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O dia em que Ivete Sangalo não foi a estrela (perdendo o posto para Paula Fernandes)

domingo, 6 de novembro de 2011

É raro acontecer. É difícil combater Ivete Sangalo no palco ou na TV. Mas, mesmo sem a menor intenção de fazer qualquer coisa do tipo, Paula Fernandes conseguiu. No aniversário de 11 anos do Altas Horas, gravado em Inhotim (MG) e transmitido na madrugada de sábado para domingo pela TV Globo, Serginho Groisman convidou a cantora que mais vendeu disco em 2011 para assumir a música do programa junto a Ivete, Samuel Rosa, Rogério Flausino e Milton Nascimento. Todos mineiros, até mesmo a baiana, que recentemente recebeu o título de Cidadã Honorária do Estado de Minas Gerais. Como sempre, Ivete fez suas gracinhas, mas nenhuma delas, nem mesmo as mais ácidas, derrubaram a sertaneja de Sete Lagoas.

Ivete imitou o jeito de Paula cantar (com os dentes fechados, fazendo do S um X). Elogiou a mineira cantando “Quando a Chuva Passar”, mas tentou fazer uma piadinha quando a jovem contou que ouviu essa música sozinha durante uma viagem: “Viajando sozinha? Sei!” A baiana levou uma respostinha marota quando brincou com a “suposta” santidade da moça: “Aí você falou: ‘Tire a mão daí’”. E Paula respondeu: “Ou coloque a mão aí!”  E olha que a novata foi só fofura com a “ídola”:  ”Eu não acredito em coincidência, nem acaso. Eu coloquei essa música no meu carro quando ganhei o CD da Ivete. Eu tenho que tomar cuidado com o que eu peço, com o que eu mentalizo” (sobre a vontade e oportunidade de gravar “Quando a chuva passar”).

É normal, com suas brincadeirinhas, a baiana tentar intimidar qualquer um que possa ameaçar seu reinado. É assim em entrevistas a jornalistas, por exemplo (os que não puxam o saco da baiana). Ivete é um grande talento da música brasileira, mas também há outros já consagrados e/ou surgindo por aí. Paula Fernandes é um deles. E, no último “Altas Horas”, a cantora foi sem dúvida a estrela da madrugada. Além do dueto com Ivete, cantou com Milton Nascimento “Canção da América”. Paula interpretou ainda “Man! I feel like a woman”, sucesso de Shania Twain. Do seu repertório, apresentou “Jeito de Mato”, “Seio de Minas” e a moda de viola “Saudade da minha terra”.

Assista ao dueto de Paula Fernandes e Ivete Sangalo

Criança Esperança visita escola de rabecas de Mestre Ari, em Bragança (Pará)

domingo, 21 de agosto de 2011

Matéria publicada em 20/08/2011 no site do Criança Esperança (clique aqui)

Quando o maranhense Aurimar Monteiro de Araújo chegou em Bragança, aos 19 anos, a cidade paraense estava em festa. Era dia do padroeiro São Benedito e o povo celebrava a Marujada, dança folclórica local. Anos depois, o homem que criou 32 filhos, um biológico, também chamado Aurimar, e todos os outros adotados, decidiu retribuir o carinho que recebeu. Com seu conhecimento sobre marcenaria, construiu rabecas para as crianças poderem tocar e fundou uma escola de música, que hoje ensina violoncelo, flauta doce, flauta transversa, trombone e tantos outros instrumentos, além da arte de construir rabecas. Aurimar virou Mestre Ari das Rabecas, um dos mais renomados artesãos do instrumento na Região Amazônica, e o responsável pela instituição, conhecida como Sons do Caetés.

Veja fotos das gravações do filme sobre Mestre Ari das Rabecas

Vídeo: Veja os bastidores da gravação do filme sobre o artesão do Pará

Mestre Ari não toca nenhum instrumento, mas já ensinou mais de 280 alunos, entre crianças, adolescentes e jovens, capacitando-os como artesãos e tocadores de rabecas, elaboradas com matérias primas da floresta. Professores como Maisés e Mosaías dedicam grande parte do seu tempo ao ensino de música às crianças. Diego Carneiro, violoncelista que mora no exterior desde a adolescência, todo ano vai à Bragança levar seu conhecimento aos alunos. A prioridade são os mais humildes, como Mário, filho do pescador Machico, que todo dia viaja do município de Augusto Corrêa para aprender um pouco mais sobre a viola de arco, instrumento da mesma família da rabeca. O jovem nunca tinha saído da região, mas em 2010 veio ao Rio de Janeiro se apresentar com a Orquestra de Rabecas da Amazônia, criada dentro a escola de Mestre Ari.

A história de Mestre Ari das Rabecas e a de seus discípulos será contada pelo Criança Esperança neste sábado através de um filme feito pela equipe de Emerson Muzeli, que viajou ao interior do Pará e registrou belíssimas imagens e emocionantes entrevistas para mostrar ao espectador uma das instituições ajudadas pelo projeto da Rede Globo em parceria com a Unesco. A repórter escolhida para representar a região Norte no programa que tem como tema a Geografia Sentimental do Brasil, é de Manaus e se chama Daniela Assayag. O Pará foi a última região visitada pelo diretor Emerzon Muzeli e seus companheiros, aqui creditados: Felipe Herzog (assistente de direção); Tatynne Lauria (coordenadora de produção); Juliana Jansen (produtora); Ana Karina Ferreira (produtora de arte); Tadeu Rabelo (contra-regra); Edilson Giachetto (câmera); João Brandão (redator); Henrique Salles e Leandro da Silva (operadores de luz); Alçexandre Vieira de Matos (operador de áudio); Henrique Oliveira (operador de VT); Roberto Gomes (caboman).

Veja outras matérias, vídeos e fotos dos making ofs de filmes do Criança Esperança:

Texto: Visita a instituição no Distrito Federal emociona a repórter Cláudia Gaigher

Filme: Veja o making of do filme gravado perto de Brasília

Texto: ‘Vejo minha cegueira como uma benção’, diz fundadora da Adevirp

Filme: Veja o making of do filme sobre Marlene Cintra

Fotos: Veja fotogaleria com imagens das gravações do vídeo sobre Marlene

Texto: Pai funda instituição para ajudar crianças com câncer após a cura do filho

Filme: Veja o making of do filme gravado na Bahia

Texto: Arteterapeuta realiza trabalho voluntário no GACC há 18 anos

Filme: Veja filme com a arteterapeuta Vanessa Pedote

Texto: O Criança Esperança está na estrada. Primeira parada: Nordeste

Filme: Veja filme sobre o início das viagens da equipe de Emeron Muzeli

O material foi produzido entre julho e agosto de 2011 para o site do Criança Esperança

Móveis Coloniais de Acaju conta como é se auto-produzir em post da Melody Box

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Matéria publicada no blog da Melody Box em 14/07/2011 (clique aqui para ver)

Quando Brasília ainda se gabava de ter sido o berço do punk rock brasileiro, mais de 15 anos depois de exportar para o Sudeste bandas como Legião Urbana e Capital Inicial, o Móveis Coloniais de Acaju surgiu mostrando que não era preciso sair do Distrito Federal para viver de música. Misturando diversas influências na cena independente da capital do Brasil, o grupo apareceu predisposto a vencer qualquer barreira, inclusive, a tecnológica. Em 1998, enquanto a cidade ainda vivia das lembranças dos tempos do vinil, o grupo que revolucionou ao mostrar que era possível se produzir sozinho colocou um site no ar. De lá pra cá, o Móveis cresceu, passou a viajar pelo Brasil todo e, para mostrar seu trabalho além dos palcos, cadastrou-se em quase todas as redes sociais que se popularizaram no país.

Hoje, com um EP, dois CDs e um DVD lançados, o grupo é o número um no ranking da Melody Box, posição alcançada com três dias de participação no site, e é atração confirmada do MB ao Vivo – Salvador, que acontece dia 3 e 4 de setembro na Concha Acústica. Guitarrista do grupo, BC conta como é viver no mercado independente e como se relacionar com as redes sociais.

Como os integrantes começaram a produzir sozinhos o Móveis Coloniais de Acaju?

Isso aconteceu de forma muito natural. A banda é grande e ninguém queria bancar dez pessoas em viagens. A gente precisou aprender. A primeira coisa interessante foi a produção do show de lançamento do nosso primeiro disco. Era comum fazer tiragem de mil cópias e nós prensamos três mil. Fizemos uma festa de lançamento na qual o ingresso valia o CD e vendemos 2.007 discos. Vimos que aquilo dava certo.

Vocês chegaram a ter propostas de gravadora?

Sim, mas as propostas não interessaram. Sempre tivemos a política de abertura total do nosso conteúdo e isso é um ponto sensível para elas. Fizemos um disco com a Trama, mas com eles é uma parceria. O Trama Virtual vai ao encontro dos nossos princípios. Foi muito bom! Eles são parceiros no nosso DVD.

Com o crescimento da banda, o que mudou em termos de produção?

Em 2009, já com o último disco gravado, resolvemos fazer um planejamento estratégico e chamamos uma empresa de consultoria de administração para nos ajudar a mapear missão, valores etc e dividir tarefas dentro da banda. As coisas estavam crescendo, começamos a precisar emitir nota fiscal, então, abrimos uma empresa. Agora temos um escritório, algumas pessoas contratadas e um estúdio.

Antes era um dos músicos que fechava show?

Conhecemos Fabrício em 2003 e ele nos propôs fazer nossa assessoria de imprensa. Ele virou um integrante que não tocava, mas tocava a banda. E a relação é mesmo de igualdade. Antes, empresário era o cara que tinha sua vida nas mãos. Fabrício é nosso sócio. Com ele, somos dez.

Os nove músicos trabalhavam na produção?

Sim! Eu, por exemplo, tomo conta das finanças. Tem uma pessoa que mexe com internet e comunicação, tem aquele que trabalha na identidade visual da banda e por aí vai. Agora, vamos ter assistentes para fazer isso.

E hoje os integrantes vivem de música?

De 2005 pra cá, nossa realidade mudou muito. A gente cresceu muito, temos um disco a mais, já aparecemos na TV e tivemos música em novela (“O Tempo”, em Araguaia). Já não pagamos para tocar e as contas da banda estão em dia, mas ainda precisamos ter dinheiro para o plano de saúde, a escola do filho e a aposentadoria.

Como é a relação do Móveis com as redes sociais?

Passamos por todas elas. O Móveis é uma banda contemporânea da internet e foi uma das primeiras em Brasília a ter um site. Isso foi em 1998. Depois, tivemos Fotolog, Orkut, MySpace. Agora, temos Twitter e Facebook. Isso tudo aproxima o público da gente e torna a comunicação direta, sem atravessadores. O fã vira quase que um sócio da banda. Esta semana, nos cadastramos na Melody Box, que é uma mão na roda… é mais uma rede para possibilitar a banda de estar em contato com seu público e ajudar a fechar show. Acho que isso é o futuro. E o Móveis tem valores muito próximos disso.

Zélia Duncan é destaque na Rolling Stone

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A revista Rolling Stone deste mês publicou uma matéria sobre Zélia Duncan. Clique aqui para ver a reprodução da internet ou leia trecho abaixo.

Sem Medo de Errar

Por Christina Fuscaldo

Zélia Duncan celebra 30 anos de carreira com novo CD/DVD e peça teatral

“É um momento especial da minha vida como uma jovem senhora.” Completando 47 anos de vida e 30 de carreira em 2011, Zélia Duncan se sente mais disposta do que nunca e nada nostálgica. Com uma série de comemorações prevista – a começar pelo lançamento do CD e DVD Pelo Sabor do Gesto – Em Cena e seguindo com a estreia, em setembro, do espetáculo Totatiando (uma homenagem a Luiz Tatit, de quem gravou “Felicidade”, e a São Paulo), no qual vai cantar e atuar -, a cantora celebra a boa forma.
“Este DVD só tem música nova. Coloquei ‘Catedral’ no bis só com violão e deixei a platéia cantando pra mim”, diz. “Nesse momento, passou sim um filme da minha vida na cabeça, porque gravei no Teatro Municipal de Niterói, cidade onde nasci. Mas me sinto mais madura. Estou mega-apaixonada.”

Você lê esta matéria na íntegra na edição 59.

Zé Ricardo é destaque na Rolling Stone

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A revista Rolling Stone deste mês publicou uma matéria sobre Zé Ricardo, músico e produtor do palco Sunset do Rock in Rio. Clique aqui para ver a reprodução da internet ou leia trecho abaixo.

Aniversários e Carreiras Paralelas

Por Christina Fuscaldo

Responsável por palco Sunset do Rock in Rio, Zé Ricardo lança disco e fala sobre o festival

Quando a vice-presidente do Rock in Rio, Roberta Medina, convidou Zé Ricardo para assumir um dos palcos da versão portuguesa do festival, em 2008, o músico estava começando a pré-produção de seu quarto disco. Entre uma gravação e outra, criou o palco Sunset e o levou duas vezes a Lisboa e uma a Madri. Três anos depois do início dessa história, ele finalmente lança Vários em Um e se prepara para promover, no Rio de Janeiro, encontros de artistas de todos os tamanhos no espaço alternativo ao palco principal do maior festival do Brasil.

“Estava trabalhando junto ao [produtor] Plínio Profeta no disco quando ganhei um palco no Rock in Rio. A música ‘Vários em Um’ nasceu da angústia de fazer muita coisa sem saber se estava tudo benfeito. Não foi fácil encontrar o equilíbrio. Ainda mais quando soube que o festival voltaria para o Rio. É uma ‘responsa’”, conta Zé Ricardo.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 59.

Invasão de artistas baianos na Melody Box chama a atenção para a cena pop rock de lá

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Matéria publicada no blog da Melody Box em 04/08/2011 (clique aqui para ler)

A Bahia sempre se destacou por ser o estado do Nordeste que mais divulga seus músicos e compositores. Desde Dorival Caymmi até Raul Seixas, passando por João Gilberto e pelos tropicalistas, vários estilos tiveram seus representantes na mídia (e palcos) de todo o Brasil ao longo dos tempos. Da década de 90 para cá, a axé music ofuscou todo o resto de música que se fazia na Bahia, permitindo somente Pitty ultrapassar essa barreira. Mas, ultimamente, as cenas pop e rock da Bahia voltaram a chamar a atenção e seus novos expoentes começaram a ganhar espaço. Na semana passada, oito bandas baianas ocuparam posições de destaque no ranking da Melody Box: Maglore, Zé Chico, Velotroz, Rubra, Pirigulino Babilake, Vendo 147, Truanescos e Os Barcos. Não necessariamente elas, mas duas atrações de lá podem concorrer a vagas para tocar no MB Ao Vivo, nos dias 3 e 4 de setembro, na Concha Acústica de Salvador. O festival terá shows de Móveis Coloniais de Acaju,  Karina Buhr, Ronei Jorge e Maglore.

“Nos deixa bem felizes saber que essas bandas estão no ranking . Tem muito mais por aqui. A cena baiana está borbulhando. O que tem havido é um despertar desses artistas para o novo formato de mercado e de relações que vem se formando. A Melody Box caiu como uma luva nos nossos planos. E a ideia de sair da tela do computador para os palcos através do MB Ao Vivo deu a credibilidade que faltava às outras redes”, diz Pietro Leal, cantor e compositor da Pirigulino Babilake.

As portas voltaram a se abrir depois que foi reconhecida a democratização dos meios de comunicação e de divulgação de trabalhos através da internet. Tudo bem que na rede a oferta é vasta e é preciso garimpar para descobrir o que de bom tem lá. Mas, quando oito bandas figuram uma mesma lista de nomes em destaque, é porque elas alcançaram seu objetivo: fortalecer uma cena.

“Hoje você tem acesso a pessoas de todo o Brasil igualmente, e as bandas baianas tem usado estas ferramentas de maneira brilhante. Temos várias bandas do nosso estado com forte público conquistado via internet e que, quando saem para circulação em outros estados, recebem todo o feedback desta divulgação online. E a Bahia está passando por um momento todo especial na música autoral. Está se formando naturalmente um movimento fortíssimo de bandas com a proposta de resgate da criatividade e reinvenção da música baiana, em especial, o rock”, diz Fernando Bernardino, guitarrista da banda Os Barcos.

A Zé Chico é um exemplo de banda que nem fez show aberto a público ainda e já está bombando na rede. Ao contrário dela, a Velotroz saiu dos bares de Salvador para se apresentar em cidades vizinhas, como Vitória da Conquista, Cachoeira e Feira de Santana. Para seus integrantes, o segredo do sucesso dessa nova cena é simplesmente a novidade.

“O axé está estagnado. Não tem nenhuma novidade nem o frescor que encontramos, por exemplo, nessa nova geração de bandas da qual fazemos parte. Nunca se viu tantas bandas diferentes e tão boas produzindo tanto material, tanto em quantidade quanto em qualidade. Nada contra o axé, que já nos divertiu muito e nos inspira demais. Chiclete com Banana, Luís Caldas, Ivete Sangalo e Daniela Mercury fazem jus ao status que alcançaram. Mas não entender o que está acontecendo é burrice”, afirma Tássio Carneiro, tecladista e guitarrista da Velotroz.

Ter dois vocais principais à frente, um masculino e um feminino, é o diferencial que faz da Rubra uma banda já popular no circuito underground de Salvador. Para a vocalista e guitarrista Amanda Torres, a Bahia precisa de mais investimento em produções.

“Falta investimentos em casas de shows de qualidade. A cena de rock baiana é muito intensa e as pessoas, de certa forma, são carentes de bons eventos. Com certeza Pitty foi um marco, pois ela conseguiu vencer toda essa carência que existe na Bahia em relação ao rock”, diz Amanda.

E olha que tem um público forte em Salvador até para quem faz música instrumental, que é sempre mais difícil de atrair mídia, porém fácil de formar tribos. Formada por duas baterias, uma guitarra e um baixo, a Vendo 147 não está ainda na grande mídia, mas é conhecida na rede e nos bares de Salvador.

“Como somos uma banda de música instrumental, não sentimos esse lance de tribo. Fazemos música para um público variado, que pode ter idade entre 3 a 120 anos”, diz Dimmy “O Demolidor” Drummer.

Para Noblat, guitarrista e baixista da banda Zé Chico, a influência dos grandes veículos de comunicação de massa é o que atrapalha no desenvolvimento da cena:

“A mídia influencia muito a visão de quem não é da Bahia. Temos o carnaval e todas essas festas onde reinam o axé e o pagode e que são transmitidas pelas televisões e veículos de grande porte. Mas o cenário independente da Bahia é forte e grandes iniciativas como a Melody Box provam nosso valor e mostra que não precisamos nos adaptar a uma cultura popular para provar que temos qualidade.”

Sem preconceitos! E o mais legal é que, mesmo dentro dessa cena que está se formando, não há disputa. Pelo contrário: uma dá força para a outra.

“Adoramos a música baiana! Somos fãs do que é feito aqui. Desde Caetano e Gil, passando por Luiz Caldas e Novos Baianos. Gostamos muito também do cenário atual que tem grandes nomes como a Suinga, Enio e a Maloca, Ronei Jorge e por aí vai! O interessante é que ultimamente tem surgido (ou passamos a ter acesso a) boas bandas também do interior do estado, a exemplo d’ Os Barcos, de Vitória da Conquista, que lançou o primeiro disco recentemente e vem desenvolvendo um bom trabalho na capital”, diz Leo Brandão, tecladista e guitarrista da Maglore.

Banda Baleia vai do jazz ao pop contemporâneo em inglês e português

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Matéria publicada no blog da Melody Box em 06/07/2011 (clique aqui para ver)

No início, a ideia era focar no jazz. Com a mistura de experiências vividas por seus integrantes, em menos de um ano, a banda Baleia criou um estilo próprio, moderno, porém preocupado em valorizar melodias e letras. A banda ainda não tem EP ou CD, mas já vem conquistando espaço e admiração de apaixonados por música de qualidade e com personalidade.

“Somos um tanto quanto jazz-rock-swing-romantique-cool-cabaret-pop-experimental”, brinca Gabriel Vaz, um dos vocalistas da Baleia. “Cada um de nós tem experiência musical anterior à banda. David tem também uma banda de samba e Pacheco tem uma de rock. O legal é que cada um traz influências de diversos gêneros à sonoridade da banda.”

As influências vão de Louis Armstrong a Justin Timberlake, passando Chet Baker, Nina Simone e Radiohead:“A banda surgiu no final do ano passado com objetivo de tocar jazz sem nos preocuparmos com virtuosismos. Hoje, fazemos até releituras de músicas atuais do repertório de artistas contemporâneos.”

Entre os artistas “contemporâneos” estão Britney Spears e Justin Timberlake. “Toxic” e “What Goes Around” fazem parte do repertório da banda, que já fez show no Espaço Sérgio Porto e no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, onde a Baleia reside e se inspira para compor e ensaiar diversos instrumentos.

“A banda é formada por três vozes, baixo, bateria, guitarra, violino e piano. Entre os vocais, tocamos violão, guitarra, bandolim e ukulelê, dependendo da música”, conta Gabriel.

Formada por Gabriel Vaz, Luiza Jobim e Sofia Vaz (vozes), Cairê Rego (baixo), David Rosenblit (piano), Felipe Pacheco (violino e guitarra) e João Pessanha (bateria), a banda tem letras em português e em inglês e também executa temas instrumentais: “Quase todos compõem, e todos participam da criação dos arranjos. Compomos juntos e decidimos qual voz tem mais a ver com cada tema.”

Juntos também, os integrantes, que tem entre eles uma filha de Tom Jobim, escolheram o nome Baleia simplesmente por simpatizarem com a representação do animal:“Passamos dias pensando em nomes possíveis, até ficarmos exaustos. Foi aí que nos convencemos que Baleia era um bom nome. Gostamos do animal e de toda a mitologia e as imagens que ele evoca.”

Conheça o talento do violonista Rodrigo Ferreira e do violinista Felipe de Oliveira

quarta-feira, 30 de março de 2011

Rodrigo Ferreira e Felipe de Oliveira e o ECT (Eu, Chris e Taís) conheceram-se em Pindamonhangaba, no Fun Music 2009. Vocalista e violonista do ECT, Taís Salles saiu do Rio fã do grupo que Rodrigo intitulou Suarabacti. No site do festival, estava uma belíssima música de autoria do violonista baiano radicado no Rio. No camarim, pouco antes da disputa começar, ao ser desafiado por Rodrigo Sestrem, flautista nota mil da ECT, o carioca Felipe surpreendeu com sua capacidade de improvisar no violino. Todos se apaixonaram uns pelos outros.

Suarabacti teve um problema sério técnico na hora do show. Microfonia e qualidade musical não agradaram o público formado por jovens do interior de São Paulo. Rodrigo saiu chateado do palco, mas voltou a sorrir quando o anúncio do vencedor saiu: seus amigos ECT (Eu, Chris e Taís) passaram para a semifinal do Fun Music.

A banda do Rio está gravando duas faixas para a coletânea de MPB que o selo Niterói Discos vai lançar em breve. Em “Mareia”, composição de Taís Salles, Rodrigo toca e sola maravilhosamente bem seu violão e Felipe arrasa no violino.

Abaixo, uma amostra do talento dessa dupla:

Conheça Awadi, o rapper mais famoso do Senegal

quinta-feira, 17 de março de 2011

Durante nossa passagem por Dacar, onde cobrimos o Fórum Social Mundial (saiba mais), esbarramos com um ídolo do qual nunca tínhamos ouvido falar. Tudo bem, música africana nunca foi minha praia. Não porque não gosto, mas porque pouco acessei dela. Mas colegas meus esperavam ansiosamente pelo show que Awadi faria no Just 4 U, uma casa de shows recomendada por um a cada dois senegaleses. O moço levou todo mundo à loucura, lá. E, depois, no encerramento do FSM, no palco montado na Universidade Cheikh Anta Diop, causou o mesmo alvoroço. Melhor pesquisar para saber o segredo desse homem, né?

Didier Awadi é filho de pai beninense e mãe senegalesa. Ele tem 41 anos e é o artista mais famoso do Senegal fora do país. Awadi faz rap de protesto: a dívida do mundo com a África, o patrimônio delapidado e as tensões políticas estão entre os temas que aborda. Em 2003, ganhou o prêmio Musique du Monde, da Radio France Internacionale (RFI), e, em 2004, o de Melhor Artista Africano de Rap no TAMANI (troféus de música do Mali). Awadi foi DJ e sua carreira profissional se firmou em meados da década de 80, com o lançamento do CD “Salaam”. Em 2001, Didier Awadi lançou o seu primeiro álbum solo, “Parole d’honneur” (Palavra de honra) e, recentemente, “Un autre monde est possible” (Um outro melhor é possível). Dizem que na França, é muito amado. A gente também amou seu discurso, sua música e sua simpatia.

Conheça Awadi em palavras e na música no vídeo de Pedro Palmeiro:

Para saber mais sobre o Fórum Social Mundial, acesse o site Tamo Aê

Homenagem da Beija-Flor a Roberto Carlos decepciona. Pelo menos saí com a rosa do Rei

sábado, 12 de março de 2011

Divulgação / Beija-Flor

Sempre achei um saco ver os desfiles das escolas de samba pela televisão. Este ano, a expectativa era me surpreender com toda aquela pompa passando bem na minha frente. E foi exatamente o que aconteceu. Realmente, ao vivo, é tudo mais bonito, muito mais contagiante. Mas escolhi ir no segundo dia de Carnaval ao Sambódromo por um motivo especial: ver a homenagem da Beija-Flor ao Rei Roberto Carlos. Quem me conhece bem – e aqueles que andaram acompanhando meu trabalho na grande imprensa entre 2005 e 2009 (infelizmente, em 2010 e 2011, perdi as coletivas do homem por estar fora do país) – sabem que, quando posso, agarro a rosa do Rei. Pois bem… Fui para a Sapucaí pós-bloco, vestida de Branca de Neve, super bem acompanhada de três pessoas maravilhosas e com mochilas e sacos cheios de mantimentos. A Beija-Flor foi a última a desfilar, depois do atraso da Salgueiro e da chuva que caiu durante a Grande Rio. Troquei o vestido encharcado por uma capa e fiquei lá, tremendo de frio, esperando o Rei.

Veja o especial do Rei publicado no site do jornal O Globo em 2009

Queria fazer mais firula, mas prefiro ir direto ao ponto. O desfile da Beija-Flor, intitulado “A simplicidade de um Rei”, foi o pior da noite. Alegorias pobres, nenhuma referência aos filmes nos quais atuou (se teve, foi tão ruim que não chamou a atenção), Lady Laura pouco (ou nada) homenageada… Achei a história do Rei super mal contada. Os carros eram fechados demais, dificultando até mesmo a visão dos artistas que neles estavam. Hebe Camargo precisou meter a cara em um vão entre as hastes das pilastras do veículo. Erasmo Carlos entrou vestido de branco e azul, como se fosse normal vê-lo por aí sem seu tradicional colete de couro e suas pulseiras e anéis de velho roqueiro. E Wanderléa, por onde andava? Enfiar um monte de cantoras em um carro para fazer referência ao show “Elas cantam Roberto Carlos” e um bando de sertanejo no outro para lembrar do álbum “Emoções sertanejas” serviu só pra encher de “gramour” (hein?) o desfile da Beija-Flor, porque esses dois eventos entraram para a história do Rei apenas no ano passado. Há muito mais o que contar sobre o único artista brasileiro com mais de 100 milhões de cópias vendidas dos seus mais de 60 discos lançados.

Agora, você deve estar se perguntando: se a Beija-Flor foi tão mal assim, por que ganhou o título de campeã do Carnaval 2011? Ahhhh, meu amigo (ou amiga)… só vamos descobrir perguntando àquele locutor que, para segurar a atenção da plateia enquanto a escola atrasava (e muito) sua entrada na avenida, ficou metendo o dedo na ferida da Porto da Pedra, dizendo que a escola havia deixado óleo no chão. Engraçado que, mesmo depois de os garis limparem o local, a escola demorou muito a entrar. E, quando passou, correu à beça pra não estourar o tempo. Enfim, pra mim, uma tragédia mal contada.

Só valeu para, mais uma vez, ver o sorriso que adoro de Roberto Carlos e para sair com mais uma rosa do Rei (leia “No navio com o Rei… e a rosa“). Sendo que esta foi distribuída por uma funcionária da Beija-Flor lá no setor 13, onde eu estava.

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