GarotaFM
Este site é editado por Christina Fuscaldo, jornalista, aspirante a produtora, metida a cantora e, acima de tudo, uma apaixonada por música.
O projeto da Microservice de revitalização do acervo da gravadora Copacabana Discos lança a série “Bilogia” e traz de volta os dois discos de uma das bandas brasileiras mais influentes de rock progressivo da década de 70, O Terço. Os discos “Criaturas da Noite” e “Casa Encantada” foram gravados na época em que O Terço era um quarteto composto por Sérgio Hinds (guitarra, viola e vocal), Sérgio Magrão (baixo e vocal), Flávio Venturini (teclados, viola e vocal) e Luiz Moreno (bateria, percussão e vocal).
O disco “Criaturas da Noite”, lançado em 1975 pelo selo Underground, foi um marco para o rock nacional e coloca a banda na história ao vender 100 mil cópias. O álbum com 8 faixas tem canções que viraram hits, como “Hey Amigo”, de Cézar de Mercês, o rock rural ”Queimada”, de Flávio Venturini e Cézar de Mercês, e a clássica “1974″, de Flávio Venturini, que se tornou um hino. Em “Casa Encantada” (1976), o disco que recebe esse nome por causa do sítio onde o grupo o gravou, traz o som característico da banda: rock com elementos de MPB. Com 11 faixas, o álbum reúne “Flor de La Noche”, de César de Mercês, “Casa Encantada” e “O Vôo da Fênix”, de Luiz Carlos Sá e Flávio Venturini, entre outras que marcaram a cena rock brasileira.
A cantora americana Colbie Caillat lançou seu terceiro álbum, “All Of You”, destilando alto astral, otimismo, suavidade e diversão. O disco, que tem como primeiro single “I Do”, caiu facilmente nas graças do público e já em sua primeira semana de vida ficou em primeiro lugar no ranking do iTunes e em 23º na Billboard Hot 100. ”All Of You” contém 12 faixas e é como férias de verão com praia, amigos e descontração. O CD ainda tem participação do rapper Common em “Favorite Song”.
O terceiro álbum da banda Maroon 5, “Hands All Over”, foi produzido por John “Mutt” Lange, responsável por trabalhos de artistas como AC/DC, Shania Twain, entre outros. O CD contém 14 faixas e tem participações de Lady Antebellum em “Out Of Goodbyes” e na versão acústica de “Crazy Little Thing Called Love”. O quinteto escalado de última hora para participar do Rock in Rio, em setembro, mostrou as canções do seu novo trabalho, entre elas o primeiro single, “Misery”, que esteve em 14º nas paradas americanas da “Billboard Hot 100″. Também estava no repertório “Moves Like Jagger”, que no álbum teve participação de Christina Aguilera e conquistou a 1ª primeira posição na “Billboard Hot 100″. Maroon 5 também apresentou “Hands All Over”, “Stutter”, entre outros sucessos mais antigos da banda. Eles disseram numa entrevista à revista “Rolling Stone” que passaram dois meses no estúdio de John, na Suíça, trabalhando no novo CD, que continua com a mesma essência pop dançante do último.
O projeto de revitalização da Copacabana Discos feito pela Microservice reeditou também dois álbuns de Roberto Silva, cantor que iniciou sua carreira na rádio, na década de 30. ”Descendo o Morro” (1958) e “Descendo o morro nº. 2″ (1959) reúnem doze faixas, cada um, interpretadas pelo Príncipe do Samba e traz canções como “Indecisão”, de Aylce Chaves e Paulo Barcelos, “Juracy”, de Antonio Almeida e Cyro de Souza, “Aos Pés da Cruz”, de Marino Pinto, “Escurinho”, de Geraldo Pereira e muitas outras.
A coleção, que vai até o quarto volume, conta com a participação dos músicos: Altamiro Carrilho (flauta), Raul de Barros (trombone), Canhoto (cavaquinho), Meira e Dino (violões), José Américo (baixo), Jorge Silva (pandeiro), Gilson de Freitas (tamborim), Décio Paiva (afoxé) e Rubens Bassini (ganzá). Tudo embalado pelo estilo sincopado de Roberto Silva.
“Discos Copacaba – A Praia da Música Brasileira” é mais um resgate do projeto de revitalização da Copacabana Discos feito pela Microservice. O álbum duplo, que reúne entre suas 28 faixas grandes nomes, é uma verdadeira máquina do tempo com o que há de melhor na música brasileira.
Com Wilson Simonal, Ângela Maria, Luiz Gonzaga, Jair Rodrigues, Genival Lacerda, Benito Di Paula, Leci Brandão, Eliete Negreiros, Bebeto, Chitãozinho e Xororó, entre muitos outros, é para apertar o play e mergulhar nesse “mar” de variedades, regionalismos e muita qualidade.
A islandesa Björk inova ao lançar seu novo álbum, “Biophilia”. Grande parte foi gravada em um tablet, em parceria com a Apple, e será o primeiro “álbum de aplicativo”. No equipamento, os fãs vão pode interagir com as dez faixas do CD simultaneamente. Novos instrumentos musicais foram criados para o CD e para os shows da nova turnê, como a “gamaleste” (que é controlado pelo tablet) e uma bobina de Tesla.
Björk inova a cada novo trabalho, com essa mistura de sonoridades, orquestrações e melodias um tanto quanto melancólicas. Ela não deixa de lado a preocupação estética com a música. Tudo é perfeitamente produzido pela cantora. O disco sai também na versão “Ultimate”, limitada, com apenas 200 unidades que inclui CD, outro CD com gravações exclusivas, um manual com fotos, histórias de bastidores, partituras e letras, e uma caixa com dez diapasões, cada uma ajustada ao tom de uma faixa de “Biophilia”.
Dono de uma carreira solo muito bem-sucedida, Rodrigo Santos lançou três CDs e, agora, chega ao seu primeiro DVD. “Rodrigo Santos – Ao Vivo em Ipanema” tem participações de grandes nomes da música brasileira, como Frejat, Pepeu Gomes, Ney Matgrosso e outros. O show do seu projeto Kombi Elétrica e o clipe com a participação de Chris Pitman (tecladista do Guns’n’ Roses) cantando “Holidays In The Sun”, do Sex Pistols, também estão no novo trabalho do ex-baixista do Barão Vermelho.
Baixista, violonista, cantor, compositor e produtor musical que já tem uma extensa jornada na música e já tocou com grandes nomes como Lobão, Léo Jaime, Kid Abelha, Rodrigo bateu um papo com o GarotaFM e falou sobre o Rock in Rio este ano, momentos marcantes da sua vida e o show de lançamento, que acontece nesta sexta-feira (18/11), no Teatro Ipanema, no Rio (com convidados).
Fale um pouco sobre a ideia de fazer esse DVD e seu processo de produção.
Eu vinha de dois discos autorais e muitos shows e, quando fui marcar o show de lançamento de “Waiting On A Friend” no Teatro Ipanema, me ocorreu de gravar um DVD para registro. Um local tão bacana e diferente… Aí me deu o estalo de gravar um DVD geral do que vinha acontecendo na carreira solo, com as músicas dos três CDs. Valorizei as autorais e algumas de “Waiting”, onde acho que interpreto melhor. Foi um registro da minha imagem em alta qualidade, com 6 câmeras e dirigido lindamente pelo grande João Elias Jr e seu sócio, Luiz Paulo Assumpção. Eles me descobriram num show acustico (voz e violão) no Città América, um mês antes da gravação em Ipanema, ou seja, eu tinha marcado o evento, mas não tinha as câmeras ainda… (risos). Numa carona de volta para casa, ao ser perguntado por Luiz Paulo sobre quem filmaria, eu respondi: “Ninguém ainda.” Ali começou nossa parceria, que no caso do João Elias ainda se desdobrou para o programa Roda de Rock, onde serei apresentador junto com a Erika Martins. Em relação à produção, ficou praticamente tudo nas minhas costas e acabei fazendo a direção geral do DVD. Marcação de ensaios, roteiro, clima de show, escolha dos convidados, direção geral da passagem de som, figurino, fotógrafos, making of, captação de patrocínio, venda de ingressos antecipada (na minha casa), textos para redes sociais, painéis para entrada do teatro com as marcas de patrocínio, arte das filipetas e banners. Arrumei praticamente tudo para o show do teatro e ainda me veio a ideia de registrar o show da Kombi um mês depois, pois essa historia tinha muito a ver comigo também. Sempre gostei de tocar em luaus, ar livre, na rua e inventar novas soluções de shows. Como estava muito falada a Kombi, resolvi gravar o DVD em duas partes e incluí-la também. O show do Teatro seria mais focado no repertorio dos CDs, comigo no violão, voz (em quinteto, com Humberto Barros e Jorge Valladão) e o show da Kombi seria baseado no meu power trio Rodrigo Santos & Os Lenhadores, que inclui Fernando Magalhães (Barão) e Kadu Menezes (ex- Kid Abelha), que também participaram no teatro. Esse trio tem rodado o Brasil todo em mais de 20 shows por mês… Não poderia deixar de fora essa realidade. Nessa fase Kombi, eu cantei e toquei baixo e o repertório foi mais festa contando a minha história como baixista no Brock. Para a realização dessa etapa, contei com a ajuda de um amigo (Bernardo Egas) que conseguiu a liberação do espaço no WQS do Arpoador, final do campeonato de surf, dia 10/10/10. Lucio Maia e Jorge Valbuena me ajudaram nos eventos também. Em ambos o público marcou presença e compareceu em grande número, me deixando realmente muito feliz. Escolhi o Fausto Prochet para mixar o DVD inteiro (ele captou também). Belíssimo trabalho. Foi uma ralação sem precedentes a captação de tudo isso (contando com ajuda de São Pedro) e ainda da parte com Chris Pitman, no estúdio Jam House. O cenário da Latoog também foi muito belo, no teatro, assim como o PA, feito pelo Eduardo Zero (Dico).
Você recebeu vários amigos e parceiros nesse show. Fale um pouco sobre essas participações.
As participações foram escolhidas seguindo três critérios: quem já havia participado de algum dos meus CDs solo; quem foi importante na minha história como músico; e quem fez parte da minha formação musical na adolescência. Segui o mesmo critério na escolha do repertório, portanto, foi um DVD dos mais completos que já participei. Em alguns dos casos, a escolha acaba coincidindo em dois critérios. Por exemplo, o Ney Matogrosso foi influência em minha formação musical e cantou no meu segundo CD, portanto, cantamos uma música dele (dos Secos & Molhados) e outra minha, a do CD. O Frejat, nem preciso dizer o porquê, mas o mais interessante e não óbvio foi que não cantamos músicas do Barão, apesar dele ser super importante nessa minha parte da história, e sim que para esse momento era mais verdadeiro e importante que fizéssemos as duas músicas em que ele participou nos meus solos, aliás todas títulos de dois dos meus CDs, “Um Pouco Mais de Calma” e “Waiting On A Friend”. Isabella Taviani cantou comigo no terceiro CD e repetimos a canção, pois ao mesmo tempo em que eu gravava um DVD no Teatro Ipanema, também lançava “Waiting On A Friend”. Leoni participou do meu primeiro CD e no segundo fizemos a parceria que deu nome ao disco, “O Diario do Homem Invisível”. Foi essa que entrou no DVD e pela primeira vez juntos, pois no segundo CD cantei-a com Autoramas. Os Miquinhos entraram em dois quesitos, tanto fizeram parte da minha história como baixista, como participaram de meu segundo disco. Além disso toquei com eles em 1985 no Teatro Ipanema. Mesmo caso do Leo Jaime, afinal toquei com Leo anos e também no Teatro, em 86. Toquei com a Blitz e Evandro solo em 2002, numa excursão de um ano. Pepeu foi minha grande influência, pois aprendi a tocar baixo escutando os LPs dele e tirando os baixos e riffs do Didi Gomes. Alguns grandes músicos entraram também, caso de Milton Guedes e Rogerio Meanda (Blitz e ex-Cazuza), muito pela grandeza de sua arte, um com sax e gaita, outro com a super guitarra. A distribuição de todos entre Teatro e Kombi obedeceu a alguns critérios meus, mas todos poderiam estar em qualquer dos eventos e até nos dois, caso dos Miquinhos, companheiros meus de surfe na decada e 80. Afinal, a Kombi foi dentro do WQS do surfe. Tudo a ver com Evandro (surfista do Arpex que se sentiu em casa) e Pepeu (nesse ultimo caso, mais pela Kombi Elétrica, que é uma mini extensão do trio elétrico). Leo Jaime poderia estar também no teatro, onde tocamos juntos em 86, assim como Frejat poderia estar na Kombi conosco. O Ney tem tudo a ver com teatro, luz, cenário, mas também ficaria sensacional na Kombi, pois ele é sensacional (e rock’n’roll) em qualquer lugar. Isabella também é rock! Kombi, teatro, tanto faz o que interessava era a escolha afetiva e emocional também, além da profissional. Acredito que funciono muito melhor quando as pessoas que estão ao meu lado têm afinidade emocional comigo. Tudo isso foi colocado em questão e também ficaram faltando Zélia, Moska e Lobão, mas quem sabe numa próxima. Sobre Chris Pitman, foi pura afinidade musical e emocional também. Ficamos amigos rápido e ele cantou em dois shows meus antes de eu convidá-lo a participar. Um grande cara! Todos ali foram escolhidos a dedo. Só gente da melhor qualidade.
Você tocou no Rock In Rio, e seu show foi super bem recebido. Conte essa experiência.
É verdade… Estávamos super a vontade e a fim de mostrar serviço. Já tinha participado em 91 com Lobão e em 2001 com o Barão. Em carreira solo foi diferente, como começar do zero! Sabia que faríamos um bom show, pois estamos azeitados na estrada, com 20 shows por mês, eu, Kadu Menezes e Fernando Magalhães, mas superou muito nossas expectativas, por melhores que fossem. Acho que entramos muito concentrados para ganhar o jogo, uma vez que éramos para o publico passante, ilustres desconhecidos. Mas escolhi um show para festival e deu certo. Acabou sendo o recorde de publico da Rock Street, deviam ter umas 10.000 pessoas e quem estava indo ver Ivete, parou e ficou lá com a gente. Foram três bis e gritos da galera de “palco mundo” . Super emocionante. Eu entrei muito feliz por estar ali, nada nervoso e sim curtindo cada momento. Para mim até passou rápido, mas foi quase uma hora e meia de show. Foi sem dúvida o show mais marcante da minha carreira solo e talvez da minha vida. Tinha um misto de garra e urgência, tipo: “Ó, estamos na área!!!”.
Fale sobre a turnê do novo trabalho.
Bom, como toda turnê que faço, terá um pouco de tudo, só que dessa vez mais músicas autorais nos locais que permitir cenário, luz, etc. Como já venho de muitos shows e estou com agenda fechada ate março de 2012, quando volta o Barão, vou me divertir e ao mesmo tempo cair dentro da divulgação desse DVD, o produto da minha vida. Foi feito com muita raça, carinho, perseverança e planejamento. Vou pra estrada e o levo debaixo do braço. Já tenho shows marcados em todos os estados, mas o lançamento oficial (apesar de eu já ter feito noite de autógrafos na Argumento e pré-lançamento no Rock in Rio ,inclusive vendendo na loja do festival) será dia 18 no Teatro Ipanema e talvez uma Kombi em janeiro.
Você está em algum projeto como baixista neste momento? Como tem conseguido conciliar com sua carreira solo?
Não, o único projeto como baixista é também como apresentador de um programa de TV (também como cantor), chamado “Roda de Rock” e os discos em que venho produzindo, caso da Marilia Bessy e Mauro Santa Cecília, onde também toco baixo. Nos meus shows sou o baixista e cantor, mas não toco como baixista de outros artistas ha tempos. Alias exceção a Mart’nália, no show em que fui diretor musical no Vivo Rio (Saúde Criança). Além de fazer meu show, toquei cinco sambas com ela, como músico. De resto não tem dado tempo ou folga na agenda para isso. Conciliarei em 2012 todos os projetos que vim cavando ao longo desses cinco anos, mas a prioridade será o Barão, a partir de março. Fecho um ciclo com esse DVD (4 discos) e abrirei outro em 2013.
Como e quando surgiu a idéia de tocar uma carreira solo?
Quando foi anunciada a segunda parada do Barão, num ensaio para a volta aos palcos em 2004. Frejat comentou no estúdio, que haveria uma nova parada em 2007 (sem previsão de volta). Ali decidi que ia me preparar para uma carreira solo e o primeiro passo foi dado em 2005, quando parei com álcool de drogas.
Qual o show mais marcante que você já fez na vida?
Esse do Rock in Rio 2011, sem dúvida, pelo caráter emocional e pelo simbolismo de uma grande vitória na nova fase, a prova de que se trabalhando dignamente e com foco, as coisas acontecem, sem pressa de ser feliz. Tudo tem seu tempo. Ali, meu filho mais velho, Leo, me viu tocando no Rock in Rio!!! Pude estar com ele junto! Sempre pensei que com a parada do Barão, meus filhos não me veriam mais num momento tão importante, de orgulho… Antes, em 2005, com álcool e drogas, isso era inimaginável. Muita coisa mudou internamente e vendo meu filho e minha mulher ali, num dia tão importante, de uma carreira suada, no braço, não tem preço. Está eternizado no meu emocional e não apenas no profissional… Foi bem diferente e novo para nós. E garanto que Kadu e Fernando também tiveram esse sabor de… Vencemos!!!
Qual a experiência que mais marcou sua vida até hoje?
A de ter filhos e a de parar com álcool e droga, principalmente num meio tão careta, que é mais preconceituoso com quem não bebe ou usa drogas, do que ao contrário. O conceito de caretice está invertido, pois liberdade é transgressão e prisão (no caso emocional e interno do uso de drogas pesadas) é caretice. A vida é feita de escolhas e a liberdade de ser quem você é não tem preço. Mas muitas pessoas andaram esquecendo que já fui louco (no bom e mau sentido), um dos mais divertidos e loucos músicos do Rock, mas isso teve um preço e hoje me sinto muito feliz, há seis anos e meio sem usar nada. Isso para mim é liberdade e liberdade é sinônimo de não caretice… Se é que me entende. Precisar de um prato, um canudo, uma carreira para poder fazer as coisas, é uma prisão caretérrima e doentia. Saí dela… E junto abandonei o álcool também. Quando fui chamado para a campanha “Rock in Rio vou sem drogas.”, senti que os doidões de plantão estavam mais preocupados em pichar a campanha do que com o real teor dela, isso é preconceituoso, é defeituoso, é careta, é ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Mas eu relevo e perdôo, pois já fui assim também. Portanto mais respeito com quem viveu os dois lados da moeda. E o trabalho e meu astral e bom relacionamento com todo mundo falou mais alto. Cito esses momentos, filhos porque são o motivo real de se viver, de dar continuidade, com responsabilidade de estar junto, atento, amigo, parceiro, pai, vilão e mocinho, mas inteiro… Com a droga junto isso não é possível, e olha que não tem nada de religioso o que estou falando e sim de amor pela família, de entrega e dedicação. A droga tira isso das pessoas, isso é careta! Cuidar dos filhos é liberdade e quem acha que se drogando violentamente está cuidando de alguém, se ilude, é mentira. Portanto esses dois momentos estão intimamente ligados ao mais importante, pois se eu não tivesse inteiro e pleno, não poderia cuidar da minha família como cuido hoje em dia… E de mim também. Ao parar com álcool e drogas, tomei uma decisão que influenciou em todos os setores da minha vida e hoje em dia convivo inclusive com a malucada numa boa! Rs
A única certeza que tinham os presentes no show de Ringo Starr nesta terça-feira (15/11) não era a de que cada um ali, algum dia, vai morrer, mas a de que todos eram beatlemaníacos. Ou mulher de um beatlemaníaco. Ou namorado de uma beatlemaníaca. Alguma relação com Beatles aquela gente que quase encheu o Citibank Hall, no Rio, tem. Mas o baterista mais fofo da história do rock britânico não se aproveitou disso. Apresentando apenas “I Wanna Be Your Man”, “Yellow Submarine” e “With a Little Help From my Friends” do repertório “daquela outra banda” (como ele faz questão de chamar), Ringo Starr priorizou a divulgação do trabalho de seus parceiros de palco.
A All Starr Band, que vira e mexe alterna seus astros, veio ao Brasil com Rick Derringer (guitarra), Richard Page (baixo), Edgard Winter (teclado), Wally Palmar (guitarra), Gregg Bissonette (bateria) e Gary Wright (guitarra). Cada um tem seu estilo e todos tiveram a chance de brilhar no show comandado por Ringo, que abriu a noite com seu maior hit solo, “It Don’t Come Easy”, e interpretou o clássico de Carl Perkins “Honey Don’t”. Depois de “Choose Love”, o ex-Beatle deu a vez a Rick Derringer, que tocou e cantou “Hang on Sloopy”, um sucesso de sua ex-banda McCoys. Para quem não lembra, foi a música que ganhou versão de Leno & Lilian na Jovem Guarda e virou “Pobre menina”.
Edgard Winter, irmão da “lenda da guitarra” Johnny Winter (lembre do show no Rio), assumiu o microfone e, com o teclado pendurado no pescoço como se fosse uma guitarra, tocou “Free Ride”. Gary Wright apresentou “Dream Weaver” e Wally Palmar mostrou “Talking in Your Sleep”, dos seus tempos na banda The Romantics. Richard Page colocou para fora seu lado oitentista com “Broken wings” (momento Antena 1 Light FM). E não foram só essas. A alternância durou o show todo, com Bissonette na bateria principal o tempo todo e Ringo indo e vindo de trás do palco (onde estava a sua bateria) para a frente (quando pegava no microfone). Os fãs alternaram-se entre gostar e achar chatos os números dos amigos de Ringo. Mesmo assim a simpatia do ex-Beatle, que declarou seu amor aos presentes o tempo todo e disseminou Paz e Amor muitas vezes, segurou a atenção da plateia do início ao fim.
Carta à produção do festival SWU, cuja segunda edição começou no sábado (12/11) e termina nesta segunda-feira (14/11), em Paulínia (SP):
SWU: não começa com você
Escrevo para fazer uma reclamação. Fui agredida na porta de entrada por seguranças truculentos. Fiz um pequeno motim e consegui no grito entrar com os objetos que a mulher queria que eu tirasse a bolsa (pente, espelho, lápis de olho etc). A foto dos objetos está aqui embaixo e também no Facebook, assim como relatos do ocorrido. Aconteceu assim:
Enquanto eu tirava a capa de chuva, que estava por cima da mochila, ao tentar me “ajudar”, uma das mulheres responsáveis pela revista RASGOU a mesma. Abriu o zíper enquanto eu ainda ajeitava a mochila em cima da mesa. Arrancou de dentro a necessaire que vai comigo a qualquer lugar (aeroportos, bancos, shows e outros festivais, tais como Rock in Rio e LupaLuna) e abriu. Pedi que deixasse eu abrir, mas ela IGNOROU minha fala e foi tirando tudo de dentro. Colocou a mão na minha escova de dente, abriu a pasta dental para cheirar e separou na mesa meu lápis de olho, um espelho redondo com suporte de madeira, um cortador de unha, uma pinça, dois pentes de plástico pequenos e presilhas tic-tac. Da outra bolsinha, retirou uma caneta americana, mas a Bic, largou lá. E disse que eu não entraria com os 19 OBJETOS que ela selecionou aleatoriamente. Detalhe: Chaves, cinto com fivela grande, sacos plásticos, shampoo, condicionador e caneta Bic entraram.
Falei para a jovem que essas REGRAS NÃO ESTAVAM ESCRITAS nem no site do SWU nem no verso do ingresso. E que eu tinha tudo ali porque fui do Rio de Janeiro direto, com a mochila nas costas com uma muda de roupa e a necessaire. Tudo passou pela rodoviária e pela Polícia Federal, no aeroporto. Pedi para falar com meu namorado, que por ter sido levado a correr uma fila de homens a essa altura já havia passado pela catraca, e uma OUTRA MULHER FEZ UMA BARREIRA, e disse que dali eu não passaria. Comecei a falar com ele de longe, gritando para ele ouvir e entender o que estava acontecendo. Eis que vem um SEGURANÇA GRANDE (leia-se alto e gordo) e se fazendo valer de seu tamanho, ME EMPURROU e disse que, se eu não jogasse aquelas coisas na lata de lixo, que fosse embora porque não teria conversa. Gritei que ele não podia ENCOSTAR EM MIM e, vendo a confusão, meu namorado pulou para fora do festival e veio em nossa direção, com a câmera ligada, registrando a tentativa de me inibir daquelas três pessoas. O “segurança grandão” METEU A MÃO NA MÃO DELE, desligando a câmera dele. Gritei mais uma vez, dizendo que ele não tinha o direito de encostar na gente. Uma pernambucana chamada Marília que estava tendo seus bens confiscados ali do lado e viu a cena decidiu se juntar a nós e também gritou com o homem. Um quarto “segurança” veio pra cima de mim, gritando QUE ERA POLICIAL E IA ME LEVAR DALI. Desafiei: “Me mostre então sua identificação e me diga seu nome!” E ele se negava a fazer uma coisa ou outra. A pernambucana fazia a mesma coisa. Meu namorado continuou filmando.
Exigi falar com o superior dele, mas eles não queriam chamar. Odeio dar a tal “CARTEIRADA”, mas nessa hora falei que era jornalista e que, em 2010, cobri o evento para o jornal O Globo do Rio (leia aqui). Mais que rapidamente, O SUPERIOR APARECEU (ele não quis se identificar, mas está no vídeo). Na frente dele, os dois “seguranças” truculentos NEGARAM que tivessem encostado na gente e ameaçado com palavras. O que se disse policial enfiou o rabo entre as pernas e só sabia dizer que estávamos mentindo. O superior declarou que havia chamado uma policial para nos revistar e nos dizer que as regras eram aquelas. Nós nos acalmamos e vimos ali A CHANCE DE registrar a ocorrência e de questionar onde estão essas regras. Enquanto esperávamos, Marília sugeriu ao superior que assistisse ao vídeo registrado por Marco. E, quando a companheira pernambucana repetiu para ele QUE EU ERA JORNALISTA, imediatamente ele nos levou para outra catraca E NOS LIBEROU COM TUDO o que tínhamos na bolsa. Medo de jornalista?
Pior é que mais de dez mulheres assistiram à cena e tentaram dar apoio, até mesmo numa de seguirem nossos passos e não perderem seus bens. Mas como as mesmas não fizeram barulho, acabaram ficando pra trás, presas na barreira dos quatro policiais “malvadinhos” e com certeza tiveram que deixar suas coisas na lata de lixo. Sempre que aceitarmos esse tipo de truculência, levaremos o prejuízo.
Porque estou trabalhando em outro projeto e por isso a Midiorama/MediaMania não me credenciou para a cobertura oficial do festival (aliás, a única assessoria que não dá crédito ao GarotaFM, site convidado para o Rock in Rio, a Mimo, o LupaLuna, o próprio SWU em 2010 e tantos outros festivais e eventos brasileiros de música), fui como plateia comum apenas no domingo, dia 13/11, quando tocariam dois ídolos meus: Zé Ramalho e Lynyrd Skynyrd. Por causa da confusão na porta de entrada, que durou mais de 45 minutos, PERDI O SHOW do Zé Ramalho. Calor, dor no peito, vermelhidão no rosto, sede, raiva… levei mais de uma hora e meia para me recuperar daquele estresse. Agradeço a meu namorado pelo apoio na briga, pela filmagem e por me acalmar depois.
Quando eu já um pouco mais relaxada, vi a seguinte cena acontecer do meu lado: uma menina comprando chope por R$ 7 e dando uma nota de R$ 10 e o vendedor se negando a dar troco, dizendo que com ele o preço era esse. Eu me perguntei: “Cadê a fiscalização?”
Gostaria de registrar o ocorrido porque vou querer uma explicação para isso. E quero saber também como a produção pretende ressarcir meu prejuízo por ter perdido o show de Zé Ramalho, artista que acompanho há anos e sobre o qual estou escrevendo um livro (leia mais).
Atenciosamente,
Christina Fuscaldo
* No site do SWU, há uma pergunta na seção FAQ sobre o que pode e não pode ser levado ao festival. De acordo com o texto, apenas meu cortador de unha deveria ter sido confiscado. E também desodorante, shampoo, condicionador e pasta de dente, que não foram. Mas o pregador proibido é apenas aquele tipo bico de papagaio. É proibido levar camisa de time, mas o que mais se via eram homens vestidos com camisas de times. Alô, produção, no ano que vem, é possível treinar os seguranças / responsáveis pela revista ou pelo menos contratar pessoas acostumadas a trabalhar com isso?
Não pode levar: Armas de fogo; armas brancas de qualquer tipo ou espécie (facas, canivetes, etc); guarda-chuva (de qualquer tamanho); pingentes, correntes pesadas; objetos pontiagudos (inclusive prendedores de cabelo tipo bico de papagaio); objetos perfuro cortantes (tesoura, estiletes, cortador de unha, aparelho de barba); materiais ou objetos que possam causar ferimentos; balões em geral; malabares; fogos de artifício e de estampido (de qualquer espécie); objetos de vidro, plástico ou metal (perfumes, cosméticos – inclusive desodorantes de qualquer tipo -, pasta e escova de dente); substâncias tóxicas e utensílios para utilização de drogas; bebidas (em qualquer tipo de recipiente ou vasilhame que não seja copo de água mineral selado e lacrado com o tamanho máximo de 200ml; remédios (somente com autorização/receita médica); camisa de time de futebol; bandeira com mastro; papel em rolo de qualquer espécie, jornais, revistas e livros; alimentos de qualquer natureza – SÓ SERÃO PERMITIDOS ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS COM A EMBALAGEM LACRADA ORIGINALMENTE (SALGADINHOS/BOLACHAS/BISCOITOS) – ALIMENTOS IN NATURA, MANIPULADOS E/OU COM EMBALAGEM ABERTA NÃO SERÃO AUTORIZADOS); vasilhames, copo de vidro, latas, canecas ou qualquer outro tipo de embalagem vazia ou contendo líquidos de qualquer natureza que, direta ou indiretamente, possam provocar ferimentos em caso de esforço físico isolado ou generalizado; cadeiras; animais; máquinas fotográficas profissionais (lente intercambiável); gravadores; filmadoras; notebooks.
Pode levar: cigarro (1 maço lacrado); isqueiro; fósforo; dinheiro; cartão de débito e crédito; binóculo.