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‘Michael Jackson’s This Is It’ confirma: fãs perderam o ídolo e um grande espetáculo

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

thisisit

“Serão minhas últimas apresentações!”, exclama Michael Jackson no início de “This Is It”, documentário que mostra os últimos ensaios do Rei do Pop para as 50 apresentações que faria a partir de julho. Exibido simultaneamente em diversos países na noite desta terça-feira (27/10), o filme deixa claro que a perda que os fãs sofreram não foi só a do ídolo, mas a de um grande espetáculo que estava para nascer. A aparência não é das melhores: Michael, muito magro, poucas vezes aparece sem os óculos. Porém a energia surpreende. Quem acompanhou toda a saga após a morte, em 25/06/09, do cantor, não poderia imaginar que, dias antes, ele estava dançando a pleno vapor.

“Os dançarinos são a extensão de Michael Jackson”, avisa Kenny Ortega, diretor do show e do filme, antes da seleção dos bailarinos que acompanhariam o cantor na turnê. Michael não era só um grande astro, mas também um professor: é ele mesmo quem ensina ao eleitos como se tornar sua “extensão”. Destaque para as aulas em “They Don’t Really Care About Us”. Deu para ver que também os músicos aprendiam com “MJ” – como é chamado pelo diretor, muitas vezes – durante os ensaios. Um deles é o tecladista e diretor musical Mo Pleasure, que leva alguns minutos para satisfazer o astro com um acorde desejado pelo mesmo e não alcançado.

Michael Jackson ensaiando

Michael Jackson ensaiando

‘Parece que estão apunhalando meus ouvidos!’

Michael Jackson tem seus momentos de estrela. Na verdade, todo o tempo ele é tratado como criança. “Michael, você quer que a gente faça isso?”; “Michael, você quer que façamos aquilo?”. E, às vezes, ele surta (com educação), como quando acha que o som do in ear (fone de ouvido) está alto demais. “Parece que estão apunhalando meus ouvidos! O som está alto. Gosto de som natural. Estou falando isso com amor. L.O.V.”

Em “I’ll Be There”, não fica claro se ele tem dificuldade de soltar o agudo – esse não seria um achismo coerente, visto que as notas, todas elas, ao longo do filme, acontecem -, mas é neste momento que Michael dá uma de estrela. “Estou tentando preservar a voz”, diz. Quando faz dueto em “I Just Can’t Stop Loving You” com Judith Hill (leia mais sobre a backing vocal), repete a frase, sem perceber que está colocando a moça muuuitos degraus abaixo dele: “Tudo bem você soltar a voz. Eu tenho que preservar a minha.”  Ela nem liga…

Além de um presente para os fãs que nunca mais assistirão a um show de Michael Jackson, o documentário é a prova de que o músico era um grande apaixonado pelo ser humano e pelo planeta. Ao final, declara-se à equipe (“Somos uma família”), pede amor nas apresentações (“Vamos mostrar a eles que é importante amar um ao outro”) e faz um apelo pela Terra (“Temos quatro anos para desfazer os estragos ou os danos serão irreversíveis”).

E, quem saiu do cinema quando as letrinhas começaram a subir, não viu mais uma cena de Michael Jackson. Nada demais, mas… por que não aproveitar até o último segundo da imagem do grande ídolo?!

Dá para acreditar que Michael Jackson morreu?

quinta-feira, 25 de junho de 2009
Michael Jackson na turnê 'History world tour', em 2004 / Foto: Reprodução internet

Michael Jackson na turnê 'History world tour', em 2004 / Foto: Reprodução internet

De folga, recebi a notícia por um amigo do Jornal do Brasil, através do MSN: “Acho que Michael Jackson morreu”. Minha primeira reação foi colocar aquele monte de “K” que representa uma gargalhada. Não acreditei, juro. Uma hora depois, liga uma amiga e colega de trabalho lá do site d’O Globo: “Ainda bem que estás de folga. Mas mataste dois” (ela falou isso porque morreu hoje também Farrah Fawcett e porque, todo fim de semana em que dou plantão, morre alguém). Gelei. Era verdade! Falei “é, tô sabendo”, mas ainda demorei a crer.

Leia matéria sobre a morte de Jackson publicada no site d’O Globo

Não que eu fosse uma apaixonada por Michael Jackson. Não! Sempre preferi Madonna. E, na verdade, quando me entendi por gente, ele já era uma figura esquisita. Cheguei a ter nojo em alguns momentos. Mas, depois, o tempo foi passando e eu fui me apegando às bizarrices. Este ano, cheguei a fazer cálculos para saber se seria possível ver um desses 50 shows que ele programou para fazer em Londres. Agora, nem se eu ganhar na loteria.

Morre o músico e mantém-se o mito. Vamos guardar na memória o nariz quase pra dentro, a pele que deixou de ser negra para ficar branca, a imagem do neném sacudido na sacada de um hotel e o legado de ótimas músicas que Michael deixou. Que tenha paz pelo menos em seu descanso!