ídolos. E com certeza lembrarão para sempre dessa fase que viveram.

Quanto a mim, eu espero que, quando precisar entrevistar Luan Santana para alguma matéria ou esbarre com ele em alguma cobertura jornalística, possa aproveitar essa experiência. Na única oportunidade, que foi durante a cobertura do Criança Esperança para o site oficial, sua produtora pedia até a cor da calcinha para liberar minha entrevista enquanto eu só sabia que era aquele que cantava a canção-chiclete “Meteoro”. Mal conhecia seu rosto, para mim, nada atraente como eram os dos meus ídolos da adolescência…  Que Evelyn nunca esqueça desse momento que vivemos juntas.

 

Assista ao vídeo da confusão na entrada do SWU

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Assista ao vídeo da confusão na entrada do SWU:

 

Revista agressiva na porta do SWU faz jornalista perder show e ganhar seus direitos no grito e na ‘carteirada’

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Carta à produção do festival SWU, cuja segunda edição começou no sábado (12/11) e termina nesta segunda-feira (14/11), em Paulínia (SP):

SWU: não começa com você

Escrevo para fazer uma reclamação. Fui agredida na porta de entrada por seguranças truculentos. Fiz um pequeno motim e consegui no grito entrar com os objetos que a mulher queria que eu tirasse a bolsa (pente, espelho, lápis de olho etc). A foto dos objetos está aqui embaixo e também no Facebook, assim como relatos do ocorrido. Aconteceu assim:

Enquanto eu tirava a capa de chuva, que estava por cima da mochila, ao tentar me “ajudar”, uma das  mulheres responsáveis pela revista RASGOU a mesma. Abriu o zíper enquanto eu ainda ajeitava a mochila em cima da mesa. Arrancou de dentro a necessaire que vai comigo a qualquer lugar (aeroportos, bancos, shows e outros festivais, tais como Rock in Rio e LupaLuna) e abriu. Pedi que deixasse eu abrir, mas ela IGNOROU minha fala e foi tirando tudo de dentro. Colocou a mão na minha escova de dente, abriu a pasta dental para cheirar e separou na mesa  meu lápis de olho, um espelho redondo com suporte de madeira, um cortador de unha, uma pinça, dois pentes de plástico pequenos e presilhas tic-tac. Da outra bolsinha, retirou uma caneta americana, mas a Bic, largou lá. E disse que eu não entraria com os 19 OBJETOS que ela selecionou aleatoriamente. Detalhe: Chaves, cinto com fivela grande, sacos plásticos, shampoo, condicionador e caneta Bic entraram.

Falei para a jovem que essas REGRAS NÃO ESTAVAM ESCRITAS nem no site do SWU nem no verso do ingresso. E que eu tinha tudo ali porque fui do Rio de Janeiro direto, com a mochila nas costas com uma muda de roupa e a necessaire. Tudo passou pela rodoviária e pela Polícia Federal, no aeroporto. Pedi para falar com meu namorado, que por ter sido levado a correr uma fila de homens a essa altura já havia passado pela catraca, e uma OUTRA MULHER FEZ UMA BARREIRA, e disse que dali eu não passaria. Comecei a falar com ele de longe, gritando para ele ouvir e entender o que estava acontecendo. Eis que vem um SEGURANÇA GRANDE (leia-se alto e gordo) e se fazendo valer de seu tamanho, ME EMPURROU e disse que, se eu não jogasse aquelas coisas na lata de lixo, que fosse embora porque não teria conversa. Gritei que ele não podia ENCOSTAR EM MIM e, vendo a confusão, meu namorado pulou para fora do festival e veio em nossa direção, com a câmera ligada, registrando a tentativa de me inibir daquelas três pessoas. O “segurança grandão” METEU A MÃO NA MÃO DELE, desligando a câmera dele. Gritei mais uma vez, dizendo que ele não tinha o direito de encostar na gente. Uma pernambucana chamada Marília que estava tendo seus bens confiscados ali do lado  e viu a cena decidiu se juntar  a nós e também gritou com o homem. Um quarto “segurança” veio pra cima de mim, gritando QUE ERA POLICIAL E IA ME LEVAR DALI. Desafiei: “Me mostre então sua identificação e me diga seu nome!” E ele se negava a fazer uma coisa ou outra. A pernambucana fazia a mesma coisa. Meu namorado continuou filmando.

Exigi falar com o superior dele, mas eles não queriam chamar. Odeio dar a tal “CARTEIRADA”, mas nessa hora falei que era jornalista e que, em 2010, cobri o evento para o jornal O Globo do Rio (leia aqui). Mais que rapidamente, O SUPERIOR APARECEU (ele não quis se identificar, mas está no vídeo).  Na frente dele, os dois “seguranças” truculentos NEGARAM que tivessem encostado na gente e ameaçado com palavras. O que se disse policial enfiou o rabo entre as pernas e só sabia dizer que estávamos mentindo. O superior declarou que havia chamado uma policial para nos revistar e nos dizer que as regras eram aquelas. Nós nos acalmamos e vimos ali A CHANCE DE registrar a ocorrência e de questionar onde estão essas regras. Enquanto esperávamos, Marília sugeriu ao superior que assistisse ao vídeo registrado por Marco.  E, quando a companheira pernambucana repetiu para ele QUE EU ERA JORNALISTA, imediatamente ele nos levou para outra catraca E NOS LIBEROU COM TUDO o que tínhamos na bolsa. Medo de jornalista?

Pior é que mais de dez mulheres assistiram à cena e tentaram dar apoio, até mesmo numa de seguirem nossos passos e não perderem seus bens. Mas como as mesmas não fizeram barulho, acabaram ficando pra trás, presas na barreira dos quatro policiais “malvadinhos” e com certeza tiveram que deixar suas coisas na lata de lixo. Sempre que aceitarmos esse tipo de truculência, levaremos o prejuízo.

Porque estou trabalhando em outro projeto e por isso a Midiorama/MediaMania não me credenciou para a cobertura oficial do festival (aliás, a única assessoria que não dá crédito ao GarotaFM, site convidado para o Rock in Rio, a Mimo, o LupaLuna, o próprio SWU em 2010 e tantos outros festivais e eventos brasileiros de música), fui como plateia comum apenas no domingo, dia 13/11, quando tocariam dois ídolos meus: Zé Ramalho e Lynyrd Skynyrd. Por causa da confusão na porta de entrada, que durou mais de 45 minutos, PERDI O SHOW do Zé Ramalho. Calor, dor no peito, vermelhidão no rosto, sede, raiva… levei mais de uma hora e meia para me recuperar daquele estresse.  Agradeço a meu namorado pelo apoio na briga, pela filmagem e por me acalmar depois.

Quando eu já um pouco mais relaxada, vi a seguinte cena acontecer do meu lado: uma menina comprando chope por R$ 7 e dando uma nota de R$ 10 e o vendedor se negando a dar troco, dizendo que com ele o preço era esse. Eu me perguntei: “Cadê a fiscalização?”

Gostaria de registrar o ocorrido porque vou querer uma explicação para isso. E quero saber também como a produção pretende ressarcir meu prejuízo por ter perdido o show de Zé Ramalho, artista que acompanho há anos e sobre o qual estou escrevendo um livro (leia mais).

Atenciosamente,

Christina Fuscaldo

* No site do SWU, há uma pergunta na seção FAQ sobre o que pode e não pode ser levado ao festival. De acordo com o texto, apenas meu cortador de unha deveria ter sido confiscado. E também desodorante, shampoo, condicionador e pasta de dente, que não foram. Mas o pregador proibido é apenas aquele tipo bico de papagaio. É proibido levar camisa de time, mas o que mais se via eram homens vestidos com camisas de times. Alô, produção, no ano que vem, é possível treinar os seguranças / responsáveis pela revista ou pelo menos contratar pessoas acostumadas a trabalhar com isso?

O texto que está no site:

Não pode levar: Armas de fogo; armas brancas de qualquer tipo ou espécie (facas, canivetes, etc); guarda-chuva (de qualquer tamanho); pingentes, correntes pesadas; objetos pontiagudos (inclusive prendedores de cabelo tipo bico de papagaio); objetos perfuro cortantes (tesoura, estiletes, cortador de unha, aparelho de barba); materiais ou objetos que possam causar ferimentos; balões em geral; malabares; fogos de artifício e de estampido (de qualquer espécie); objetos de vidro, plástico ou metal (perfumes, cosméticos – inclusive desodorantes de qualquer tipo -, pasta e escova de dente); substâncias tóxicas e utensílios para utilização de drogas; bebidas (em qualquer tipo de recipiente ou vasilhame que não seja copo de água mineral selado e lacrado com o tamanho máximo de 200ml; remédios (somente com autorização/receita médica); camisa de time de futebol; bandeira com mastro; papel em rolo de qualquer espécie, jornais, revistas e livros; alimentos de qualquer natureza – SÓ SERÃO PERMITIDOS ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS COM A EMBALAGEM LACRADA ORIGINALMENTE (SALGADINHOS/BOLACHAS/BISCOITOS) – ALIMENTOS IN NATURA, MANIPULADOS E/OU COM EMBALAGEM ABERTA NÃO SERÃO AUTORIZADOS); vasilhames, copo de vidro, latas, canecas ou qualquer outro tipo de embalagem vazia ou contendo líquidos de qualquer natureza que, direta ou indiretamente, possam provocar ferimentos em caso de esforço físico isolado ou generalizado; cadeiras; animais; máquinas fotográficas profissionais (lente intercambiável); gravadores; filmadoras; notebooks.

Pode levar: cigarro (1 maço lacrado); isqueiro; fósforo; dinheiro; cartão de débito e crédito; binóculo.