Som de preto: quando toca, ninguém fica parado

“O nosso som não tem idade, não tem raça e não tem corMas a sociedade pra gente não dá valor”

Com o funk “Som de Preto”, Amilka e Chocolate cantaram na década de 90 o que o samba quis dizer no início do século XX, quando seus expoentes eram perseguidos, e o que Wilson Simonal deveria ter gritado quando foi levianamente chamado de dedo-duro durante a ditadura militar, o que afundou uma carreira de sucesso que incomodava por ser algo inédito para um negro no Brasil. Os funqueiros disseminaram a ideia que as “branquelas” da axé music vêm explorando desde que Daniela Mercury popularizou o movimento fora da Bahia, nessa mesma época em que a música das favelas cariocas se espalhou pelo país: a de que os estilos desenvolvidos a partir da música africana botam mesmo pra quebrar. “É som de preto, de favelado. Mas quando toca, ninguém fica parado”, cantava no refrão a dupla produzida na época por DJ Marlboro. Sugando o soul dos negros americanos, que influenciou até mesmo Elvis Presley, Tim Maia é um que se deu bem às custas da música negra.

Mas vamos falar da Bahia, que sempre se orgulhou de sua cultura, muito influenciada pela mistura de raças. Foi lá que Pedro Álvares Cabral desembarcou pela primeira vez (mais especificamente entre Santa Cruz de Cabrália e Porto Seguro) e para lá os portugueses levaram escravos retirados do Golfo da Guiné. Com eles, vieram da África a culinária, a música, a dança e a religião. Axé, no Candomblé, simboliza um poder de força sobrenatural. Na música, o axé é o resultado da mistura de frevo, forró, maracatu, reggae e calipso, e ganhou mais força quando grupos blocos afros ganharam os palcos e ruas de Salvador. Hoje em dia, o estilo se desvirtuou, mas ainda há quem enalteça as raízes negras.

Neste último carnaval, Claudia Leitte saiu de Negalora no Bloco Papa e no Bloco da Barra, homenageando mulheres de tribos africanas. Seu camarote ganhou o nome de África e as roupas seguiram as tendências do outro continente. No camarote DM, Daniela Mercury homenageou Jorge Amado, baiano que escreveu muito sobre a cultura local. Em cima do trio elétrico, encarnou Dona Flor, personagem famosa do escritor, protagonizou cenas de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e entoou clássicos como “O Canto da Cidade” e “O Mais Belo dos Belos”, na qual diz: “Bata no peito mais forte e diga: Eu sou Ilê”(Ilê Aiyê é o bloco afro mais antigo do carnaval de Salvador).

Vale lembrar que a “rainha do carnaval”da Bahia, como declarou Ivete Sangalo, levou um Grammy Latino por seu álbum Balé Mulato em 2007 e defendeu os negros também quando gravou “Preta” ao lado de Seu Jorge:

“Eu sou preta
Trago a luz que vem da noite
Todos os meus santos
Também podem lhe ajudar

Negro é uma cor de respeito
Negro é inspiração
Negro é silêncio, é luto
Negro é a solidão”

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Depois de lançar ‘Música Crocante’, baterista do Autoramas fala sobre o mercado independente, as turnês internacionais e muito mais

“Música Crocante” é o nome do mais novo álbum do Autoramas, lançado no segundo semestre de 2011. A banda, que é uma das mais bem sucedidas do cenário independente nacional, está na estrada desde 2007 e passou por algumas mudanças. Atualmente está com Gabriel Thomaz (vocal e guitarra), Bacalhau (bateria) e Flávia Couri (baixo) em sua formação. Bacalhau fala ao GarotaFM das dificuldades de ser uma banda “alternativa”, de como se articulam para fazer turnês internacionais, das influências e do fato de ter sido a única banda a tocar de forma acústica no “MTV Apresenta”.

O título desse novo disco tem algum significado especial pra vocês?

Acho que é o momento que estamos vivendo. As músicas têm essa crocância que o disco sugere. É um momento bom da banda, nós viemos de uma turnê europeia bem sucedida.

Essa turnê internacional foi desse disco ou do anterior?

Na verdade, todo ano a gente acaba indo para a Europa e a gente testa umas músicas lá. Nessa última turnê, testamos três ou quatro músicas que estão no disco e isso tem funcionado. A gente aproveita todos os shows pra tocar as músicas novas, para testar.

Como vocês conseguem sobreviver no mercado independente?

Acho que porque nós sempre fizemos nossas escolhas, sempre corremos atrás. A gente tem um escritório que trabalha junto com a gente, tem nossa empresária que está sempre com a gente… E a gente ganhou já três prêmios na MTV que também ajudou bastante o nosso trabalho.

Nenhuma gravadora procurou por vocês ou já houve proposta e vocês não aceitaram?

Não, nunca tivemos. Até gostaríamos que tivesse uma gravadora interessada, mas também nunca precisamos e nunca esperamos. A gente sempre correu atrás e fizemos acontecer. E estamos fazendo acontecer até agora.

Como acontece esse contato para fazer essas turnês internacionais? Sendo uma banda independente dificulta mais?

É difícil sim… são anos tentando fazer e a gente já vai pra Europa há mais de cinco anos. E a gente tenta tocar em festivais, pubs, a gente toca em vários tipos de lugares. Quando você tem uma gravadora fica mais fácil, mas estamos correndo atrás disso. Estamos conseguindo isso de forma independente e estamos querendo lançar o disco novo lá também.

Esse disco é o primeiro por uma gravadora ou na verdade é só uma parceria para distribuição?

Na verdade, esse disco foi feito por nós juntos com os fãs e a gravadora Coqueiro Verde, para celebrar esse momento que a gente tá passando. A Coqueiro é mais uma gravadora do que uma distribuidora. É um prazer estar lá, tudo uma maravilha. Eles ajudaram muito na distribuição e colocando a gente em lugares que a gente não conseguia.

Vocês gravaram esse CD com a ajuda dos fãs através de um site. Como funcionou isso?

A gente começou a gravar independente e o site “Embolacha”  acabou batendo um papo com a gente. Conversamos sobre isso e achamos interessante a ideia e nós lançamos um valor e colocamos 45 dias para conseguir alcançar essa meta  e a gente conseguiu e foi muito bom, super gratificante.  Atingimos a meta nos 45 dias. As pessoas pagavam um valor, cada recompensa tinha um valor que foi de vinte a cinqüenta mil reais e, conforme o valor, eles tinham uma recompensa, desde ir ao show de graça, ganhar o disco, entre outras coisas. E, depois que a gente conseguiu alcançar essa meta, apareceu a Coqueiro Verde e fechou com chave de ouro.

Vocês mantêm contato direto com os fãs através das mídias?

Sim, bastante! O pessoal que contribuiu é o pessoal que vai ao show e está sempre com a gente. É uma galera que acompanha a gente há muito tempo.

E qual a maior influência de vocês atualmente?

No geral, a gente gosta muito de rock latino, uma coisa psicodélica, uma guitarrada do Pará, um rock turco, umas coisas assim. Rock de um modo geral, do mundo inteiro.

Vocês foram a primeira banda a se apresentar no “MTV Apresenta” de forma acústica, apesar de vocês terem certo peso no som de vocês. Como foi a ideia de tocar desplugado?

Foi bom porque a gente tinha tanta música que a gente não tocava que estavam perdidas entre os CDs e teve gente que pediu no show. O desplugado foi legal que a gente desconstruiu isso tudo e fizemos de uma forma diferente, foi um trabalho bem difícil porque a gente demorou um bom tempo ensaiando, descobrindo para dar certo. Porque rearranjar suas próprias músicas, escutá-las e pensar numa forma diferente foi bem complicado, mas foi muito bom e ajudou muito para o “Música Crocante”. Foi um desafio.

Como vocês vêem o mercado independente nacional atualmente?

Eu acho que agora talvez tenha um mercado, não sei se tão grande. Mas soube que os festivais têm aumentado e a estrutura também. A Feira de Música tem sido um sucesso… eu não frequento muito, mas tenho acompanhado as coletivas e tem começado a engatinhar com alguma infraestrutura.

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No carnaval de Recife, show em homenagem aos 40 anos de carreira de Alceu Valença terá Pitty, Ney Matogrosso, Lenine e outros

A baiana Pitty é mais um nome confirmado no show que vai homenagear os 40 anos de carreira de Alceu Valença e que abrirá o Carnaval Multicultural do Recife, na sexta, 17 de fevereiro. Com direção musical de Pupillo, da Nação Zumbi, Pitty se apresentará ao lado de Ney Matogrosso, Criolo, Lenine, Otto, Lirinha e Karina Buhr, cantando sucessos do homenageado no palco do Marco Zero – pólo principal da folia. Antes deles, o músico Naná Vasconcelos vai comandar um grande encontro de maracatus, com a participação da cantora africana Angelique Kidjo e do grupo performático Stomp.

Ao longo dos quatro dias de Carnaval, passarão pelos 17 pólos espalhados pela capital pernambucana nomes como Lulu Santos, Beth Carvalho, Gaby Amarantos, Roberta Sá, Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Junio Barreto, Zé Ricardo, Almir Rouche, Lia de Itamaracá, André Rio, Academia da Berlinda, Reginaldo Rossi, Elba Ramalho, Marcelo Jeneci, Quinteto Violado, Mombojó, Ortinho, China e Silvério Pessoa.

Vários encontros especiais estão previstos, como o da banda Eddie – criadora de Quando a Maré Encher, famosa com Cássia Eller – com o cantor Nasi, no Marco Zero. Já Gaby Amarantos, que canta na segunda (no Pátio de São Pedro) e na terça (em Brasília Teimosa), terá como convidada especial a atriz Hermila Guedes, estrela do premiado filme O Céu de Suely, que cantará com ela Pimenta com Sal, destaque do primeiro CD solo da paraense. Lia Sophia, nova revelação da cena paraense, também cantará com Gaby.

Nos últimos anos, o Carnaval do Recife ganhou destaque por promover shows gratuitos durante os quatro dias de festa. Por lá, já passaram Caetano Veloso, Maria Bethânia (num show só de maracatus), Gal Costa (cantando apenas frevos, com a orquestra do Maestro Spok), Vanessa da Mata, Maria Rita, Preta Gil, Marina Lima, Maria Gadu e muitos outros artistas.

A programação completa pode ser conferida no site

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The Mark: Inspirados por Vinícius, Chico e Calcanhotto, irmãos gaúchos Kleiton & Kledir dedicaram ‘Par ou Ímpar’ às crianças

Na coluna Markusic da The Mark, foi publicado na semana “Tiny Little Things” um bate papo com Kleiton & Kledir sobre “Par ou Ímpar”, um disco feito para guris.  Nele, os irmãos gaúchos gravaram canções sentimentais e, também, músicas compostas recentemente para a criançada. Leia a introdução do texto disponível na revista virtual e, depois, vá até lá mergulhar na íntegra da entrevista. Aproveite e… volte a ser criança!!!

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A música também sempre teve momentos de “fofidão”. É verdade. Quem não achou fofo, na década de 80, Raul Seixas gravar “Carimbador Maluco” junto com o Balão Mágico? Eu, não, porque eu era bem pequena naquela época… Mas meus pais contam que foi uma brecha na vida louca do maluco beleza. Não faz muito tempo que a moda de músico adulto se dedicar à criançada voltou. E não foi um ou dois que gravaram uma ou duas canções dedicadas aos pimpolhos. Grandes nomes brasileiros voltaram ao jardim de infância e fizeram verdadeiras obras de arte infantis. Primeiro, foi Adriana Calcanhotto, com seu “Partimpim”. Depois, vieram Pato Fu, Arnaldo Antunes, Kleiton & Kledir… A banda de Fernanda Takai e John Ulhôa gravou “Música de Brinquedo” usando apenas instrumentos infantis. “Pequeno Cidadão” traz músicas compostas pelo ex-integrante dos Titãs e por Edgard Scandurra, Taciana Barros e Antonio Pinto para seus filhos. Já os irmãos gaúchos sentiram-se estimulados pela tradição de músicos brasileiros dedicarem canções às crianças e lançaram o álbum “Par ou Ímpar” recentemente.

“É uma novidade na carreira, mas a vontade era antiga. Ficamos entusiasmados quando Vinícius de Moraes lançou ‘A Arca de Noé’. Depois, o MPB4 fez discos infantis (“Flicts” e “Adivinha o que é”). Existe essa tradição na música brasileira que vem desde Braguinha, passou por Chico Buarque quando ele fez ‘Os Saltimbancos’ e andou esquecida. Resgatada por Adriana, Arnaldo e Pato Fu, essa tradição serviu de estímulo pra gente”, conta Kledir.

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Clique aqui e leia a entrevista na íntegra

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Show do Happy Mondays no Rio é cancelado. Leia carta aberta do produtor do Circo Voador

O SHOW DO HAPPY MONDAYS SUBIU NO TELHADO

Ficamos felizes quando o agente do Happy Mondays entrou em contato com a gente oferecendo um show pro dia 17 de março. Ainda mais quando vimos que os shows no Brasil seriam os primeiros da reunião da banda. Mas conhecendo o histórico do Shaun Rider, ficamos com um pé atrás. Sequer tínhamos certeza se o publico ainda se ligava em quem era Happy Mondays. Dai colocamos um post no Facebook dizendo que se tivéssemos um determinado numero de likes até o final do dia, fecharíamos o show. Não demorou nem quinze minutos pra atingir esse numero. Movidos pela empolgação, acertamos um preço, fechamos o show e mandamos a primeira parcela do cachet.

Desde então varias notícias saíram na imprensa especializada internacional falando da reunião da banda, mas nenhuma citava os shows no Brasil. Achamos que esses shows seriam warm ups, aquelas gigs que as bandas que voltam fazem antes de partir pra uma grande turnê, como se fosse o soft oppening de um restaurante. Mas mesmo não constando do calendário oficial, estava tudo certo. Afinal, o contrato estava assinado e a primeira parcela havia sido retirada por eles.

Eis que hoje o agente me manda um e mail dizendo que o empresário havia pedido pra que se re-agendasse esses shows pra junho ou julho, mas que teríamos que pagar mais, já que seria com a formação original. Também aventou a possibilidade de ter um show da tour solo do Shaun Rider mais pro final do ano. Ou do Peter Hook, que é do mesmo agente. Daí caiu a ficha “Caímos no conto do Shaun Rider!”

Como assim seria mais caro, se só topamos o show do Happy Mondays porque seria com a formação original? Na hora me veio a mente aquela cena do 24 Hour Party People em que ele seqüestra as próprias masters do álbum exigindo do produtor do disco um resgate. I can’t fuck believe it!

Visto de um angulo romântico, seria uma honra tomar uma volta dessa do Shaun Rider, mas já encaramos muito Tim Maia na vida pra engolir essa, ainda mais de um doidão gringo. Sendo assim, nem pensamos em adiar esse show. Pedimos o din din de volta e pronto. Madchester de cu é rola!

Então é isso: lamentamos informar que o show do Happy Mondays não vai acontecer no Circo dia 17 de março.  As vendas estão suspensas. Quem comprou terá seu dinheiro de volta. Quem comprou pela ingresso.com terá o valor do ingresso estornado da fatura do cartão de crédito.  Os que compraram em dinheiro poderão fazer o reembolso na bilheteria do Circo. Se você é fã, não se preocupe: eles acabarão vindo pro Brasil qualquer hora. E vamos assistir amarradões, da plateia! Mas eu é que não quero batizar mais nenhum cabelo branco de Shaun Rider!

Valeu!

Rolinha, produtor do Circo Voador

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Entrevista de Jaime Alem ao GarotaFM é citada em site francês

A entrevista que o maestro Jaime Alem concedeu ao GarotaFM em 24/01/2010 serviu como inspiração para um post do Afro-Sambas, site francês dedicado à música brasileira. O texto é praticamente uma reprodução do que foi publicado na época em que o arranjador de Maria Bethânia lançou o álbum solo “Dez Cordas do Brasil”. No final, há uma citação do GarotaFM.

Leia entrevista com Jaime Alem no GarotaFM

Veja o destaque no site Afro-Sambas

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The Mark: C.Q. Lee promove androginia no rock

A revista virtual The Mark publicou esta semana uma resenha sobre o musical “Isto Aqui é Rok’n'Roll”, que está em cartaz às terças e quartas-feiras, até o fim de fevereiro, no Teatro Leblon. No palco, Carlos Lofller e Banda contam a história do roqueiro C.Q. Lee, que experimentou de tudo. Carlinhos Quase Lee (que tem esse nome porque se diz íntimo de Rita Lee), drogou-se pra caramba, vendeu maconha para integrantes dos Rolling Stones, inspirou diversos sucessos do rock etc. Bissexual assumido, entre uma música e outra, fala abertamente dos seus casos e dá em cima dos integrantes de sua banda. Vestem a camisa do show e surpreendem com tanto talento os guitarristas Lula Washington e Danilo Bareiro, o baterista Cassio Acioli, o baixista Rubey Catarcione e a backing vocal Kelly Ana. Carlos Loffler impressiona com seu potencial vocal.

Leia o texto na íntegra na coluna Markusic, na revista The Mark

 

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Marjorie Estiano fala para a The Mark sobre anos 90 e outros momentos de sua vida e carreira

“Nos anos 90, tinha roupas dos anos 90. Acho que usei baloné. É, usei muita baloné.”

Para a música, os anos 90 foram o início da mistura que hoje domina o cenário. O rock continuou tendo seu espaço, mas com ele dividia as atenções o pagode, o axé e o movimento manguebeat, encabeçado pelo pernambucano Chico Science. Nesta mesma época,  em Curitiba, uma jovem apaixonada por todo tipo de arte que não tinha decidido ainda se queria ser cantora ou atriz, mas já estudava teatro e fazia aulas de canto. Mais tarde, já no século XXI, Marjorie Estiano acabou assumindo os dois papéis e conseguiu até protagonizar ambos quando estreou na telinha como Natasha, em Malhação, da Rede Globo. Marjorie tem em seu currículo dois álbuns (“Marjorie Estiano” e “Flores, Amores e Blábláblá”), um DVD (“Marjorie Estiano e Banda Ao Vivo”), participações em coletâneas e shows aos montes. Para nossa entrevista especial sobre anos 90, a The Mark elegeu a cantriz Marjorie Estiano para falar sobre a década em que foi adolescente e outros momentos de sua vida e carreira.

Leia entrevista de Júlia Almeida e Christina Fuscaldo com Marjorie Estiano


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Cantora, compositora, cineasta e ‘filha de’

Herdeira de Glauber, Ava Rocha lança disco de estreia de sua banda, AVA, e faz show no Rio

Realizado todas as quartas-feiras, às 20h30, gratuitamente, no Studio RJ (Av. Vieira Souto, 110, Ipanema), o projeto Cedo e Senta, do Fora do Eixo, recebe a banda AVA. Apresentando o show do disco “Diurno”, AVA é formada por Ava Rocha, Daniel Castanheira, Emiliano Sette e Nana Carneiro da Cunha. A banda Canastra encerra a noite e, no comando das picapes, a DJ Tata Ogan apresenta seu estilo “Da raiz ao chip”. Para conhecer melhor a AVA, leia a matéria que saiu na revista Rolling Stone de dezembro sobre AVA, com complemento especialmente feito para o GarotaFM:

 

“Surge uma nova cantora de voz grave.” A manchete poderia ser essa se Ava Rocha não fosse muito mais do que isso. A cantora de voz peculiarmente grave é também compositora, cineasta, neta de Jorge Gaitán Durán, poeta famosíssimo na Colômbia, e filha caçula do ícone do Cinema Novo Glauber Rocha. Ava entende menos de música do que de cinema, mas enveredou para essa arte depois de aprender a ser musicista com o irmão, o compositor Pedro Paulo Rocha. Ela reuniu três músicos de talentos tão peculiares quanto o dela na AVA e, desde 2008, com o microfone na mão e muitas ideias na cabeça, vem recebendo elogios, conquistando seu público nos palcos do Rio de Janeiro e gravando. O resultado da experimentação está no disco “Diurno”, que a Warner acaba de lançar.

“Sou a pessoa menos preparada musicalmente na banda. Falo de composição como se estivesse falando de um filme que invento. Sempre cantei, mas nunca me vi como cantora. Comecei a entender esse meu lugar na música ao lado do Pedro, porque ele também não tem o compromisso estritamente musical. A partir da música que ele faz, estética, política e filosófica, senti uma vitalidade no meu canto. Encontrei neles (músicos da banda) a mesma liberdade”, conta Ava.

Pedro virou o quinto elemento da AVA, além de parceiro da irmã em “O Futuro”, “Batendo no Mundo” e “Filha da Ira”, esta última a primeira composição da artista. Na banda, estão Daniel Castanheira, Emiliano Sette e Nana Carneiro da Cunha. Doutorando em Letras, Daniel assume a bateria, a percussão e os elementos eletrônicos do álbum. Fã de João Gilberto e Jimi Hendrix, Emiliano toca violão com pedais. Nana faz do violoncelo seu instrumento de rock’n'roll. No palco, o quarteto também é acompanhado pelo baixista (Rodrigo Sebastian) e  pelo pianista (Otávio Ortega), que também gravaram em “Diurno”. Gravado em estúdios, salas abertas e até no atelier do Tunga (artista plástico que fez a capa do CD), a mistura resulta em um som experimental, meio soturno meio enigmático e, sem dúvida, orgânico e diferente de tudo o que se vê por aí.

“Cada um traz seu conjunto de referências e todo mundo compartilha algumas. John Cage, Velvet Underground e Arto Lindsay, que gravou guitarra em ‘O Futuro’, são alguns. A última música do disco são todas as músicas coladas uma por cima da outra numa faixa só. É uma ruidagem que Cildo Meireles fez em um dos trabalhos dele”, diz Daniel.

Ava tenta enumerar as influências acumuladas em seus 32 anos de vida: “Para mim, referências fortes nesse disco e nesse processo são Clarice Lispector, Frida Kahlo, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, Jards Macalé, John Cage, Godart, Deleuze, a poesia latino-americana, Charly Garcia…”

Da MPB, a banda regravou “Movimento dos Barcos”, de Jards Macalé e Capinam, e “Pra Dizer Adeus”, de Edu Lobo e Torquato Neto. Os irmãos Ava e Pedro assinam com Clarice Lispector a autoria de “Batendo no Mundo”, que traz uma passagem do livro “Água Viva”, da escritora. Do avô colombiano, Ava Rocha trouxe para o disco, musicado por ela e Emiliano, o poema “Sé Que Estoy Vivo”, do Livro “Os Amantes” (1959). Orgulhosa de sua história, Ava não tem medo do estigma de “filha de”.

“Minha mãe se chama Paula Gaitán e também é cineasta. Minha avó era diretora de teatro. Dos 14 aos 20, morei em Bogotá e deixei de ser a filha de Glauber para me tornar a neta de Jorge Gaitán Durán. Mas sempre fui eu, e acho natural que as pessoas tenham afeto e transfiram um pouco esse sentimento. E não me incomoda. Talvez possa estar havendo uma certa preguiça. Meu irmão (Eryk Rocha) é um cineasta importante no Brasil e continuam chamando ele de ‘filho do Glauber’. É um gancho, abre portas, mas é uma coisa natural na nossa vida… Mas não sou a única filha de cineasta nessa banda”, esquiva, apontando para Emiliano.

O violonista é filho de José Sette, autor de filmes como “Um Filme 100% Brazileiro” e “A Janela do Caos”, e, assim como todos os outros, inclusive Ava, fã de Glauber:

“Independente de qualquer coisa, meu pai só traz coisas boas para todas as pessoas que tem ligação com a cultura brasileira. Todos aqui são filhos de Glauber”, finaliza Ava.

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Em exposição no Santa Marta, ensaio ‘SER infância’ mostra artistas brincando com crianças da colônia de férias da comunidade

Muito gringo não sabe, mas a maioria dos moradores das favelas do Rio não gostam de ser fotografados como meros personagens de cartões postais. Quando são seus filhos que estão em foco, então, a resistência é maior ainda. Foi por isso que Tatynne Lauria levou dois anos para conquistar a confiança dos frequentadores, diretores e coordenadores da ECO, colônia de férias que funciona no Santa Marta há 33 anos e promove durante janeiro, período de férias escolares, atividades para cerca de 300 crianças. A coordenadora de produção da novela Fina Estampa, da TV Globo, e fotógrafa foi se chegando e conquistando respeito. Para provar que seu grande interesse era divulgar esse trabalho que move a comunidade desde o ano em que ela nasceu, Tatynne Lauria levou convidados ilustríssimos para brincarem também e posarem para sua lente junto a toda a turma. Pedro Bial, Milton Gonçalves, Leandro Sapucahy, Marcelo Faustini, Luana Piovanni e Dudu Azevedo foram alguns que subiram o morro e se divertiram durante o ensaio “SER infância”, que está em exposição pelas ruas do Santa Marta. A mostra começa ainda na Rua Marechal Francisco de Moura e vai até a sede da ECO. É só seguir as pegadas amarelas pintadas rente ao meio-fio, do lado direito da rua.

Sobre a ECO:

Há 33 anos desenvolvendo atividades culturais, sociais e educacionais na comunidade do Santa Marta, em Botafogo-RJ, o Grupo Eco é uma entidade sem fins lucrativos, de caráter educacional e cultural , que tem como filosofia promover e apoiar na Favela Santa Marta e, eventualmente, fora dela, atividades e iniciativas que visem o desenvolvimento humano integral das pessoas e da comunidade, com atenção especial às crianças, adolescentes e jovens, em busca da afirmação da dignidade da pessoa humana; do pleno exercício da cidadania.

Uma das principais atividades do grupo, que hoje conta com aproximadamente cem associados é a colônia de férias cultural ECO, que realizará sua 33° edição em 2012, sempre realizada no mês de janeiro, dos dias 08 a 22, quando o período escolar está em recesso. O projeto conta com a participação de 320 crianças e adolescentes, que ficam 15 dias sob a responsabilidade dos integrantes do Eco, em atividades dentro e fora da comunidade em Botafogo. Esse ano , com o objetivo de arrecadar doadores culturais, parceiros, apoiadores, o grupo lançou a campanha “Jogo da vida – todos fazem parte” para mobilizar ações de integração cultural e urbana com a cidade.

Sobre a exposição:

Com o objetivo de dar maior visibilidade à campanha e afirmar a seriedade e a responsabilidade de todos com o projeto, a fotografa e produtora Tatynne Lauria, desenvolveu junto a integrantes do grupo a II parte da campanha: “Jogo da vida – parte II, a brincadeira da minha infância.”

A intenção, foi criar um ensaio fotográfico que não fosse apenas o vestir a camisa e doar a imagem, e sim convidar pessoas de diversos seguimentos a se disponibilizarem para voltarem a SER criança. A terem uma releitura de suas infâncias e traçarem um panorama sobre a responsabilidade e importância do “SER” infância, que resultou nesse projeto.

Fotos: Tatynne Lauria

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