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Teia 2010: Conheça a rádio Ribuliço e confira Amarelo e Jovem entrevistando um ao outro

domingo, 4 de abril de 2010

Um dos assuntos mais debatidos durante o Teia 2010 – Tambores Digitais, realizado em Fortaleza entre os dias 25 e 31 de março, foi Comunicação Compartilhada. Dessas conversas surgiu a ideia de colocar para funcionar uma rádio. Batizada de Ribuliço, a “emissora” (na internet e no dial cearense 98.3 Mhz) transmitiu a cobertura do evento dedicado ao encontro das culturas de diversos estados do país. À frente, ficaram membros de coletivos presentes no festival, tais como Soy Loco Por Ti (Curitiba – PR), Pontão Rede Boca de Trombone (Fortaleza – CE) e Ponto de Cultura Coco de Umbigada (Olinda – PE). “Operando a mesa” (plagiando os músicos) estava o curitibano Marco Amarelo, que contou ao GarotaFM um pouco sobre o que aconteceu por lá. No dia do flagra, seu entrevistado era Jovem, que faz parte dos coletivos Massa Coletiva e Circuito Fora do Eixo, e que decidiu também levar uma entrevista com Amarelo para “casa” (São Carlos – SP). Aqui, você  vai entender melhor esse processo assistindo ao encontro dos dois (em cada vídeo, um faz o papel de entrevistador) e lendo o que eles têm a dizer sobre a rádio e suas histórias com o Teia 2010. Qualquer problema para assistir aos vídeos, clique aqui: Amarelo entrevista Jovem / Jovem entrevista Amarelo.

GarotaFM: Quando e como surgiu a ideia de fazer a rádio Ribuliço? Quem trabalhou neste projeto?

Marco Amarelo: A rádio surgiu de dentro da comunicação compartilhada do Teia 2010. Comunicação compartilhada é a união entre indivíduos e coletivos que se juntam para fazer comunicação, ou seja, escrever sobre um evento ou um fato… O Teia era o nosso objeto. Esses indivíduos são comunicadores populares, não necessariamente jornalistas, apesar de ter muitos jornalistas envolvidos. Essas pessoas já realizam ações de comunicação compartilhada em seus meios de atuação. Para o Teia, elas foram convidadas. Houve um edital convocando pessoas que teriam interesse em participar da comunicação compartilhada. Pessoas do Brasil inteiro, com todas as linguagens foram selecionadas: texto, fotografia, rádio e TV. Eu fui um dos selecionados. Minha experiência vem de ações que realizei pelo Soy Loco Por Ti, um coletivo do qual faço parte que trabalha com integração latino-americana através da defesa do direito humano à cultura e a comunicação.

As pessoas se dividiram em linguagem. Como tive experiência em comunicação compartilhada no Teia Sul, em Santa Catarina, assumi a rádio, mesmo não sendo a minha especialidade. Além de mim, existiam mais oito pessoas trabalhando na rádio. Eu estava com a técnica, infra-estrutura e programação. Depois, o Zé Lopes assumiu a programação. E tínhamos repórteres fazendo sonoras em tudo quanto é canto do evento. A rádio não existia antes, não tinha este nome. Na primeira reunião de articulação, especificamos como seria o trabalho, dividimos os papéis e batizamos de Ribuliço pela diversidade cultural que o Teia carrega. A logo é “Aqui está tudo misturado”.

GFM: O que foi preciso para fazer a rádio funcionar na internet?

MA: Utilizamos um software para servidor de streaming chamado Icecast. Quando você trabalha com webradio, você tem um servidor que distribui o sinal e um programador que manda o sinal que o streaming vai enviar. O programador é um software chamado Internet DJ Console. Ambos são softwares livres disponíveis gratuitamente na internet. Lá, montamos uma estrutura de estúdio, com mesa de som etc.

GFM: O que foi preciso fazer para a rádio funcionar na FM?

MA: Usamos um transmissor FM cedido pelo Soy Loco Por Ti. Ele recebe o sinal de áudio analógico e o emite por uma antena. Era uma rádio livre (sem concessão pública), ocupando a frequência 98.3 Mhz.

GFM: O que de legal rolou na rádio durante o Teia 2010?

MA: Rolou bastante entrevista de rua, transmissão ao vivo de shows, debates etc.

GFM: Como surgiu o interesse em fazer uma entrevista com o Jovem, do Massa Coletiva?

MA: Jovem chegou trazendo um som bem legal quando estávamos acabando de montar a estrutura. Ele contou sobre os coletivos do qual faz parte, o Massa Coletiva e o Circuito Fora do Eixo, que produz comunicação livre. Foi um interesse pessoal, mas a informação que ele passou sobre a relação do Circuito Fora do Eixo era relevante para todos os Pontos de Cultura.

GFM: Com o fim do Teia 2010, a rádio saiu do ar?

MA: Saiu do ar, mas quero tentar mantê-la, propondo a integração desses coletivos que participaram dessa construção. Na verdade, quero que esse coletivo de comunicação compartilhada continue funcionando.

GarotaFM: O que você foi fazer no Teia 2010?

Jovem: Fui me apresentar na Mostra Artística, com a Discotecagem Radiofônica Independência ou Marte, um braço do nosso projeto do Ponto de Cultura aqui de São Carlos (SP). É claro que, a partir disso, outras coisas acabam sendo naturais, como a integração com outros Pontos, artistas etc.

GFM: Qual era seu foco de interesse no evento: Ponto de Cultura, conhecer gente, palco para show…?

J: Meu foco maior no evento eram as apresentações artísticas, especialmente as musicais, já que trabalho na área. Dentro do possível, busquei sacar também as apresentações mais tradicionais, ligadas à cultura popular. Lógico que é muito importante conhecer gente em um evento como este, e foi ótimo também para começar a me situar dentro deste universo dos Pontos de Cultura, já que somos bastante novos neste processo.

GFM: A entrevista que fez com Amarelo vai ser veiculada em algum lugar?

J: A entrevista que fiz com o Amarelo foi veiculada na edição#137 do nosso programa, que está disponível para escutar e baixar no nosso blog. Lá, tem a lista das atrações também, e esta sonora é a última do penúltimo bloco, antes do som do Mombojó. Dê um sacada.

* O GarotaFM viajou a Fortaleza a convite da assessoria de imprensa do Ministério da Cultura. Agradecimentos a Uirá Porã, Mônica Kimura e Sara Correia.

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Teia 2010: ‘É 60 mil para todo mundo. Criamos uma plataforma de igualdade’, diz Célio Turino

sábado, 3 de abril de 2010

Uma das medidas mais aclamadas da gestão de Gilberto Gil no ministério da Cultura foi a criação dos Pontos de Cultura. Na época, trabalhando junto com o músico-ministro estava Célio Turino, secretário da Cidadania Cultural, que seguiu tocando o projeto. Na edição 2010 do Teia – Tambores Digitais, realizada em Fortaleza (CE), Turino lançou o livro “Pontos de Cultura: o Brasil de Baixo para Cima”, que disseca seus oito anos de dedicação ao projeto que hoje é referência no mundo inteiro. Candidato a deputado federal nas eleições deste ano, Célio Turino está deixando o cargo – o posto ficará com TT Catalão, que já trabalha no programa Cultura Viva. Em Fortaleza, ele deu uma das últimas entrevistas sobre os Pontos de Cultura ainda como secretário da Cidadania Cultural.

“Tratamos bem o povo. É (R$) 60 mil para todo mundo. Nós temos Ponto de Cultura erudita em universidade que ganha a mesma coisa que os meninos do hip hop. Criamos uma plataforma de igualdade. Então, o povo passou a ser bem tratado. Em segundo lugar, o povo começou a se retratar, a fazer seu auto-retrato. A imagem do povo brasileiro sempre foi feita por um olhar externo. A gente tem muita preocupação com o que os estrangeiros pensam da gente. Fomos educados assim”, disse Célio Turino durante a coletiva de imprensa concedida no domingo (28/03/2010).

Assista a trechos da entrevista:

* O GarotaFM viajou a Fortaleza a convite da assessoria de imprensa do Ministério da Cultura. Agradecimentos a Uirá Porã, Mônica Kimura e Sara Correia.

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Teia 2010: Conheça o Art.1, que misturou rap com pop em evento em Fortaleza

sexta-feira, 2 de abril de 2010

art1 Também seguiram a cartilha do que se propôs a ser o Teia 2010 – Tambores Digitais as atrações musicais presentes na programação do evento. Não houve show de Ivete Sangalo. Tampouco Alceu Valença deu pinta por lá. Além de Fagner – um dos maiores representantes da música cearense no país, porém um artista há tempos distante dos holofotes do mainstream – passaram pelos palcos Chico César, Mombojó… e muitos nomes novos. Um deles foi a banda Art.1. Passeando pelo Dragão do Mar, onde aconteceu o evento entre os dias 25 e 31 de março, esbarrei com esses jovens misturadores de rap com música pop que, pouco depois, descobri serem quase conterrâneos (digamos que são vizinhos). Eles vieram de Macaé (RJ) especialmente para apresentar seu trabalho no lugar onde o objetivo era promover o encontro das culturas de diversos estados do país. No palco, divulgaram o CD que lançaram recentemente, intitulado “A Arte de um Sobre Muitos” (na foto, a capa), e agitaram a plateia. No site da banda, um resumo de sua história:

“O grupo é fruto dos resultados das oficinas de percussão e bateria que havia no Projeto Hip Hop (eixo 1), acrescidos da experiência de outros jovens que faziam participações em corais e grupos de música pop em Macaé. O nome da banda foi escolhido a partir de uma pesquisa coletiva – Art. 1 tem duplo sentido: refere-se ao artigo no. 1 do Código Civil, que inscreve o cidadão como ser de direitos e deveres, e em segundo plano aponta a arte como manifestação prioritária na expressão do ser humano.

Em suas criações, a Art.1 utiliza um conteúdo politizado a partir de uma linguagem que mixa black music com MPB – um processo de constante experimento entre ‘o novo e o velho’ que revelou músicas como: ‘Um Salve a Comunidade’; ‘A Arte de 1 Sobre Muitos (parte I e II)’ e ‘Como Sempre’.”

* O GarotaFM viajou a Fortaleza a convite da assessoria de imprensa do Ministério da Cultura. Agradecimentos a Uirá Porã, Mônica Kimura e Sara Correia.

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Teia 2010: No palco, Mombojó convida China e recebe um dançarino

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Teia 2010 – Tambores Digitais, em Fortaleza (CE), não sediou apenas encontros e debates sobre os Pontos de Cultura do país. Na Mostra Artística, muitas outras coisas aconteceram. Por exemplo, os shows. No sábado (27/03), a banda pernambucana Mombojó foi a grande atração do Palco Verde. “Duas Cores”, do disco de estreia, abriu os trabalhos. Logo depois, os músicos da banda convidaram ao palco seu maior parceiro, China, com quem dividem os shows do projeto Del Rey (só de músicas de Roberto Carlos). De quebra, um não convidado nem um pouco ilustre – porém muito divertido, não dá para negar – também tomou seu lugar ao lado dos artistas. O dançarino fez sua performance e acabou conquistando os pernambucanos, tendo sido convidado a voltar ao palco para um repeteco.

Abaixo, assista a trechos do show do Mombojó:

* O GarotaFM viajou a Fortaleza a convite da assessoria de imprensa do Ministério da Cultura. Agradecimentos a Uirá Porã, Mônica Kimura e Sara Correia.

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Teia 2010: Revelando os Brasis através da descentralização da produção

quarta-feira, 31 de março de 2010
Projeção na rede

Projeção na rede

Boi Vidança

Boi Vidança

Realizado em Fortaleza (CE) entre os dias 25 e 31 de março, o Teia 2010 – Tambores Digitais teve como objetivo promover o encontro das culturas de diversos estados do país. Uma parceria da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura – representado pelo Instituto da Cidade – do Ministério da Cultura, do Governo do Ceará e do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (IACC), o evento visa revelar os Brasis através da descentralização da produção. Nesta edição, aconteceu o III Fórum Nacional de Pontos de Cultura, junto com seminários, painéis, debates, exposições, uma feira de economia solidária e apresentações artísticas de todos os tipos.

As atividades tiveram a presença de convidados do Brasil, da África, Europa e América Latina, e com a participação de representantes de 2.500 Pontos de Cultura. Nomes importantes como o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o secretário de Cidadania Cultural, Célio Turino, marcaram presença. A idéia destas discussões é consolidar a Teia como um espaço político e cultural destes Pontos e discutir a gestão compartilhada do Programa Cultura Viva.

Em uma das fotos, uma brincadeira com a palavra “rede”. Duas moças projetam fotografias na rede, mas naquela verdadeira, nas quais as pessoas se deitam para tirar um cochilo. Nas outras, é possível ver imagens do Boi Vidança, grupo folclórico do Ceará.

Bateria do Boi Vidança

Bateria do Boi Vidança

Após o cortejo, o palco

Após o cortejo, o palco

Da internet:

“A Associação Vidança surgiu em 1981, através do trabalho de sua presidente Anália Timbó, professora, bailarina e coreógrafa. Com formação na Escola de Dança Clássica e Neo-Clássica do SESI, voltada para as classes empobrecidas. Em 1979, ela assumiu o trabalho com crianças e adolescentes filhos de operários, e com vinte e seis anos de existência do projeto que busca, através de novas parcerias, cumprir sua meta de formar profissionais desde a infância, proporcionando uma formação em arte, cujo núcleo é a dança e a música. A meta é proporcionar uma educação continuada, capaz de capacitar os educadores que assumem a escola e compõem o corpo de baile do Vidança, a fim de alcançar a sustentabilidade da ação educadora, gerando emprego e renda para a comunidade do bairro Vila Velha, na Barra do Ceará, constituído essencialmente de sub-empregados, ou de desempregados sazonais. Historicamente, são desabrigados que não conseguiram áreas de moradia no bairro Pirambú e ocupam as adjacências do lugar.”

* O GarotaFM viajou a Fortaleza a convite da assessoria de imprensa do Ministério da Cultura. Agradecimentos a Uirá Porã, Mônica Kimura e Sara Correia.

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