Para o Arariboia Rock, o ano começa neste sábado (31/03), quando as bandas Xande Mc Leite, Os Clodoaldos, Prosaico e Filhos do Barão se apresentam na festa Ampli – Energia do Rock no Convés, em Niterói. O primeiro evento oficial do movimento musical niteroiense contará ainda com o som do DJ Corysco e a exposição “Arariboia Rock” a partir das 21h. Gestor cultural e jornalista, Pedro de Luna estará vendendo seu livro “Niterói Rock Underground (1990-2010)”. Leia entrevista com De Luna.
A primeira edição da festa Ampli – Energia do Rock foi em 2005. Como tem sido a periodicidade?
Essa festa em especial não teve periodicidade. Fizemos três em 2005, uma em 2009 e estamos resgatando esse ano. Provavelmente será a prioridade do Arariboia Rock no Convés. Ano passado a bola da vez era o evento Arariboia Rock Apresenta, que “apresentava” uma banda do Rio ou de outro estado, como a Jennifer Lo-Fi, de São Paulo. Mas por conta dos custos de cachê, nenhuma das cinco edições se pagou. Na festa Ampli, não há essa “exigência” de ter um headliner de fora.
Algum motivo especial para essas bandas terem sido selecionadas?
O critério foi oportunidade. Xande Mc Leite e Filhos do Barão ainda não tinham tocado em eventos “oficiais” do Arariboia Rock. Os Clodoaldos estão voltando a tocar em Niterói após um bom tempo e são parceiros importantes do coletivo. Já o Prosaico fará seu último show, porque o vocalista vai mudar para outro estado. Então, como sempre, ninguém está ali por estar, sempre há um motivo. E todas que tocarem esse ano estão sendo avaliadas para tocar ou não no festival de oito anos.
O que o Arariboia Rock está preparando e prevendo para 2012?
A grande atração será o festival de oitavo aniversário. Ganhamos o edital de festivais de música da Secretaria de Estado de Cultura e já temos R$ 50 mil numa conta corrente. Vai ser o melhor de todos e estamos com uma equipe envolvida para aumentar esse orçamento. Mas, antes disso, estamos começando o projeto Arariboia Rox (com X mesmo) no Espaço Box, que abriu mês passado na Praça da Cantareira. Faremos um evento por mês lá, e as bandas participam da bilheteria a partir de 50 pagantes. E tem mais coisa por vir…
Fale dessa história de o Convés estar correndo risco de ser fechado.
Não sei se a pessoa que ler essa entrevista conhece o Espaço Convés, em Niterói. Mas ele existe há 15 anos e é o espaço cultural mais antigo em atividade na cidade. E agora ele também está sendo vítima do ECAD. Pois é, o proprietário, Sr. Adenor, nunca pagava os boletos de R$ 400 (em média) por mês, por que sua casa sempre recebia eventos de música independente, tanto de reggae e rock quanto de forró, poesia e outras manifestações artísticas, de artistas sem gravadora. No final do ano passado, ele recebeu uma ação judicial retroativa no valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais)!!! E, claro, ele não tem essa grana e está preparando uma defesa, por que isso pode significa o fechamento do Convés!!! O julgamento ainda não está marcado, mas estamos fazendo o possível para ajudá-lo.
Há quanto tempo o Arariboia Rock está na ativa?
Desde 4 de dezembro de 2004, que é por Lei o Dia Municipal do Rock em Niterói, em nossa homenagem. Foi um projeto aprovado na câmara pelo então vereador Leonardo Giordano. Hoje, apenas 10 cidades no Brasil possuem esta data comemorativa.
O que você pode falar do movimento hoje?
O que tem sido mais bacana é o envolvimento de pessoas que não são músicos, como estudantes de produção cultural da UFF. Com eles estamos formando uma equipe mais profissional e criando uma produtora para prestar serviços a bandas que não são do Arariboia Rock, que atuará mais nesta vertente de utilidade pública e reivindicação popular. Fazemos uma reunião mensal com todos os interessados e a troca tem sido excelente.A grande dificuldade continua sendo a falta de uma sede, onde as pessoas pudessem sempre se encontrar. A Cantareira poderia ser isso, mas com a gestão da UFF acho improvável. E esse governo municipal foi terrível, prometeram muito apoio à cultura e nada foi feito. Então temos sido corajosos de insistir em produzir eventos na cidade, pois hoje você tem que alugar casa, som, pagar segurança, flyer etc. São muitos custos numa cena onde não existe rádio ou TV local, nem empresariado engajado. Mas estamos aí, firmes e fortes, em nosso oitavo ano de resistência cultural.
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